Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
A igreja de São Lázaro
LUIS COSTA A antiga IGREJA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO Freguesia e Paróquia instituída em 1747 pelo Arcebispo Dom José de Bragança Como Paróquia de São José de São Lázaro No local da antiga ermida de São Lázaro Mandada construir pelo Arcebispo Dom Frei Caetano Brandão UBATI – Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade 2008 A PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO Tendo vagado a freguesia de São Vitor, por morte do seu pároco abade Dr. Manuel de Mello e Lima, em 2 de Março de 1747, aproveitou o ensejo o arcebispo Dom José de Bragança para dividir a paróquia de São Vitor, que pela grande extensão e numerosa população não podia ser curada por um só pároco. Monsenhor Ferreira, nos “Fastos”, diz que a dividiu, desmembrando-a e com essa parte, criou a freguesia de São José, na Capela de São Lázaro, provendo e colando nela, em 5 de Setembro de 1747, o padre João de Couto Ribeiro. No entanto para preservar para o futuro o nome do patrono da capela, acrescentou à designação da nova freguesia e paróquia o antigo nome da capela, pelo que ficou determinado que a freguesia seria nomeada por FREGUESIA E PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO. Esta informação foi recolhida por Monsenhor Ferreira, no Diário Bracarense de Silva Thadim, a pag. 155, nota que tem por título VIGAIRARIA DE SÃO LÁZARO. Pertencendo a área que hoje ocupa, desde tempos imemoriais, a São Vitor, São Lázaro em pleno século dezoito conquistou, podemos dizer, a sua independência dado o seu extraordinário povoamento que se originou, entre outros aspectos, à sua situação nas margens do rio Este, factor de desenvolvimento, com a sua rudimentar mas necessária indústria de moagem de pão, um dos mais imprescindíveis alimentos da população. Ao longo do pequeno rio, especialmente no lugar dos Galos, numerosos moinhos, tinham na força hidráulica a sua fonte de energia. Ainda hoje restos dessa indústria se pode observar. Mas estamos a fugir do principal motivo deste caderno – a velha igreja da paróquia de São José de São Lázaro. Estava situada ladeando a velha rua da Água, como era conhecida toda a extensão da via que partindo do Campo de Santana (hoje Praça da República) se dirigia à ponte de São João, caminho da Falperra em direcção a Guimarães. Esta via popularmente tinha três nomes: o primeiro Rua das “Agoas” até à igreja de São Lázaro, que aí tomava o nome do patrono da igreja: de seguida mais à frente era conhecida até à velha ponte romana ( ponte restaurada por Carlos Amarante, depois de destruída por uma grande enchente em 1779, que provocou a morte a 32 pessoas ) atribuíam o de rua da Ponte de São João. Albano Belino, em “Archeologia Christã”, diz que “a actual igreja, de arquitectura simplíssima, foi mandada construída a expensas do arcebispo Dom Frei Caetano Brandão”. De facto pela gravura que ilustra este caderno podemos atestar esta apreciação do consagrado autor. A fachada do templo de São Lázaro era dividida, praticamente, em três aspectos visuais. O primeiro incluía a porta de entrada até ao friso onde se iniciava a segunda, que incluía um grande janelão e a terceira, como remate, era composta pelo frontão triangular. Analisemos agora em pormenor cada um destes aspectos. No primeiro destacava-se a porta de entrada, colocada sobre uma série de quatro degraus, em escada, quer dizer, os mais extensos junto ao pavimento da rua, diminuindo os outros em escala até chegar à soleira. Em cada lado da porta, estibolátos, serviam para suporte e começo das pilastras, encimadas por simples capitéis, prolongavam-se até ao cimo do conjunto que a envolvia e suportava a arquitrave. Esta era ladeada por ombreiras que desde o degrau da entrada, se erguiam até à verga um pouco abaulada que nelas se apoiavam. Ao lado, nas paredes e junto às pilastras dois pequenos motivos, sem qualquer ornamento. Sobrepujando esta primeira parte, uma cintura de pedra, ao redor de um quase cobertura, assentava uma composição pétrea, decorada em almofadas, servia de base, ao grande janelão, com vidros em quadrículas, iluminava o interior do templo. Nesta segunda parte em que dividimos a fachada nada mais existia de menção. Para início da terceira parte, via-se uma espécie de cornija que se prolongava para as faces laterais e que era a parte inferior do frontão fechado, triangular, ao centro do qual se encontrava uma cartela com decoração. Para rematar a fachada, sobre as colunas laterais, viam-se duas urnas, estriadas, rematadas por uma espécie de floreiras. Ao centro do ângulo superior, num acrotério, um pseudo barroco, suportava a cruz arcebispal. Quanto à fachada em si, nada mais merece apreço o que é o mesmo que dar razão a Belino. Na gravura que inserimos há no entanto motivo para chamarmos a atenção. Referimo-nos a dois aspectos que ela apresenta. Na parte esquerda vemos duas representações. Uma em que se nota uma janela de guilhotina tem na parte baixa, sobre um pequeno telhado, uma porta envidraçada. Era um oratório do Senhor da Aflição. No qual se venera ainda uma pintura de Cristo e que foi transferido para o lado norte de um dos edifícios que os Serviços Sociais da Caixa de Previdência construiu depois do derrube do velho templo. Ao lado uma porta, num muro de alvenaria dava acesso à sacristia. Curiosa é a representação de um pormenor, quase escondido que ali se vê, um remate de uma cruz. Trata-se do Cruzeiro de São Lázaro. Durante muitos anos ocupou o logradouro da sacristia, e o muro que encerrava este logradouro não permitia a sua vista. Como tal só e apenas algumas pessoas o conheciam. Cabe aqui fazer uma referência ao símbolo da cruz. Para isso seguimos Albano Belino e a sua obra “Archeologia Christã” que sobre este símbolo refere: “Já no tempo dos egípcios, cartagineses, assírios, persas, hebreus e gregos, a cruz era aplicada aos suplícios de malfeitores, introduzindo-a Tarquínio Soberbo em Roma para a execução das sentenças de pena última; e subsistiu este costume até que o Imperador Constantino Magno, em atenção ao suplício de Cristo, a fez venerar como símbolo que é a redenção da humanidade. Desde então o lábaro santo principiou a aparecer hasteado, como pregão de paz e amor, perdão conforto e esperança, na cúspide dos montes, nas povoações sertanejas e nas cidades e vilas, sobre a coroa dos monarcas, junto das encruzilhadas e sobre as pontes…” E assim a cruz, que até então era um símbolo de castigo, passou a ser um símbolo de paz e amor, disseminada por toda a parte, desde os mais recônditos lugares até aos mais diversificados. Já agora e, como se costuma dizer, como “estamos com as mãos na massa”, vamos alongarmos um pouco mais sobre as “cruzes”, e deixaremos para mais adiante falarmos no Cruzeiro de São Lázaro. Por vezes nas pontes encontramos estes símbolos da religiosidade. Segundo o autor acima citado, uma cruz numa ponte quer dizer: “Podeis crer que são duas pontes: por uma se vai ao céu, por outra se passa o rio”. Afirma também que no norte de Portugal era frequente a prática dos montinhos de pedra junto de uma cruz no local onde alguém tinha morrido de desastre ou violência e que esses montinhos de pedras se formam rezando por cada pedrinha que se coloca junto da cruz, um Padre Nosso, e às quais lhes chamava o povo “Fiéis de Deus”.


publicado por Varziano às 16:14
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds