Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
A igreja e convento do Pópulo 3
A igreja e convento do Pópulo 3 –continuação Desde o altar-mor, onde se projectam quatro colunas, estriadas no sopé em um terço e de seguida lisas até ao encontro de capiteis compósitos, que servem de apoio ao frontão barroco que encima a tribuna, a arte do século XVIII, está nesta igreja bem patente. Notável o retábulo da capela de Santa Apolónia, um apoteose de decoração inteiramente barroca nacional, com as suas colunas decoradas com concheados, ramos, folhas, e outros motivos ; o trabalho decorativo, ró-có-có da urna de Santa Susana, debaixo do altar do Senhor dos Passos; o altar de Santa Mónica, com as suas oito colunas torças, salomónicas, também barroco nacional ; o de Nossa Senhora da Conceição onde, como dissemos já, Marceliano de Araújo impôs a sua arte como nos pormenores do de Nossa Senhora das Dores. Todo o conjunto desta imponente igreja está impregnado, na decoração da arte do século XVIII, desde a talha aos azulejos. Vários foram os artistas que nela intervieram. Podemos anotar alguns deles – Agostinho Marques, o ensamblador Cristóvão Rodrigues, o latoeiro Custódio de Carvalho, o entalhador Alvarenga Peixoto, não esquecendo, possivelmente o maior de todos, Marceliano de Araújo., e o pintor João Lopes, a quem se deve o painel da tribuna de Igreja da Misericórdia. No entanto, como há altares que foram feitos depois da tomada de posse da igreja e convento pelo Estado, alguns são mais recentes e obedecem a novos estilos. Devemos acrescentar que, nesse período, houve uma grande dose de sorte para o templo – poderia ter sido consumido por voraz incêndio, pois foi armazém de palha, durante os primeiros tempos da ocupação militar. Os azulejos apenas temos a certeza do autor da capela de Santa Apolónia – António de Oliveira Bernardes. Quanto aos restantes, até hoje, ainda não puderam ser atribuídos. Um especialista que há anos ali esteve a proceder ao seu restauro, confiou-nos que eles não poderiam ser atribuídos a Bernardes, pois a sua concepção era diferente. Ele, como especialista, não tinha dúvidas. A FACHADA DA IGREJA A actual fachada com duas torres, é composta pelas ordens arquitectónicas Toscana e Jónica, diz Albano Belino, em “Archeologia Christã” e “levantada a seis metros de distância da primitiva, no ano de 1780, empregando-se na sua construção a pedra que sobrou do aumento seminário ( Conciliar de São Pedro, no Campo da Vinha) … e do derrube da torre de Santo António ( que ficava junto ao Seminário). É um risco do Engenheiro bracarense, Carlos Amarante, num estilo neo-clássico, a jeito da fachada da Igreja do Hospital de São Marcos, também de sua autoria. De facto entre elas há algumas semelhanças, especialmente nos quatro janelões, ornados de rendilhados, como as de São Marcos. Esta fachada veio alinhar a igreja pela frontaria do Convento. Destacam-se no seu conjunto, além dos janelões citados, a entrada principal, sobrepujada por um arco peraltado, onde se nota à volta uma decoração floriada e ao centro uma concha. Voltada a nascente, esta porta está ladeada por duas colunas lisas cilíndricas assentes em base ática, num suporte quadrangular, encimadas por capitéis, sustentando a arquitrave decorada. Em cima desta arquitrave, um varandim com balaustrada, abre para um grande janelão em arco que ilumina a parte que foi acrescentada em 1780, e dá para a antiga entrada da igreja, feita ainda hoje, por uma grande porta. Ladeiam também o janelão, duas colunas cilíndricas, nos cimos das quais, se vêem também capitéis um pouco mais pequenos dos que da entrada principal. Junto de cada coluna uma espécie de contraforte, estão a aguentar, com as colunas, a arquitrave deste janelão em arco. A cornija corre ao longo de toda a fachada, que tem a encimá-la, ao centro, num frontão triangular uma cartela com grinaldas, tem ao centro as armas de fé da simbologia agostiniana. Duas jarrões flamejantes, um em cada lado, estão colocados nos vértices inferiores do frontão e sobre os contrafortes que desde a soleira vão até á cornija. O frontão é encimado, num acrotério onde está a cruz arcebispal. A fachada é rematada por duas bem proporcionadas torres, nas quais se destacam as sineiras rasgadas onde, na do sul, se vê o sino grande, enquanto que na do norte se nota um bem mais pequeno e que devem fazer parte do carrilhão. Dois mostradores redondos deveriam servir para a colocação de relógios, mas que nunca lá foram postos. As cúpulas das torres apesar destas serem do estilo neo-clássico, apresentam ressaibos de barroquismo, com o seu desenho de jeito de mitra tão usado nas obras de Soares. Em cada uma, nos quatro cantos, urnas flamejantes enquadram o conjunto, perfurado por um óculo redondo. A parede lateral sul, a única que é visível do antigo largo o Pópulo, hoje Conselheiro Torres e Almeida, apresenta cinco contrafortes, simulando arcos botantes invertidos, e entre eles janelas de iluminação do interior do templo. Aqui se vê ainda uma parte saliente, que é o telhado da nave, dos altares laterais, com janelões em meia esfera. Um porta é a entrada lateral, que ficaria fronteira à antiga passagem da entrada do convento para a igreja, e na qual está o hoje altar do Senhor da Agonia. De notar a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo e, como curiosidade, uma sandália, suspensa pela correia. Toda esta vista nos mostra a igreja da fundação, ao fundo da qual apresenta a primitiva torre traseira, sem cúpula que foi destruída por um raio nem sinos. Está por cima da antiga sacristia, como era habitual. Não se pode esquecer a actual sacristia que, um trabalho de grade valor de talha dourada, se vê o “Santuário das relíquias”, a par de outros objectos sagrados. O C O N V E N T O Juntamente com a igreja, o arcebispo, mandou fazer o convento. Extenso edifício, com 5814 metros quadrados, foi adaptado a quartel militar ( de princípio como local de boleto, para militares destacados em Braga ), depois do decreto de 1834 que pôs fins às ordens religiosas em Portugal e, mais tarde por decisão da rainha Dona Maria II, em 27 de Fevereiro de 1841, como séde do Regimento de Infantaria 8, prémio pela sua acção durante as lutas liberais e até nas campanhas contra as tropas napoleónicas. O 8 de Infantaria havia sido aboletado em Braga, tendo saído de Estremoz, por levantamento de rancho. A sua fachada, ao longo da parte poente do Campo da Vinha (Campo Conde Agrolongo), está divida em duas partes, parte sul e parte norte, separadas por uma tribuna saliente, assente em colunas, varanda da qual, em 1936, na primeira comemoração da chamada Revolução Nacional do 28 de Maio de 1926, Salazar, deu a conhecer o célebre Decálogo, já que foi desde este aquartelamento que o então General Gomes da Costa, lançou a revolução. Aqui se encontra a grande portada, protegida por uma alpendrada varanda entre colunas, única entrada para o edifício, que dá para o átrio onde ao lado da porta de acesso aos dois lances de escada para a parte superior, se encontram em dois nichos as esculturas de Santo Agostinho e de São Tomás de Vila Nova. Nas partes laterais deste átrio, dão acesso a divisões. Deslocando-nos pela porta de entrada para aparte superior, duas escadas uma de cada lado, sobre um portal, levam-nos a um patamar. Dos lambris destas desapareceram, misteriosamente, os azulejos que os adornavam. No patamar, azulejos de cabeceira, do século XVIII, com motivos ligados á Ordem Agustiniana, são iluminados por um grande lanternim. Deste patamar dois lanços de escada levam à parte traseira do corpo principal em coincidência com os que vem do átrio. Nos lambris desta parte, ainda se conservam quase intactos os azulejos. Uma escada nobre, com arranques em pedra, dirige-se ao patamar e andar superior. Alguns azulejos foram arrancados e outros desfigurados, chegando até cúmulo de substituírem, por imitações pintadas, em gesso. Este patamar era a entrada para a sala do capítulo, com pavimento em madeira exótica, que chegaram a substituir por alcatifa, tempos depois arrancada ! ! ! … No seu bonito claustro, estila renascença, encontram-se vários restos de elementos arquitectónicos antigos recolhidos em várias escavações e construções efectuadas na cidade. Entre eles está um marco recolhido na rua Santa Margarida que proibia, em 1747, qualquer escavação ou poço que prejudicasse o abastecimento de água a Braga e, um raro exemplar de um primitivo Brasão de Braga, recolhido na fachada do antigo matadouro. Na antiga cerca (no denominada Campo da Feira, e hoje urbanizado onde se encontra o quartel dos Bombeiros Municipais, rua Zeca Afonso e outras), existiam sete capelinhas, ligadas por uma escadaria de pedra, nas quais se representava uma VIA SACRA. Tendo a cerca sido vendida a particulares, em resultado da extinção das ordens religiosas, esta Via Sacra, acabou por abandonada e perdida. Das imagens salvou-se uma cabeça de Cristo, que se encontra à guarda do Arquivo do Município. Hoje, encontram-se no edifício do Convento muitas das repartições da Câmara Municipal de Braga, depois de custosa e difícil troca com o Ministério da Guerra. Braga, lo de Outubro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt


publicado por Varziano às 18:08
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