Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
A igreja dos Congregados
Basílica dos Congregados 2 A FACHADA Como já se disse a fachada, (incompleta, pois apenas apresentava uma torre e quase os alicerces para uma segunda), é devida, segundo todas as probabilidades ao arquitecto-amador André Soares e foi esta primeira fase acabada em 1765. Esta é um belo exemplo da monumentalidade do barroco “soaresco”, sendo ao mesmo tempo um dos seus mais representativos exemplos deste estilo na cidade. As “Selecções do Reader’s”, refere que este “estilo arquitectónico de natureza essencialmente orgânica, muito ornamentado, foi consolidado nos inícios do século XVII, frequentemente considerado como uma alternativa ao classicismo, como vocábulo de origem portuguesa” e cujo nome derivou por se aplicar às pérolas, defeituosas, por assumirem formas assimétricas, irregulares, atestadas nos inventários manuelinos como barrocas. No entanto devemos notar que este estilo de construção tardou em chegar a Portugal, pois só nos finais do século XVII e mais de metade do seguinte, é que se impôs, praticamente, no País tendo, talvez contribuído e muito para isso, a riqueza do ouro brasileiro. O imponente frontão, é ladeado pelas duas torres, um tanto ou quanto inadequadas à restante composição, mas que só uma apurada observação pode constatar. Foi totalmente construída a de poente e, a de nascente, acabada no seu remate superior, cerca dos anos 50 do século findo. Ainda por fotografias anteriores a essa época pode ver-se que a torre sineira nascente, estava coberta por um telhado e, a do poente mais não apresentava do que uma pequena parte, que nem chegava ao actual relógio. Como nota para uma observação para confirmar o que dizemos acima, repararemos no frontão em mitra encimado pela cruz posta num acrotério, e ladeada por quatro pináculos ou urnas de formas bojudas, flamejantes, isto é dando a impressão de chamas expelidas pelos seus cimos. Comparemo-las com os pináculos que encimam as torres e notaremos que são completamente diferentes. Mesmo nada tem a ver com o restante da parte do risco de soaresco, o complemento simulando um chapéu, nas torres, onde nos aparece uma balaustrada, que também é estranha à fachada.(ver gravura nº 1) A razão desta discordância vamos achá-la quando se resolveu dar uma solução final à fachada do edifício, o que não foi tarefa fácil. O projecto inicial, tinha desaparecido num incêndio ocorrido no conturbado período das lutas liberais (na primeira metade do século XIX), num ataque à tropa, quando por ali estavam aquarteladas algumas forças militares e, como tal, teve que se achar uma solução. Várias foram as sugestões – copiar, por exemplo as torres da igreja dos Santos Passos, Guimarães, confiar a arquitectos um projecto, etc. etc. – acabando alguém por sugerir a cópia das torres do Mosteiro de Refojos, de Cabeceiras de Basto, cujo projecto ou risco se deve a Frei José de Santo António Vilaça, discípulo e contemporâneo de André Soares, opinião que foi aceite. Portanto, as actuais torres do Congregados, não são mais do que um feliz aproveitamento das do Convento de Cabeceiras. (ver gravura nº 2) Mas voltemos aos primeiros tempos da Congregação. Como dissemos os padres tinham comprado umas moradias no Campo de Santa Ana, e ali tinham construído um hospício e uma pequena capela. Com o aumento da entrada a novos frades, houve necessidade de aumentar as instalações e construir um novo templo, coisa nada também fácil, devido aos poucos recursos para tão onerosa ambição. E assim a Casa da Congregação apresentava nos meados do século XVIII, como prova o livro “O Mapa das Ruas de Braga”, de 1850, o aspecto dela era como se vê pela gravura. Nela nota-se a parte conventual, que então estava construída, tendo na fachada, ao andar térreo, a portada principal, o janelão no gaveto com a Cangosta a Palha, as janelas, (elementos de hoje, possivelmente, risco de Soares), e recuado inacabado um andar superior. Ao lado, parte do templo entaipado, e a entrada para a também inacabada igreja.(ver gravura nº 3) Continuando a nossa análise à fachada, que como disse Smith “é a obra mais dramática de André Soares” , e o considerou como “um dos maiores artistas portugueses e talvez o mais importante do século XVIII”, vemos que a par da profusão com que preencheu os espaços com frontões de mitra, também utilizados no edifício camarário, soube imprimir-lhe elementos em que a fantasia do barroco foi inesgotável. Notável é o janelão que encima a porta principal e, mais impressionante é ainda o extraordinário elemento que a sobrepuja que simula um enorme buraco de fechadura para uma gigantesca chave, tendo aos seus lados dois nichos, ladeados pelos relógios, com interior cimeiro concheado que encerram, desde 1964, as imagens de São Filipe de Nery, fundador da Congregação dos Oratorianos e a São Martinho de Dume, devidas ao escultor A. Nogueira.(ver gravura nº1). Na parte conventual, do decreto de D. Maria II, publicado em 1834, sugerido ou criado por Joaquim António de Aguiar, para a extinção das Ordens Religiosas, foi instalada, a Biblioteca Publica de Braga fundada em 1841, por Almeida Garrett e da qual foi o seu primeiro director o Dr. Manuel Joaquim da Silva Abreu. Também nos primeiros anos de 40 do século XIX, aqui se veio fixar o Liceu Nacional de Braga, que se tinha instituído no Campo da Vinha, no antigo Seminário Conciliar de São Pedro. A biblioteca passou para as actuais instalações, Paço Arcebispal e Paço de Dom José de Bragança cerca de 1932 e o liceu foi transferido em, mais ou menos 1926, para as antigas instalações do Colégio do Espírito Santo, em Infias. ( de 2 ) . . . / . . .


publicado por Varziano às 16:26
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