Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
A lenda do rei Ramiro
A LENDA DO REI RAMIRO Como esta lenda tem sido contada de maneiras variadas, não deixará talvez de interessar o resumo das duas versões dos Livros de Linhagens. A do Fragmento II (Ed. P.M.A. , pag. 180-181) reza do Teor seguinte: Um dia. Abencadão foi a Myer, em “Salvaterra”, raptou a mulher do Rei Ramiro e “trousse-a” para Gaia. Dom Ramiro andava pelas Astúrias: mal voltou, chamou o filho D. Ordonho, o que povoou a vila de Leão e os vassalos; embarcaram-se e vieram surgir em São João da Afurada. Deixando os companheiros escondidos entre as árvores marginais do rio Douro, abalou para uma fonte próxima do Castelo. De manhã, na ausência do Casteleiro que saíra para a caça, a covilheira (camareira) da raptada, Ortiga, indo à água, encontrou-o no disfarce de “mouro doente e lazarado”. Deixou-o beber pelo “Antre” (vasilha), no qual o rei deitou um anel. Quando a rapariga “deu água à rainha”, caiu-lhe o anel nas mãos; incontinente (imoderada) mandou-a em busca do forasteiro. Chegado este interrogou-o – Rei Ramiro quem te trouxe aqui?... Cá o teu amor: e ela lhe disse que vinha a morrer, e ele lhe respondeu, que pequena maravilha. Em seguida ordenou à covilheira que o metesse numa câmara, sem comer: a última ordem, porém, não foi cumprida. Regressado o Abencadão e findo o jantar, a rainha perguntou-lhe : “se tu aqui tivesses Rei Ramiro, que lhe farias ? O mouro então respondeu: o que mim faria; matá-lo.” Trazido o prisioneiro escreve o autor este diálogo : “és tu rei Ramiro… - eu sou… - a que vieste aqui ? Vim ver minha mulher que me filhaste (tomas-te) a torto (danosamente); cá tu havias comigo tréguas… -se me tivesses em Mier que morte me darias ?- abrira as portas do meu curral ( cercado) e faria chamar as minhas gentes e viessem ver como morrias, e fariate ( fazia-te) subir a um padrão, e fariate tanger (tocar) o corno, até que te sahice (acabasse) o fôlego.” E assim foi feito. Rei Ramiro trepou a um poste e tirando cinta a trompa de chifre, pegou a buzinar com toda a força. Ao sinal previamente combinado, acudiram o filho e os vassalos, entraram no curral do castelo e mataram quantos mouros lá havia e em Gaia. Depois filhou (tomou) rei Ramiro a sua mulher com as suas donzelas, embarcaram de rota ( de volta) batida até à foz do Âncora. Descansando aí, “D. Ramiro deitou-se a dormir no regaço da rainha, e a rainha filhouce (principiou) a chorar e as lágrimas dela caíram a D. Ramiro pelo rosto, e ele espertouse (acordou)e disse-lhe (perguntou-lhe) porque chorava e ela disse-lhe – choro por o mui bom mouro que mataste – e então o filho… disse ao pai –pia não levemos comnosco mais o demo (diabo). Então rei Ramiro filhou uma mó que trazia na nave, e ligou-lha na garganta, e anchorouha ( ancorou-a –atirou-a) ao mar, e desde aquela hora chamaram aí Foz de Ancora. De volta a Mier. D. Ramiro baptizou Ortiga com o nome de D. Aldora, e casou com ela. Deste casamento descenderam os Maias. A versão do Fragmento IV ( ed. cit. pag. 274-277) contém o fundo da anterior: basta por isso notar somente as divergências principais. Agora o rei é “Ramiro segundo”, entanto que na outra é o primeiro, pois Ordonho, restaurador de Leão, era filho deste e não daquele. O mouro – Alboazer ou Alboazer ou Alboazare Alboçadam, senhor de Gaia, tinha uma irmã, que Ramiro, apesar de casado e com filhos, queria desposar. Em virtude da negativa do irmão, veio roubá-la. Após curta refrega, levou-a a Minhor depois a Leão e baptizou-a e pôs-lhe o nome Artiga. Em represália o mouro raptou raptou-lhe a mulher a rainha Dona Aldora que estava em Minhor. Rei Ramiro correu a buscá-la com cinco galés: a covilheira “servente”, que foi à fonte tinha o nome de Perona natural de França. O resto como na versão precedente. Mais um longo diálogo entre o mouro e a rainha cristã, no qual ela persuade o raptador à execução do marido: Ramiro ouve a conversa onde estava fechado e responde de lá. Lê-se aí a frase “de má ventura é o homem que se fia por nenhuma mulher”. Tradução visível da famosa cantiga de Francisco I de França (1494-1547. Enfim rei Ramiro sobe ao padrão, tanje a trompa. Vem os companheiros e o sarracenos é trucidado com todos os seus. Quando surgiram na foz do Ancora, como a rainha chorasse o amante, por instigação do filho, Ramiro ordenou que a botassem ao mar. “E por este pecado que disse o infante D. Ordonho contra sua mãe disseram depois as gentes que por isso fora deserdado dos povos de Castela” passagem que não quadra ao filho de Ramiro II, mas a Ordonho o Mau, filho de Afonso IV (cf. Herc. Historia de Port.tom. I, pag. 145 -1467). “Rei Ramiro foisse (sic) a Leão e fez as suas cortes… e mostrou-lhes a maldades da rainha Alda sua mulher e que havia por bem casar com Dona Artiga… e eles toda a uma só voz o houveram por bem.” ESTUDOS HISTÓRICOS E ECONÓMICOS ALBERTO SAMPAIO 1ª EDIÇÃO- LIVRARIA CHARDRON - 1923 pags. 423/ 425 – Nota A


publicado por Varziano às 15:41
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