Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
biblioteca pública de Braga
A BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO DISTRITAL DE BRAGA Logo após a derrota do exército miguelista em 1834, foram substituídas todas as Câmaras fiéis a Dom Miguel e em seu lugar nomeadas, enquanto não se procediam a eleições de acordo com a Carta Constitucional, Comissões Administrativas favoráveis à regência de Dom Pedro, durante a menoridade da Rainha Dona Maria II. Braga, baluarte miguelista, muito contra vontade de alguns, não podia fugir à regra e não foi só a Câmara que foi substituída assim como todas as autoridades e não só, desde a mais pequena praça da Companhia de Fogo, como até os mais altos representantes do Governo, como Juízes, Desembargadores, Vereadores e até alguns funcionários suspeitos simpatizantes com a causa miguelista. Procedeu-se ao que hoje se chamaria de “saneamento geral”. Assim foi nomeada, em 7 de Julho de 1834, para gerir os destinos da cidade e seu concelho uma Comissão Administrativa, constituída por elementos que tinham aclamado em Auto de Câmara a Rainha Dona Maria II, em 26 de Maio desse ano, quando derrotado o exército fiel a Dom Miguel e este Rei Absoluto desterrado de Portugal. Não perdeu tempo essa Comissão da qual faziam parte vários intelectuais constitucionalistas – Bacharel António Manuel Álvares, Bacharel José António da Silva Reis, Bacharel António Maria Pinheiro, João Lourenço de Freitas, João António Vieira, Manuel António Vieira, Manuel António Ferreira, José da Cruz Faria e António José da Costa Veiga – de pedir para a cidade, ao Governo de Sua Magestade, uma instituição de grande valia. E assim, pelo Livro de Actas da Câmara de 1834/1877, fol. 22, de 18 de Julho desse mesmo ano, sabe-se que os membros da Comissão Municipal, tinham dirigido à Prefeitura, um ofício pedindo o estabelecimento de uma biblioteca nesta cidade. Meses depois, o Livro de Registos da Câmara de 1834/1875, fol. 19, de 16 de Setembro, assinala o ofício que abaixo se transcreve em que a Prefeitura dá resposta ao pedido da Comissão Municipal : “Registo de um ofício da Prefeitura sobre o estabelecimento Literário de uma biblioteca Pública nesta cidade” “Prefeitura da Província do Minho – Segunda Direcção – Repartição numero duzentos e dois. Ilustríssimos Senhores. Foi presente a Sua Excelência o Senhor Prefeito da Província da representação que Vossas Senhorias lhe acabam de dirigir, pedindo seja o seu conteúdo levado à presença de Sua Magestade Imperial para ser providenciado o que na mesma representação se expõem. Sua Excelência sente um vivo prazer em achar nesta representação uma demonstração não equívoca dos patrióticos, e ilustrados princípios que ornam a Vossas Senhorias, e sobre maneira se compraz em poder anunciar a Vossas Senhorias que já se acha aprovado por Sua Magestade Imperial, Regente em nome da Rainha, o estabelecimento literário de uma Biblioteca Pública nessa cidade em Portaria do Ministro dos Negócios do Reino de doze de Maio passado, deferindo assim benignamente a representação do Antecessor de Sua Excelência com data de seis do mesmo mês de Maio, achando--se também afecto a esta prefeitura o propor um plano para Orçamento e despesa na preparação do edifício, custeamento de tão útil objecto. Sua Excelência identificado com os sentimentos de Vossas Senhorias não pode jamais esquecer-se um momento de promover a efectividade de semelhante instituição, e agradecendo a Vossas Senhorias o zelo que patenteão pela ilustração dos povos, espera que o secundarão com quanto esteja ao alcance sobre este, e outros objectivos de utilidade pública, única mira, a que se dirigem as vistas de Sua Excelência. (……..) Deus Guarde a Vossas Senhorias. Prefeitura em Braga dezoito de Julho de mil oitocentos e trinta e quatro. Ilustríssimos Presidente e mais membros da Comissão Municipal de Braga. O Secretário Geral António Carneiro Geraldes Júnior = Registe-se. Braga em Câmara de vinte e três de Julho de mil oitocentos e trinta e quatro = Álvares = Freitas = Pinheiro = Ferreira = Veiga. Não continha mais o mencionado Ofício, que aqui foi copiado bem e fielmente conforme o próprio a que me reporto. Braga dezasseis de Setembro de mil oitocentos e trinta e quatro. E eu António Álvares Marinho (?), Secretário da Câmara, o subscrevo e afirmo. António Álvares Marinho (?) Passados sete anos, Junho de 1841, foi finalmente instituída a Biblioteca Pública de Braga, dando assim satisfação ao pedido feito pela Comissão Administrativa que saiu da tomada de posse de Dona Maria II, como Rainha de Portugal, e graças ao despacho de um homem para sempre lembrado na história de Braga, Almeida Garrett, - um dos bravos de Pampelido, Mindelo – que já foi devidamente homenageado pelo Câmara de Braga, com a atribuição do seu nome a uma das artérias citadinas. No entanto foram precisos vários anos para que a Biblioteca que ficou instalada no antigo convento dos Oratorianos de São Filipe de Nery (Congregados), fosse simbolicamente inaugurada pelo Rei Dom Pedro V. Mais alguns anos decorreram para que cumprisse o fim para que foi criada – consulta pública – sendo seu director desde então o Dr. Manuel Rodrigues da Silva Abreu, também lembrado na cidade, num arruamento da urbanização das Enguardas. Por volta dos princípios dos anos trinta do século passado, sendo seu director o Dr. Alberto Feio, foi transferida para o Paço de Dom José de Bragança, onde hoje se encontra – ala voltada para a Praça do Município com comunicação com outra situada no Largo do Paço, depois das obras de restauro e adaptação necessárias, sendo criado nessa altura o Arquivo Distrital que lhe ficou adstrito. Hoje, tanto o conjunto dos edifícios, como o seu valioso espólio, passaram para a posse da Universidade do Minho, onde também está instalada a Reitoria. Braga, 27 de Abril de 2006. LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt Email:luisdiascosta@sapo.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 17:04
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