Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Avenida José Veiga

             AVENIDA  JOSÉ  VEIGA

 

 

            Inserida em duas freguesias de cidade – São Victor e Nogueiró – a avenida mestre José Veiga, tem início na avenida João Paulo II e termina na rua Luís António Correia. O nome deste bracarense que o escritor Fernando Pinheiro, apelidou de “O ARTISTA TRANQUILO”, no seu livro “Mestre José Veiga”, foi atribuído pela vereação da Câmara de Braga, em 11 de Julho de 2002, pretendendo assim homenagear uma personalidade que durante a sua vida consagrou a sua obra à cidade que o viu nascer, em 18 de Novembro de 1925, onde sempre viveu, vindo a morrer no dia 18 de Abril de 2002.

 

Tendo frequentado a antiga Escola Industrial e Comercial Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, no Curso de Tecelão Debuxador, muito cedo revelou o seu talento para o desenho, numa sensibilidade artística que veio a aproveitar, dedicando-se inteiramente ao dote que a natureza o dotou.

 

Fiel a técnicas e materiais tradicionais, revelou no desenho, na caricatura, na cenografia, o seu talento. Notabilizado desde a década de 50 do passado século XX, até ao primeiro ano do actual, como decorador dos arruados das Festas Joaninas e nas das Solenidades da Semana Santa, cujos cartazes-anúncios se ficaram a dever à sua mão de inspirado mestre, José Veiga (José Ferraz Gomes Veiga), era também membro sempre presente em qualquer manifestação em que a sua arte fosse imprescindível.

 

E assim vemos, quando se pensou num cortejo histórico para assinalar os novecentos anos da consagração da Sé, o seu nome figurar, entre outras pessoas gradas da cidade, nas reuniões que tiveram lugar nas instalações dos Cursos de Cristandade, para elaboração do plano desse cortejo. A sua opinião abalizada, o seu curriculum não se podia desprezar. Pena foi que essa manifestação por falta de apoio estatal, não se tivesse realizado.

 

É que o MESTRE, sempre era ouvido para os acontecimentos em que o seu saber se tornava aconselhável, fossem eles festas, procissões, romarias ou a caracterização de figuras públicas, ou frequentadores dos cafés. A sua colaboração nos jornais diários da sua cidade nunca foi negada. Assim, as primeiras páginas dos números especiais, tinham sempre a sua assinatura : Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, São João, são exemplos notórios do seu bom gosto e observação.

 

Entre todos os seus trabalhos, e que grande impacto teve sempre na opinião pública, foi a criação do “BRAGUINHA”, que durante anos, aos domingos, nos habituamos a ver no Correio do Minho. Não sabemos, nem sequer podemos avaliar como ele conseguiu manter durante anos a fio, esta colaboração, mesmo quando de breves férias, ou os seus afazeres por outras paragens que não Braga (muitas vezes apresentou trabalhos fora da esfera da sua habitual acção), mantinha o seu espírito cáustico e mordaz, sempre actual e sempre com graça.

 

No seu trabalho sempre se empenhou por o fazer com paixão e arte. Exemplo são os postais que deixou com aspectos não só da cidade, como até dos costumes e trajos das suas gentes. Até nas encomendas que por vezes recebia, na sua arte sempre punha o amadorismo, o prazer.

O Padre e jornalista, Silva Araújo, na introdução ao catálogo dos seus desenhos à pena,”Braga, Cidade dos Arcebispos”, refere-o, como :

“Amante da Arte e da sua Terra, José Veiga é um daqueles homens que soube descobrir a tempo o seu caminho e o vem trilhando com fidelidade e persistência indefectíveis, alheio a ventos e marés. É um homem que se soube realizar e ser feliz à sua maneira”.

 

“Simples e humilde, continua Silva Araújo, sincero e bom como a sua arte, lá vai recolhendo beleza, criando personagens, endereçando, através da imagem, imagens de concórdia, de fraternidade e de paz, apelando ao bom senso e à aproximação entre os homens.”

 

Das seus trabalhos além dos cartazes, que possivelmente alguém terá coleccionado, ficaram-nos os postais desenhados à pena com aspectos da monumentalidade Braga, os usos e costumes e figuras típicas, como “O passarinheiro”, o catálogo sobre “BRAGA, Cidade dos Arcebispos”, e “Cataventos de Braga” , e das ornamentações apenas fotografias e um pequeno São João, que agora e sempre desde a sua criação tem figurado com atracção das festas joaninas.

 

Braga, 9 de Julho de 2008

 

                                                           LUÍS  COSTA                  

 



publicado por Varziano às 12:00
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