Domingo, 26 de Outubro de 2008
A arcada da Lapa
Luís Costa A A R C A D A D A L A P A A ALFANDEGA, HOSPÍCIO para recolher os negociantes e BALUARTES ( Caramanchões ou Casas Redondas) Criados por Dom Diogo de Sousa ARCADA, mandada fazer e cobrir por Dom Rodrigo de Moura Telles CAPELA DA LAPA, mandada construir por Dom Gaspar de Bragança ANDAR SUPERIOR em construído em 1 8 7 4 UBATI – Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade 2008 A A R C A D A D A L A P A Início do século XVI. Braga vive num aglomerado de ruelas, insalubres e apertadas, verdadeira cidade medieval, cercada por um cintura de muralhas que a não deixava respirar livremente. Aqui ainda não tinham chegado os ventos da mudança que se estava a moldar por quase toda a Europa. O Renascimento ia surgindo pelas várias capitais europeias. É neste contexto que chega à cidade dos arcebispos, a velha Bracara Augusta, um homem, HOMEM com H grande, imbuído de um espírito renovador que tinha recebido nas suas andanças pelos principais centros civilizados da Europa, Dom Diogo de Sousa (1505/1532). E assim principia por renovar a velha urbe. Dedica parte da sua acção ao abastecimento de água, ainda muito deficiente. Traça, dentro e fora da cintura de muralhas, largos, espaços, novas ruas, abrindo umas, alargando outras. Com o desenvolver da cidade, o aumento de população é natural e o comércio principia a desenvolver-se. Braga é um lugar apetecível e os lavradores, tendeiros e almocreves ocorrem aos mercados então espalhados pela cidade. Dom Diogo, projectada a rua Nova, manda abrir na muralha uma nova porta na cidade, no seu seguimento, a poente, e logo cria ali ao seu lado uma praça para venda de peixe – mais tarde conhecida pela Praça da Hortaliça. Junto à Sé, faz a Praça do Pão, nos baixos da nova Câmara que mandou construir. Como complemento destas iniciativas, Dom Diogo de Sousa, estabeleceu junto à porta do Souto e à porta nova de Sousa (a hoje Porta Nova), Alfândegas, isto é, diz Monsenhor Ferreira nos “Fastos”, “hospícios para recolher os negociantes (almocreves), que de fora vinham abastecer a cidade de géneros e mercadorias”, obra meritória e previdente, dado que então a cidade não tinha albergues nem estalagens para os instalar. De início os caramanchões teriam a finalidade de ser um complemento à defesa do castelo, pois nada mais eram que baluartes, por certo ameados, e ligados entre si por um galeria abobadada ogival, colocada junto à parte exterior da muralha de defesa do castelo. Os baluartes, caramanchões ou se quiserem casas redondas, foram construídos, um no ângulo da porta do Souto (hoje Largo Barão São Martinho) e o outro no ângulo do largo do Eirado (largo São Francisco), com a Alameda de Santa Ana. Ainda há anos se podia ver, na cafetaria do Café Viana, parte dessa galeria e ainda hoje é visível nos sanitários da agência bancária ao lado da igreja da Lapa. Com o desenvolvimento das tácticas de guerra, tornaram-se obsoletos os baluartes pelo que a outro fim foram destinados. Sabemos que durante a administração do arcebispo Dom Gaspar de Bragança (1758/1789), estas casas eram administradas por um alfandegário, de nomeação arcebispal, que as tinha emprazado com prejuízo público, como também autorizou a Câmara a emprazar os caramanchões, casas redondas em que se tinham transformado os baluartes, e que reformadas mais tarde por Dom Agostinho de Jesus, pertenciam à Mitra, e eram destinadas a uso próprio, para as suas rendas de portagem. A antiga casa de portagem, segundo Senna Freitas, tomo II, pag. 294, estava situada no Caramanchão de Cima, isto é onde se acha uma agência bancária, no ângulo com o Largo dos Terceiros. Nela existia uma pedra lavrada, inserida na parede exterior, onde se achava inscrita a legenda que a seguir vamos reproduzir : “Casa da Portage : nesta assistirá o rendeiro dês as 8 ½ horas da manhan até às oito da tarde no tempo de inverno : e no beram até às nove da noite, com pena não poder vexar aos que deverem Anno de 1715 annos” Decorridos cerca de duzentos anos, já sob a administração arcebispal de Dom Rodrigo de Moura Telles (1704/1728), porque no local da Alfândega, se principiou a estabelecer um mercado, com os mercadorias e mercadores sujeitos às inclemências do tempo, resolveu dar a este sítio um aspecto mais condigno e mais consentâneo para o que estava a ser utilizado. Assim, cerca de 1715, mais ou menos, mandou construir uma arcaria entre as casas redondas e mandou-as telhar. Nessa altura a escultura da figura de Braga, datada de 1715, hoje sobre o Arco da Porta Nova, foi colocado sobre o meio da arcaria. Ponto reunião de muita gente, foi aproveitado para ali, em 1755, um Padre Missionário Apostólico brasileiro, Ângelo de Siqueira, ali iniciar a pregação de uma Santa Missão. Principiou junto a uma estampa de Nossa Senhora da Lapa, que numa noite, diz o já citado Monsenhor Ferreira, nos “Fastos”, grudaram ou pregaram na parede, no sítio dos Alpendres. Isto atraiu grande número de devotos, que depois principiou por ser o lugar central porque as Missões do Padre Siqueira, mais incitaram à devoção à Senhora da Lapa. Dom frei Aleixo de Miranda Henriques mandou fazer uma imagem de vulto que fez conduzir em procissão para São Domingos da Tamanca. No entanto a devoção estiolou, talvez por não estar tão acessível - a Tamanca ficava distante do ponto onde tinha principiado a devoção. Os Padres do Convento do Oratório, dada a crescente devoção e porque a estampa colocada na Alfândega do Souto tinha sido mandada arrancar, colocaram uma imagem na sua igreja. Mas apesar de ser um local central, nos Congregados, a devoção não mereceu a atenção do povo. Sorrateiramente os devotos da Alfândega, colocaram uma nova estampa no sítio da primeira, e logo principiaram ali rezar-se terços, ladainhas e orações e, com as esmolas e a anuência do arcebispo Dom Gaspar, dotada regularmente, conseguiram fazer a actual capela da Lapa. A primeira pedra, a pedra fundamental, foi lançada no dia 9 de Setembro de 1761 pelo reitor do Seminário António Barbosa Goes, sob os auspícios do Príncipe Arcebispo. A obra durou três anos e, no dia 7 de Setembro de 1764, foi a capela benzida e, no dia seguinte, foi ali celebrada a primeira Missa. . . . / . . .


publicado por Varziano às 11:51
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