Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Manuel J.S.Thedim
MANUEL JOSÉ DA SILVA THADIM Como Inácio José Peixoto, também Silva Thadim tem a honra do seu nome figurar na toponímia bracarense. Pretendeu a Câmara de Braga, sobre proposta da respectiva comissão, homenagear dois grandes memorialistas do século XVIII, trazendo ao conhecimento dos bracarenses de hoje essas dois personagens que com a sua visão futura nos deixaram dois preciosos relatos da história que, sem eles, muito da história bracarense se teria perdido. Sobre o primeiro já, tudo ou quase tudo dentro das nossas limitadas possibilidades, dissemos. Resta-nos agora falar do segundo que não desmerece o primeiro mas sim antes se completam. Quem era Manuel José da Silva Thadim, cujo nome figura num arruado da freguesia sub-urbana de Real ? Para o sabermos recorremos ao seu manuscrito “Diário Bracarense”, que nos esclarece quando se lê a apresentação desse seu trabalho: “Peças justificativas de Documentos, e Provanças, que se contem neste Diário Bracarense. Escrito por Manuel José da Silva Thadim, Presbítero Secular, e Advogado nos Auditórios de Braga, e natural da mesma cidade”. Inicia este memorialista o seu infatigável trabalho, com um prefácio do qual extraímos algumas passagens : “DESCUIDO DOS ANTIGOS EM ESCREVEREM. A omissiva aplicação, que os nossos maiores houveram em escrever as Memórias do seu tempo tem causado prejuízos de se laborar na incerteza dos seus sucessos. Para evitar este intolerável descuido, e para animar a História Eclesiástica, e Secular, ilustrar a Igreja, enobrecer o País, imortalizando os povos e para minha particular instrução escrevo este Diário Bracarense com os factos mais remarcáveis, e dignos de menção não só da Augusta Cidade Primaz das Espanhas, mas também dos que sucederam neste Reino, e Cortes Estrangeiras da Europa. Se eles não fossem escritos, não ficariam agora lembrados, ou ao menos apareceriam desfigurados da verdade.” Continuando a justificação da narrativa no Diário, acaba por dizer que frequentemente algumas particularidades apreciáveis, logo se riscam da memória dos homens e, em pouco tempo, desaparecem sem deixar rasto, quando e ainda tem apenas um lustro de antiguidade. Afirma que se tem feito pouco apreço de certas notícias, assuntos que deveriam ficar na memória dos homens. Diz “…O certo é que se faz pouco apreço de certas notícias, que deviam permanecer na nossa lembrança, e em especial aquelas Memórias, que nos podem servir de instrução, governo, utilidade e recreio. A fim de que elas se perpetuem na nossa memória, e se não percam da nossa lembrança é que escrevi este Diário para recordar os curiosos de todas as notícias, e sucessos úteis de que presentemente se não faz estimação, e por esse motivo em pouco tempo ficam sepultadas em um total esquecimento.” Justificado o trabalho de escrever o “Diário”, Thadim inicia-o por uma descrição de Braga que “constava da Antiguidade dos seus Breviários, Santos, e Corpos de Prelados, que estão sepultados na Catedral, das primeiras imagens de maior devoção, da Antiguidade dos seus edifícios, do número das Dignidades, Cónegos, Desembargadores, Senhorio de Braga, e seus Ofícios Seculares, e Eclesiásticos, …”. Decorridas algumas páginas diz que principiou a escrever a escrever o Diário desde os princípios do século XVI e as principais Memórias dos anos de 1523 até 1562, extraídas de um caderno que Francisco Inácio Feio, morador na rua do Alcaide, genealogista das famílias da Província e de todo o Reino, e “muito instruído em antiguidades” as tinha copiado de um livro manuscrito antigo, que no seu tempo escreveu o Padre André Gonçalves, morador que foi na rua do Souto. Dá a referência de que viu esse livro, na livraria do Antiquário Valério Pinto de Sá. Este, também famoso genealógico, morava na rua do Campo e ainda nos diz que para o seu completo escrito recorreu também a alguns cadernos e de alguma lição de livros. Indica o ano quando principiou a escrever as memórias : “No ano de mil setecentos e quarenta e oito principiei a escrever este meu Diário…As do reino são escritas em Memórias Vagas, e incertas e também as do Estrangeiro, mas são extraídas e legalizadas em documentos e papéis autêntico…” Decorre a narração, por três séculos, indo terminar já no início do século XIX, com algumas anotações que já não são sua lavra. O “Diário Bracarense”, como sabemos um manuscrito de Thadim, segundo o Dr. Braga da Cruz, foi possuído no final do século XVIII e princípios do XIX, por alguém que “aproveitando espaços em branco, nele registou muitas anotações, algumas de grande interesse histórico”. Braga da Cruz, chega a suspeitar de que esse “alguém” era o beneficiado Manuel José da Costa Murta, tendo para isso feita várias diligências, confrontando, por exemplo, a “semelhança caligráfica”. De qualquer maneira tenha sido Costa Murta ou outro qualquer, o que é certo é que estas anotações acrescentadas ao diário de Thadim, muito o vierem valorizar. Deve a cidade de Braga, estar grata porque em tempos idos, houve memorialistas como os citados Thadim e Inácio José Peixoto, ou ainda o Comendador Bernardino José de Senna Freitas, não o padre seu irmão, ou o Dr. João Baptista Vieira Gomes, (doutor Chasco), que nos legaram uma documentação sem a qual a história da Bi-milenária Bracara Augusta, estaria, em muito, omissa. Será interessante perguntar: e nos dias de hoje, quem fará a história de Braga, desde o início do século XIX e até hoje, tão minuciosa quanto a dos memorialistas dos séculos passados? Poderão dizer, hoje a imprensa, os jornais, fazem isso, mas concluo: de facto a imprensa contribui, mas um relato tão completo como nos deixaram os memorialistas de antanho, só em livro é que perdura. Braga, 4 de Abril de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 15:42
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