Domingo, 21 de Setembro de 2008
Salão Nobre da Camara de Braga
Salão Nobre – continuação e final D. FREI CAETANO BRANDÃO – ( 1790/1805) – É um dos prelados bracarenses mais ilustres. Verdadeiramente devotado à acção apostólica, também dirigiu a sua acção no domínio material. Tendo sido o primeiro arcebispo a governar a arquidiocese após a extinção da jurisdição dos Donatários, e, portanto o senhorio de Braga, por decreto da Rainha D. Maria I, apesar de ainda por vários anos continuar a indicar e rectificar os nomes das individualidades para o governo civil da cidade – vereadores. Acerca da Jurisdição do Arcebispo, e Arcebispado de Braga, diz Monsenhor Ferreira nos “Fastos” a citada “lei abre um parágrafo especial, e, ao artigo 28, invocando os mesmos princípios da boa ordem, uniformidade em igualdade na administração da justiça, dispõe nela são compreendidos os Arcebispos de Braga como Donatários da cidade, seu território e Coutos do Arcebispado”. Livre da Administração Civil de Braga, lança-se D. Frei Caetano, numa obra que logo havia pensado ao entrar na Diocese Bracarense : o amparo dos velhos inválidos, e os órfãos e expostos da cidade. E assim funda o Seminário dos Órfãos e Expostos de São Caetano, o Conservatório das Órfãs da Tamanca e o Asilo de Inválidos. A par destas acções funda a Escola de Cirurgia, a ministrar no Hospital de São Marcos. Pretende assim, não só proteger todos aqueles que o necessitam, mas também dando-lhes conhecimento de trabalho para enfrentar a vida. Nos Colégios de Órfãos e Órfãs, cria oficinas de artes e ofícios. Dedica também a sua acção à agricultura concedendo prémios, por exemplo, aquele lavrador que mais plantasse amoreiras, árvore cujas folhas é a alimentação do bicho da seda, dado a expansão em Braga da industria artesanal desse tecido. A ele se deve a organização, no Recolhimento da Caridade, da Primeira Feira Agrícola e Industrial de Braga, com prémios aos expositores, embrião das actuais Feiras de Especialidade, em Braga. DOM RODRIGO DE MOURA TELLES (1704/1728) – Outro grande arcebispo Bracarense, pequeno no físico mas grande nas suas acções. A ele se deve grande parte da monumentalidade da Cidade dos Arcebispos. Entre outras obras notáveis, destacam-se, na Avenida Central, a Capela da Penha, a Capela e o Recolhimento das Convertidas, e no Largo do Paço, parte do seu aspecto, com destaque para a Fonte Monumental dos Castelos, a fachada norte do Paço e a dependência conhecida pela casa do guarda, no gaveto com a rua do Souto. Mas a sua obra máxima é a reedificação em Tenões, do Santuário do Bom Jesus do Monte, verdadeira maravilha bracarense e cartaz conhecido em todo o mundo. BARÃO DE SÃO MARTINHO (Século XIX) – Duarte Ferreri de Gusmão, filho do lº Barão de São Martinho, o Coronel de Artilharia, Duarte Guilherme Ferreri, agraciado com êste título pela sua acção aquando das Lutas Liberais – fez parte da Junta de Aveiro – viu renovado o título de seu pai, Em vida, por Decreto da Rainha D. Maria II. Foi Presidente da Câmara Municipal de Braga desde Janeiro de 1852 a Janeiro de 1854. Durante o seu mandato foi destruído o Arco do Souto (ou da Abadia) no espaço hoje ocupado pelo Largo que ostenta o seu nome e no prolongamento da rua do Souto até à Praça da República. Foi durante o período em que esteve à frente dos destinos da cidade que se resolveu em Sessão Camarária derribar a capela de São Miguel o Anjo, muito embora esse derrube só se efectuasse por volta de 1850. Renovou o Campo das Hortas e procedeu a outros melhoramentos. No tecto e nas sancas deste pequeno mais extraordinário e belo salão, estão assinaladas algumas datas muito significativas não só para a história de Braga, mas também para a História de Portugal. Assim: 28- 10- 1110 – Doação, não confirmada, do Couto de Braga feita por Dona Teresa, mulher de Dom Henrique (pais do primeiro Rei de Portugal) ao Arcebispo D. Maurício, instituindo assim um senhorio que durou até ao século XVIII. 12- 04- 1112 – Confirmação pela Rainha Dona Teresa (por vezes usava este título) ao Arcebispo Dom Maurício (que ficou conhecido como Anti-Papa), do Couto de Braga. 27- 05- 1128 – Data em que Dom Afonso Henriques confirma, por sua vez, na pessoa do Arcebispo Dom Paio Mendes, a doação do Couto de Braga, ampliando essa doação com Privilégios de Capelania e Chancelaria, concedendo à Sé de Braga o poder de cunhar moeda para a conclusão da Catedral de Santa Maria. O Direito de cunhar moeda foi mais tarde “caçado” pelo rei Dom Sancho. E, no dizer de muitos estudiosos, o documento da confirmação concedida por Dom Afonso Henriques a verdadeira “certidão de nascimento de Portugal”. 11- 12- 1640 – Neste dia a Câmara reunida em Sessão Extraordinária com o Senado, nos Paços do Concelho, sitos então junto à Sé, depois de ouvidos os Três Estados – Clero, Nobreza e Povo – resolve aclamar D. João IV como Rei de Portugal e dos Algarves, dando assim o seu assentimento à Restauração da Independência de Portugal, proclamada em Lisboa no dia 1 do mesmo mês. 25- 03- 1793 – Graças ao Arcebispo D. Frei Caetano Brandão, que a tinha organizado, tem lugar neste dia o encerramento da 1ª Exposição Agrícola e Industrial de Braga, com distribuição de prémios aos expositores. Foi a 2ª Exposição que se realizou no País e possivelmente na Europa. 25-10- 1863 – É inaugurada nesta data a 2ª Feira Agrícola de Braga. Esta Feira, como a anterior que podemos considerá-las percursoras da actuais Agro-Industriais de Braga, foi apresentada no Campo de Santa Ana, já transformado em Jardim Público, (Avenida Central) e foi encerrada pelo Rei Dom Luís que se fez acompanhar a Braga, pela Família Real. Braga, 21 de Setembro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt. email: luísdiasdacosta@clix.pt


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Sábado, 20 de Setembro de 2008
Salão Nobre da Camara
Câmara 2 - continuação SALÃO NOBRE DA CÂMARA ( Sala das Sessões ) Entremos na “Domus Municipalis”. Aqui, o átrio, como em outros espaços da mesma época ( exemplo Palácio do Raio ), vemos a escada nobre de acesso à parte superior. As paredes laterais estão forradas com azulejaria, tipo barroco, azul e branca, com grinaldas e ramos. Quatro portas, dando acesso às varias dependências de serviços, duas na parte fronteira ladeando a escada e as outras, uma em cada lado lateral. Nestas, uma decoração pétrea nitidamente barroca. Subindo o primeiro lanço da escada nobre, vemos representados nos lambris vários aspectos de Braga, desaparecidos uns, outros ainda hoje visíveis, inspirados nas pinturas do Salão Nobre, Ao cimo deste lanço da escada deparamos com um patamar iluminado por dois grandes janelões. Entre elas, em azulejo, a figura emblemática de Braga – uma dama emplumada que num braço segura uma lança e, no outro, um castelo. Dizem que é a representação da povo da região que com denodo, com luta heróica, tenaz, lutando de armas na mão – a lança -, na defesa da sua terra, do seu terrenho, da sua propriedade, representada pelo castelo. Enfim, é uma interpretação, que não repugna. Aos lados no lambri duas inscrições em cartelas respectivas. Uma refere-se ao final da construção da primeira fase – 1756 e, a outra, tem as letras B A F A (Bracara Augusta fiel e antiga). Daqui divide-se em dois lanços o acesso ao cimo, aos chamados “Passos Perdidos”, continuando as paredes a mostrar mais aspectos da monumental Braga. No patamar cimeiro um grande painel de azulejo representa a entrada do Arcebispo Dom José de Bragança, a quem se deve o edifício camarário, na sua cidade de Braga. Os edis, ajoelhados, apresentam numa almofada as chaves da cidade ao seu Senhor, Dom José. Duas portas encimada, por brasão, dão entrada aos serviços do andar superior. Os brasões que as encimam representa um, as Armas de Fé, do Arcebispo – heráldica das dignidades eclesiásticas – Cruz Arcebispal, Chapéu, Borlas, tendo ao centro as Armas Reais e no outro, heráldica real – Escudo, coroa real e cartela, onde assentam sete torres. (Dom José era Príncipe Real). Pela porta do lado Sul, penetramos numa ante-câmara de acesso ao gabinete da Presidência e ao Salão Nobre que, no final, é aquele que pretendemos visitar. Nas paredes, em medalhões, figuram ilustres varões – uns bracarenses, outros que ficaram ligados à história da cidade. Descrevermos essas personalidades : GABRIEL PEREIRA DE CASTRO (1571/1632) – Bracarense, Doutor Canonista, lente da Universidade de Coimbra, desembargador em Lisboa e Porto, Chanceler do Reino, autor do poema heróico “Ulisses” e, como letrado, do célebre tratado “De Manu Regia”, alma de outras obras. DIOGO DE TEIVE (Século XVI) – Bracarense que regeu uma cadeira na Universidade de Paris, onde se doutorou em leis. Foi também lente da Universidade de Coimbra, onde regeu o Colégio de Artes. Historiador, helenista e poeta. Diogo de Teive honrou a cidade onde nasceu. D. FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES (1594/1592) – Natural de Lisboa, onde nasceu na freguesia dos Mártires, aceitou a pedido de D. Catarina, mulher de D. João III, a cadeira arquiepiscopal bracarense. Vulto brilhante entre todos os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Foi notável a sua acção no Concílio de Trento, onde o indígena vindo lá do Finisterra, o “bracarense”, como então ficou conhecido, se bateu denodadamente, pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à crescente influência da ideologia criada por Lutero. Foi defensor, tenaz e inquebrantável, dos direitos senhoriais da sua Igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha. FRANCISCO SANCHES – Bracarense baptizado em 25 de Julho de 1551, na velha igreja de São João do Souto, freguesia onde segundo Sérgio Pinto nasceu. Foi estudante em Montplier e Bordéus e em Itália. Foi professor nas Universidades de Montplier e Tolosa, etc. Um dos iniciadores da Filosofia Moderna, precursor de Bacon e Descartes, Francisco Sanches foi o autor do “Carmen de Cometa”, do “Quood Nihil Scitur”, dos “Ópera Médica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Foi dourado pela Universidade de Montplier, com apenas 24 anos. Médico, Matemático. Filósofo, foi, na Europa do Renascimento, um dos espíritos mais brilhantes de então. D.DIOGO DE SOUSA – (Séculos XV/XVI) – Arcebispo Bracarense entre os anos de 1505/1532, foi pela sua notável acção que a velha urbe bracarense rompeu a cintura das suas muralhas medievais, espraiando-se extra-muros. Assim construiu, fora das muralhas, uma nova cidade com Campos e Jardins como Campo dos Remédios (Largo Carlos Amarante), Campo da Vinha de Santa Eufémia (Campo Conde de Agrolongo), Campo das Carvalheiras, (Largo Paulo Orósio e Campo das Carvalheiras), Campo de Santa Ana (Avenida Central). Mandou abrir novos arruamentos dentro da cidade amuralhada como a rua de São Marcos (hoje rua de São João do Souto), desde as traseiras da Sé até à porta de São Marcos, que ficou conhecida como a Porta Oriental ou de São João do Souto, de acesso ao Campo dos Remédios. Mandou alargar a rua Nova ( hoje rua D. Diogo de Sousa) e colocou à sua saída para poente, uma nova porta ( o Arco da Porta Nova – 1512), e ali se construiu uma nova alfândega. Criou a rua do Souto, desde o largo do Paço até ao Castelo). Remodelou o Paço Arquiepiscopal e no largo fez colocar um monumental fontanário. Fora de muros construir ou remodelou templos como a Capela de Santa Ana no campo do mesmo nome, a capela de São João da Ponte, e na Falperra a Capela de Santa Marta das Cortiças. Dotou a cidade com os novos Paços do Concelho, junto à Sé, demolidos por volta dos finais do século XVIII. Apesar deste grande esforço ainda dedicou a sua acção à instrução criando os Estudos Públicos no Largo de São Paulo. Tratou do abastecimento de água à sua cidade, dotando-a de fontanários, entre outros, o como se disse no largo do Paço, depois substituído pelo actual de Dom Rodrigo, e o de São Tiago, na Cónega. Na Sé procedeu a obras de vulto como a construção do actual altar mor e ábside. Tratou de dar sepultura condigna aos pais do primeiro rei de Portugal – Dona Teresa e Dom Henrique – mandando fazer dois túmulos com estátua jacente, colocados na Sé, na Capela dos Reis. Reuniu no Hospital de São Marcos todos os estabelecimentos de assistência espalhados pela cidade. Pela sua acção bem pode considerar-se como o verdadeiro reedificador da nova cidade de Braga. . . ./ . . .


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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Edificio da Camara Municipal de Braga
EDIFÍCIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE B R A G A DESENHADO POR André Soares ( André Soares Ribeiro da Silva (1720/1769) e construído por : Francisco Mendes, Cristóvão José Farto, Manuel Francisco Rato José Alves, Manuel Gomes e outros mestres - 2 0 0 8 – IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIIIIIIIIIIIIIIII A CASA DA CAMARA DE BRAGA Uma lacónica notícia publicada na obra póstuma de Bernardino de Senna Freitas, “Memórias de Braga”, Tomo V, pag. 383, alertou-nos sobre as obras do edifício do “Domus Municipalis”, dizendo : “Mudou-se então a Casa da Câmara (de frente da Sé) para o Campo de Touros onde todavia não foi completa”. Ora, como Robert C. Smith, no seu magnifico trabalho , “A casa da Câmara, a pag. 24, refere: “no fim do ano de 1756, a edificação da casa da câmara, começou em 1753, chegava ao seu termo”, notamos que, entre as duas informações, algo estava de errado. Procuramos então indagar qual das deveria estar certa. E assim consultando, no Arquivo da Câmara, deparamos com um livro, “Annaes do Município de Braga”, com a data de registo de 1852, quando era Presidente da Câmara, o 2º Barão de São Martinho, Duarte Ferreri de Gusmão, no qual estavam inscritas e consignadas “as tradições locais, cousas, e sucessos que tiverem lugar no biénio da sua presidência” e que serviu não só para o biénio de 1852/54, mas relatou até 1859, todos os principais sucessos que ocorreram nesta arquiepiscopal cidade, deparamos então com a notícia que vamos transcrever, dado o interesse para a história do nosso “palácio municipal”: “Casa da Câmara – É digno de ser registado neste lugar a resolução da Junta Geral do Distrito, que, na Sessão Ordinária de 1856, reconheceu o crédito desta Câmara, na importância de 5.628$695 reis, proveniente de adiantamentos que esta havia feito em favor do Cofre da mesma Junta. Todas as Câmaras tinham demandado o pagamento desta dívida, mas sempre sem resultado feliz; neste ano porém poude a Câmara, à força de instantes diligências, convencer a justiça da sua causa, e a obrigação da Junta. Não era porem, ocazião oportuna, para conseguir mais que este reconhecimento, e a promessa da satisfação, por prestações em cada um dos anos futuros. E com efeito a Junta, na sua Sessão Ordinária de 1857, votou os meios para realizar o primeiro pagamento. Deste modo habilitou-se a Câmara a concluir o Paço do Concelho, obra, para que foi aplicada aquela quantia nos orçamentos de muitos anos anteriores. Era necessário, porém, expropriar parte da casa de Domingos Vieira Machado: e, não tendo podido conseguir-se deste uma convenção amigável e justa, pediu-se ao Governo que declarasse a obra de utilidade pública, para dar lugar à liquidação judicial, e a expropriação forçada; mas enviada à Secretaria do Reino o processo administrativo, instruído com audiência da parte, sem contestação desta, e acompanhada das primeiras informações, ainda até ao presente não houve solução! É de crer que esta pretensão da Câmara, tão singular e justa, e cuja utilidade se faz ver com a planta do edifício incompleto, sofra, naquela Secretaria mais uma dessas contrariedades singulares, com que tem sido recebidas todas as deliberações desta Câmara, levadas à aprovação do Governo.” Ora, em face desta nota do Anaes referidos, se depreende que o edifício não estava completo em 1756, como afirma Smith, o que se prova não só por um desenho inserido nas “Memórias de Braga”, de 1834, manuscrito e ilustrado por João Batista Vieira Gomes, conhecido pelo “Dr. Chasco”, exemplar em depósito na Biblioteca Pública, como também pelo livro de Actas Camarárias de 1857, em que se lê o pedido feito ao Governo para “declarar de utilidade pública a conclusão do Paço do Concelho”, afim de que a Câmara ser autorizada a expropriar a casa contígua ao inacabado edifício municipal, pertença de Domingos José Vieira Machado. Não foi fácil a expropriação, pois sempre Domingos Machado lançava objecções e as negociações se foram arrastando por vários anos, até que finalmente em 1861, se chegou a acordo tendo a Câmara pago pela expropriação a quantia de dois contos de reis. Resolvido o diferendo, lançaram-se os edis, nas necessárias diligências para finalmente vir a acabar-se o edifício da “Domus Municipalis”, o que se veio a concretizar, decorria o ano de 1865. E assim, a Câmara Municipal, cujo risco está documentado se deve ao “arquitecto do Minho”, André Soares (André Soares Ribeiro da Silva), se completou dando-nos o aspecto que hoje tem. Iniciado portanto, em 1753, como vimos sob projecto de André Soares, esta nova maravilha do barroco, é considerada pelo crítico de arte Robert C. Smith, como “uma das verdadeiras obras primas da arquitectura civil setecentista da Península Ibérica”. Esta sua opinião foi baseada na proporção do edifício e na firme lavoura do seu enquadramento granítico. Segundo a sua avaliação, disse, “ser digno de nota o motivo central em que as volutas borrominianas (influência italiana) de grande originalidade rematam na porta principal o frontão que encima a construção e que revela um artista de apurado gosto, visão arquitectónica e dinamismo”. Entre o frontão onde se destacam, sobrepostas, várias cartelas e a entrada principal, num nicho primorosamente lavrado, vê-se a imagem de Nossa Senhora do Livramento, colocada sobre um acrotério, escultura que se encontrava na antiga Câmara, na Sé, e que depois do seu derrube esteve até 1950, encerrada na Capela dos Reis, na Sé e, até que, quando era Presidente da Câmara o Dr. Araújo Malheiro, passou a ocupar o seu lugar na sua Casa, o nicho da fachada da Câmara. Note-se a simetria entre todas as janelas do rés-do-chão e as portas e varandas do primeiro andar, entre as quais está o referido nicho. O edifício camarário ao longo dos anos sofreu várias obras de beneficiação e melhorias, uma das quais foi o arranjo do Salão Nobre, cujas pinturas parietais se devem ao artista bracarense Joaquim da Costa Carvalho, que em 2 de Dezembro de 1884, apresentou e foi aceite “a proposta para a pintura e decoração do Salão Nobre… pela quantia de 600$000 reis”, a feitura do tecto da Escada Nobre, tecto em gesso, trabalho pelo Mestre Moreta, Joaquim da Silva Gonçalves, e que nos dá a ilusão de ser de madeira, e ainda, na primeira dezena do século XX, a colocação de azulejos na entrada e lambris da escada, azulejos da Fábrica Carvalinho, do Porto e cujas pinturas representam vários aspectos de Braga, alguns já desaparecidos. . . . / . . .


publicado por Varziano às 17:49
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O Convento do Pópulo
CONVENTO AGUSTINIANO DO PÓPULO E IGREJA Resenha histórica No edifício conventual acham-se instaladas desde 1991 várias secções da Camara Municipal de Braga. Mandado construir pelo Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus ( Castro ), deve-se a sua edificação a divergências havidas entre êste Arcebispo e o Cabido da Sé de Braga. A primeira pedra ou pedra fundamental foi lançada à terra no dia 3 de Julho de 1586. Foi doado à ordem de Santo Agostinho, ordem à qual pertencia o Arcebispo. A ordem manteve-se neste convento até á extinção das ordens religiosas, em 1834, por decreto de D. Maria II ª , tendo então passado para a posse do Estado, tendo sido ocupado durante as Lutas Liberais, por várias unidades militares a última das quais foi o Regimento da Infantaria nº 8, que ai se fixou definitivamente em 1848, depois de 7 anos instalado provisoríamente desde 27 de Fevereiro de 1841. Manteve-se neste local, até que foi transferido pelos anos de 50 para novas instalações no Areal. Ultimamente encontravam-se no Pópulo, o Distrito de Recrutamento e os Serviços Sociais das Forças Armadas. Por acordo feito entre a Câmara de Braga e o Ministério da Defesa, passou para a posse da Câmara por troca com outro edifício, em Santa Tecla. No átrio de entrada do Convento, conservam-se ainda em nichos apropriados as esculturas do Patrono , Santo Agostinho com o báculo na mão esquerda e na dextra um coração flamejante e no outro nicho, São Tomás de Aquino empunhando a Cruz Primacial. Forravam as paredes do átrio e do primeiro arranque de escada, um de cada lado e até ao átrio intermédio, azulejos figurativos, hagiográficos, e do estilo de cabeceira do século XVIII,( hoje desaparecidos ). Agora os que restam continuam, apesar de muito danificados, estão a adornar os lambris do átrio intermédio que dá acesso à escada nobre em cujo átrio superior, também muito danificados e ainda aos dois lances de escada que dão para a parte traseira do edificio conventual. Devem apresentar motivos iguais aos que desapareceram. É de destacar, no átrio intermédio um notável lanternim, trabalhado em gesso. TEMPLO Segundo Albano Belino, na sua obra "Arqueologia Cristã" . pag. 180, o Arcebispo Dom fr. Agostinho de Jesus, vendo no Campo da Vinha de Santa Eufémia, um largo imenso, por efeito de troca e emprazamento de uns terrenos à entrada da rua da Cónega, mandou construir, no lugar onde existia uma igreja velha, parece que fundada pelo Arcebispo Dom João Peculiar, 1140, com convento de freiras Agustinianas ( cónegas ) a quem o doou, e que destinou a albergar os seus restos mortais, um novo templo e convento dedicado a Nossa Senhora das Graças do Pópulo, devido à devoção que tinha trazido de Roma. Destinou a Igreja para depósito dos seus restos mortais ( colocados num túmulo à esquerda da Capela mor ) . O Convento doou-o aos frades de Santo Agostinho, ordem à qual pertencia, e que de resto confirmaria a primeira edificação da velha igreja e convento de Dom João Peculiar. As paredes da Igreja que se poderá classificar de tres naves, as laterais estão preenchidas de ricos altares barrocos , de bons artistas da talha bracarense, como por exemplo Marceliano de Araújo, bem como as do altar mor de outro artista bracarense, estão recobertas de azulejaria do século XVIII, azulejaria "... uma expressão da alma portuguesa " segundo Aguiar Barreiros, em "Elementos de Arqueologia e Belas Artes." É de chamar a atenção do visitante para o altar de Santa Apolónia, cuja azulejaria é devida ao artista António de Oliveira Bernardes, como o atesta a inscrição que se encontra sobre uma porta de acesso a outros altares laterais. Dado êste facto há quem afirme que a decoração parietal da restante igreja se deve a Oliveira Bernardes, mas aquando há pouco da reparação e limpeza feita ao azulejo o técnico que aqui esteve afirmou que muito embora se assemelhem à escola daquele artista a chacota era diferente, e como tal, método usado por outro autor azulejista. Apresenta esta igreja, na frontaria, uma fachada que nada tem a ver com o estilo e data da sua fundação, tanto do convento como da igreja, pois são do estilo neo-clássico e devidas ao artista bracarense do século XVIII, Carlos Amarante. A primitiva torre - torre traseira - foi destruída em parte por um raio, e os seus restos estão colocados sobre a parte de trás da igreja. Braga, Maio de 2003 Luis Costa


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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
anexo 3
São Vitor – 10 – continuação e final da transcrição Anexo 2 Não havendo mais nada a arrolar, pela actual regente Julieta Epi da Rocha foi declarado que não tinha inventário do existente neste recolhimento porque grande número de objectos tinham sido retirados pela regente sua antecessora Amália Cândida de Jesus que fugiu sem prestar contas. Entre os objectos mencionados que mencionar, digo, entre os objectos retirados há que mencionar uma custódia de prata, um turibulo e naveta do mesmo metal, três sacras de prata dourada, três pares de brincos de ouro de Nossa Senhora e outros objectos que mão pode especificar. Idêntica declaração já prestou aos senhores Governador Civil e Comandante da Polícia. Como pertença do Estado foram entregues à guarda e conservação da actual regente. De tudo para constar se lavrou o presente auto. Nisto o Presidente determinou em que fossem dados por findos os trabalhos deste dia por serem quatro horas da tarde e que vai ser por todos assinado comigo Sebastião José do Lumiar Ramos, secretário que o escrevi, subscrevi e assino. Norberto Guimarães Henrique José Alves José da Paixão Pereira Sebastião José do Lumiar Ramos TERMO DE ENCERRAMENTO Em 2l de Setembro de mil novecentos e onze na Administração do Concelho de Braga reuniu a Comissão Concelhia de Inventário composta pelo presidente Tenente Norberto Guimarães, Administrador do Concelho, vogal agregado doutor José da Paixão Pereira, e do secretário Sebastião José do Lumiar Ramos, por delegação do secretário de finanças. Examinado o presente e seu duplicado verificamos que os bens referentes à freguesia de São Vitor se acham descritos em onze folhas de papel que vão devidamente numeradas e rubricadas pela Comissão, contendo 38 verbas. De tudo se lavrou este termo com o qual damos por encerrado o referido inventário sendo enviado um exemplar à Comissão Central e outro à Câmara Municipal, na conformidade do disposto no artigo 67 da lei de 20 de Abril de 1911. E eu Sebastião José do Lumiar Ramos, secretário que o subscrevi e assino. Norberto Guimarães José da Paixão Pereira Sebastião José do Lumiar Ramos (Arquivo da Câmara Municipal de Braga)


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anexo 2
São Vitor – 9 -- ANEXO- 1 : continuação A este arrolamento foi presente o respectivo pároco Cónego Prior Manuel de Oliveira Barbosa que declarou nada mais haver a declarar nesta igreja. Todos os bens e valores foram entregues para guarda e conservação à Junta de Paroquia desta freguesia representada nesta acto pelo seu Presidente, Henrique José Alves que de como os recebeu assina. Sendo quatro horas da tarde e achando-se concluído o arrolamento dos bens e valores encontrados deu o Presidente da Comissão por encerrados os trabalhos desta igreja e marcando a continuação para as restantes que existem dentro da área desta freguesia. De tudo para constar se lavrou o presente auto que vai ser assinado por todos os membros da Comissão e pelo respectivo pároco. E eu, Sebastião José do Lumiar Ramos, secretário que o escrevi e assino. Norberto Guimarães Henrique José Alves José da Paixão Pereira Sebastião José do Lumiar Ramos IGREJA DE SÃO VICENTE Aos quinze dias do mês de Agosto de 1911, primeiro da Republica Portuguesa, sita na cidade de Braga, digo, na igreja de São Vicente, sita na rua do mesmo nome, compareceu a Comissão Concelhia da Inventariação nesta mesma cidade e passando a tomar declaração directa ao Capelão desta Abade (?) P.e Alberto Freitas de Carvalho foi por ele dito que todos os móveis ali existentes pertencem à Irmandade das Almas de São Vicente, como consta no respectivo inventário declarando mais que o templo tinha sido construído por esmolas dos fiéis pelo que o Presidente ordenou o arrolamento do edifício, não obstante estar a referida Irmandade de posse do mesmo há muitos anos; e a seguir segue-se o Nº 20 Um edifício igreja sito na rua de São Vicente com sua torre ao fundo, compondo-se interiormente de três altares sendo um o altar mor; tem ao fundo deste do lado esquerdo um pequeno lanternim (?) e do lado direito igualmente. Tem mais a sacristia e por cima desta a sala das sessões. Não havendo mais nada a arrolar, determinou o Presidente que fossem dados por findos os trabalhos nesta igreja. De tudo para constar se lavrou este auto que por todos vai ser assinado comigo Sebastião José do Lumiar Ramos, secretário que o escrevi, subscrevi e assino. Norberto Guimarães Henrique José Alves José Paixão Pereira Sebastião José do Lumiar Ramos IGREJA DE SANTA TERESA Foi esta igreja cedida por decreto ao Asilo de Mendicidade, digo Asilo de São José, segundo declarou o secretário da direcção actual apresentando o auto de posse do edifício e bens e objectos que lhe conferem o Delegado do Tesouro deste Distrito de conformidade com o decreto de sete de Maio de mil oitocentos oitenta e quatro, Diário do Governo número cento e dezassete de vinte e quatro do mesmo mês. RECOLHIMENTO DAS CONVERTIDAS OU DE SÃO GONÇALO Aos dezasseis dias do mês de Agosto de mil novecentos e onze, primeiro da República, nesta cidade de Braga e edifício do Recolhimento das Convertidas, sito na rua de São Gonçalo e Campo de Santa Ana, compareceu a comissão concelhia de Inventário já mencionado, sendo pelo Presidente ordenado o começo do arrolamento deste recolhimento bem como da capela anexa, pela forma que segue : BENS IMÓVEIS Nº 21 Um prédio, antigo convento das Convertidas, com entrada principal pelo Campo de Santa Ana, com sua capela contígua, pátio e jardim ou quintão com árvores de fruto. BENS MÓVEIS Na portaria: Nº 22 Seis cadeiras velhas de diferentes feitios; quatro mesas velhas; um armário; uma sineta; um quadro de Santo António; uma cruz de madeira. No coro de baixo: Nº 23 Um tapete grande que serve no altar mor; outro pequeno do altar de Nossa Senhora; um reposteiro; duas cortinas de sacrário; outra roxa; duas de porta; duas pequenas; dois resguardos (?) de santos, um tem dois pavilhões; dezanove jarras com ramos naturais e dois castiçais. Nº 24 Um armário; um esquife; dois quadros; uma caixa para guardar cera; um banco e outros dois pequenos sem valor. Nº 25 Um santuário de valor histórico e artístico contendo um Cristo e três imagens, tendo uma destas a cabeça partida. Na capela: Nº 26 Dois altares sendo um o altar mor de talha de valor com sete imagens a saber: Santo Amaro, Senhora das Boas Novas, Santa Madalena, S. Gonçalo, S. Bartolomeu, S. Filipe, S. Domingos e mais duas imagens pequenas dentro de um oratório com a invocação de Santo António e S. Gonçalo. No altar lateral : Nº 27 Uma imagem de Nossa Senhora das Graças tendo ao lado um púlpito de magnífica obra de talha; um quadro do Sagrado Coração de Jesus; duas lâmpadas de metal branco e quatro tocheiros. Nº 28 Dois missais; sete sacras¸ dois vasos com ramos de flores artificiais; vinte e duas jarras no altar mor e seis no altar lateral, todas com ramos artificias; um vaso sagrado no sacrário que não se vê; dois castiçais de metal e doze de madeira; dois pequenos crucifixos; oito manustégios e dois frontais. Nº 29 Uma estante de missal; três panos sendo um de cobrir o altar mor e os outros de cobrir duas mesas credenciais; três bancos; um mocho; dois paninhos (?) nas janelas e outro forrando (?) o arco do altar mor e um confessionário. Na sacristia : Nº 30 Seis casulas sendo três de branco, uma preta, outra roxa; duas alvas; cinco amitos; seis bolsas de corporais; um cálice; oito véus de cálices; seis corporais; vinte e quatro sanguíneos; três sobrepelizes; uma estola; dois cordões; seis manípulos e mais seis estolas. Nº 31 Um oratório com crucifixo de madeira e três imagens sendo uma do Menino, outra do Senhor dos Passos e outra de Nossa Senhora. Nº 32 Dois quadros do Papa Pio nono e de Leão treze; duas toalhas de água de mãos; um armário embutido na parede; quatro cadeiras e um castiçal de metal. Nº 33 Dois armários e uma sineta. No coro de Cima: Nº 34 Um armário pertencente ao coro; um relógio; quatro quadros grandes; vinte e quatro quadros pequenos, quadros de diferentes tamanhos; catorze cruzes de via sacra; quatro lâmpadas de metal; um crucifixo; duas bancadas fixas; sete bancos sendo um de encosto já velho; uma redoma de vidro com Nossa Senhora; quatro pequenos oratórios com imagens. Na sala grande: Nº35 Três armários sendo um bom de castanho antigo; dois dóceis, sendo um grande e outro pequeno. Nº 36 Uma capa, digo, uma cómoda de pau castanho; um quadro pintura a óleo; um oratório com crucifixo de madeira; quatro livros de flor-sanctorum; três caixas de parede, uma de madeira de caju, outra de castanho e outra de pinho, uma mesinha de cabeceira e uma cadeira. Roupa branca: Nº 37 Quatro toalhas da mesa da comunhão; idem, idem, das credencias; quatro roda-pés de madeira; sete panos de ministra; duas cotas; quatro alvas e um órgão flauta. Nas lojas: Nº 38 Quatro escadas para colher fruta; vinte jarros de barro para flores e um armário de castanho velho. . . . / . . .


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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Anexo -São Vitor
São Vitor – 8 -- ANEXO Lugar do Escudo Nacional SERVIÇO DA REPUBLICA Distrito de Braga Concelho de Braga Paroquia de S. Victor Inventário dos bens imobiliários e mobiliários desta freguesia, declarados propriedade do Estado e dos corpos administrativos pelo artigo 62º da lei de 20 de Abril de 1911. AUTO DE ARROLAMENTO Em catorze de Agosto de mil novecentos e onze, nesta freguesia de S.Victor, lugar do mesmo nome, reuniu a comissão concelhia de inventário, composta pelo presidente administrador do concelho Tenente Norberto Guimarães, do vogal paroquial Henrique José Alves, presidente da respectiva comissão, vogal agregado nomeado pelo Governo, Dr. José de Paixão Pereira e de mim, Sebastião José do Lumiar Ramos, secretário. Procedemos ao arrolamento dos bens existentes nesta freguesia que tem sido destinados a ser aplicados ao culto público da religião católica e à sustentação dos seus ministros, empregados e serventuários dessa religião, com excepção dos que por documentos ou posse autêntica, pertencem, bem determinantemente, a pessoa particular ou a corporação com individualidade jurídica; e passamos a fazer a descrição desses bens pela forma seguinte: IGREJA PAROQUIAL DE SÃO VITOR BENS IMÓVEIS Nº 1 Um edifício Igreja Paroquial sita na rua de S. Vitor, que se compõe de torre com catorze sinos e interiormente de seis altares sendo o do centro o altar mor. É forrada a azulejos de valor, concluídos (?) a cores. A capela mor é toda de talha dourada e o arco principal da igreja também segundo declaração do pároco foi dourado há pouco tempo pela irmandade, digo, pela Junta de Paroquia. Nº 2 Um prédio urbano, próximo da igreja e designado a residência paroquial com quintal anexo. Nº 3 BENS MÓVEIS Alfaias : Quatro bolsas de corporal sendo duas preta e una roxa e preta e outra branca lisa. Nº 4 Dezanove cazulas sendo uma de damasco preto, outra roxa, três brancas de damasco com galão de seda, quatro vermelhas para uso, três pretas, três rochas, uma verde, uma de matiz e duas de damasco preto e branco. Nº5 Quatro capas, sendo uma vermelha e branca, outra vermelha, outra roxa e outra branca lisas. Nº 6 Duas dalmáticas de seda roxa, quatro estolas, sendo duas branca e roxa, outra de seda vermelha para a comunhão e outra de seda lavrada para os baptizados. Nº 7 Quatro frontais, sendo um vermelho e branco, outro roxo, outro vermelho e branco em muito bom estado de uso e outro de damasco verde. Nº 8 Três pavilhões, sendo um de damasco roxo sem saial, outro roxo pequeno tingido, do altar do Senhor das Necessidades e outro branco pequeno com ramos de cor. Nº 9 Sete paramentos, sendo um branco ordinário com uma cazula, duas dalmaticas, duas estolas e três manípulos, outro vermelho ordinário com duas peças, outro roxo ordinário com as mesmas peças, outro preto de veludo em mau estado com as mesmas peças, outro branco com as mesmas peças e outro de damasco roxo com galões de seda também com as mesmas peças. Nº 10 Um pálio de damasco branco com ramos a fingir seda de seis varas, uma umbela de seda branca nova, duas ditas de oleado, sendo uma em mau estado. Nº 11 Catorze véus de seda, dois de ombros vermelhos e brancos, outro de roxo ordinário, quatro de cálices de seda vermelha e três de cálice de seda branca, dois de seda verde, um de seda roxa e um de seda preta. Nº 12 VASOS SAGRADOS Quatro cálices de prata com o peso de 2,750 gramas; uma embola do mesmo metal, com o peso de 0,459 gramas e dois vasos de cobre sendo um no sacrário ( cibório ) e outro para sair aos enfermos. Nº 13 ORNAMENTOS Uma bolsa de cobrir a cruz, em mau estado, duas coberturas ou pavilhões dos vasos sagrados de seda e ouro; onze cortinados vermelhos e brancos nas frestas da igreja e dois panos de estante de missal, sendo uma branca e vermelho e outra preta. Nº 14 Uma imagem do padroeiro São Vitor, na tribuna, um painel com as imagens do Crucificado Nosso Senhor, S. João, Santa Maria Madalena e onze sanefas de madeira sendo sete a branco e dourado nas frestas igreja e quatro douradas na capela mor. Nº 15 ROUPAS Nove alvas de linho sendo seis em bom estado e três ordinárias; oito amitos de linho ordinários, doze corporais de linho ordinário; seis cordões de alvas; vinte uma opas sendo quinze de nobreza de seda vermelha novas, três de setinete vermelhas e três de cor roxa; treze palas quadradas de linho e mais três redondas, também de linho; duas sobrepelizes ordinárias; dez toalhas de linho sendo quatro para o altar mor; três para o lavatório da sacristia e três para a mesa da sagrada comunhão, e mais duas toalhas de credencia para a mesa. Nº 16 UTENSÍLIOS DE CULTO RELIGIOSO Uma banqueta de altar mor completa; duas cruzes para acompanhamentos do viático, sendo uma prateada e outra de metal ordinário; duas caldeiras de água benta sendo uma de metal branco e outra de estanho; uma campainha de metal; três pares de galhetas de vidro; duas grades sendo uma de pavilhão de altar mor e outra de pequeno; um lampião grande; dezoito lanternas das quais seis são de folha gravada para acompanhamento, seis ordinárias para os dias de chuva e seis que servem em S. Vicente; dois missais ordinários; uma naveta de cobre prateado; uma pedra de ara no altar mor; um ritual romano; um turíbulo de cobre; quatro tocheiros de madeira e três sinos de bronze existentes na torre da igreja já incluídos na descrição do templo. Nº 17 MOBILÁRIO Dois armários de castanho sendo um para o arquivo da Junta com duas gavetas e o outro com soco, pilastras, cornija e oito gavetões; uma andarela de ferro, de parede para a lâmpada, seis bancos grandes de castanho e suas bancadas também da castanho que servem no arco cruzeiro da igreja; um caixão de castanho para guardar cera e ma caixa para lançar requerimentos e outra correspondência. Nº 18 Um cantoneira de castanho para guardar os objectos da Junta; cinco confessionários, sendo dois grandes de castanho e três pequenos portáteis, duas mesas de castanho no coro para a música e um tabuleiro também de castanho para conduzir os paramentos. Nº 19 Um missal romano Tomnay (?) da edição do ano corrente; dois cabides de madeira para a sacristia do lado sul da igreja e dois panos vermelhos para cobrir o altar mor. . . . / . . .


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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
Obrigações
São Vitor --- 6 -- OBRIGAÇÕES E PRIVILÉGIOS Pelos estatutos reformados em 1820, sabe-se que, quando saía o Sagrado Viático aos enfermos, ao tempo do arcebispo, o Sereníssimo D. José de Bragança, foi alcançada uma Provisão “para aquelas pessoas que fossem eleitas pela Mesa para levarem as lanternas nos acompanhamentos do Santíssimo quando ia aos enfermos, gozassem os mesmos privilégios e isenções que gozavam aqueles irmãos do Santíssimo que O acompanhavam, quando saía da Sé, com lanternas.” Facilmente se depreende que eram muito onerosas, por disposições estatuárias, as obrigações dos mesários que eram forçados a pagar do seu bolso várias despesas, por ocasião das solenidades. Ora, tal estado dava em resulta que muitos dos mesários se recusavam a aceitar os cargos para que tinham sido eleitos por não poderem arcar com as despesas. Pelas sucessivas reformas dos estatutos essas obrigações foram-se suavizando mas ainda “por largo tempo, se conservaram e praticaram, tais como, a do Provedor pagar por sua conta a fogueira na véspera da festa principal, e bem assim os juncos, espanadas e “montrastes” para a igreja e o boi bento para a procissão.” Uma nota interessante faz referência a “Noticia Histórica” ao relatar a obrigação de que quatro mordomos “eram obrigados a pagar a tambores e um clarim, para acompanhar o Sagrado Viático, quando saísse com pompa aos enfermos e, na festa principal, teriam de pagar todo o estrondo, tanto para a mesma festa como as vésperas mas, ressalvavam os ditos estatutos que o referido estrondo nunca poderia exceder a oito ou dez figuras, por todos entre os tambores, zabumbas e clarins, ou gaitas de foles”. Nos estatutos de 1820, era determinado que “procissão se fizesse com toda a decência e sem mais ornatos do que os declarados no Cerimonial Romano : que levasse não somente as Confrarias e Irmandades da freguesia, com as respectivas cruzes e todo o clero da freguesia, e que de modo nenhum levasse andores, gigantes, nem também a imagem de S. Jorge e seu Estado, como uso até então.” UM POUCO DE HISTÓRIA O Dr. Sérgio da Silva Pinto, no seu estudo sobre “A Necrópole de São Vitor”, descoberta aquando da abertura dos caboucos para as fundações para a criação da Escola Primária de São Vitor, no gaveto formado entre as ruas Martins Sarmento e Beato Miguel de Carvalho, afirma que esta necrópole se “situava, com todas as cautelas no período da Reconquista, talvez nos seus primeiros séculos”. No entanto e segundo o parecer do Eng. Amorim o local “fazia lembrar uma importante via de comunicação de outros tempos, visto que no seu extremo sul (rua Bernardo Sequeira) existe uma ponte sobre o rio Este e no seu pavimento encontra-se ainda grande quantidade de lagedo do aspecto semelhante ao que se vê nas estradas romanas”.Ora, como anota Sérgio Pinto, “ao longo desta via, precisamente como era uso em épocas romanas, aparece a Necrópole de São Vitor”, com a orientação norte-sul e as sepulturas no sentido nascente-poente. Além do mais, no espólio recolhido foram encontradas algumas moedas romanas que hoje devem estar em posse da Unidade de Arqueologia ou no Museu D. Diogo de Sousa. Serve o que transcrevemos acima para provar que em tempos remotos, no local-séde da actual freguesia de S. Vitor “lugar tão ligado a tradições paleo-cristãs”, deveria ter havido uma população e construções que datariam, pelo menos, da época em que Vitouro foi martirizado. Por ali existiria, talvez, um templo dedicado a “Ceres”, a quem o Mártir Vitor, Santo e Catecúmeno, se negou a glorificar, razão do seu martírio. Portanto São Vitor ao tempo e até 1846, um arrabalde da cidade, e hoje a sua freguesia mais populosa, tem uma tradição que vem de longe. Aqui existiu o templo doado pelo clérigo Vasco Mendes a São Martinho de Dume. Como vimos várias foram as suas reconstruções até se chegar ao actual templo que domina, no seu alto outeiro, toda a freguesia. Sabemos que Braga e seus arredores várias vezes foi destruída. Umas pelos hostes romanas na sua luta pela dominação desta terra fértil; mais tarde pelos suevos, que aqui implantaram a Capital do seu reino, entrados no Cristianismo graças à acção do bispo Balcónio, sendo assim o primeiro Reino Bárbaro a abraçar a religião Cristã. Tempo decorrido é de novo arrasada pelos Visigodos, povo bárbaro que aliado aos Romanos combateu os Cristãos Suevos e que, afinal, se vieram também a converter. Os Sarracenos vem, pela Centúria de setecentos e a Brácara Augusta é de novo sacrificada. Há quem diga que, a comunidade cristã de São Vitor, como a de São Pedro de Maximinos foi poupada, pois a moirama, gente guerreira, tinha necessidade de braços para cuidar das suas necessidades e poupou estas comunidades, deixando-os manter a sua fé, mas à custa de grandes e pesados tributos. Mais tarde na reconquista, Braga, volta a impor-se, a crescer, e a freguesia de São Vitor, aos poucos vai tornar-se na maior freguesia da cidade, onde para isso muito contribuíram os seus artesãos – sombreireiros, artífices do metal, produção artesanal de tecidos, sedas, espingardeiros, etc. etc. R E P Ú B L I C A A igreja da Paróquia de São Vitor, como as demais de todo o Portugal, sofreu o esbulho da célebre Lei de 20 de Abril de 1911, lei da Separação da Igreja e do Estado. Todos os seus bens foram arrestados e inventariados. No Arquivo da Câmara de Braga, existe uma cópia do inventário então efectuado. Ao logo de dezanove artigos são descritos esses bens, mobiliários e imobiliários, que passaram e foram declarados propriedade do Estado e dos corpos administrativos. Desse inventário fazem também parte a igreja de São Vicente, então pertença da paróquia de São Vitor, e ainda as capelas do Recolhimento das Convertidas ou São Gonçalo e de Santa Teresa. Curiosamente o inventário passou ao lado da Capela de Guadalupe, Senhor do Alecrim e a de Cedofeita ou do Senhor dos Milagres, templos que estavam e estão sob a jurisdição da freguesia de São Vitor. Muito ainda ficou por narrar mas, no essencial julgamos ter dito o que mais interessava. Braga, Setembro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt Email: luisdiasdacosta.@clix.pt


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As Confrarias
São Vitor -- 5 -- AS CONFRARIAS Na igreja Paroquial estão erectas várias Confrarias. De algumas vamos fazer referência. CONFRARIA DAS ALMAS cuja fundação, segundo a publicação “III Centenário da Fundação da Igreja de São Vitor”, teve estatutos em 1704 e que sabemos, conforme exemplar que possuímos, foram, estes ou outros posteriores, reformados por Alvará de 19 de Maio de 1832, num período de sé vacante, como nos indica Albano Belino, em “Archeologia Christã”, ao referir que entre os arcebispos D. Frei Miguel de Madre de Deus (1815/1827) e o Cardeal Figueiredo da Cunha e Mello (1840/1855) a cadeira arquiepiscopal estava vaga. Ao longo dos anos vários vezes foram alterados até que em 1936, ano em que foi publicado o que possuímos e do qual respigamos : Capítulo I – Natureza, fins e regímen financeiro Artigo lº - A Irmandade das Almas de S.Vitor, corporação de piedade e benemerência com séde em Braga, reforma pelo Estatuto, o compromisso reformado por Alvará de 19 de Maio de 1832. A seguir, no artigo 2º, 2 – b – Proteger os irmãos pobres, quando doentes ou impossibilitados, com subsídio pecuniário. CONFRARIA DE SÃO SEBASTIÃO Com Estatutos de 1757. CONFRARIA DO MÁRTIR SÃO VITOR Cujos Estatutos foram introduzidos em 1763. CONFRARIA DO APOSTOLO SÃO TIAGO Estatutos de 1749. Esta Confraria merece especial destaque nestas notas. Dada a grande quantidade de artesãos que se dedicavam ao trabalho de sombreiros (chapeleiros) levou a que estes se juntassem na organização de uma Irmandade. Reunidos sob o patrono de um Santo que, por certo, assim defenderiam melhor os seus interesses, levou-os a escolher, ficando sob a sua protecção pelo menos espiritual, de um Santo que tivesse a sua “moradia” na igreja Paroquial onde situava a maior número de artífices. No entanto os Estatutos firmados em 1748, definiam que só poderiam ser confrades os artesãos que exercessem a profissão de sombreiros ou cardadores. Como tal a sua escolha recaiu em São Tiago Apóstolo, que se venerava no altar de Santa Susana (hoje é o altar de Nossa Senhora das Angústias, ladeada e assentes em peanhas, por São Tiago e Santa Susana) irmandade na qual poderiam entrar todos aqueles que na cidade, independentemente do lugar onde morassem ou exercessem os mesteres fixados nos estatutos. Apesar da boa vontade dos primitivos irmãos, ela não resistiu apenas como Irmandade de São Tiago. A razão da alteração a que teve de sujeitar-se vamos encontrá-la na transcrição que abaixo faremos: “A Irmandade de São Tiago na Igreja de São Vitor… achando-se em decadência pela abolição do mister de sombreiro, falta de entrada de irmãos e outras causas, e … sem meios de custear as despesa necessárias para os legados e mais actos de culto divino, encargos que sobre ela pesam e querendo evitar a sua extinção progressiva, certa e infalível, se por mais uma vez não lhe valera a Milagrosa Imagem de Nossa Senhora das Angústias.., e a justa e a necessária devoção e respeito que com ela tem todos os fiéis, resolveu a Junta Geral da Irmandade, que ela fosse como sempre foi a sua Padroeira e Protectora, que a sua Irmandade de ora em diante fosse chamada e tratada pela Irmandade de Nossa Senhora das Angústias, S. Tiago e Santa Susana, com continuidade que tem, e que as entradas dos irmãos e sufrágio, e despesas e encargos da Irmandade fossem postos em harmonia…” IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DAS ANGÚSTIAS Reforma de 1852 E ainda, as do SANTISSIMO NOME DE JESUS E SUBSINO – 1778, IRMANDADE DO MENINO JESUS – 1778 e SENHOR DAS NECESSIDADES, estatutos reformados em 1829. De notar que em 12 de Maio de 1936, foram, pelo então arcebispo D. António Bento Martins Júnior, aprovados os estatutos da Confraria do Santíssimo Sacramento e sua união de Santo António. Sobre esta Confraria temos alguns dados. Assim por eles sabemos que por Paulo V, Pontífice Máximo, no dia 3 de Novembro de 1606, foram concedidas Indulgências Gerais aos confrades das Confrarias do Santíssimo Sacramento e “aos que o não são”. Também o papa Bento XIV, concedeu Indulgências Plenárias. Sobre ela refere uma NOTÍCIA HISTÓRICA: “Ignora-se a data precisa da instituição…, por não existirem os seus primitivos estatutos. Os mais antigos que existem, foram reformados em 1744 e já nele se faz referência aos anteriores, mas duma representação que a Mesa dirigiu, naquele ano, ao arcebispo D. José de Bragança, parece referir-se que a confraria foi fundada em 1633, pois diz … E porq des a Creação da Confraria the o presente, q são cento e onze añ…Do prólogo dos estatutos reformados em 1820, vê-se porém , que vai mais longe a sua fundação, pois ali se lê que, no ano de 1632, se fizeram novos estatutos de cujo prólogo consta …que os instituidores ou reformadores delle nomearão OUTROS INSTITUIDORES ANTIGOS, e por isso suplicarão ao ILUSTRRISSIMO E REVERENDISSIMO SENHOR ARCEBISPO PRIMAZ A CONFIRMAÇÃO para se organizarem em Confraria. Do Livro de Visitações que faz parte do Arquivo da Sé Primaz, consta que a Confraria do Santíssimo Sacramento foi manda instituir, por Capítulo de Visita, depois que D. Frei Bartolomeu dos Mártires ordenou que, no arcebispado, se erigissem Confrarias do Santíssimo Sacramento e do Santo Nome de Deus. Por escritura exarada nas notas do tabelião que foi desta cidade, João Baptista Pereira da Silva, feita em 28 de Maio de 1845, uniu-se a Confraria do Santíssimo Sacramento e do Santo Nome de Deus, à também erecta confraria de Santo António, na mesma paroquial de São Vitor, cuja fundação data de 1618, passando a denominar-se “Confraria do Santíssimo Sacramento e Sua União de Santo António”. Teve a Confraria do Santíssimo, em tempos o título de Real, devido ao facto de, em 3 de Março de 1830 ( como diz a Notícia Histórica ) “El-Rei D. Miguel I ter-se dignado anuir à súplica que lhe foi feita pela mesa gerente, aceitando ser Protector e Juiz Perpétuo pelo que num livro especialmente feito para isso e que ainda existe no arquivo da confraria, se lavrou o termo que foi assinado pelo punho de Sua Magestade.” A Noticia a que vimos recorrendo diz que era costume antiquíssimo que os Senhores Arcebispos, na qualidade de Padroeiros e Fabriqueiros da igreja de São Vitor, darem a cera para a função do Sagrado Lausperene, bem como toda a armação da capela-mor, o órgão e o organista, ficando à conta dos mordomos o armarem, à sua custa, o corpo da igreja. Curioso é também um termo da Mesa de 5 de Março de 1752, e um termo da Junta, do mesmo ano, pelo qual se vê; “que os Senhores Arcebispos também pagavam o azeite que se gastava anualmente na lâmpada do Santíssimo e a quem cuidava dela e bem assim pagavam a cera, isto é, quatro tochas e duas “bogias” para as lanternas sempre que saísse o Sagrado Viático aos enfermos, e finalmente a cera necessária para quando, nesta igreja, se administrasse a Sagrada Eucaristia, tanto na Quaresma como em todo o ano.” Todas estas obrigações eram o resultado dos Arcebispos de Braga desde S. Geraldo, serem os donatários da Paroquial de São Vitor. . . . / . . .


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Pio Latrocinio
São Vitor -- 4 -- O PIO LATROCÍNIO Senna Freitas, nas suas “Memórias de Braga” II v., pag. 171/2, informa que Dom Gelmires, aquando das invasões sarracenas (enganou-se, foi aquando do governo da arquidiocese bracarense pelo Arcebispo São Geraldo – 1096/1108), cometeu o Pio Latrocínio de levar para a Catedral de São Tiago de Compostela, os restos mortais de São Frutuoso e levando também de Braga as relíquias de outros Santos, principalmente da igreja de São Vítor. Diz que o historiador, Frei Henrique Florez, afirmou que em Compostela se encontra uma cabeça atribuída a SãoVítor, mas que essa cabeça não respeita ao São Vitor bracarense mas a outro São Vítor Mártir. Será assim ? Ou a cabeça que se encontra encerrada num relicário na Catedral de Compostela será do nosso mártir e que falta num dos túmulos que está sob o pavimento do altar-mor da actual igreja de SãoVítor ? A CAPELA MORTUÁRIA Quando, no século findo, se procedeu às obras efectuadas para a instalação de uma capela mortuária, numa dependência numa parte da igreja voltada a sul, por detrás do altar-mor e por debaixo das lages, apareceram ossadas sobrepostas que, pelo seu tamanho, deram a impressão de terem pertencido a crianças e ali devem ter sido colocadas quando da reconstrução da igreja actual. Seriam, talvez, restos mortais, exumados das antigas igrejas. No soco da referida capela mortuária, voltada a sul, quase imperceptível, encontra-se uma inscrição que deveria ter pertencido, como outra que está junto à platibanda da traseira da sacristia – parte nascente – a uma laje sepulcral. A primeira reza “Requiescat in pace” ( Repousa em paz) e a segunda, diz apenas “Sepultura de A..N…” Albano Belino refere uma outra inscrição latina, mas esta, diz, escondida por uma camada de cal e parecer ter sido também de uma lápide tumular romana que pode ter pertencido a uma das anteriores igrejas e que segundo a sua informação diria : “IVLIVS PILIDES ORESTES – H. S. S. (Júlio Pilides Orestes aqui está (situado) ou aqui repousa” Não encontramos tal inscrição, apesar de muita procura. Voltando à Capela Mortuária, esta nova e necessária dependência está situada ao lado da rua de São Vítor, com acesso pelo antigo largo do Loureiro, por um pequeno escadório e pelo lado direito do adro de entrada. Depois das obras foi nela colocada a imagem de Cristo Crucificado – O Senhor das Necessidades. Dizem ser uma bela imagem do século XVIII. Tem esta escultura uma particularidade interessante e não vulgar em outra imagens que temos visto, apesar de nos afirmarem ser uma característica do século em que foi esculturada. Nada encontramos que o comprove. Trata-se da utilização de umas gotas de vidro colorido, vermelho, seguindo um traço que sob o efeito da luz, dá a ilusão de se tratar de sangue vivo, a correr. Esta imagem veio para esta capela, saindo do altar privilegiado, ao lado do lado do Arco Cruzeiro. Na parede do arco cruzeiro, junto ao altar de onde veio esta imagem de Cristo, vê-se a inscrição que revela o privilégio : “O altar do Senhor das Necessidades he privilegiado perpetu Amte /por breve Apostol.co de SS. Padre Pio 8º conce.do aos 13 de M.co de 1830”. As pedras com inscrições latinas devem ter pertencido, possivelmente, á igreja do mosteiro fundado por S. Martinho de Dume, ou a que foi edificada pelo padre Nuno Forjaz e que o seu padroeiro Nuno Soares doou ao arcebispo São Geraldo em 1096, porção confirmada por El-Rei D. Afonso Henriques. Também podem ser restos da reedificada (várias foram as reedificações), por D. Paio Mendes. Num nicho próprio, está a imagem de Nossa Senhora do Egipto ( imagem de roca), com o Menino no regaço, alusão à fuga para o Egipto. É esta imagem que na Semana Santa integra a procissão de Nossa Senhora das Angústias, conhecida popularmente pela “Procissão da Senhora da Burrinha”. Na parte que esteve a primitiva porta de entrada para a dependência que é hoje a Capela Mortuária, voltada a poente, e hoje encerrada, está colocada uma bandeira ou pendão que figurava nas procissões e em que está representada Nossa Senhora, na sua primeira dor. Adornando as paredes da capela vêem-se vários editais, bulas, obrigações e demais instruções para a execução dos deveres das confrarias erectas na igreja, como a obrigação de em determinados dias se rezarem missas, conforme os legados deixados por defuntos crentes. Todas estão pintadas em tábuas, pinturas estas de grande antiguidade. Como prova de ter existido em tempos um templo românico, encontram-se não só as inscrições mas também outros vestígios desses tempos, como à entrada do Salão Paroquial, duas colunas, numa das quais se pode observar a base e outra que serve, ou servia para suporte de uma varanda. Pertenceriam a esse templo e mosteiro românico mandados edificar por D. Paio Mendes ou à igreja visigótica (565) ? No terreiro da entrada para a sacristia vê-se ainda uma pia baptismal redonda – hoje a servir de floreira – que foi achada quando da abertura dos caboucos para as fundações da nova igreja e que esteve por largos anos abandonada a um canto. Pelo seu aspecto, pode esta pia ter pertencido à primitiva igreja. Também nas escadas de acesso à residência paroquial uma pequena coluna que, dizem as pessoas mais velhas do local, esteve colocado no átrio de entrada para o terreiro da sacristia e sob a qual tinha uma pequena pia de água benta, que levou descaminho. Na sacristia e na Capela Mortuária podem admirar-se duas fontes-lavatórios que serviriam para lavar as mãos ante e pós-missa. De destacar nestas bicas de água, duas carrancas, uma em cada, de pedra lavrada em granito da região. A T O R R E Sobre a igreja, sua arquitectura, talha, azulejos, muito já o dissemos e por certo muito mais ficou por dizer mas, no entanto, há uma coisa que não podemos deixar de mencionar e que raramente se encontra em outros templos, não só em Braga (aqui existem pelo menos mais três) como em outros pontos do País. Referimo-nos à torre que sabemos ter sido feita pelo mestre de pedraria, Pascoal Fernandes, por contrato assinado em 18 de Janeiro de 1691, entre o mestre e os membros designados após a morte de D. Luís de Sousa para “acabar a obra do acrescentamento da torre de São Vítor e tímpano dele e o bando do retábulo e outros e a casa da residência”, acrescentamentos ao primitivo contrato que iriam custar a soma de 300$000 reis. Pela leitura do documento em que está narrado este contrato fica-se a saber que a torre, segundo a tradição local, seria traseira. Ora é isto que queríamos referir como uma das características de igrejas de Braga, não só das construídas mais ou menos na mesma época, como a da Ordem Terceira Franciscana e São Vicente ou anteriores ( caso do Pópulo, edificado o templo em 1596 ( curioso é o facto deste ser a única em Braga que apresenta três torres – a primitiva traseira e as duas da frontaria do final do século XVIII, obra de Carlos Amarante) ou posteriores como a da Senhora a Branca, Penha, Lapa e São Pedro de Maximinos. . . . / . . .


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