Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Doutor Justino Cruz
RUA DOUTOR JUSTINO CRUZ Com início no Campo Conde de Agrolongo ( Campo da Vinha ) e términus na rua do Souto, a rua Doutor Justino Cruz, foi aberta em 1921. No final da segunda década do século XX, foi sugerido em reunião camarária que deveria ser ligado o Campo da Vinha ao largo de Santiago, dando acesso directo ao Governo Civil. Para isso foram sugeridas várias propostas sendo que uma delas indicava que poderia ser aproveitada a rua do Castelo, passando pela do Janes, largo São João do Souto e atravessando a zona histórica chegaria ao almejado largo de Santiago. Esta disparatada sugestão, apresentada por um iluminado edil, do qual não mencionamos o nome, mas que pode ler-se na acta da sessão camarária de então, dizia que “mais valeria sacrificar-se o templo de São Francisco, do que qualquer outra”. Felizmente esta proposta do ilustre vereador foi rejeitada “sem apelo nem agravo”, e escolhida a que partindo do Campo da Vinha, como se pretendia, apenas viria a derrubar, do lado do Campo, uma casa com estabelecimento comercial, “Casa Franqueira”, e na rua do Souto uma ou duas casas, e o terreno entre elas era apenas ocupado em parte pela cerca do antigo Paço dos Arcebispos ( onde chegou a ser projectado o Mercado Municipal ),e que é o traçado de hoje. Na reunião camarária de 14 de Outubro de 1921, o vereador Pereira Veiga, fazendo um caloroso elogio às “qualidades morais e intelectuais do malogrado republicano Dr. Justino Cruz, cujo aniversário fúnebre se passa (ou) no dia onze do corrente propôs como homenagem desta Câmara fosse dado o seu nome à nova rua que anda em construção e que liga a praça Conde de Agrolongo com a rua do Souto”. A esta justa homenagem associaram-se com palavras de merecido elogio do “carácter do grande cidadão e republicano que foi Justino Cruz, o senhor presidente e o vereador Ferreira Capa, sendo a proposta aprovada por aclamação”. No entanto, em 24 de Fevereiro de 1944, a Câmara resolveu rebaptizar esta rua atribuindo-lhe o nome de Francisco Sanches, bracarense, pelo menos de baptismo, pois foi baptizado em 25 de Julho de 1551, na velha igreja de São João do Souto, possivelmente românica, que tinha sido doada em 1161, (doc. nº.486, LIBER FIDEI) ao arcebispo Dom João Peculiar e à Sé de Braga, por Pedro Ourives. Francisco Sanches, cristão-novo, foi estudante em Montpllier e Bordéus e em Itália. Mais tarde regeu cadeiras nas Universidades de Montpllier e Tolosa, médico do czar da Rússia, etc. Considerado como um dos iniciadores da Filosofia Moderna, percursor de Bacon e Descartes, Francisco Sanches, é o autor do “Carmen de Cometa”, do “Quood Nihil Scitur, dos “Ópera Médica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Pela Universidade de Montpllier, Doutorou-se em Medicina, com apenas 24 anos. Médico, Matemático, Filósofo, foi, na Europa Renascentista, um dos espíritos mais brilhantes de então. Esta rua em 1952 foi prolongada até ao largo de São do Souto, tendo para isso sido derrubadas duas ou três casas da rua do Souto, fronteiras à rua rebaptizada, e sendo também nesta data derrubado o centenário estabelecimento “Frigideiras do Cantinho”, no referido largo de São João do Souto. Deste prolongamento ficou beneficiada a “Casa do Passadiço”, surgindo novos estabelecimentos neste espaço, um dos quais foi o sucessor do centenário estabelecimento. Após o 25 de Abril, em sessão camarária de 5 de Junho de 1974, foi resolvido que deixasse de ser considerada a rua Francisco Sanches desde o Campo da Vinha até à rua do Souto, passando de novo a ter esta parte do arruado o nome do Dr. Justino Cruz e, que permanecesse o topónimo de Francisco Sanches, dado que era uma figura bracarense de grande vulto, filósofo do século XVI, que mereceu ter a consagração da cidade de Braga, ficasse o seu nome no troço que desde a rua do Souto liga ao largo de São João, direito que lhe competia, e onde se vê a inscrição na igreja que atesta o seu baptismo. Neste largo foi colocada a estátua do consagrado filósofo, Francisco Sanches, devida ao escultor Barata Feio. Separa a rua Justino Cruz, mais ou menos a meio, o Jardim de Santa Bárbara e o largo Dr. Ferreira Salgado, e ainda entronca com a rua Eça de Queiroz, espaços que de Braga, de que falaremos em outra crónica. A rua Justino Cruz, estava inicialmente projectada para ter a largura do troço que ficou com o nome de Sanches mas, por uma decisão oficial que classificou, parte da construção que faz gaveto nascente com a rua do Souto, como de interesse público, ficou com o traçado que hoje vemos. No largo Dr. Ferreira Salgado, está instalada a sede da Comissão Regional do Verde Minho, e todo o espaço restante de um moderno complexo, foi ocupado por uma rede de estabelecimentos comerciais, banco e escritórios. Por aqui passava o circuito romântico conhecido pelo “Passeio dos Tristes”, que pela rua do Souto, largo Barão de São Martinho, Arcada da Lapa, largo de São Francisco, rua dos Capelistas e rua Justino Cruz, ao fim das tardes, era o passeio habitual dos namorados de então. Braga, 21 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 16:11
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