Sábado, 25 de Abril de 2009
A verdadeira história da compra de Tibães
A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PASSAGEM DO CONVENTO DE TIBÃES PARA O ESTADO Muito se tem explorado a maneira como o Convento de Tibães, passou depois de ter sido expropriado em 1834 e vendido a particulares, para a posse por venda de novo ao Estado no último quarteirão do século XX. Vários tem sido aqueles que se apossam, indevidamente, dos louros de proprietários da ideia. Para que fique gravado para o futuro e porque fui um dos intervenientes, não o principal, mas um dos que a princípio deu a cara e o seu contributo, vou, a seguir, dar a memória dessa transacção e qual foi a sua origem e as consequências que daí advieram. Numa quinta-feira, do já recuado ano, talvez de 1978, estando a jantar com um meu genro, creio que irmão de uma familiar do então proprietário do edifício e anexos do Convento, me deu a conhecer em conversa informal que a Câmara de Braga, tinha comprado o fontanário do recinto do Jardim de São João, logo à entrada do convento e, que já desmontado, parte das suas peças se encontravam na Praça da Republica, onde a edilidade bracarense o iria colocar em substituição do que ali existia. Não podia acreditar em tal informação, pois alegava que sendo o edifício e cerca conventual, classificado como Monumento, tal facto era um desrespeito à lei. Aconselhou-me então a confirmar in loco a verdade dos factos que se poderiam confirmar indo à Arcada verificar, o que fiz e lamentavelmente constatei. Às Quintas-feiras era o dia normal da reunião do núcleo da Aspa, núcleo de que fui fundador com um grupo de amigos, como Dr. Barreto Nunes, Dr. Ademar Santos, Dr. Braga da Cruz, Pires de Oliveira, e outros mais que substituíam em parte os elementos da então direcção alguns dos quais não estavam sediados na cidade e como tal dificilmente poderiam assistir ás necessárias reuniões das quintas-feiras. Nessa altura quando a direcção se preparava para debater o assunto da ordem do dia, manifestei o meu desejo de antes de mais nada se pusesse de parte o que se iria debater, por quanto, em minha opinião, existia um facto de suma importância Tratava-se nem mais nem menos da compra pela Câmara de um fontanário do Convento de Tibães e da sua colocação na Praça da Republica, na Arcada. Incrédulos fomos então verificar a verdade e lá encontrarão, como eu já tinha visto, alguns elementos do referido fontanário. Ali mesmo ficou acordado que tendo eu uma colaboração diária no jornal “O Correio do Minho”, sob o pseudónimo de “Repórter Cê”, fizesse uma nota verberando o procedimento da Câmara de Braga, que assim estava a dar cobertura, quase oficial, à delapidação do espólio do Convento, já de si muito espoliado quando, entre outras espoliações como com a venda ao Nogueira da Silva, da Fonte de uma Santa, da venda de vários quadros de Monges que figuravam na Sala do Capítulo ( dois dos quais, antes de poderem caír nas mãos de algum coleccionador) foram adquiridos pela Aspa e posteriormente oferecidos ao Convento Beneditino, da rica porta da Sala do Capítulo, adquirida por um senhor muito oficialmente reconhecido na política de então, de um rico coche, pintado de branco que eu vi na Cavalariça e outras coisas mais que certamente caíram na mãos de zelosos coleccionadores. A minha pequena chamada de atenção no jornal da sexta-feira, caiu como uma bomba no gabinete da Presidência Camarária, que logo se apressou a convocar a direcção da Aspa, para uma reunião na segunda-feira imediata, querendo para salvar as aparências, tentar justificar a compra alegando que estava em risco de ser levada para o estrangeiro e, assim, a Câmara num gesto altruísta tinha salvo uma jóia do património bracarense !.... Como prova, e talvez para calar as reclamações, ficaria em acta da próxima sessão que se acaso o Estado viesse a integrar no seu Património o Convento, não teria dúvidas em a entregar a Tibães., anotação que de fato veio a constar na respectiva acta, como constatei mas cujo teor não era muito esclarecedor. Mas voltemos um pouco atrás. No sábado seguinte, com o amigo Regalo, resolvemos os dois deslocarmo-nos até Tibães, e ali fotografarmos o que restava do fontanário. Estávamos então entretidos a fixar na câmara os vários ângulos da destruição, quando de uma janela nos foi apontada uma arma e o aviso de que saiam daí senão levam um tiro. Perante a ameaça, respondi que uma arma não metia medo já que pela experiência militar, sabia que pela maneira como a empunhava, não viria qualquer perigo e o que era melhor era vir até cá abaixo e, calmamente, conversarmos. Deu-se então o caso de que o pretenso “pistoleiro”, ter sido colega no Liceu do Regalo e assim principiou uma conversa já sem a ameaça da arma. Completada a nossa diligência, regressamos a Braga, com o espólio fotográfico do crime. E assim, depois de relatada à Direcção da ASPA, a nossa odisseia, ficou combinado que, com autorização do dono da propriedade, num determinado dia, se faria um visita ao Convento devidamente orientada por quem estivesse inteiramente conhecedor da sua história. Alguém lembrou o nome do Prof. Doutor Aurélio de Oliveira, cuja tese de doutoramento foi a história daquela casa conventual. Aceite por êste bom amigo, realizou-se então uma visita guiada que reuniu numeroso público que encheu duas camionetas e numerosa pessoas que ali se deslocaram nos seus transportes particulares. Estava assim lançado o interesse de muita gente pelas ruínas em que estava o edifício. Mas não se ficou por aí a acção da ASPA. Como da sua direcção fazia parte o Dr. Admar Santos, então colaborador permanente do Jornal Expresso, logo se pensou em fazer uma grande reportagem sobre Tibães. Para isso deslocamo-nos até lá – os Drs. Barreto Nunes e Admar Santos, eu e o falecido amigo Francisco Botelho. Numa tarde ali fomos recebido por um familiar que se colocou à nossa disposição afim de nos dar todos os esclarecimentos necessários a essa entrevista, pensando para ele que seria talvez um oportunidade de se verem livres dum oneroso encargo, onde o rendimento não chegava para as despesas diárias e contribuições, pois apesar de estar classificado como monumento, coisas da lei, tinham de cumprir com Estado as obrigações fiscais. A conversa demorou horas, acompanhados de um lanche regado pelo vinho da adega do convento. Ficou assente que o amigo Admar faria uma reportagem completa a publicar no jornal EXPRESSO do qual era colaborador, o que fez ,dando azo a que o Convento da Tibães passasse a ser notícia nacional e como tal principiasse a ser conhecido no País inteiro, de tal maneira que a associação lisboeta Centro Nacional de Cultura, pouco tempo depois organizasse uma visita estudo, com grande afluência, viesse ver o estado em que estava o Mosteiro beneditino de Tibães. Vária foram as visitas depois organizadas pela Aspa. Conseguisse interessar e apadrinhar o então Governador Civil, Dr. Fernando Alberto, pedindo-lhe uma entrevista no sentido de chamar a atenção do Governo para o descalabro em que estava a caír aquele monumento beneditino, cujas raízes já se entravam antes das nacionalidade mas que, pelo menos, era um repositório do século XVIII. Mostrando seu grande interesse logo se prontificou a levantar o problema junto das autoridades estatais. E assim principiou o interesse do Estado em voltar de novo à sua posse tal notável exemplar monumento. Não foi preciso à Câmara esperar pela devolução do fontanário ao Estado. O Temporal de uma noite do período de um Natal, antes da posse do Estado, fez ruir a decoração com que tinham, pretensamente alindado a fonte então na Arcada, na Praça da Republica, para a derrubar, estatelando no chão de pedra, danificando-a e partindo o Fontanário do Recinto de Sã João do Mosteiro de Tibães, que nunca por nunca devia ter saído do seu primitivo local. A compra dele pela Câmara, foi como sói dizer-se, dinheiro deitado à rua pois, creio eu, nunca a Câmara recebeu TORNAS pelo 300 contos dispendidos. Esta é verdade dos factos. Se alguém teve influência marcante para que o Estado, se resolvesse a tomar a medida que tomou, há anos, quem mais contribuiu com a sua acção foi a A ASSOCIÇÃO BRACARENSE A “ASPA” Que cedo se interessou e continua a dedicar-se pela DEFESA DO PATRIMÓNIO CULTURAL BRACARENSE Braga, Janeiro de 2008 LUIS COSTA Sócio nº 14


publicado por Varziano às 18:33
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igreja e convento de Montariol 3
Igreja e convento Montariol 3 –continuação Segundo este mesmo autor, o morgado de Montariol foi instituído em 1243, pelo mais tarde ( l256/1271) arcebispo de Braga, Dom Martinho Geraldes que se julga ser natural de Semelhe. Quando na instalação do nove regime da República, logo a seguir a l9l0, foram de novo os Jesuítas, e para isso valeram-se então as novas autoridades do velho decreto da expulsão de 1759, e de novo teve a Companhia de Jesus, de abandonar o Portugal, refugiando-se, a mor parte deles na vizinha Espanha, como por exemplo na região de Vigo, O nome de Montariol, diz Albano Belino, deve derivar, certamente, do nome de Areal lugar que fica nas fraldas do monte, onde está o Colégio das Missões Franciscanas, e é tão antigo que assim o vemos denominado numa escritura datada da era de 1111 ( ano de 1073), inserida no cartulário LIBER FIDEI. A mesma opinião, quanto à antiguidade do nome de Montariol, já o padre Contador de Argote, que se dedicou a estudar e tratar a história bracarense, no último quartel do século XVII, afirma na História Eclesiástica “… que chamam de Montariol, e se dá este nome ao tal sítio há mais de duzentos anos”. No entanto há quem afirma que ARIOL, deriva do nome de um pressor germânico, que por aqueles bandas estagiou. A dúvida persiste e não somos que temos categoria para a desfazer. A actual fachada da igreja, voltada para ocidente, bastante simples, é composta por dois elementos, um central e um lateral (lado norte) um pouco recuado em relação ao central. A porta de entrada para o templo, avançada em relação a fachada, é gradeada, e rematada por um arco, assente em ombreiras, terminando em arco sobre duas espécies de capiteis que estão sobre as ombreiras. Um pouco acima deste conjunto, e entre um plano liso, uma outra platibanda faz paralelo com a primeira. Nesta podemos ver, em cada lado um fogaréu ou urna que ladeiam um janelão em arco duplo que ilumina o interior do templo. Ladeiam este conjunto, nas partes mais recuadas da fachada principal e, em cada lado um janelão, um pouco mais pequenos, mas idênticos, ou quase ao central. Sob a cada janelão um remate ao centro que termina numa esfera. Encimando o janelão central, estão colocadas as armas da Ordem de São Francisco, que Vaz Osório da Nóbrega no seu estudo “Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga” dá a indicação da sua colocação no ano de 1900. . . . / . . .


publicado por Varziano às 18:23
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Igreja e convento de Montariol
A igreja e convento de Montariol 2 – Uma platibanda acolhe o telhado da igreja que, na fachada saliente, faz parte do frontão triangular onde num nicho está representado numa escultura a imagem de Nossa Senhora. Sobre o frontão três acrotérios se destacam; os dois laterais tem sobre cada um uma urna ou fogaréu com fogacho e ao centro sobre o ângulo um sustenta uma cruz. Colocadas aos lados do nicho duas pilastras que se prologam, ultrapassando a trave inferior do frontão, assentam sobre dois elementos decorativos. As duas pilastras que acompanham a fachada principal até à platibanda, estão assentes em estilóbatas. A parte da fachada recuada, do lado norte, tem apenas a destacá-la um círculo fechado que, possivelmente seria para nele ser colocado um relógio e logo um pouco abaixo uma pequena janela, envidraçada, como as da fachada principal, deve dar um pouco de luz ao seu interior. Sobre o janelão principal da fachada vêem-se as armas da ordem de São Francisco, cuja descrição Vaz-Osório da Nóbrega, na sua obra “Pedras de Armas e Armas Tumulares”, é a seguinte: Localização – Colégio das Missões Franciscanas de Montariol. Frontaria da Igreja. Material – Mármore Época : ano de 1900 ( data na face inferior da cruz) LIÇÃO HERÁLDICA Classificação : heráldica das corporações religiosas. Armas : leitura Ordem de S. Francisco (1) Assim, uma cruz latina e dois braços moventes, cada um, de uma nuvem, passados em aspa, o primeiro nu, brocante sobre a cruz, e o segundo vestido, sob a cruz, com as mãos estigmatizadas: a cruz carregada ao centro, com as iniciais JHS, a letra do meio rematada por uma cruz latina. O P R E S É P I O Deixemos a fachada e penetremos no templo. Um espaçoso átrio ou galilé, nos espera e o seu lado esquerdo, esta ocupado por um presépio movimentado, presépio que ali está todo o ano e que por uma pequena esmola põe em movimento todo o figurado, encanto da “meninada” e até dos adultos. Pela porta de entrada para a igreja, agora protegida por um guarda-vento de vidro, vamos deparar, para aqueles que a não visitavam há vários anos, com templo completamente renovado. A primeira modificação que salta à vista é a tribuna do altar-mor. Uma grande imagem suspensa de Jesus, à qual a luz projectada desde o inferior, nos dá a ilusão sugerindo, talvez, a Ressurreição do Senhor ou a sua Ascensão ao Céu, ocupa a antiga tribuna, num extraordinário efeito cénico. Esta imagem, está colocada sobre uma decorativa construção, simulando uma porta ( o túmulo do Senhor ? ) esta está assente em dois degraus, desfasados, onde se destacam arcarias. Por sua vez estes assentam num outro, também com arcaria, interrompido ao centro pela sagrado sacrário. A toda a sua volta decorre uma balaustrada, tendo ao seu lado sobre misulas, as imagens de São Francisco e São Boaventura. Enquadra todo este conjunto umas simuladas colunas que são rematadas no cimo por um arco. O tecto da Capela-mor, de grande e bonito efeito visual, é de facto uma verdadeira jóia de trabalho artístico. O corpo da igreja, de uma só nave, tem em cada lado vários altares dos quais são de destacar pelo menos dois - um da sagrada família com São José, Nossa Senhora e o Menino Jesus. Normalmente aquando dos casamentos efectuados neste templo, agora parece que bastante preferido, são os consagrados a esta Santa Família. O outro, fronteiro a este representa os Santos Mártires de Marrocos Nos restantes, podem ver-se as sagradas imagens do Sagrado Coração de Jesus, da Imaculada Nossa Senhora, Santo António, Sagrada Família, São Francisco e Santa Clara. A SAGRADA FAMILIA SANTO ANTÓNIO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS VIRGEM NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO SÃO FRANCISCO DE ASSIS …/…


publicado por Varziano às 18:21
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
A igreja e convento de Montariol
LUÍS COSTA A IGREJA E CONVENTO DE MONTARIOL CASA PARA RECREIO E FÉRIAS DOS ESTUDANTES DOS ESTUDOS PUBLICOS DO COLÉGIO DE SÃO PAULO A COMPANHIA DE JESUS (Jesuítas) A ALIENAÇÃO A PARTICULAR CONVENTO DA ORDEM FRANCISCANA A OCUPAÇÃO MILITAR DE NOVO CONVENTO FRANCISCANO UBATI : Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade - 2009 - IGREJA E CONVENTO DE MONTARIOL Num dos locais mais aprazíveis dos subúrbios da cidade, diz Albano Belino, em “Archeologia Christã”, pag. 249, o Monte Calvelo, citado no cartulário “Liber Fidei”, no ano de 1073, que com o Castro Máximo, (Monte de Castro) contíguo, dividiu no século IX o território de Braga e Dume (Doação de El-rei D. Afonso, o Casto, era de 878), os religiosos da Companhia de Jesus adquiriram por compra em 1562 uma grande área de terreno de cultura e nele fizeram construir una casa abobadada de pedra, para recreio seu e feriado dos estudantes do colégio (hoje – em 1900 – Seminário de S. Pedro e S. Paulo) que também lhes pertencia. Quando pelo decreto de 1759, emanado pelo rei Dom José, sob os auspícios do Marquês de Pombal, foram os Padres da Companhia de Jesus expulsos de Portugal e seus domínios, passaram todos os bens da Companhia para o Estado e as casas e terrenos mais tarde vendidos pelo Estado ao pai do Visconde de Montariol, passando depois do falecimento deste ao seu filho o Visconde de Negrelos. Finalmente, por dificuldades financeiras dos herdeiros, foi todo o conjunto - casa e terrenos - hipotecado ao Banco de Crédito Predial, tendo em resultado que 1890 teve que ser vendido em hasta publica. Nesta época tendo o Provincial dos Franciscanos visitado a quinta, viu nela a oportunidade de pela sua óptima situação lugar ideal para a construção de um convento da sua Ordem, tratou aconselhado por muitos bracarenses tratou da sua aquisição. A compra efectuou-se, por escritura pública efectuada em Lisboa, em 6 de Agosto de 1890. A primeira missa que os religiosos franciscanos realizaram no seu novo convento teve lugar no dia 16 do mesmo e ano, diz Albano Belino no seu livro “Archeologia Christã”, e informa ainda que no dia 18 do mesmo mês, foi um virtuoso velhinho frei Joaquim da Apresentação, seu primeiro Superior que faleceu no dia 20 de Setembro de 1899. Logo no ano seguinte à compra, em 5 de Maio, começaram os Franciscanos a construir um grandioso templo e, às onze horas da manhã do dia 27 de Setembro, foi benzida a primeira pedra pelo Arcebispo Senhor Dom José de Freitas Honorato, acolitado pelos cónegos Francisco José Ribeiro de Vieira Brito, mais tarde Bispo de Angra do Heroísmo, e Moreira Guimarães, então Arcipreste de Braga. Acompanharam ainda nesta cerimónia o desembargador João Nepomuceno , estando a cargo de mestre de cerimónias, o rever. João Vicente da Costa e Cunha, Abade da Sé. Assistiu ainda a este acto, como representante da autoridade civil, o conselheiro Jerónimo da Cunha Pimentel. Com se pode calcular foi uma data festiva que ficou gravada nos anais da história religiosa de Braga – a criação na cidade de uma Ordem religiosa de grande prestígio. Nessa altura, diz Belino, apenas ficaram por fazer as duas torres, fachada do primitivo templo. Segundo este mesmo autor, o morgado de Montariol foi instituído em 1243, pelo mais tarde ( l256/1271) arcebispo de Braga, Dom Martinho Geraldes que se julga ser natural de Semelhe. Quando na instalação do regime da República, logo a seguir a l9l0, foram os Franciscanos espoliados das suas instalações ficando, praticamente, o convento e igreja abandonados Vistas sobre a cidade A compra efectuou-se, por escritura pública efectuada em Lisboa, em 6 de Agosto de 1890. A primeira missa que os religiosos franciscanos realizaram no seu novo convento teve lugar no dia 16 do mesmo e ano, diz Albano Belino no seu livro “Archeologia Christã”, e informa ainda que no dia 18 do mesmo mês, foi um virtuoso velhinho frei Joaquim da Apresentação, seu primeiro Superior que faleceu no dia 20 de Setembro de 1899. Logo no ano seguinte à compra, em 5 de Maio, começaram os Franciscanos a construir um grandioso templo e, às onze horas da manhã do dia 27 de Setembro, foi benzida a primeira pedra pelo Arcebispo Senhor Dom José de Freitas Honorato, acolitado pelos cónegos Francisco José Ribeiro de Vieira Brito, mais tarde Bispo de Angra do Heroísmo, e Moreira Guimarães, então Arcipreste de Braga. Acompanharam ainda nesta cerimónia o desembargador João Nepomuceno, estando a cargo de mestre de cerimónias, o rever. João Vicente da Costa e Cunha, Abade da Sé. Assistiu ainda a este acto, como representante da autoridade civil, o conselheiro Jerónimo da Cunha Pimentel. Com se pode calcular foi uma data festiva que ficou gravada nos anais da história religiosa de Braga – a criação na cidade de uma Ordem religiosa de grande prestígio. Nessa altura, diz Belino, apenas ficaram por fazer as duas torres, fachada do primitivo templo. Segundo este mesmo autor, o morgado de Montariol foi instituído em 1243, pelo mais tarde ( l256/1271) arcebispo de Braga, Dom Martinho Geraldes que se julga ser natural de Semelhe. Quando na instalação do nove regime da República, logo a seguir a l9l0, foram de novo os Jesuítas, e para isso valeram-se então as novas autoridades do velho decreto da expulsão de 1759, e de novo teve a Companhia de Jesus, de abandonar o Portugal, refugiando-se, a mor parte deles na vizinha Espanha, como por exemplo na região de Vigo, O nome de Montariol, diz Albano Belino, deve derivar, certamente, do nome de Areal lugar que fica nas fraldas do monte, onde está o Colégio das Missões Franciscanas, e é tão antigo que assim o vemos denominado numa escritura datada da era de 1111 ( ano de 1073), inserida no cartulário LIBER FIDEI. A mesma opinião, quanto à antiguidade do nome de Montariol, já o padre Contador de Argote, que se dedicou a estudar e tratar a história bracarense, no último quartel do século XVII, afirma na História Eclesiástica “… que chamam de Montariol, e se dá este nome ao tal sítio há mais de duzentos anos”. No entanto há quem afirma que ARIOL, deriva do nome de um pressor germânico, que por aqueles bandas estagiou. A dúvida persiste e não somos nós que temos categoria para a desfazer. A actual fachada da igreja, voltada para ocidente, bastante simples, é composta por dois elementos, um central e um lateral (lado norte) um pouco recuado em relação ao central. A porta de entrada para o templo, avançada em relação a fachada, é gradeada, e rematada por um arco, assente em ombreiras, terminando em arco sobre duas espécies de capiteis que estão sobre as ombreiras. Um pouco acima deste conjunto, e entre um plano liso, uma outra platibanda faz paralelo com a primeira. Nesta podemos ver, em cada lado um fogaréu ou urna que ladeiam um janelão em arco duplo que ilumina o interior do templo. Ladeiam este conjunto, nas partes mais recuadas da fachada principal e, em cada lado um janelão, um pouco mais pequenos, mas idênticos, ou quase ao central. Sob cada janelão um remate ao centro que termina numa esfera. Encimando o janelão central, estão colocadas as armas da Ordem de São Francisco, que Vaz Osório da Nóbrega no seu estudo “Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga” dá a indicação da sua colocação no ano de 1900. . . . / . . .


publicado por Varziano às 17:06
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Dom Rodrigo 3
Dom Rodrigo 3 – continuação Sabemos pelo livro de Actas da Vereação, que esta mina de Montariol foi mandada explorar a ordem do arcebispo que estamos a tratar. Ao consultar o Mapa da cidade de Braga, elaborado por André Soares, nota-se que existia uma caixa de água, no actual adro da Igreja de São Vicente. Seria esta a que se refere, a acta acima? Continuando a nossa pesquisa, encontramos no mesmo livro a fols. 272, 29 de Novembro, a confirmação da compra a Alexandre Pereira do Lago, do lugar de Passos de toda a água da sua propriedade, água que se destinaria ao abastecimento da cidade. Em outro livro de vereações do mesmo período, está referenciada a indemnização que teve de ser paga aos confrontantes das minas das Sete Fontes e até a questão levantada por um deles, que temos a ideia de se referir a uma dignidade eclesiástica. E continuando na consulta das Actas, e para não alongar mais este capítulo citaremos mais uma e também uma de um outro livro. Assim no das Actas da Vereação de 1720/1726, encontramos a fols. 213 – 12 de Março de 1725 - o termo de arrematação: “Arrematadas pelo mestre pedreiro António de Oliveira, as coberturas das caixas de água de abastecimento à cidade.” Para terminar este capítulo do abastecimento de água, ouçamos o que nos diz o “Índex de Alguns Livros de Registo de memórias de receitas e despesas – 1716/1723 : “A 4 – fol. 144 – Dom Rodrigo manda que sem demora façam continuar a obra dos canos de água pelo Quinteiro”. Portanto é fora de dúvida, que Dom José de Bragança, encontrou a cidade com abastecimento de Água, possivelmente deficiente e, como tal resolveu dotar a cidade com um eficiente fornecimento que graças à sua visão a abasteceu e abastece por mais de duzentos anos, pois que ainda hoje a linfa das Sete Fontes, corre por algumas torneiras de determinadas casas bracarenses, fornece bicas no local e serve muitos que a elas recorrem, pois trata-se de um líquido de superior qualidade. Mandou refazer as condutas, reconstruir as casas de água – Mães de Água onde o precioso liquido é limpo de impurezas por decantamento, terra e areia que os empregados de então - os agoeiros – tinham obrigação de limpar e fiscalizar contra roubos de regas do confrontantes e onde colocou o seu brasão. Em suma reparou, construiu e reparou uma obra que durante a longa vacância da Sé por certo se tinha de degradado por abandono dos responsáveis. Esperaremos que hoje não se volte a história a repetir, abandonando até à degradação de um exemplar único na região de uma extraordinária obra de engenharia hidráulica do século XVIII. Não queiram que os vindouros apelidem os homens século XXI, um novo povo bárbaro que desaguou em Braga, não respeitando o passado. OBRAS QUE MANDOU FAZER NA SUA ARQUIDIOCESE. Monsenhor Ferreira fala da existência na sacristia da Capela de São Geraldo, da Sé, um quadro que dá uma interessante informação das obras que Dom Rodrigo mandou fazer durante o período que governou a arquidiocese bracarense. Por este quadro, que está hoje à guarda do Museu do Tesouro da Sé, podemos dar razão o que afirma, como já indicamos, quando logo no início da sua referência a Dom Rodrigo diz que “Depois de Dom Diogo de Sousa é certamente D. Rodrigo … o prelado a quem mais Braga deve”. No centro dessa pintura, debaixo do retrato do Arcebispo, tem a inscrição: “D. Rodrigo de Moura Telles, Arcebispo de Braga e Primaz das Hespanhas, premeditando grandezas eguais ao seu ânimo, ilustra o Arcebispado com sumptuosos edifícios para sua memória…” E assim se vão destacando as obras por ele mandadas executar, e onde, algumas ostentam o seu brasão de fé – as sete torres. No alto vemos Braga, com o seu Castelo (derrubado por uma barbaridade do primeira dezena do século XX), e um Pelourinho. Exibe o brasão prelatício, e à sua volta as obras fundadas ou por si auxiliadas ou beneficiadas, não só na cidade mas em outros locais da arquidiocese. Na sede arquiepiscopal destacam-se obras no Convento dos Remédios, Hospital de São Marcos ( concedendo-lhe água, como reza uma inscrição numa cartela nos Claustros ), Igreja dos Terceiros, Penha de França ( Convento e Igreja ), Aljube (hoje demolido) no Largo de São Francisco , S. Vicente, S. Sebastião das Carvalheiras que estava em ruínas e reconstruiu desde as fundações mudando até a orientação da porta de entrada para Nascente que, conforme as igrejas românicas, tinham a sua portada principal voltada para Poente, o Chafariz do Largo do Paço, Convertidas, Capela de Guadalupe e na igreja dos Congregados. Fez de novo a Capela Arcebispal no Paço dos Arcebispos (hoje demolida), com entrada pelo Campo de Touros (Praça do Município), com um bom retábulo e interessantes painéis, onde colocou o SS. Sacramento, cuja colocação tinha sido autorizada por um Rescrito da Sagrada Congregação dos Ritos, em 10 de Março de 1708. Fora da cidade, mas próximo, mandou construir o Convento de São Francisco, encostado ao templo de São Frutuoso, em São Jerónimo de Real. Na Falperra, e fora do aro do concelho de Braga, contribuiu para o Templo de Santa Maria Madalena, Bom Jesus de Fão, Igreja de Nossa Senhora da Aparecida, Conventos de Barcelos e Chaves e os Aljubes de Moncorvo e Valença. O retrato do Arcebispo, como se disse, está ao centro numa moldura oval, exibindo na sua mão direita, o seu brasão de fé, defrontando a sua obra máxima, o Bom Jesus do Monte, (que pela sua excepcional grandiosidade, merece e deixaremos para um outro caderno). Monsenhor Ferreira, o nosso habitual informador diz, na sua já citada obra, “FASTOS”, que “ O referido quadro é, como se vê, uma grata e erudita homenagem da Irmandade das Almas, da Sé Primaz, a santa memória do seu fundador e benfeitor”. Apesar de extensas as representações inseridas no quadro não apresenta a totalidade das obras do pequeno ( na estatura, mas grande nas suas obras ) de Moura Telles. Não menciona, por exemplo as obras que mandou executar na Sé, como a transformação da fachada, com a colocação no nicho a imagem em pedra de Nossa Senhora da Assunção, a modificação das torres sineiras, em suma toda a fachada, respeitando apenas a galilé gótica. O interior também sofreu alterações e acrescentos como o púlpito que ostenta o seu brasão. Uma nota em roda pé na pag, 240, do III tomo dos “FASTOS”, parece ser escrita nos dias de hoje. Para alguns acontecimentos recentes : diz essa nota; “ um Ms. de um autor coevo diz que “as paredes da Catedral eram de pedra de cantaria ( como estão hoje ) nuas, sem cal nem estuque, e, por esta razão e por ter as frestas mui pequenas, era ( o interior da Sé ) sumamente escuro, além de outros defeitos, que o zelo do Arcebispo e dos Capitulares emendou, pondo-o na forma que está hoje ( até cerca de 1939 ). Um contador da Fazenda da Mitra, Boaventura Maciel Aranha, achou-a “muito bonita”. Nota Ferreira :”conceitos daquele tempo. Já dizia Herculano que o mais ridículo e indecente elogio de um templo é ser bonito…” Mas Dom Rodrigo não se limitou só ao próprio edifício da Sé. Também interveio nas Capelas laterais, como a de São Geraldo, (enxertando, diz Ferreira, num templo do séculos XI-XII, uma capela do século XVIII ), na Capela de São Tomaz, hoje a dos Reis, de Dom Lourenço Vicente, ou de Nossa Senhora do Livramento, conhecida por qualquer destes nomes. Deixando a Sé, que muito mais haveria a dizer, passemos num grande salto e para terminar este caderno para o Largo do Paço com a construção do edifício central e o que faz gaveto com a rua do Souto, a Casa do Provisor também conhecida pela Casa do Guarda que, como a entrada principal do corpo central ostenta sobre a porta a representação das suas armas. Muito ficou por dizer sobre a obra do Arcebispo Dom Rodrigo, mas por esta pequena resenha, razão já é de sobra, para o considerar um grande antítese bracarense, quase comparável a Dom Diogo de Sousa. Braga, 16 de Março de 2009 LUIS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 17:03
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Dom Rodrigo 2
Dom Rodrigo 2. continuação “ano do morto” Outro Breve de Clemente XII, Exponi nobis, expedido em 20 de Agosto de 1834, ordena que as rendas das Igrejas unidas às Dignidades e Cónegos compreendessem também no ano do morto. Em 14 de Junho de 1825, (o Estado não podia perder parte do bolo do morto), mandou El-rei observar o que fora determinado no Alvará de 5 de Julho de 1806, tanto pelo que respeita ao costume de se pagar aos herdeiros dos Prebendados o ano do morto, como da parte do mesmo aplicada à Fazenda Real. S I N O D O D I O C E S A N O Dom Rodrigo, não julgando bastantes as reformas adoptadas numa pastoral de 20 de Novembro de 1706, deliberou celebrar um novo Sínodo Diocesano, dado também que já havia passado mais de 75 anos que o último se celebrara. Foram necessárias três sessões para se chegar ao final. Nessas sessões foram tomadas algumas deliberações de entre as quais se destaca aquela onde se criou o Ofício de Escrivão dos livros findos, e ordenou que os párocos mandassem para aquele cartório os livros findos dos Baptismos, Casamentos e Óbitos. Esses livros de registos, são a grande fonte onde os genealogistas se baseiam para estabelecer a ordem cronológica das famílias bracarenses. Aqui cabe informar que eles foram criados obrigatoriamente, por decisão do Concilio de Trento, mas que já antes, na arquidiocese de Braga se inscreviam esses eventos, por decisão de um arcebispo e que, portanto serviu de exemplo para que nesse Concilio eles se tornassem obrigatórios. LAUSPERENE NA QUARESMA NA CIDADE DE BRAGA Seguindo pequeno livro “Sagrado Lausperene”, editado em Braga em 1959, que foi no ano de 1709, 12 de Outubro, sendo Arcebispo Dom Rodrigo, que este pediu ao Papa Clemente XI, o jubileu do Lausperene para se celebrar na Quaresma a devoção continua ao Senhor exposto, de dia e de noite, em cada uma das principais igrejas da cidade no período que antecede a Páscoa. Concedida por Bula, a satisfação do pedido, expedida em 12 de Outubro de 1709, principiou a devoção a praticar-se no ano seguinte – 1710. Mas afinal o que é que se entende por Lausperene ? Voltando ao livro acima mencionado vamos tentar dar una sucinta explicação, de resto uma valiosa explicação dada num dos últimos números do Diário do Minho, deste mês de Março de 2009 o bom amigo Prof. Doutor Padre Franquelim Neiva Soares. Diz o pequeno livro, da responsabilidade e orientação do P. J. Ferreira da Silva e do Dr. M. Ferreira de Faria: “Entende-se por Lausperene a adoração continua que se faz em honra e diante do Santíssimo Sacramento. Foi para conjurar calamidades públicas, como pestes, fome, pilhagens por vezes sacrílegas, assassínios, incêndios e outras, que se instituíram as primeiras adorações, mais ou menos contínuas a que se chamaram quarenta horas. É do decreto de Paulo III no documento da instituição canónica: …”aplacar a ira de Deus provocada pelas ofensas dos cristãos, especialmente no Carnaval”. As loucuras carnavalescas eram então julgadas por muitos, a causa dos grandes males que afligiam a população. Da Cerimónia das 40 horas, que poderia realizar-se de dia e interromper-se de noite, foi passando para o Lausperene, que não podia interromper-se, tendo de estar exposto durante o dia e noite. Parece que a referência a este Cerimonial, já se encontra assinalado desde o ano de 1226, em Avinhão, uma exposição permanente. Refere o livro que estamos a seguir que “foi tal a afluência de fiéis, que o bispo, julgou oportuno que a adoração se fizesse de dia e de noite”. Segundo a pequena obra que estamos a seguir o que deu grande incremento às adorações públicas foi a promulgação, em 1264, da Festa do Corpus Christi, á qual o papa João XXII, uniu a procissão eucarística em que “vai a Sagrada Hóstia em triunfo”. No entanto só muito mais tarde é que se instituiu em Roma – 1592 – seguida da Baviera, em 1674, na Espanha em 1607 e na França em 1837. Fortunato de Almeida diz que em Portugal esta nova devoção foi criada em 1608, o que nos deixa um tanto confusos, não sabendo se ele se quer referir à Festa do Corpo de Deus se do Lausperene, visto segundo Monsenhor Ferreira, nas referidos “FASTOS” nos dá a informação de que a Adoração do Lausperene se deve ao pedido feito por Dom Rodrigo. A princípio, afirma o livrinho “só se fazia nas Quaresmas, por não haver igrejas bastantes por onde circulasse todo o ano”, o que agora acontece que percorre todas as terras abrangidas pela arquidiocese. ABASTECIMENTO DE ÁGUA À CIDADE Uma pequena notícia, inserida no III Tomo, a pag. 267, da obra “Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga”, de Monsenhor Ferreira, em que refere, em VÁRIAS, que o Arcebispo Dom Rodrigo, despendeu a quantia de 2:400$000 reis, com diversas obras PARA A CANALIZAÇÃO DAS ÁGUAS DA CIDADE E ALGUMAS CALÇADAS, despertou a nossa curiosidade em consultar as actas camarárias do período em que este arcebispo governou a arquidiocese bracarense. E por elas chegamos à conclusão que a água que abasteceu a cidade por cerca de duzentos anos, já, com carácter definitivo, pelo menos vinha desses tempos. Hoje, por descobertas arqueológicas, julga-se que o manancial conhecido pelo conjunto das “SETE FONTES” já, desde tempos imemoriais a fornecer a cidade. Há quem até afirme que na idade do bronze, possivelmente foi explorado este lençol de água mas, de certeza, e por achados de elementos cerâmicos nas actuais escavações, pode afirmar-se que pelo menos o foi na época da dominação romana e isto não é de pôr de parte, porque se sabe desde cerca de 1950, que existia pela área da hoje freguesia de São Victor, uma ocupação romana ao ser encontrada, quando da abertura dos caboucos, para a criação da Escola Primária de São Victor, ali foram encontrados elementos de uma necrópole, com espólio desse tempo, como moedas e vários restos de cerâmica romana, hoje depositados na Unidade de Arqueologia. Esta necrópole foi estudada pelo então vereador do pelouro de Cultura da Câmara de Braga, Prof. Douro Sérgio da Silva Pinto. Logo se havia população é lógico que necessitaria de água e por certo iria procurá-la aonde a havia – ao hoje lugar das Sete Fontes. Da nossa consulta às referidas actas, vamos dar um pequeno resumo, que nos vem provar aquilo que já em tempos afirmamos e que agora de novo confirmamos. Quando Dom José de Bragança, terminado o período de Sé Vacante, tomou posse da sua cidade, já este era abastecida de água desde o manancial conhecido pelas Sete Fontes. No entanto a extraordinária obra de engenharia hidráulica, do século XVIII, que hoje conhecemos e está praticamente abandonada, a ponto de quase a quererem fazer esquecer, com obras, ninguém o pode negar, de grande interesse público, foi, tal como se apresenta, uma das grandes realizações do Príncipe Arcebispo Dom José de Bragança, possivelmente influenciado pelo feito pelo seu irmão, o Rei Dom João V, ao presentear Lisboa com o Aqueduto de Águas Livres. Seguiremos então, cronologicamente os Livros de Actas das Vereações Camarárias do período. Assim podemos respigar no Livro de 1707/1720, que na reunião de Câmara do dia 11de Dezembro de 1718, a fols. 235 v. é assinalado o termo de venda e paga das casas do Eirado, pertencentes ao Padre Manuel da Silva Nóbrega, para no local ser instalada a Casa da Água, que em Março do ano seguinte, já se encontrava em condições de receber a água, apesar de em Julho seguinte, fol. 259, estar a causar alguns problemas. Nesse mesmo livro, vamos encontrar, em Outubro 6 – fol, 266 v. a informação da arrematação da obra das novas águas, coutação até às caixas. Feitura dos caleiros de pedra, medidas destes, etc., etc. Também indica, que em 18 do mesmo mês, se fez o termo de arrematação da primeira caixa de água que se há-de fazer na água nova da Mina de Montariol, água que se destinava a abastecer a parte alta da cidade – Areal e São Vicente – “termo de arrematação da primeira caixa de água que se há-de fazer na água nova de Montariol”. . . . / . . .


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Dom Rodrigo
LUIS COSTA DOM RODRIGO DE MOURA TELLES ARCEBISPO DE BRAGA ( 1704-1728 ) BISPO DA GUARDA TRASLADAÇÃO DA RAINHA DONA ISABEL PARA COIMBRA ARCEBISPO DE BRAGA FUNDAÇÃO DO CONVENTO DE S. BENTO, BARCELOS LAUSPERENE NA QUAREDMA OBRAS NA CATEDRAL SANTUÁRIO DO BOM JESUS SÃO SEBASTIÃO DS CARVALHEIRAS FUNDAÇÃO DE CONVENTOS DESAVENÇAS COM A CORTE DE ROMA OBRAS PRINCIPAIS QUE MANDOU CONSTRUIR UBATI : Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade - 2009 – DOM RODRIGO DE MOURA TELES Arcebispo de Braga (1704 – 1728 ) Segundo Monsenhor Ferreira, na sua monumental obra “Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga”- “Depois de Dom Diogo de Sousa é certamente D. Rodrigo de Mura Telles o Prelado, a quem Braga mais deve, e o seu brasão encontra-se em vários monumentos não só desta cidade, mas também de fora, e mostra que todos eles derivam da sua grande generosidade”. Nasceu Dom Rodrigo, em Vale de Reis ( Alcácer do Sal ), em 26 de Janeiro de 1644 e era filho de Nuno de Mendonça, 2º Conde de Vale de Reis e da Condessa Dona Luísa de Castro. Apesar da sua nobre ascendência, preferiu seguir a vida eclesiástica, tendo muito novo feito os estudos preparatórios do Latim, passando para Coimbra, onde entrou como Porcionista, e onde mais tarde se doutorou na Faculdade de Cânones. Nomeado Cónego de Évora, foi deputado da Mesa da Consciência e Ordens e chegou a Reitor da Universidade de Coimbra, nomeado então pelo rei Dom Pedro II. Tendo vagado em 1693 a Sé da Guarda, El-Rei apresentou Dom Rodrigo, na diocese egitaniense, onde entrou solenemente em 15 de Junho de 1695. Voltou a Coimbra, para assistir à trasladação dos restos mortais da Rainha Santa Isabel para o novo convento de Santa Clara, mandado erigir por Dom Pedro. ARCEBISPO DE BRAGA Pela transferência para o Arcebispado Lisboa de Dom João de Sousa Arcebispo de Braga, foi nomeado em sua substituição Dom Rodrigo de Moura Telles que tomou posse do seu cargo, por procuração, Feliciano de Moura, em 5 de Junho de 1704 , tendo a sua entrada solene em Braga tido lugar no dia 10 de Dezembro desse mesmo ano, com o aparato que era normal dispensar aos arcebispos aquando desses eventos. No entanto o pálio (1) só lhe foi lançado no dia 22 de Dezembro pelo Bispo de Hipponia, D. António Botado, Coadjutor da Arquidiocese. CONVENTO DE FREIRAS DE S.BENTO, DE BARCELOS Segundo o nosso informador habitual, Monsenhor Ferreira, na sua obra “FASTOS”, quando Dom Rodrigo veio para Braga, ocupar a cadeira arquiepiscopal para que tinha sido designado, instalou-se no Paço Arquiepiscopal, edifício que há pouco tinha sido evacuado pelos seminaristas que foram então alojar-se na Casa do Passadiço, da rua de São João (do Souto), onde permaneceram apenas por um ano. Passaram depois para o gaveto formado pela rua da Misericórdia com o Campo de Touros (Praça do Município), propriedade da Casa das Brôlhas, de Lamego ( onde esteve instalada a Livraria e Tipografia Cruz), Foi a solução encontrada em 25 de Janeiro de 1704, quando em período de Sé Vacante, (pela saída como acima se diz de Dom João de Sousa, para Lisboa) as freiras de São Bento, de Monção, vieram residir de novo no seminário. Em virtude de ser preciso demolir o seu convento, por causa das obras ordenadas para reforçar a muralha de segurança daquela importante Praça Fronteiriça. Monsenhor Ferreira, refere ao dizer que elas vieram de novo residir, em roda pé da pag. 231, do Tomo III, da sua obra “Os Episcopais da Igreja Primacial de Braga, que : “Na longa Sede Vacante, pela prisão e morte de D. Sebastião de Mattos, em 12 de Outubro de 1659, ( apoiante da Dinastia Filipina), tendo os espanhóis ocupado a vila de Monção, as freiras dos dois conventos de São Bento e São Francisco ( Capuchos ) , em número de 62, daquela Praça, vieram para o Seminário de Braga, onde entraram no referido dia , e daqui retiraram para os seus conventos, certamente depois de ajustada a paz (da Restauração) com Castela aos 10 de Março de1668”. As freiras de Monção tinham recebido várias propostas para a sua hospitalidade, tendo acabado Barcelos por ser a opção. Tendo falecido pouco antes, 9 de Dezembro de 1709, o rei Dom Pedro que tinha mantido todo o empenho na rápida solução do caso religioso de Monção, empenho também manifestado por Dom Rodrigo, diz Ferreira: “Preparam-se as coisas com tal prontidão e rapidez, que no dia 14 de Agosto de 1707, foi Dom Rodrigo de Moura Telles a Barcelos fazer o lançamento da primeira pedra com o cerimonial do estilo,” como o prova a inscrição que se vê na fachada do hoje extinto convento. No entanto só em 8 de Julho de 1713, é que entraram as freiras no novo convento, Como curiosidade diz o autor acima referido, que o lº Conde de Barcelos e lº Duque de Bragança, transformou a igreja paroquial de Santa Maria de Barcelos, em Igreja Colegiada e que julgo, depois de adoptada seria talvez a igreja do Convento, agora adaptada a Igreja Matriz. Este convento foi suprimido pela lei de 1834, e as últimas freiras foram transferidas para Viana do Castelo. O edifício conventual foi vendido em hasta pública em 1847, e a igreja cedida no ano anterior à Irmandade de Nossa Senhora do Terço. Faz referência no citado roda pé, à Ponte, afirmando que ela já existia no primeiro quartel do século XIV. Dom Rodrigo tinha especial carinho e protecção do Convento Beneditino, que não o esqueceu no seu testamento. A N O D O M O R T O Foi durante o arquiepiscopado de Dom Rodrigo, que em 5 de Maio de 1712, o papa Clemente X, expediu a instâncias do Cabido Bracarense, à semelhança do que acontecia com outros Cabidos, o Breve Justis et honestis, que concedeu aos capitulares bracarenses o rendimento das suas prebendas um ano depois de falecidos, e que se passou a chamar O ANO DO MORTO, e que seria pago aos herdeiros dos Prebendados. Ao fazer esta concessão, pretendeu atender a que, pela exiguidade dos rendimentos, alguns Cónegos não deixavam dinheiro para o funeral, nem para o pagamento das suas dívidas. Este breve está transcrito no Liber Fidei, estudado na edição crítica do prof. Doutor Cónego Avelino de Jesus Costa, III Tomo, com o nº. 954 (por acaso o último documento inserido e o único escrito em português) e que diz : BREVE DO ANO DO MORTO E TERMO DA SUA ACEITAÇÃO “1712, Julho, l2. Braga - o Cabido aceita e aprova o Breve em que Clemente X concedeu a todos os membros do Cabido e mais beneficiários da Sé recebessem o primeiro ano depois da sua morte para com ele se pudessem fazer os sufrágios e pagar qualquer dívida, se a houvesse”. . . . / . . . (1) –Pálio – Faixa branca, tecida em lá de ovelha, decorada com os emblemas da cruz., que os Papas concedem aos Arcebispos e alguns bispos e que usam nas cerimónias religiosas em volta dos ombros.


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