Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Rua Nossa Senhora do Leite
Recantos de Braga RUA DE NOSSA SENHORA DO LEITE Saindo do Largo Dom João Peculiar, para a traseira da ábside Sé, penetramos na rua de Nossa Senhora do Leite, antigamente denominada como rua das Oussias. Aqui teremos que nos de demorar um bom bocado. Há por aqui coisas que merecem a nossa atenção. Assim, logo à entrada deparamos com uma torre ameada, que serviu de sacristia à Capela Gótica de Nossa Senhora da Glória e, possivelmente, segundo alguns cronistas, deve ter sido uma das primeiras, senão a primeira Câmara Eclesiástica, e onde o Dr. Alberto Feio veio a descobrir, por entre camadas seculares de pó, pergaminhos de grande interesse para a história de Braga e da sua Igreja e, segundo informações que reputamos de fidedignas, o “LIBER FIDEI”, um cartulário medieval que, graças ao incansável labor do insigne estudioso e investigador Prof. Doutor Avelino de Jesus Costa, foi publicado em três volumes. Seguindo esta rua vamos deparar, nas traseiras da Capela de Nossa Senhora da Glória, (onde se encontra a maravilha do gótico, o túmulo do Arcebispo Dom Gonçalo), com as três janelas ogivais onde se sobressaem os lindos vitrais desta capela. Um pouco abaixo, antes do soco, uma inscrição latina chama a nossa atenção. Trata-se de um documento epigráfico, estudado por vários epigrafistas e arqueólogos, de entre os quais vamos dar a interpretação de grande mestre que foi J. Leite de Vasconcelos : “LUCRÉCIA FIDA, SACERDOTIZA PERPÉTUA DE ROMA E DE AUGUSTO DO CONVENTO BRACARA-AUGUSTANO DÁ (ou dedica )ESTE MONUMENTO Á AUGUSTA ISIS”. (ISIS, era uma deusa egípcia, relacionada com a abundância e Deusa dos Mercados, pelo que se julga que por ali seria o mercado romano) Uma outra inscrição em mármore em letra gótica, mas que por estar truncada é de difícil leitura, e que parece referir-se á capela criada por Dom João Martins de Soalhães que foi derribada para no seu lugar surgir a sacristia do Tesouro, no Rossio da Sé. Seguindo deparamos com o ábside da Sé, rendilhada jóia flamejante plataresca, de cantaria feita no duro granito da região, grades e coruchéus, de agulhas, traseira do altar-mór mandado fazer por Dom Diogo de Sousa, para substituir o primitivo, talvez românico. Na parte a meio desta fachada destacava-se a belíssima imagem de Nossa Senhora do Leite, “Obra de singular graciosidade, em Pedra de Ançã, posta sob um rico dossel com recorte de obra de Joalharia”, obra prima da imaginária da transição gótica para o renascimento, escultura atribuída a Nicolau de Chanterenne, coberta por um baldaquino gótico-manuelino, e assente numa peanha com as armas de fé do grande arcebispo Dom Diogo. Duas cartelas uma com as armas do notável arcebispo e, a outra, com as de el-rei Dom Manuel, enquadram a bela imagem. Hoje, dado o seu valor, está imagem está resguardada na Capela da Piedade, e em sua substituição foi colocada uma cópia. Nota-se aqui uma data - 1509 – que deve referir-se à da transformação da capela mor mandada executar por Dom Diogo, e da qual foram mestres os artistas biscainhos que vieram para Braga a solicitação do arcebispo para se encarregarem de diversas obras na sua cidade. A meio desta rua pode admirar-se uma casa de estilo barroco, belo edifício de linhas elegantes, mandada fazer por um cónego da Sé, e hoje pertença da família Valença. No ângulo, formando gaveto com a rua de São João do Souto, está o edifício da última Casa da Roda que existiu em Braga e onde agora onde se encontra instalada a sede da Junta de Freguesia de São João do Souto e ainda um instituição dedicada ao auxilio a jovens que demandam a cidade. Restaurado por volta dos anos 80/90 do século passado, respeitou a sua primitiva traça, que possivelmente vem dos finais do século XVII, ou talvez de antes. Já fazendo parte da rua do Forno, um oratório, que a principio esteve no ângulo desta rua com a de São João do Souto, recorda um feroz combate que por ali teve lugar entre a Divisão Cabralista, comandada pelo General José de Barros e Abreu de Sousa Alvim e as forças legitimistas sob o comando do General Macdonell, ao meio dia de 20 de Dezembro de 1846, e que segundo Albano Belino, em “Archeologia Christã”-1900 – pelo chapéus de palha com fitas vermelhas que os guerrilheiros miguelistas usavam, se nota que eram destes quase todos os cadáveres que juncavam as valetas onde o sangue escorria, misturando com a água da chuva miudinha que caía. É um original de Luís Vermell ( o peregrino espanhol ), que durante algum tempo viveu em Braga. O olhar de Cristo, revela a mestria do autor da pintura – de qualquer ângulo que o fitemos parece que nos olha. Braga, 5 de Junho de 2006 LUÍS COSTA Email: Luisdiasdacosta@clix.pt Email: Luisdiascosta@sapo.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 15:54
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