Sábado, 20 de Setembro de 2008
Salão Nobre da Camara
Câmara 2 - continuação SALÃO NOBRE DA CÂMARA ( Sala das Sessões ) Entremos na “Domus Municipalis”. Aqui, o átrio, como em outros espaços da mesma época ( exemplo Palácio do Raio ), vemos a escada nobre de acesso à parte superior. As paredes laterais estão forradas com azulejaria, tipo barroco, azul e branca, com grinaldas e ramos. Quatro portas, dando acesso às varias dependências de serviços, duas na parte fronteira ladeando a escada e as outras, uma em cada lado lateral. Nestas, uma decoração pétrea nitidamente barroca. Subindo o primeiro lanço da escada nobre, vemos representados nos lambris vários aspectos de Braga, desaparecidos uns, outros ainda hoje visíveis, inspirados nas pinturas do Salão Nobre, Ao cimo deste lanço da escada deparamos com um patamar iluminado por dois grandes janelões. Entre elas, em azulejo, a figura emblemática de Braga – uma dama emplumada que num braço segura uma lança e, no outro, um castelo. Dizem que é a representação da povo da região que com denodo, com luta heróica, tenaz, lutando de armas na mão – a lança -, na defesa da sua terra, do seu terrenho, da sua propriedade, representada pelo castelo. Enfim, é uma interpretação, que não repugna. Aos lados no lambri duas inscrições em cartelas respectivas. Uma refere-se ao final da construção da primeira fase – 1756 e, a outra, tem as letras B A F A (Bracara Augusta fiel e antiga). Daqui divide-se em dois lanços o acesso ao cimo, aos chamados “Passos Perdidos”, continuando as paredes a mostrar mais aspectos da monumental Braga. No patamar cimeiro um grande painel de azulejo representa a entrada do Arcebispo Dom José de Bragança, a quem se deve o edifício camarário, na sua cidade de Braga. Os edis, ajoelhados, apresentam numa almofada as chaves da cidade ao seu Senhor, Dom José. Duas portas encimada, por brasão, dão entrada aos serviços do andar superior. Os brasões que as encimam representa um, as Armas de Fé, do Arcebispo – heráldica das dignidades eclesiásticas – Cruz Arcebispal, Chapéu, Borlas, tendo ao centro as Armas Reais e no outro, heráldica real – Escudo, coroa real e cartela, onde assentam sete torres. (Dom José era Príncipe Real). Pela porta do lado Sul, penetramos numa ante-câmara de acesso ao gabinete da Presidência e ao Salão Nobre que, no final, é aquele que pretendemos visitar. Nas paredes, em medalhões, figuram ilustres varões – uns bracarenses, outros que ficaram ligados à história da cidade. Descrevermos essas personalidades : GABRIEL PEREIRA DE CASTRO (1571/1632) – Bracarense, Doutor Canonista, lente da Universidade de Coimbra, desembargador em Lisboa e Porto, Chanceler do Reino, autor do poema heróico “Ulisses” e, como letrado, do célebre tratado “De Manu Regia”, alma de outras obras. DIOGO DE TEIVE (Século XVI) – Bracarense que regeu uma cadeira na Universidade de Paris, onde se doutorou em leis. Foi também lente da Universidade de Coimbra, onde regeu o Colégio de Artes. Historiador, helenista e poeta. Diogo de Teive honrou a cidade onde nasceu. D. FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES (1594/1592) – Natural de Lisboa, onde nasceu na freguesia dos Mártires, aceitou a pedido de D. Catarina, mulher de D. João III, a cadeira arquiepiscopal bracarense. Vulto brilhante entre todos os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Foi notável a sua acção no Concílio de Trento, onde o indígena vindo lá do Finisterra, o “bracarense”, como então ficou conhecido, se bateu denodadamente, pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à crescente influência da ideologia criada por Lutero. Foi defensor, tenaz e inquebrantável, dos direitos senhoriais da sua Igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha. FRANCISCO SANCHES – Bracarense baptizado em 25 de Julho de 1551, na velha igreja de São João do Souto, freguesia onde segundo Sérgio Pinto nasceu. Foi estudante em Montplier e Bordéus e em Itália. Foi professor nas Universidades de Montplier e Tolosa, etc. Um dos iniciadores da Filosofia Moderna, precursor de Bacon e Descartes, Francisco Sanches foi o autor do “Carmen de Cometa”, do “Quood Nihil Scitur”, dos “Ópera Médica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Foi dourado pela Universidade de Montplier, com apenas 24 anos. Médico, Matemático. Filósofo, foi, na Europa do Renascimento, um dos espíritos mais brilhantes de então. D.DIOGO DE SOUSA – (Séculos XV/XVI) – Arcebispo Bracarense entre os anos de 1505/1532, foi pela sua notável acção que a velha urbe bracarense rompeu a cintura das suas muralhas medievais, espraiando-se extra-muros. Assim construiu, fora das muralhas, uma nova cidade com Campos e Jardins como Campo dos Remédios (Largo Carlos Amarante), Campo da Vinha de Santa Eufémia (Campo Conde de Agrolongo), Campo das Carvalheiras, (Largo Paulo Orósio e Campo das Carvalheiras), Campo de Santa Ana (Avenida Central). Mandou abrir novos arruamentos dentro da cidade amuralhada como a rua de São Marcos (hoje rua de São João do Souto), desde as traseiras da Sé até à porta de São Marcos, que ficou conhecida como a Porta Oriental ou de São João do Souto, de acesso ao Campo dos Remédios. Mandou alargar a rua Nova ( hoje rua D. Diogo de Sousa) e colocou à sua saída para poente, uma nova porta ( o Arco da Porta Nova – 1512), e ali se construiu uma nova alfândega. Criou a rua do Souto, desde o largo do Paço até ao Castelo). Remodelou o Paço Arquiepiscopal e no largo fez colocar um monumental fontanário. Fora de muros construir ou remodelou templos como a Capela de Santa Ana no campo do mesmo nome, a capela de São João da Ponte, e na Falperra a Capela de Santa Marta das Cortiças. Dotou a cidade com os novos Paços do Concelho, junto à Sé, demolidos por volta dos finais do século XVIII. Apesar deste grande esforço ainda dedicou a sua acção à instrução criando os Estudos Públicos no Largo de São Paulo. Tratou do abastecimento de água à sua cidade, dotando-a de fontanários, entre outros, o como se disse no largo do Paço, depois substituído pelo actual de Dom Rodrigo, e o de São Tiago, na Cónega. Na Sé procedeu a obras de vulto como a construção do actual altar mor e ábside. Tratou de dar sepultura condigna aos pais do primeiro rei de Portugal – Dona Teresa e Dom Henrique – mandando fazer dois túmulos com estátua jacente, colocados na Sé, na Capela dos Reis. Reuniu no Hospital de São Marcos todos os estabelecimentos de assistência espalhados pela cidade. Pela sua acção bem pode considerar-se como o verdadeiro reedificador da nova cidade de Braga. . . ./ . . .


publicado por Varziano às 15:18
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