Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Custódio Vilas Boas
RUA CUSTÓDIO VILAS BOAS UM EPISÓDIO DAS INVASÕES FRANCESAS Março de 1809. Uma segunda invasão francesa, comandada pelo General Soult, entra em de Portugal, vencendo as serranias do Alto Douro, Trás-os-Montes e Minho, onde, pela estrada de Chaves, chega à serra Amarela, no caminho de Braga. No planalto da Falperra, possivelmente no local onde se encontra a pequenina ermida de “Madalena, a Penitente”, encontra uma resistência constituída por algumas ordenanças mal armadas e municiadas, milícias de povo rústico armado de roçadeiras, chuços, e alguns patriotas também com rudimentares armas, burgueses e poucas gentes da nobreza. Comandava a defesa do norte do País, o General em chefe Bernardim Freire de Andrade que tinha como seu Quartel Mestre, o capitão Custódio José Gomes de Vilas Boas, mais tarde, segundo o seu assento de óbito, tenente-coronel. Com tão escassos meios a opor ao invasor, dotado de escolhidos e experimentados soldados, com poder de ofensiva ainda bastante forte, apesar de toda a vontade de repelir as tropas francesas, oferecendo alguma resistência, traduzido pelo desnivelado combate (dizem que no local no local da ermida de Madalena, a Penitente, escavando o terreiro, se encontram ossadas dos mortos na refrega), o General Freire de Andrade, face à desvantagem das forças que comandava, retirou para Braga, onde poderia melhor estabelecer a defesa da cidade. Esta estratégica retirada, não foi bem vista pelo povoléu, que amotinado julgou Freire de Andrade, como jacobino e francesismo, pois tinha o labéu de ter tomado parte na famosa Legião Portuguesa, incorporada à força no exército francês, aquando da Primeira Invasão comandada por Junot. Ora, a mancha infamante não recaiu apenas sobre Freire de Andrade. O seu Quartel Mestre, Custódio José Gomes de Vilas Boas, apanhou por tabela essa injusta desonra. A fúria do povileu, alimentada por certo por mal querença, descarregou sobre essas duas notáveis figuras de portugueses, a sua indomável raiva. Um e outro pagaram, com a vida, o seu patriótico exemplo. Primeiro, em 17 de Março, é assassinado Bernardim Freire. Diz o assento de óbitos de São José de São Lázaro : “Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e nove faleceo com todos os sac. digo faleceo porque o matarão em o Campo de Santa Ana com tiros o General em chefe Bernardim Freire seo corpo foi posto em hum Caixão e sepultado em esta Parochia de São José e athé ao Prezente nada teve de sufrágio …” Em consequência do avanço das tropas napoleónicas, avanço que, na região atribuíam a traição dos chefes militares portugueses, temendo pela sua segurança, Vilas Boas, refugia-se no Convento de Tibães, tendo ali sido procurado pela enraivecida, turbulenta e desorientada turba. Trazido para Braga, é assassinado, também a tiro, no Campo de Santa Ana, no dia seguinte ao da morte de Freire de Andrade, 18 do mês de Março de 1809. Diz o autor Bernardino Amândio, na publicação “O Engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas”, que : “Apesar de ter desaparecido com Vilas Boas, o notável Engenheiro Militar e hidráulico, a figura culta e profunda que se surpreende nas obras e escritos que nos legou o Livro de Óbitos de São Lázaro apenas se limita a acrescentar a causa da sua morte, em “o dia de guerra” e o local da sua sepultura ‘na paróquia de S. José, sem nada ter por sua Alma ’. Mas quem era o Vilas Boas e qual o interesse de o seu nome figurar numa das artérias de Braga, precisamente na zona da central de camionagem, com entrada pela avenida Norton de Matos ? A isto responde Arnaldo Gama, ao dar-nos a sua biografia, na obra “O Sargento Mor de Vilar” : “Custódio José Gomes de Vilas Boas, Quartel Mestre General, era oficial de engenharia, homem inteligente e de muito saber, Foi o primeiro engenheiro a quem se incumbiu a canalização do Cávado, assunto sobre que deixou escritas algumas memórias …Gozava de toda a confiança e amizade de Bernardim Freire, a quem tinha auxiliado valiosamente com o seu saber e com a sua energia na organização da defesa do rio Minho. A circunstância, porém, de já ter estado preso por ‘inconfidente’, fazia-o odioso à plebe, que desde muito o tinha na conta de jacobino e de traidor e inimigo da pátria”. Desde longa data que os comerciantes, marítimos, agricultores e industriais do vale do Cávado (Baixo Minho e até Trás-os-Montes) vinham reclamando junto dos poderes públicos o aproveitamento da foz do rio, em Esposende, para se formar ali um porto de mar, ao mesmo tempo que achavam que seria de toda a conveniência, para desenvolvimento e escoamento dos produtos daquelas regiões que fosse encanado o rio. Sabe-se que, pelo menos, no ano de 1795, dadas as exposições feitas pelos interessados, a Rainha Dona Maria I, “reviu e compreendeu o alarme da gente de Esposende e deve-se o primeiro estudo sério e talvez único até aos nossos dias. Por Alvará de 20 de Fevereiro de 1795, aprovou o plano de obras de canalização e navegação do rio Cávado, desde a sua foz até ao Vau do Bico, na confluência dos rios Cávado e Homem”. (1) No entanto só no dealbar do século XIX, é que o antigo desejo dos povos do Baixo Minho principiou a tomar verdadeiras providências para se vir a concretizar tão audacioso projecto, com a entrega da direcção, projecto e demais necessárias acções, ao Capitão de Engenharia, Custódio Vilas Boas. Do projecto fazia parte a construção do porto para entrar na barra de Esposende e na Anceada dos Cavalos de Fão. Vilas Boas chegou a dar início as obras, mas o estado de guerra em que o País se viu envolvido, fez com que elas fossem interrompidas e jamais voltando a ser retomadas. Para isso contribuiu o desaparecimento inglório do Engenheiro Director. Para esse empreendimento, as Câmaras directamente interessadas foram autorizadas a lançar um imposto para as “Obras do Encanamento do Cávado”, imposto que se manteve por muitos e dilatados anos, apesar de que já ter sido posta de parte a causa, ressuscitada sem êxito, por volta dos anos 30 ou 40 século XIX, prontamente rebatida pelas gentes do Porto, alegando, conforme diz uma acta da Câmara de Braga da época, que um porto de mar em Esposende, prejudicaria em muito a sua cidade, teoria que foi avante e assim morreu o projecto inicial de um porto de mar na foz do Cávado. Portanto a Câmara de Braga ao atribuir o nome de Custódio Vilas Boas, a uma artéria da cidade, não mais fez do que homenagear uma figura minhota distinta que só pelo destino não pode contribuir para o engrandecimento e economia, não só do Minho, mas também da cidade de Braga. Braga, 26 de Junho de 2008 LUÍS COSTA (1) Amândio – Bernardino – O engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas, pg. 24


publicado por Varziano às 16:07
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