Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Dom Frei Caetano Brandão
DOM FREI CAETANO BRANDÃO NO BI-CENTENÁRIO DA SUA MORTE Comemora-se no dia l5 deste mês de Dezembro o bi-centenário da morte do insigne arcebispo bracarense Dom Frei Caetano Brandão, o primeiro antístete que perdeu o Senhorio de Braga, por Carta de Lei de 19 de Julho de 1790, imanado pela Rainha Dona Maria I que retirava o poder e jurisdição aos Donatários, caso do arcebispo bracarense, muito embora, como o relatam os Livros de Vereações da Câmara, e da época, esta perca não lhe ter retirado certas prerrogativas, como por exemplo a nomeação ou o acordo na nomeação dos vereadores camarários, corregedores, juízes de fora, etc., mas de acordo com a mesma carta, privava-os da gerência da administração judicial prerrogativas que, julgo, vieram a ser cassadas, anos depois, talvez, com o Liberalismo, quando os membros da Câmara passaram a ser escolhidos entre pessoas gradas da cidade e por eleição feita por um certo e determinado grupos de pessoas que tinham de obedecer a disposições especiais, como provarem que pagavam ao Estado um mínimo de contribuição. Passou então o tribunal civil a ocupar o tribunal da relação arcebispal, onde se manteve até cerca de 1869, quando a Câmara de Braga comprou, creio que em hasta pública, por 9.600$000 reis, o edifício da hoje Praça Conselheiro Torres e Almeida ( Tribunal Velho ), passando o tribunal eclesiástico para a hoje rua Dom Gualdim Pais. Tomou posse do arcebispado, em seu nome em 19 de Junho de 1790, por procuração passada o Provisor Dr. Pedro Paulo de Barros Pereira, Arcediago de Olivença. A sua entrada solene na cidade foi no dia 17 de Agosto. Em Ferreiros foi esperado dos diversas individualidades civis e religiosas, onde foi cumprimentado. Na entrada cidade dirigiu-se para a capela de São Miguel o Anjo, então ainda ao cimo do hoje avenida (Carvalheiras) que tomou o topónimo da capela, onde se paramentou e tomou a Capa, a Mitra e o Báculo, seguindo de seguida a pé, com o séquito que o tinha recebido até ao Arco da Porta Nova, onde recebeu das mãos do vereador mais velho, Inácio de Macedo, as Chaves da Cidade. A recepção por parte da população da cidade foi entusiástica, muito povo no trajecto por onde S. Eminência passaria. As janelas enfeitadas com ricas colgaduras davam um ar festivo à velha urbe. Dirigiu-se então, debaixo do palio, para a Catedral, onde se cantou um solene Te-Deum, findo o qual foi para o paço arcebispal, sempre acompanhado das autoridade, pessoas gradas da cidade e muito povo, tendo então, quando assomou à varanda do edifício, de onde abençoou a multidão, as Ordenanças, correspondido com três descargas do estilo. Se a recepção ao novo arcebispo foi brilhante, parece que em muito a superaram as suas exéquias quando da sua morte em l5 de Dezembro de 1805. Podemos fazer uma pálida ideia socorrendo-nos de um manuscrito que está guardado na Biblioteca de Lisboa, e que uma cópia encadernada existe no Arquivo da Câmara Municipal de Braga ( dois volumes) e que no final do segundo faz a descrição pormenorizada do que foi essa manifestação de pesar por parte da Braga inteira. Dele vamos respigar alguns trechos: “EXÉQUIAS DO ARCEBISPO SNR. D. FREI CAETANO BRANDÃO Depois da morte do Arcebispo morrer determinou o Illmº Cabido, fazer-lhe as suas exéquias do costume para o que mandaram vir armadores do Porto e juntamente todos desta cidade para cobrir e armar toda a Sé, com digníssima armação… Andaram perto de um mês… Vieram músicos e instrumentos do Porto, Guimarães, e mais partes… com grandeza e despesas sem limite…em todo tempo desta armação estiveram soldados… de guarda a quem se pagava soldo… no dia 20 de Fevereiro de 1806, se cantaram matinas… com o Rev. Cabido… e comunidades desta cidade, á excepção dos Padre dos Congregados que não foram convidados… houve logo desordens, e não deixaram entrar a clerezia que se achava nesta cidade de toda a parte…no dia 11 pela manhã se cantaram Laudes e só depois missa do oficio pelo Deão da Catedral, e este mesmo fez a oração fúnebre …”. Enfim, fizeram-lhe as exéquias devidas e choraram a morte de tão insigne personagem, como era devido e honraram não só pela sua acção no arcebispado mas também pela sua humildade protegendo os mais necessitados com medidas que o apelidaram “Pai dos pobres”. A SUA ACÇÃO NA ESFERA DA IGREJA, E NA SOCIAL E ECONÓMICA Contrastando com os seus dois ilustres antecessores, como Príncipes Reais, tinham transformado o paço numa verdadeira Corte, mandou retirar todo o “adorno do Paço Arquiepiscopal, conservando só armada a Sala do Docel, por estarem debaixo os retratos do Papa e da Rainha - diz Monsenhor Ferreira nos “Fastos” -convertendo-o num Monasterio , e ali acabaram os jogos, as músicas, os banquetes, etc.; o Paço tomou na sua vida interna um aspecto dissemelhante do passado”, reduzindo assim o ónus que seria aplicado em obras de mais valia, tanto espiritual como material. São suas as palavras que se transcrevem: “Dois objectos, logo que entrei nesta Diocese, me saltaram à vista bem capazes de enternecer o coração mais duro e imperdenido: o desamparo, em que se lamentavam duas sortes de pessoas: velhos inválidos, e meninos órfãos e expostos”. Sem descuidar a sua obrigação espiritual, desviou a sua atenção para os necessitados e assim fundou o Seminário dos Órfãos e Expostos de S. Caetano, o Conservatório das Órfãs da Tamanca, o Asilo de inválidos, entre outras obras de benemerência que certamente ocorreriam do seu bolso. Fundou, no Hospital de São Marcos, a primeira Escola de Cirurgia. No colégio dos Órfãos, assim ficou conhecido, ministravam-se entre outras disciplinas necessárias aos estudos, e ensinavam-se artes mecânicas, no sentido de preparar aqueles que viriam mais tarde a ter ocupação rentável. Nos baixos do edifício – então na Praça Municipal, lado norte – estabeleceu uma farmácia bem provida, onde praticavam alguns órfãos debaixo da direcção de um boticário perito – a farmácia dos órfãos. Nas Carvalheiras, numa casa que comprou estabeleceu um Hospício. A SUA ACÇÃO NO ASPECTO AGRO-INDUSTRIAL Organizou nos princípios do anos de l792 – dois anos após a sua entrada na cidade – no edifício que conhecemos hoje pelo Recolhimento da Caridade, no Carmo – a Primeira exposição agrícola e industrial de Braga – percursora das actuais feiras Agro – “ com o intuito de fomentar a indústria popular, tanto no que respeita à agricultura… pelo que respeita ao comércio e ao aditamento das artes mecânicas…”. Nessa exposição atribuiu prémios pecuniários aos melhores artesãos, ao melhores produtores agrícolas, etc. Foi a primeira Festa do Trabalho, diz o citado Monsenhor Ferreira. Para fomentar a indústria de seda, então florescente na cidade, premiou aqueles que plantassem o maior número de amoreiras. Por tudo isto e por muito mais que ficou por dizer bem merece que hoje recordemos o humilde bispo do Pará, que nos finais do século dezoito, tempos difíceis, eivados do panfleretismo vindo, sorrateiramente da França, apesar de todos os cuidados de Pina Manique, governou a arquidiocese bracarense com mestria e bondade. Podemos dizer que ele não deixou monumentos graníticos como alguns dos seus antecessores, que fizeram de Braga uma cidade monumental do Barroco, mas deixou uma obra, que dois séculos passados, ainda hoje brilha como o mais puro diamante que aureolou o seu múnus – O COLÉGIO DOS ORFÃOS DE SÃO CAETANO. BRAGA. 10 de Dezembro de 2005 LUÍS COSTA Email. luisdiasdacosta@clix.pt www.bragamonimental.blogs.sapo.pt Obs. Para elaboração deste texto socorremo-nos De Monsenhor Ferreira em “Fastos Episcopais”


publicado por Varziano às 17:49
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds