Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Moura Coutinho
R U A M O U R A C O U T I N H O Com início na rua Lopes Gonçalves a rua Moura Coutinho vai entroncar na rua Padre Cruz. A Câmara Municipal a atribuir este topónimo não mais quis que homenagear um arquitecto que não sendo bracarense, deu a Braga, ao longo mais de cinquenta anos a sua colaboração, enriquecendo a cidade com a sua arte de projectar edifícios, que hoje marcam uma época. Conhecedor profundo de todas as matérias ligadas à arquitectura, desde a clássica à “Belle époque”, foi um grande artista “para quem a arte de edificação não tinha segredos”. Das artes antigas, o seu conhecimento revela-se no restauro da Capela de São Frutuoso, em Montélios, levada a efeito pelos anos de 30/40 do século findo, o que originou, neste diário, uma saudável e polida polémica com o estudioso Dr. Manuel Monteiro. A sua maneira de desenhar influenciou, em Braga. a primeira metade do século XX, fazendo com que outros lhe seguissem as pisadas. Podemos dizer que toda a ala poente da Avenida da Liberdade, entre o Teatro Circo, a sua mais emblemática obra, inaugurada em 15 de Abril de 1915, até à Praça da República, passando pela sua “Casa do Artista” – Farmácia Brito - distinguida então pela revista “Arquitectura Portuguesa” - e passando para o lado Nascente, para o edifício do Turismo, projecto do qual mais tarde se arrependeu. Penalizando-se de tentar aqui o “moderno”, desenha o edifício do antigo Café Cinelândia, hoje usado por uma loja de roupa. Mas nem só nesta artéria deixou, Moura Coutinho, a sua marca de arquitecto. Por esta Braga, várias são as fachadas devidas ao seu gosto. Assim à entrada da avenida 31 de Janeiro, no gaveto formado com o largo da Senhora-a-Branca, uma casa feita para o general Lobato Guerra – hoje parte dela ocupada por uma clínica e a outra como sede de um partido político. No largo Barão de São Martinho, à entrada da rua do Souto, é também da sua lavra o edifício do Jornal de Noticias. O Banco de Portugal, o Lar Conde de Agrolongo, a fachada da igreja do Carmo, a remodelação interior do antigo tribunal, tendo idealizado, numa notável e feliz solução o desenho da escadaria principal, em espiral elegante e nobre, hoje solução que já não se pode observar por o interior do tribunal ter sido destruído, obedecendo ao tal vendaval do progresso, que tem arrasado muitos testemunhos do passado. Mas a actividade de Moura Coutinho não se ficou pela sua terra de adopção. Assim no Porto, Lisboa, Viseu, Lousã, Póvoa de Varzim, Coimbra, estão assinados vários dos seus projectos. Sabemos que no Porto e Lisboa, são projectos seus os edifícios do antigo Banco do Minho. Em Coimbra é da sua mão o Hotel Astória. O Banco de Portugal de Viseu, a Câmara Municipal da Lousã, a antiga igreja de São José de Ribamar, na Póvoa de Varzim, são, entre outros, alguns dos seus projectos. Na Póvoa, chegou a elaborar, a pedido da Câmara Municipal, dois grandiosos projectos que não se chegaram a concretizar. Tratava, um, do prolongamento do Passeio Alegre, por toda a frente da praia, até à Esplanada do Carvalhido e, o outro da construção de casas de renda económica. Era de facto um artista consumado, considerado pelos seus colegas como um dos mais sabedores e competentes arquitectos, mestre na arte de bem projectar. Segundo a opinião do Juiz Conselheiro Francisco José Veloso, amigo pessoal de Moura Coutinho, exarada na introdução do livro “São Frutuoso”, uma publicação da Aspa, que conseguiu aproveitar uns cadernos que o saudoso arquitecto tinha para publicar, no que foi impedido pela sua morte, e se encontravam adormecidos num armazém do Teatro Circo, pode “dizer-se que a arquitectura bracarense da “belle époque” lhe deve quase tudo”. Sempre rodeado de colaboradores de prestígio, conseguiu na oficina de desenho, na sua casa da rua de São Geraldo criar uma verdadeira escola de arquitectura, da qual saíram bons profissionais que prestigiaram a escola onde praticaram. Podemos de entre eles destacar, José Morais, Amílcar Monteiro – um habilidoso escultor - , o arquitecto Vilaça – que projectou em 1924, A Casa dos Coimbras, aproveitando elementos da demolida primitiva construção manuelina – e aquele que foi, talvez, o seu mais prestigioso colaborador – o pintor Armando de Bastos que, em Braga, trabalhando com o mestre na segunda dezena do século XX, lhe deixou após a sua morte uma valiosa pinoteca, que mereceu a honra de uma exposição evocativa, pelo anos de 40, no Palácio Foz, em Lisboa. Fez no passado dia 20 deste mês 54 anos que faleceu na sua casa da rua de São Geraldo, o arquitecto Moura Coutinho. Nascido em 25 de Março de 1872, na freguesia de Arcos, do concelho de Anadia, viria a falecer em Braga, na madrugada fria de 20 de Janeiro de 1954, como dissemos na sua casa, verdadeira Catedral de Arte. Moura Coutinho, cedo veio para Braga como funcionário da Hidráulica, mas logo principiou por se impor como um verdadeiro cultor da arte de bem construir e, homem dotado de bom gosto arquitectónico, veio a fazer parte da Comissão de Estética da Câmara de Braga, onde pelo seu saber sempre foram acolhidas as suas sugestões para o embelezamento da cidade. Bem andaram os edis em atribuir o seu nome a uma das artérias da cidade, concrectamente, na freguesia de Maximinos. Braga, 21 de Janeiro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 15:52
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