Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Palácio do Raio
Continuação: nº 2 O tecto pintado apresenta vários motivos e ali está representado o brasão do Visconde de São Lázaro. O azulejo da fachada é do século XIX, e deve ter sido mandado colocar por Miguel José Raio, após a compra do palacete, em 25 de Abril de 1853, por dez contos de reis, a José Maria Duarte Peixoto, herdeiro do primitivo possuidor. Então este prédio tomou o nome porque é hoje conhecido – do Raio. Quando foi agraciado com o título de Visconde, Miguel José Raio, mandou retirar da cartela do cimo da fachada o brasão do fundador, João Duarte de Faria, e colocar em substituição o seu no lugar vago. A primeira notícia sobre este imóvel aparece-nos no manuscrito de Manuel da Silva Thadim DIÁRIO BRACARENSE que a pag. 166, diz: “Atrás de S. Marcos faz João Duarte de Faria, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Familiar do Santo Ofício, e Tendeiro que havia sido na Porta do Souto, umas belíssimas casas de pedra bem lavrada”. Esta notícia está inserida no final dos anais de 1754. O falecido Dr. Manuel Braga da Cruz, no seu trabalho “Quem habitou o Palacete do Raio ?”, inserido na revista Bracara Augusta, vol. XXIII, pag. 125, diz que João Duarte de Faria, era natural de Guimarães, onde nascera na freguesia de S. Sebastião, em 23/VI/1693, tendo falecido em 30/ IX/1767. Afirmou ainda o neste seu trabalho que em tempos, o palacete foi conhecido por Casa Grande dos Granjinhos. Nos ângulos norte (gaveto da rua do Hospital) e sul (gaveto da rua dos Granjinhos) do largo fronteiro, começo hoje da rua do Raio, mandada abrir pelo Visconde, em 1863,vêem-se duas casas em tudo semelhantes que este, ao jeito patriarcal, destinou às suas duas filhas, com jardim gradeado e apresentando sobre os cunhais dos portões, esculturas em cerâmica esmaltada a branco. Uma delas, a que serve as instalações da Vidioteca Municipal, viu destruído o seu espaço ajardinado e gradeado e as imagens que sobrepujavam os portões desapareceram, não sabendo nós qual o seu destino. A outra, onde em tempos foi a casa e consultório de um médico bracarense, estava integrada ultimamente nos serviços dos C. T. T., apresentando ainda hoje o seu aspecto original. Com a abertura desta rua até à então rua da Água, foi encerrada a Cangosta da Palmatória que, desde o Portão de acesso ao claustro do Hospital de São Marcos, era um dos caminhos de saída do Campo dos Remédios para a parte sul da cidade, em direcção a Guimarães, pela citada rua da Água. O Palácio do Raio parece que tinha a pesar sobre ele, uma maldição. Há quem se lembre que como o primeiro proprietário era membro influente da confraria de Santa Madalena, querem fazer querer que o dinheiro para a sua construção teria origem duvidosa, esquecendo que João Duarte de Faria, era um conceituado comerciante e que, praticamente, não foi durante a sua vida que o palácio causou dissabores ao seu proprietário. Depois da sua morte, muito depois, o seu herdeiro, administrando mal a fortuna do seu avoengo, dissipou-a, acabando praticamente na miséria, só lhe valendo a consideração de Miguel Raio que sabendo da sua situação, o chamou para a sua antiga casa e o tratou com toda a consideração até falecer em Janeiro de 1870. E continuando nas supostas “maldições”, a situação económica do Visconde de São Lázaro, deteriorou-se na parte final da sua vida, como diz o já citado Dr. Braga da Cruz, “pela queda da sua importante casa comercial do Pará (Brasil), ficando limitado aos seus haveres em Braga, bens de certo valor mas de pouco rendimento”. Como solução teve de recorrer a empréstimos, recorrendo ao Banco do Minho, primeiro ele mesmo e depois, os seus herdeiros, o que deu em resultado que, por falta de cumprimento das cláusulas dos empréstimos, por escritura de 28/XII/1882, o Banco tomasse para sua conta todos os bens, incluindo o Palacete, dados como fiança aos empréstimos. Finalmente e por escritura pública de 1 de Dezembro de 1884, o Banco do Minho, representado pela sua Direcção, vendeu o Palacete à Santa Casa da Misericórdia de Braga, sua actual proprietária. Neste edifício instalou a Santa Casa, alguns serviços como os de Radiologia, Oftalmologia e Estomatologia. Mas afinal quem era Miguel José Raio ? Devia ter sido uma pessoa importante na Braga em pleno século XIX e, de facto era-o. Miguel José Raio, nasceu em Braga, na rua Cruz de Pedra, em 10 de Maio de 1814 e faleceu nesta cidade em 14 de Agosto de 1875. Figura de grande destaque não só no meio comercial da cidade também como benemérito e homem de acção. Tratava-se de um capitalista brasileiro, tendo muito novo emigrado para a Terra de Vera Cruz, ali graças ao seu esforço singrou e onde granjeou fartos meios de fortuna, sendo considerado, quando do seu regresso à Pátria como “homem de abastados cabedais”. Pelos seus actos, principalmente beneméritos, foi agraciado mais tarde, como o dissemos, com o título de Visconde de São Lázaro. Como sabemos há, pelo menos três espécies de nobreza. Aqueles que dizem basearem os seus títulos numa ascendência visigótica, a chamada nobreza velha; aqueles que no campo de batalha pela sua coragem e valentia nesses campos a receberam das mãos dos reis, como os da Batalha de Aljubarrota e aqueles que pelo seu dinheiro, que por vezes era uma salvação para o erário público, ou pelas suas acções ( caso de Miguel Raio ), foram-no assim distinguidos. De entre as coisas notáveis na qual Miguel José Raio deixou a sua marca, foi o Banco do Minho, do qual juntamente com outros bracarenses foi instituidor. Tal era o seu prestígio no meio bracarense, que o imóvel que comprou, a antiga Casa Grande dos Granjinhos, passou a ser imediatamente conhecido pelo nome que hoje tem, e que portanto deriva do seu apelido - o Palácio do Raio. Braga, l de Outubro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt


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Palácio do Raio
Luís Costa O PALÁCIO DO RAIO ou CASA DO RAIO Mandada edificar em 1754, por João Duarte de Faria Atribuído o seu risco a André Soares ( André Soares Ribeiro da Silva ) UBATI – Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade 2008 PALÁCIO DO RAIO Situado no popularmente conhecido como largo do Raio, toponímia não reconhecida oficialmente, o Palácio ou Casa do Raio, é um dos mais singulares edifícios da cidade, e um cartaz turístico bracarense dos mais fotografados por inúmeros turistas. Mandada edificar por João Duarte de Faria, ao tempo mesário da Confraria de Santa Maria Madalena, da Falperra, com risco atribuído ao “arquitecto do Minho”, André Soares ( André Soares Ribeiro da Silva ), o Palácio ou Casa do Raio é também atribuído ao mesmo artista, tudo se conjugando para que assim seja, já que a data da sua construção é da mesma altura e, por certo Duarte Faria, não encomendaria a outro que não Soares, a feitura do seu palácio, dado que a fachada do templo de Santa Marta, onde era, parece que, mesário tesoureiro, deve ter influído e muito para o agrado da sua escolha. Assim, o Palácio, é uma obra prima do período setecentista, de típica arquitectura primitiva barroca, no melhor estilo joanino, “ró-có-có”, inspirado nas gravuras que a Portugal estavam a chegar, vindas do centro da Europa. Feliz adaptação “soaresca” ao estilo floreado francês “rocaille” , que segue o estilo da fachada do mencionado templo da Falperra. “Rocaille” é um motivo decorativo “nascido da estilização barroca das conchas (vieiras) usadas na decoração das grutas fingidas desde o Renascimento. Ganhando formas assimétricas num jogo de curvas e contracurvas…” – Selecções Readr’s. Na fachada, o portal, profusamente recortado e decorado, flanqueado por duas volutas ( tipo das do edifício camarário ) que se prolongam até ao balcão varanda desenhada em pedra e com balaústres, vêem-se, em cada canto, duas esculturas decorativas, que não interrompem a ilusão de que as volutas da entrada se prolongam até quase à platibanda do edifício, coroada por uma sucessão de balaustrada, interrompida ao centro por uma cartela, com as armas da casa, sobrepujadas por um frontão quebrado, sobre o qual se encontra um acrotério decorativo encimado por uma espécie de vaso florido. Recorrendo a Vaz-Osório da Nóbrega, e ao seu trabalho Pedras de Armas e Tumulares do Distrito de Braga, a cartela representa não as armas de do primitivo dono da casa, João Duarte de Faria ( as deste senhor encontram--se arrumadas sobre os muros da traseira do Palácio ) mas sim as do Visconde de São Lázaro, título com que foi agraciado Miguel José Raio, pelo rei Dom Luís, em carta de armas de 12 de Abril de 1872. A leitura deste brasão é a seguinte: Localização: - Casa do Raio. - Frontaria. Material: mármore Época: o Visconde de São Lázaro teve carta de armas em 12 de Abril de 1872 e faleceu a 14 de Agosto de 1875. LIÇÃO HERÁDILCA: Classificação: heráldica de família. Conjunto: - Escudo inglês. - Coronel de nobreza. - Timbre. - Folhas de acanto ladeando o escudo. - Fitas pendentes do escudo e das folhas de acanto, com a insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo, do Brasil, e as comendas da Ordem de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Escudo: Composição: partida. Leitura: I GONÇALVES, de Antão Gonçalves (1) II OLIVEIRA (2) Diferença: uma brinca com besante (3) Timbre de GONÇALVES, de Antão Gonçalves (4) (1) Banda carregada de dois leões rompantes. (2) Uma oliveira carregada. Indicando esmalte do campo (vermelho) A platibanda está escondida por um balaústre de papos, sobre o qual se podem ver seis vasos ou urnas, flamejantes ( três em cada lado da balaustrada ) e, nos cantos, rematando os cunhais, quatro bojudos, simulando urnas fechadas. Penetrando no edifício, vamos encontrar como na Domus Municipalis um átrio, um pouco maior que êste, mas a sua disposição e formato obedece aos mesmos cânones – de cada lado uma porta de acesso a gabinetes e frontalmente uma portada central, de grande formato e imponência de entrada para a escada para o andar superior e aos lados desta uma porta, como na Câmara. De notar, na portada central, anteparo da escada, a decoração nos vidros (cristal ?) a fogo. O lambrim que se apresenta em todos os lados da escada nobre, bem como no patamar que se segue ao primeiro lanço, são azulejos do século XVIII, (azul e branco) com motivos de caça, alguns exóticos, lembrando o autor da azulejaria, de cabeceira, do Panteão de São Vicente, em Lisboa. Os azulejos estão, ou estavam quando por lá passamos, em franca deterioração. Segundo nos informaram parece que já estão tratados ou o vão ser, pois também nos informaram que o Palácio, no futuro será destinado a Museu da Santa Casa, esperemos que assim seja. No entanto algo cremos ser irremediável. Referimo-nos a azulejos de algumas dependências superiores que, em tipos idos, foram danificados e possivelmente arrancados. Dos que restavam julgo, pois já se passaram vários anos depois que os apreciamos, não eram figurativos, mas parece-nos que eram do tipo holandês, muito embora de fabrico nacional. Como em São Vítor, no lambrim do patim ou patamar em que a escada se divide em dois lanços, há também uma discrepância - o painel está cortado e a cena que representa interrompida, pelo que é de pensar que o desenho do azulejo era maior do que o painel. Ao chegar a este patim ou patamar uma coisa chama a nossa atenção. Trata-se dum nicho que alberga uma figura que alguns chamam de “Mexicano”, dando em resultado que, por vezes, o verdadeiro nome do Palácio é trocado pelo Palácio do Mexicano. Esta figura empunha um facho de algumas luzes, hoje lâmpadas eléctricas e outrora, primeiro velas e depois, talvez, bicos de gás. . . . / . . .


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A igreja e convento do Pópulo 3 –continuação Desde o altar-mor, onde se projectam quatro colunas, estriadas no sopé em um terço e de seguida lisas até ao encontro de capiteis compósitos, que servem de apoio ao frontão barroco que encima a tribuna, a arte do século XVIII, está nesta igreja bem patente. Notável o retábulo da capela de Santa Apolónia, um apoteose de decoração inteiramente barroca nacional, com as suas colunas decoradas com concheados, ramos, folhas, e outros motivos ; o trabalho decorativo, ró-có-có da urna de Santa Susana, debaixo do altar do Senhor dos Passos; o altar de Santa Mónica, com as suas oito colunas torças, salomónicas, também barroco nacional ; o de Nossa Senhora da Conceição onde, como dissemos já, Marceliano de Araújo impôs a sua arte como nos pormenores do de Nossa Senhora das Dores. Todo o conjunto desta imponente igreja está impregnado, na decoração da arte do século XVIII, desde a talha aos azulejos. Vários foram os artistas que nela intervieram. Podemos anotar alguns deles – Agostinho Marques, o ensamblador Cristóvão Rodrigues, o latoeiro Custódio de Carvalho, o entalhador Alvarenga Peixoto, não esquecendo, possivelmente o maior de todos, Marceliano de Araújo., e o pintor João Lopes, a quem se deve o painel da tribuna de Igreja da Misericórdia. No entanto, como há altares que foram feitos depois da tomada de posse da igreja e convento pelo Estado, alguns são mais recentes e obedecem a novos estilos. Devemos acrescentar que, nesse período, houve uma grande dose de sorte para o templo – poderia ter sido consumido por voraz incêndio, pois foi armazém de palha, durante os primeiros tempos da ocupação militar. Os azulejos apenas temos a certeza do autor da capela de Santa Apolónia – António de Oliveira Bernardes. Quanto aos restantes, até hoje, ainda não puderam ser atribuídos. Um especialista que há anos ali esteve a proceder ao seu restauro, confiou-nos que eles não poderiam ser atribuídos a Bernardes, pois a sua concepção era diferente. Ele, como especialista, não tinha dúvidas. A FACHADA DA IGREJA A actual fachada com duas torres, é composta pelas ordens arquitectónicas Toscana e Jónica, diz Albano Belino, em “Archeologia Christã” e “levantada a seis metros de distância da primitiva, no ano de 1780, empregando-se na sua construção a pedra que sobrou do aumento seminário ( Conciliar de São Pedro, no Campo da Vinha) … e do derrube da torre de Santo António ( que ficava junto ao Seminário). É um risco do Engenheiro bracarense, Carlos Amarante, num estilo neo-clássico, a jeito da fachada da Igreja do Hospital de São Marcos, também de sua autoria. De facto entre elas há algumas semelhanças, especialmente nos quatro janelões, ornados de rendilhados, como as de São Marcos. Esta fachada veio alinhar a igreja pela frontaria do Convento. Destacam-se no seu conjunto, além dos janelões citados, a entrada principal, sobrepujada por um arco peraltado, onde se nota à volta uma decoração floriada e ao centro uma concha. Voltada a nascente, esta porta está ladeada por duas colunas lisas cilíndricas assentes em base ática, num suporte quadrangular, encimadas por capitéis, sustentando a arquitrave decorada. Em cima desta arquitrave, um varandim com balaustrada, abre para um grande janelão em arco que ilumina a parte que foi acrescentada em 1780, e dá para a antiga entrada da igreja, feita ainda hoje, por uma grande porta. Ladeiam também o janelão, duas colunas cilíndricas, nos cimos das quais, se vêem também capitéis um pouco mais pequenos dos que da entrada principal. Junto de cada coluna uma espécie de contraforte, estão a aguentar, com as colunas, a arquitrave deste janelão em arco. A cornija corre ao longo de toda a fachada, que tem a encimá-la, ao centro, num frontão triangular uma cartela com grinaldas, tem ao centro as armas de fé da simbologia agostiniana. Duas jarrões flamejantes, um em cada lado, estão colocados nos vértices inferiores do frontão e sobre os contrafortes que desde a soleira vão até á cornija. O frontão é encimado, num acrotério onde está a cruz arcebispal. A fachada é rematada por duas bem proporcionadas torres, nas quais se destacam as sineiras rasgadas onde, na do sul, se vê o sino grande, enquanto que na do norte se nota um bem mais pequeno e que devem fazer parte do carrilhão. Dois mostradores redondos deveriam servir para a colocação de relógios, mas que nunca lá foram postos. As cúpulas das torres apesar destas serem do estilo neo-clássico, apresentam ressaibos de barroquismo, com o seu desenho de jeito de mitra tão usado nas obras de Soares. Em cada uma, nos quatro cantos, urnas flamejantes enquadram o conjunto, perfurado por um óculo redondo. A parede lateral sul, a única que é visível do antigo largo o Pópulo, hoje Conselheiro Torres e Almeida, apresenta cinco contrafortes, simulando arcos botantes invertidos, e entre eles janelas de iluminação do interior do templo. Aqui se vê ainda uma parte saliente, que é o telhado da nave, dos altares laterais, com janelões em meia esfera. Um porta é a entrada lateral, que ficaria fronteira à antiga passagem da entrada do convento para a igreja, e na qual está o hoje altar do Senhor da Agonia. De notar a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo e, como curiosidade, uma sandália, suspensa pela correia. Toda esta vista nos mostra a igreja da fundação, ao fundo da qual apresenta a primitiva torre traseira, sem cúpula que foi destruída por um raio nem sinos. Está por cima da antiga sacristia, como era habitual. Não se pode esquecer a actual sacristia que, um trabalho de grade valor de talha dourada, se vê o “Santuário das relíquias”, a par de outros objectos sagrados. O C O N V E N T O Juntamente com a igreja, o arcebispo, mandou fazer o convento. Extenso edifício, com 5814 metros quadrados, foi adaptado a quartel militar ( de princípio como local de boleto, para militares destacados em Braga ), depois do decreto de 1834 que pôs fins às ordens religiosas em Portugal e, mais tarde por decisão da rainha Dona Maria II, em 27 de Fevereiro de 1841, como séde do Regimento de Infantaria 8, prémio pela sua acção durante as lutas liberais e até nas campanhas contra as tropas napoleónicas. O 8 de Infantaria havia sido aboletado em Braga, tendo saído de Estremoz, por levantamento de rancho. A sua fachada, ao longo da parte poente do Campo da Vinha (Campo Conde Agrolongo), está divida em duas partes, parte sul e parte norte, separadas por uma tribuna saliente, assente em colunas, varanda da qual, em 1936, na primeira comemoração da chamada Revolução Nacional do 28 de Maio de 1926, Salazar, deu a conhecer o célebre Decálogo, já que foi desde este aquartelamento que o então General Gomes da Costa, lançou a revolução. Aqui se encontra a grande portada, protegida por uma alpendrada varanda entre colunas, única entrada para o edifício, que dá para o átrio onde ao lado da porta de acesso aos dois lances de escada para a parte superior, se encontram em dois nichos as esculturas de Santo Agostinho e de São Tomás de Vila Nova. Nas partes laterais deste átrio, dão acesso a divisões. Deslocando-nos pela porta de entrada para aparte superior, duas escadas uma de cada lado, sobre um portal, levam-nos a um patamar. Dos lambris destas desapareceram, misteriosamente, os azulejos que os adornavam. No patamar, azulejos de cabeceira, do século XVIII, com motivos ligados á Ordem Agustiniana, são iluminados por um grande lanternim. Deste patamar dois lanços de escada levam à parte traseira do corpo principal em coincidência com os que vem do átrio. Nos lambris desta parte, ainda se conservam quase intactos os azulejos. Uma escada nobre, com arranques em pedra, dirige-se ao patamar e andar superior. Alguns azulejos foram arrancados e outros desfigurados, chegando até cúmulo de substituírem, por imitações pintadas, em gesso. Este patamar era a entrada para a sala do capítulo, com pavimento em madeira exótica, que chegaram a substituir por alcatifa, tempos depois arrancada ! ! ! … No seu bonito claustro, estila renascença, encontram-se vários restos de elementos arquitectónicos antigos recolhidos em várias escavações e construções efectuadas na cidade. Entre eles está um marco recolhido na rua Santa Margarida que proibia, em 1747, qualquer escavação ou poço que prejudicasse o abastecimento de água a Braga e, um raro exemplar de um primitivo Brasão de Braga, recolhido na fachada do antigo matadouro. Na antiga cerca (no denominada Campo da Feira, e hoje urbanizado onde se encontra o quartel dos Bombeiros Municipais, rua Zeca Afonso e outras), existiam sete capelinhas, ligadas por uma escadaria de pedra, nas quais se representava uma VIA SACRA. Tendo a cerca sido vendida a particulares, em resultado da extinção das ordens religiosas, esta Via Sacra, acabou por abandonada e perdida. Das imagens salvou-se uma cabeça de Cristo, que se encontra à guarda do Arquivo do Município. Hoje, encontram-se no edifício do Convento muitas das repartições da Câmara Municipal de Braga, depois de custosa e difícil troca com o Ministério da Guerra. Braga, lo de Outubro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt


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Pópulo - continuação - 2 A CAPELA DE SANTA APOLÓNIA Continuando e prosseguindo pela direita encontramos a capela de Santa Apolónia, virgem romana martirizada em Alexandria, em 249, muito venerada em Lisboa (recordemos a estação ferroviária de Santa Apolónia), devoção que os Frades Gracianos (Eremitas de Santo Agostinho do Convento da Graça) que vieram de Lisboa para a fundação do Pópulo, trouxeram esta para a cidade de Braga (esta vinda dos gracianos, deu a razão de por vezes serem chamados “Frades Gracianos”). A capela está forrada, como as restantes de azulejos alusivos ao martírio desta Santa, com inscrições latinas que traduzem o modo com que Apolónia foi martirizada. Num dos painéis, o lado esquerdo, tem o nome do autor da azulejaria – António de Oliveira Bernardes (Antonius Aboliva, Inventor). Hoje esta capela foi dedicada a Santo António, oficial do Exército Português e confraria que veio para o Pópulo quando da demolição, cerca de 1950, do seu pequeno templo, na Praça do Município (antigo Campo de Touros), para dar lugar à rua Eça de Queiroz e arranjo do Jardim de Santa Bárbara. Em edículas, ao lado de um dos Santos mais populares do Flos Sanctorum vemos São Bento, São Lourenço e ao centro, por baixo do trono de Santo António, a imagem daquela que deu o primitivo nome à capela. Segue-se, finalmente deste lado, a capela de S A N T A M Ó N I C A mãe de Santo Agostinho, imagem que ocupa o lugar central. Como em todos os restante também o azulejo representa cenas da sua vida de crente. No retábulo encontram-se a seu lado as imagens de Santa Verónica e de Santa Clara de Montefalco, monjas da Ordem de Santo Agostinho. O Santo Português, São Lourenço de Lagos, famoso eremita da Ordem Agostiniana, que, nasceu em Lagos, em 1360, ocupou em tempos o primeiro lugar nesta capela. Foi superior do Convento da Graça e de outras casas conventuais, incluindo o de Torres Vedras, cidade de que é padroeiro. Os azulejos desta capela focam diversos aspectos da vida dos eremitas de Santo Agostinho, com relevo para Santa Rita de Cássia. Viremos agora para o outro lado do templo. A primeira capela que encontramos é a de NOSSA SENHORA DAS DORES Antes da lei que expulsou as Ordens Religiosas de Portugal, onde se encontra esta capela era a entrada directamente do Convento para a igreja. Com a ocupação das Casa Conventual pelo exército, foi fechada em parede de alvenaria. Convém aqui notar que após a expulsão foram entregues as igrejas às Juntas de Paróquia, como depositárias, isto é eram entregues para os actos religiosos, mas a propriedade seria sempre do Estado. Ao centro do altar preside a imagem de roca (vestida de cetim, guarnecida de renda e galões finos e as espadas e diadema de metal prateado). Ao lado desta imagem, vêem-se, São Bernardo e Santa Catarina de Alexandria. Os azulejos que forram as paredes são anteriores à Capela e referem-se a São Nicolau Tolentino. Seguindo a nossa observação, deparamos com a capela de SANTA RITA DE CÁSSIA. Esta capela foi assim denominada até 1911, passando depois a ser de NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS. Como curiosidade, diz o opúsculo que nos tem servido de guia, para as nossas palestras na UBATI, que RITA, é a abreviatura de “MARGARITA”, nome assim grafado em Itália. Famosa então pela sua santidade no mundo cristão, foi-lhe dedicada esta capela aquando da construção do templo do Pópulo. Os azulejos das paredes laterais, são dedicados a esta Santa estigmatizada. No meio de um dos painéis de azulejo, estão representados Santo Agostinho, São João Baptista e São Nicolau Tolentino, santos que teriam concedido a graça, ou milagre, de ser introduzida no Convento, já que pela sua condição de viúva não poderia ser admitida. NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS ou IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Passou esta Capela a ser também a sede das Confrarias do Santíssimo Sacramento dos Remédios, de Nossa Senhora das Graças e da Pia União das filhas de Maria, instituições que transitaram da igreja e Convento dos Remédios, quando em 1913, foi demolido. Várias foram as imagens que na igreja do Pópulo foram albergadas e vindas desse demolido convento, como Santa Inês, São Francisco de Assis, e outras mais. A seguir a esta capela pode ver-se a CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO Já antes do dogma da Imaculada Conceição, definido em 8 de Dezembro de 1854, os frades agostinianos professavam essa fé de maneira que, quando da fundação da igreja lhe dedicaram uma capela, com uma imagem da Senhora esmagando a serpente. Nesta capela as imagens estão relacionadas com a sua Sagrada Família. Assim São José, com o Menino, São Joaquim e Santa Ana. Os azulejos desta capela referem milagres obtidos por sua intercessão. No local onde existia uma porta do corredor de acesso do convento à igreja, fechado o vão como já dissemos, foi colocada a capela do SENHOR DA AGONIA Foi construída em 1880, graças à acção do Padre Manuel Martins de Aguiar, então capelão do Pópulo. Outras imagens estão profusamente colocadas nos altares, algumas vindas de templos demolidos, como o dos Remédios e Santo António da Praça ou do Campo de Touros. A TALHA DOS ALTARES Pelo menos sabe-se que o entalhador bracarense Marceliano de Araújo, trabalhou na talha de alguns altares da igreja do Pópulo. Robert C. Smith, refere que ali, Marceliano de Araújo, deixou impressa a sua arte no retábulo e base do altar de Nossa Senhora da Conceição e no altar de Nossa Senhora das Dores e desses trabalhos reproduzimos as gravuras inseridas na publicação “Marcelino de Araújo”, devida ao citado Robert Smith. . . . / . . .


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Luís Costa A IGREJA E O CONVENTO DO PÓPULO Mandados construir pelo Arcebispo Dom Agostinho de Jesus (Castro) Sob risco provável de Manuel Luís (mestre pedreiro quinhentista) Fundados em 3 de Junho de 1596 (data da colocação da pedra fundamental) Concluídos em Cerca de 1621 UBATI – UNIVERSIDADE BRACARENSE DO AUTODIDACTA E DA TERCEIRA IDADE 2008 A IGREJA E O CONVENTO DO PÓPULO Baseando-nos em Senna Freitas, em “Memórias de Braga”, Tomo V, pag. 154, vamos referir, o que este memorialista nos diz sobre a fundação da Igreja e Convento do Pópulo. Principia por afirmar que o Arcebispo Dom Frei Agostinho de Jesus ( de nome patrício de Castro ), após a sua tomada de posse da cadeira arcebispal, quis fundar na Sé, uma capela que se destinaria a seu jazigo, mas não querendo seguir por si só a deliberação, propôs ao Cabido os seus desejos. No entanto o Cabido não só recusou tal ideia, como até se esforçou em dissuadir o prelado de tal pretensão. Até certo ponto Dom Agostinho achou-se um pouco ofendido com tal obstrução do Cabido. Tomou uma decisão: concebeu logo a necessidade de fazer o jazigo para os seus restos mortais, fora da Sé. Monsenhor Ferreira, nos “FASTOS”, III Tomo, dá-nos a impressão de que as relações entre o Arcebispo e o Cabido, não eram lá muito cordiais, e, talvez, tenha sido essa a recusa da capela pedida pelo prelado. Como tal, D. Agostinho de Jesus, toma a deliberação de fundar um Convento da sua Ordem Agostiniana, e para isso aproveitando o Campo da Vinha, que então ainda era chamado Campo da Vinha de Santa Eufémia, que estava quase que abandonado, sem cultura e sem destino e num dos seus lados levar avante o seu intuito. Para isso comprou, no ano de 1695, a António da Fonseca, duas moradas com seus quintais, no citado Campo. Sendo uma delas propriedade ou foreira ao Cabido e a outra do Hospital de São Marcos. No dia 23 de Dezembro desse mesmo ano, fez o arcebispo doação das referidas propriedades aos seus religiosos, mediante certas condições como obrigados a rezar duas missas quotidianas e, os religiosos teriam de acompanhar as procissões que o Cabido fazia, com excepção daquelas realizadas dentro da Sé. Não só a possível desavença com o Cabido contribuíram para a fundação da Igreja e Convento. Dom Agostinho, conta na Provisão da união da Igreja de Semelhe ( o conhecido castelo de Semelhe, casa senhorial, foi uma das casas de repouso dos Monges Agostinianos ) e ainda na de S. Paio de Pousada ao referido Convento que “tratara da erecção e instituição desta Casa monástica da sua Ordem, porque tinha observado durante as Visitas pastorais a grande falta de Pregadores no Arcebispado, e isto por não haver em Braga Escolas de Teologia dogmática, que só existiam nas duas Universidades de Coimbra e Évora…”.(FASTOS, Mons. Ferreira) Achava mais que os padres apenas sabiam Latim e Casos de consciência, não tendo, pois, as habilitações para exercerem, cabalmente, o seu múnus. A IGREJA E O CONVENTO Nestes propósitos, começou o Arcebispo a majestosa obra, tendo lançado a primeira pedra, a pedra fundamental, no dia 3 de Junho de 1596, dedicando a igreja a Nossa Senhora do Pópulo. Assim, destinou, a igreja, para seu jazigo, onde está colocado, num arco sólio, o mausoléu do fundador e, em frente, outro igual encerra, numa urna, o corpo incorrupto do Arcebispo D. Fr. Aleixo de Meneses que se lhe seguiu, também filho da Religião Eremítica Augustiniana. O INTERIOR DO TEMPLO De grandes dimensões e extensão (é uma das maiores igrejas bracarenses), o interior do templo, apresenta uma nave alta, coberta por uma abóbada de berço em pedra, esquartelada em caixotões graníticos, reforçada por arcos torais. O retábulo do altar-mor, é uma boa peça do século XVIII e é considerado um dos melhores desta arquiepiscopal cidade. O cimo deste retábulo imita em estilo e arranjo o das grandes basílicas. Segundo um opúsculo editado pela reitoria da igreja “Tem aos lados e em frente figuras que tem sido interpretadas como sendo a Igreja e a Sinagoga”. Ao centro da tribuna vê-se a imagem de Nossa Senhora da Consolação, que ocupa o lugar da padroeira Santa Maria do Pópulo, a quem D. Agostinho dedicou a igreja, dada a sua grande devoção a esta Senhora, culto que é muito praticado em Roma, no convento dos Eremitas de Santo Agostinho, onde esteve. Ladeando a imagem da Senhora da Consolação, vemos a de Santo Agostinho, padroeiro da Ordem dos Eremitas e, no outro, a de São Tomás de Vila Nova, que foi bispo de Valência e faleceu em 1555, já com fama de santidade, pelo seu espírito de santidade e pobreza. Debaixo do altar, num esquife, está a imagem do Senhor Morto. O S T Ú M U L O S A urna sepulcral de D. Agostinho de Jesus, elevada em relação ao pavimento da igreja, está metida, como já se disse, num arco sólio, inserido na parede, sustentada na frente sobre três leões que, nas garras, seguram as armas de fé de D. Agostinho de Jesus, o escudo de armas dos Castros, família da qual descendia o arcebispo. Em frente deste, como já anotamos, está a urna sepulcral de D. Aleixo de Meneses, igualmente sustentada por três leões, segurando também com as garras, o brasão de armas deste arcebispo. A igreja tem, além do altar-mor, sete capelas laterais, três do lado esquerdo, tendo como orientação a entrada do templo, e as restantes quatro do lado direito, sendo que duas delas foram, no século dezanove, colocadas nos antigos acessos por corredores ao convento, acessos entaipados, depois que passou a ser ocupado pelo exército. Todo o interior é forrado, até à abobada, de azulejos hagiográficos, do século XVIII, de magnificência extraordinária, focando aspectos da vida monástica da Ordem Agostiniana e de martírio de santos, como o do altar-capela de Santa Apolónia, assinados por António de Oliveira Bernardes, e que relata em desenho o martírio desta Santa – os algozes de tenazes na mão arrancando os dentes a Apolónia. A S C A P E L A S L A T E R A I S A Capela do Senhor dos Passos, hoje da “SANTÍSSIMA TRINDADE” Os retábulos das Capelas laterais, são dos finais do século XVII e princípios do XVIII. O seu estilo é do chamado “Estilo Nacional”, aqui bem representado, aliando a talha dourada ao azulejo parietal. Assim, partindo do altar-mor e depois de ultrapassado o arco cruzeiro deparamos com a antiga capela do Senhor dos Passos, cuja devoção teve início na demolida capela de Santa Ana, no Campo deste nome (Avenida Central) e que acabou por fixar-se na igreja de Santa Cruz. Os azulejos que adornam as suas paredes, representam, de um dos lados, o Senhor dos Passos e, do outro, a cena bíblica de Moisés elevando a serpente no deserto. Esta capela é hoje denominada de “Santissima Trindade”. Ao lado está a inscrição relaciona com uma obrigação, pois diz: “Esta Capela é de Salvador Magalhães Macedo seus Herdeiros, com obrigação de duas missas quotidianas – 1647”.Tem inseridas as armas desta família. Por debaixo deste altar está urna de Santa Susana, mártir no sec. III, com seu irmão São Vitor (?) ao tempo de Diocleciano. Em mísulas, ao lado e no altar estão as imagens de São Marçal e São Nicolau Tolentino. Senna Freitas, nas já citadas “Memórias de Braga”. tomo III, pag. 452, refere (relacionado com a visão de São Tolentino) no Pópulo, “no dia dez de Setembro, (data em que se comemora o seu falecimento), havia festa solene de São Nicolau Tolentino e neste dia repartiam uns bocadinhos de pão (os bolinhos de São Nicolau) tendo estampada a imagem do Santo. A bênção destes pãezinhos era feita com todo o aparato religioso”. . . . / . . .


publicado por Varziano às 19:43
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