Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
A basilica dos Congregados 3
Basílica dos Congregados 3 O I N T E R I O R Ultrapassada porta principal deparamos com um grande e pesado anteparo, inspirado na frontaria do templo, artisticamente trabalhado em talha pintada. Já dentro do templo deparamos com um sinal de mau gosto, quando aplicaram por debaixo do coro, um lambril de azulejos esquartelados a verde ou azul e branco, nada condizente com o restante artístico estilo desta hoje basílica. O interior, de uma só nave, é coberto de uma abóbada de berço abatida, com decorações a estuque sobre um fundo verde. Na capela-mor sobressai a tribuna, quase sempre tapada por uma cortina, tendo a suavizar este aspecto um grande crucifixo cuja imagem em sofrimento do Senhor, foi esculturada por João Evangelista Araújo Vieira, que nos deu a famosa imagem do Senhor Agonizante, da Capela de Santa Maria Madalena, da Falperra, obra que inspirou Antero de Figueiredo, em “O último olhar de Jesus”. O retábulo deste altar-mor, datado de 1783, de estilo neo-clássico sofreu, como todo o templo, por volta dos anos sessenta do século vinte, uma grande obra de restauro e remodelação. Essa remodelação ou restauro foi adjudicado em 15 de Setembro de 1965. Neste espaço foi removida a grade que o limitava da restante igreja e onde era dada aos fiéis a comunhão, de resto esta retirada de grades foi totalmente efectuada aos lados do corpo onde se encontram aos altares laterais. O pavimento foi remodelado desaparecendo o chão em madeira, substituído por mármore. Aos lados do arco cruzeiro e a toda a sua altura, quatro grandes nichos, encerram as estátuas de granito, que representam os profetas David, Abraão, Jacob e Isac. Seguindo pela parte da basílica, destinada aos crentes, vamos encontrar aos seus lados oito primitivos altares, cuja talha de alguns tem sido atribuída e até confirmada a André Soares e Marceliano de Araújo. Assim o altar de Nossa Senhora das Dores, num estilo “ró-có-có”, que lembra a frontaria do Palácio do Raio, em Braga, ou elementos da fachada do templo de Santa Maria Madalena, na Falperra é atribuído André Soares.(gravura nº 4) É admirável o conjunto assimétrico de concheados, folhas de acanto e outros motivos que o artista introduziu numa profusão de elementos que mostram bem o seu apurado bom gosto e criatividade. Destaque especial merece a porta do sacrário que nos mostra um pequeno presépio, onde as figuras de São José, Nossa Senhora, o Menino, os anjos e os restantes elementos que o compõe foram trabalhados com mérito. (gravura nº 5) Admirável é também a imagem da Senhora, padroeira da Basílica, coroada de esplendor, com as mãos cruzadas sobre o peito abraçando as espadas, numa alusão às Sete Dores. Foi concedida licença em 12 de Dezembro de 1750, para ser erigida, neste templo, uma Irmandade de Nossa Senhora das Dores, mas ao longo dos tempos, em 1842, veio a ser necessária a sua reorganização cujos estatutos foram aprovados e datados de 6 de Abril de 1843. Depois da lei da extinção das Ordens Religiosas, por portaria de 1 de Setembro de 1845, foi a igreja, com todos os seus pertences entregues à Irmandade de Nossa Senhora das Dores e de Santa Ana, posse que ainda hoje detém. O corredor de acesso à sacristia e dependências superiores, foi consertado em 1880, ficando assim com uma entrada condigna para as dependências traseiras e à torre nascente, então a única existente. O altar atribuído a Marceliano de Araújo, é do Santo António, onde se realçam as colunas torças, emolduradas em figurados motivos vegetais, e ainda a sanefa e frontão que o encimam. Poderá ainda mais um ou outro ser atribuído a André Soares, mas o que não resta dúvida e que, pelo menos, o seu modo de riscar os influenciou. O Ó R G Ã O Colocado ao lado esquerdo do coro foi o órgão de tubos recuperado, há anos graças ao contributo de um crente mecenas que também a suas expensas contribuiu para a edificação da chamada capela das Confissões, situada na traseira do edifício principal. O ALTAR DE NOSSA SENHORA APARECIDA OU DOS MONGES Duas portas no arco cruzeiro, uma em cada lado dão acesso à sacristia e capela das Confissões. Aqui digno de nota é a escada que nos leva ao andar cimeiro desta parte do antigo Convento. Dois grandes espelhos com caixilharia barroca se nos deparam. Mas o melhor e que mais interessa na sala a que chegamos são dois excepcionais trabalhos : um, é uma extraordinária pintura a óleo, figurando o “Agnus Dei”, obra da grande pintora Josefa de Óbidos, igual a um da mesma autora que figura na pinoteca da Misericórdia de Óbidos e, o outro, é o altar de Nossa Senhora Aparecida, ou dos Monges, atribuído a André Soares, que o teria desenhado por volta de 1761 e lhe deu uma atenção especial na decoração.(ver gravura nº 6) Apresentando uma disposição de cruz grega, iluminada por elegante lanternim e duas janelas que dão para o altar-mor, esta pequena Capela, desconhecida de muita gente, estava destinada a servir de lugar de oração aos monges doentes impedidos de assistir aos Sagrados Ofícios na Igreja Conventual. Braga, 29 de Setembro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt ( de 3 )


publicado por Varziano às 16:28
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