Quarta-feira, 11 de Março de 2009
o arcebispo dom josé
Arcebispo – continuação 2 O ABASTECIMENTO DE ÁGUA À CIDADE De posse da sua cidade, Dom José de Bragança, tomou as providências necessárias para dar aos seus habitantes as melhores condições de sanidade e habitabilidade. Uma das mais prementes necessidades era fazer uma boa distribuição de água potável a toda a cidade. Seguindo na esteira de alguns dos seus dignos predecessores, como Dom Diogo de Sousa que mandou encanar a água de uma nascente na rua da Cónega, criou a fonte de Santiago, a meio daquela íngreme rua. Também, nos Granjinhos, fez o mesmo com um fontanário que ali existiu até aos nossos dias, quando por motivo de se dar uma entrada, por volta dos anos de cinquenta, às novas instalações do hospital de São Marcos, foi destruído e hoje a cabeceira desta fonte, está no muro de vedação do adro da igreja de São Sebastião, nas Carvalheiras, em préstimo aquífero. Aproveitando o facto de Dom Rodrigo de Moura Telles, seu antecessor, ter principiado a exploração do manancial das Sete Fontes, com expropriações e indemnizações aos proprietários dos terrenos onde esse manancial jorrava, e ter dado início à canalização das águas até parte da cidade, Dom José , um mês após a sua entrada na cidade – 21 de Agosto – pediu “esclarecimentos à Câmara do estado dos muros da cidade e SOBRE O ESTADO DO FORNECIMENTO DE ÁGUA” (Livro de Actas das Vereações Camarárias de 1837/1748, fol. 136 ). Como vemos, o abastecimento da preciosa linfa à cidade, não foi descurado no século XVIII, pelos Senhores de Braga. Dom Rodrigo de Moura Telles, pretendendo abastecer a parte alta da cidade – Areal, Infias e São Vicente ( onde existiu no adro da igreja uma Caixa de Purificação e Limpeza ), mandou explorar uma nascente em Montariol e canalizou essa água até aquelas zonas. Aproveitando a água desse manancial, mais tarde Dom José, mandou construir à entrada da cangosta que dava acesso ao Areal de Cima ( junto à Capela da Casa de Vale Flores – capela de Nossa Senhora do Pilar ) um fontanário que, quando da abertura da rua de Infantaria 8, foi derrubado e a sua cabeceira, está hoje adossada, sem préstimo de qualquer gota de água, ao muro da cerca da Casa dos Biscainhos, na rua Andrade Corvo, no local arrelvado em tempos ocupado por um jardim infantil. Deve também ter aproveitado a água da Caixa do adro de São Vicente, para reforçar o Fontanário do Campo Novo, que mandou fazer e que também recebia água de um olival, que se situava nuns terrenos ocupados ou por perto da hoje rua Camões e até deu nome à rua das Oliveiras. Também Dom Rodrigo, tomando em conta a necessidade, do hospital de São Marcos, concedeu-lhe uma certa quantidade de água, conforme consta da inscrição que se encontra, nos claustros do Hospital Velho. Também quando Dom Rodrigo, fundou o Recolhimento das Convertidas e não pretendendo prejudicar o edifício a construir, mandou alargar a possível cangosta que ligava a Alameda de Santa Ana, ao Campo do Reduto (Campo Novo), concedeu à Casa de Carcavelos, no gaveto hoje ocupado pelo externato Paulo VI, por troca de uma faixa de terreno de umas certas quantidades de penas de água, por certo da caixa do adro de São Vicente, o que nos leva a concluir que, quando Dom José chegou a Braga, havia já parte da cidade abastecida, talvez não eficiente, com o manancial das Sete Fontes e sabendo nós que mandou construir condutas em pedra até à cidade e manteve litígios com os confortantes das minas a quem teve que os indemnizar, por prejuízos causados nos suas colheitas que deixaram de poder regar, conforme consta da acta camarária do tempo. Seguindo então o exemplo do seu irmão Dom João V, que mandou construir o aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, mandou refazer na sua cidade de Braga, a partir do já explorado manancial das Sete Fontes, as necessárias obras, melhorando-as e reformando o sistema para melhor aproveitamento daquelas águas, transportando-as através de uma eficiente obra hidráulica até ao centro da cidade, abastecendo os numerosos fontanários que ficaram a assinalar a cidade como uma das primeiras do País a ter água em abundância. Quase durante quase duzentos anos a água das Sete Fontes, jorrou, através das medidas de então – as penas de água – em muitas residências bracarenses e, ainda hoje, ainda há casas que tem água dessa proveniência. Foi esta extraordinária medida de grande alcance que deve, talvez, se não mesmo certo, a maior obra que deixou marcada a sua presença na cadeira arquiepiscopal bracarense. As Caixas de Água – seis, já que a sétima foi, irresponsavelmente, destruída – e as condutas e minas estão a assinalar por todos os tempos, esta obra digna de uma pessoa de grande visão. Pena é que os mandantes de hoje, não a respeitem como devem. Será uma grande perda para a cidade se este testemunho de um passado, vier um dia a perder-se na sanha de um lucro imediato para aqueles cuja sensibilidade para as coisas de ontem tem pouco valor e só o dinheiro é que impera. AS DESAVENÇAS COM O CABIDO Dom José de Bragança ao assumir a posse do Arcebispado deparou com uma conjectura difícil, pois o dilatado período de Sé vacante, tinha concorrido para o afrouxamento ou relaxamento da disciplina eclesiástica, tendo de proceder com extrema cautela para repor de novo essa disciplina. Diz Monsenhor Ferreira, nos FASTOS, “Esses mesmos treze anos do governo colectivo dos Cónegos criaram-lhes um partido enorme e valioso, apoiado na importância da sua numerosa parentela, nas dependências em que muita gente estava deles, e na gratidão de muitos Ofícios e Benefícios” (ontem como hoje em certos cargos). Dom José, apesar da sua pouca ou nenhuma experiência governativa, mas “altivo por geração”, não se afastou da luta, despendeu energias, e entro em conflito com a hierarquia do Cabido, criando entre outros factos, reformas que por vezes hoje se diriam ditatoriais, e que causaram mau estar entre a Colegiada Foram três as principais as questões suscitadas entre o Arcebispo e os Cónegos; a primeira teve origem na conta da rendas da Mitra durante a Sé Vacante, Dom José queria saber das contas dos rendimentos da Mitra, durante esse dilatado período. Após a morte de Dom Rodrigo, o Cabido entrou no governo do Arcebispado e na administração das rendas da Mitra, contas que deveria apresentar ao novo Arcebispo. Dom José notificou o Cabido dando-lhe o prazo de vinte dias para o fazerem. Não obstante o Cabido respondeu que só poderia apresentar contas de pouco mais dos dois últimos anos, pois os anteriores “pertenciam à Coroa, a quem tinham sido cedidos os frutos do Arcebispado, Bispados e Benefícios vagos desde a sua vacatura, e as contas delas já as havia prestado com a entrega aos Juízes da Execução dos Resíduos das Mitras e Benefícios vagos, destinados pelo Pontífice a obras pias e públicas de consentimento del Rei”. Não se conformou o Arcebispo com esta resposta do Cabido, pois queria saber das contas do espólio do falecido seu antecessor. A questão foi azedando-se pois achava que esse espólio pertencia à igreja e não estava compreendido na bula expedida pelo Papa. Ainda para mais divergências entre o Arcebispo e o Cabido, foi o facto de o Vigário Geral, sendo-lhe requerido pelo Procurador Geral da Mitra, ter mandado afixar uma “carta de excomunhão” em que se comunicavam censuras contra s pessoas que soubessem ter o Cabido desviado várias quantias pertencentes à Mitra, e nos livros da despesa dela haver lançado quantias que não se despenderam, a fim de virem declará-lo”. O Cabido irritou-se e resolveu em sessão de 11 de Outubro de 1741, proceder a um libelo contra o Vigário Geral. Por seu lado, o Arcebispo, instaurou um pleito contra o Cabido, pela sua recusa da não prestação das contas pedidas. Como vemos logo nos primeiros tempos não foi fácil a Dom José Administração da Arquidiocese. … / …


publicado por Varziano às 16:41
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