Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Inácio José Peixoto
DOIS MEMORIALISTAS DO SÉCULO XVIII LEMBRADOS NA TOPONIMIA BRACARENSE Inácio José Peixoto e Manuel José da Silva Thadim Sobre proposta da Comissão de Toponímia, foi em tempo aprovada pela Câmara Municipal a atribuição dos nomes de dois dos mais citados memorialistas bracarenses do século XVIII – Inácio José Peixoto e Manuel José da Silva Thadim. Ao primeiro – Inácio José Peixoto - foi atribuído um arruamento situado na freguesia da Sé, que cruza com a rua Tenente Coronel Dias Pereira, por perto da urbanização das “Parretas” ( da Quinta do Porreta ), que rememora o memorialista que, segundo o prof. Doutor Luís de Oliveira Ramos, Director do Centro de Estudos Norte de Portugal, Aquitânia da Universidade do Porto, no Estudo Introdutório que precede a publicação coordenada pelo prof. Doutor Viriato Capela, das suas “Memórias Particulares”, da responsabilidade do Arquivo Distrital de Braga/Universidade do Minho, nasceu em Braga em 27 de Julho de 1732 , vindo a falecer, provavelmente, em 1808, ano em que relata a ida da corte portuguesa para o Brasil, e alguns acontecimentos ocorridos até Setembro desse ano, e “provavelmente no dia da sua morte, anuncia a derrota dos franceses e evoca a Virgem…”. É interessante notar que Inácio Peixoto ao escrever estas memórias o fez com o objectivo “tão só de servirem seus filhos e conservar em segredo”. No entanto afirma, José Viriato Capela, “a vontade expressa pelo autor de manter os seus testemunhos e memórias em sigilo até que fosse oportuna a sua divulgação “para a verdade da História”, foi só em parte respeitada. Inácio José Peixoto, foi desembargador da Relação Eclesiástica de Braga, tendo nascido em tempo de Sé Vacante, por morte de D. Rodrigo de Moura Telles, “quando os capitulares dominavam a cidade”, informa o Prof. Doutor Oliveira Ramos, já citado. Diz então o memorialista, em tempo que no burgo “o mais do povo se compunha de artífices, clérigos e estudantes” e “não se notava cousa que ofendesse a religião e a sua exterioridade. “Os cónegos e alguma nobreza faziam todo o respeito; …O cabido regia tudo com ambas as jurisdições, eclesiástica e secular, mas neste mesmo corpo havia parcialidades…Hum cónego chamado João Pinheiro Leite fazia a maior figura e o provisor Agostinho Marques de Castro não era menos e também era cónego”. Nas suas “Memórias Particulares”, Inácio José, dá um relato circunspecto da Bracara Augusta, em pleno século XVIII, quando na cidade arquiepiscopal decorria “a grande paz do reino …inclinava à igreja.” e “Braga era uma universidade e trazia mais de dois mil estudantes”,… “que (se) devia à inumerável cópia de jovens das províncias do Norte que concorria a frequentar as aulas”. Inácio José Peixoto, diz o citado Prof. Doutor Oliveira Ramos, esteve “ por vontade dos pais, influenciados pelos padres da Companhia … a vestir roupeta a contragosto. Livrou-o de tal destino (ingressar nos Jesuítas) uma madrinha, o que lhe evita as dores (em 1759) da extinção dos inacianos e dá azo à sua ida, aos catorze anos, para Coimbra. Pelas “Memórias” fica a conhecer-se a vida cultural da cidade, as personagens e os principais acontecimentos que ocorreram não só em Braga, como por grande parte do País. Tendo recebido ordens menores, não esquece a poesia, tanto a sacra como a profana. Depois de uma peregrinação a Santiago de Compostela, não aceita o lugar de Abade, em São Paio, Arcos de Val de Vez e abandona “opta pelo laicado” e contrai matrimónio, em 1792, com Dona Ana Clara, filha legitimada de um cónego, Bacharelado em leis, recentemente formado, convive em Braga com artistas, jurisconsultos e intelectuais, nomes referidos nas “Memórias”. Lê no Tribunal da Relação e principia por advogar que praticou com honra por mais de vinte anos. Chego a ser procurador do concelho de Braga, depois de ter lido no Desembargo do Paço, em Lisboa. Foi ministro secular da Relação como desembargador agravista e ainda procurador geral da mitra. Apesar da sua intensa actividade, ainda lhe sobrou tempo para escrever as “Memórias Particulares”, um repositório de factos, assuntos, política religiosa e civil, principalmente sobre Braga que, sem eles, hoje não seriam conhecidos, não fosse a sua tenacidade de deixar um precioso relato de grande parte do século XVIII até ao princípio do seguinte. Braga. 2 de Abril de 2008 LUÍS COSTA (1) – Para elaboração deste escrito socorremo-nos da publicação “Memórias Particulares”, editas pela U.M.


publicado por Varziano às 15:37
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