Quarta-feira, 11 de Março de 2009
o arcebispo dom josé
Dom José de Bragança 3 - continuação O SEQUESTRO DAS RENDAS CAPITULARES Como vimos o Arcebispo pelo seu lado instaurou um pleito judicial contra o Cabido, em virtude da recusa da prestações de contas do espólio do seu predecessor, das parcelas duvidosas das despesas, das rendas da Fábrica da Sé relativas ao tempo da administração capitular, e das despesas e comutações dos degredados, diz Monsenhor Ferreira, na obra citada e mais, relata a resposta do Cabido às insinuações ou suspeições dos Ministro do Arcebispo e que por isso foram rejeitadas, interpondo recurso à Coroa no Juízo da Relação do Porto. QUESTÃO DAS MAÇAS OU CEPTROS PRISÃO DE DEZASSETE CÓNEGOS Continuando a consultar a obra “FASTOS” de Monsenhor Ferreira, vemos que as desavenças entre o Arcebispo e o Cabido, cada vez se azedavam mais. E assim ficamos a saber que o dia 21 de Março de 1741, Quarta-feira de Trevas, “…apareceu no Coro da Sé uma pauta feita pelo Chantre, por ordem do Arcebispo, para seis cónegos, no dia seguinte, Quinta-feira Maior, tomarem os ceptros na Missa pontifical; o Cabido reuniu em sessão, e, ponderando que tal pauta e nomeação era uma infracção da Concórdia celebrada com Dom Agostinho de Jesus, resolveu que se representasse a Sua Alteza a posse, em que estava o Cabido há mais de cem anos à face de todos os Prelados da referida Concordata”. O Arcebispo não concordou, pois discutia a validade da Concordata por não ter sido aprovada pela Santa Sé, não aprovando a representação. O Cabido não desistiu e reunindo de novo, deliberou que nenhum capitular cumprisse a ordem do Arcebispo. Continuavam assim cada vez mais tensas as relações entre os Capitulares e o Prelado. No dia indicado – Quinta-feira Santa, estava Dom José, na Capela de São Geraldo, já paramentado e pronto para a Missa Pontifical, a Procissão não saía da sacristia, onde se conservavam todos os Cónegos, exceptuando as dignidades que estavam junto do Prelado. Ordenou que saísse a procissão e que seis cónegos pela ordem de antiguidade tomassem os ceptros. Recusando estes a obedecerem, num total de dezassete, ordenando então o Arcebispo que fossem presos e enviados para o Aljube, então junto as castelo da cidade, no largo de São Francisco. Falecido Dom João V, sucedeu-lhe seu filho Dom José, tio do Arcebispo de Braga, que logo tratou com o Cabido para por termo às pendências que existiam entre o seu tio e o Cabido bracarense, tendo este resolvido apresentar as contas. O Arcebispo não concordou em princípio com as referências dadas e, mais tarde, continuando com as suas dúvidas, ordenou o sequestro de todas as rendas da Mitra Capitular. O Cabido ripostou e o arcebispo acabou por sequestrar todas as rendas do Cabido. E assim continuou a zanga que, só um acontecimento sobrenatural podia acabar por ter fim. E ele veio a dar-se, Com é do conhecimento geral na manhã dia l de Novembro de 1755, ocorreu um grande cataclismo que abalou Portugal inteiro, mas cuja maior influência nefasta se fez sentir com maior intensidade no Sul do Pais, especialmente em Lisboa. Ouçamos o que Silva Thadim, nas suas memórias bracarense, nos diz sobre este terrível evento e as suas consequências em Braga : ´”…. onde se sentiu violentamente este terramoto - à mesma hora – que em todo o reino….As torres da cidade e a da Sé tremeu com tanto ímpeto que o relógio por si principiou a tocar, abriram e racharam muitos edifícios e caíram algumas casas de pedra. No Coro de Cima da Sé onde os Cónegos estavam rezando Laudes temeu com tanta violência, e os estalos os vigamentos causaram tão grande pânico que causando tal medo aos Capitulares fugiram deixando a reza, e a vieram concluir na Capela de N.S. da Piedade do Claustro, e alguns sacerdotes os próprios altares …” Em consequência pairou por toda a parte, “uma impressão de terror” e o Cabido, considerando as ruínas com eu foi ameaçada a cidade, resolveu e aproveitando o dito que tinha sido castigo de Deus, o flagelo, reconciliar-se com o seu Prelado, dirigindo-lhe uma carta pedindo-lhe se dignasse receber a Comunidade Capitular d que “tantos se via privada”. O Arcebispo acedeu, dizendo estar pronto a uma reconciliação. Por certo ele também se julgava culpado da ira de Deus. Dias depois o Arcebispo dirigiu-se à pagar a visita dos Capitulares. Ressarcidas as desavenças e para que a Fazenda de Sua Alteza, “e paz não pareça prejudicada, pede para que seja visto o processo por pessoas da confiança dele Arcebispo, e que as quantias, que elas entenderem dever o Cabido, se tirem do depósito existente, e se inteire a Fazenda de Sua Alteza, e que tudo isto se faça sem termo judicial processo ou fora dele”. Mas as desavenças continuaram e para isso contribui e muito a expulsão dos Jesuítas que de novo levaram ao corte de relações com a Cúria Romana. Apesar da boa vontade em resolver o premente litígio assunto, não foi em vida de D. José de Bragança que o pleito foi resolvido. Foi necessário esperar pela sua morte e só na administração do seu sucessor, Dom Gaspar, que também teve problemas com o Pontífice Romano, como relataremos adiante e baseando-nos na obra citada de Monsenhor Ferreira : “Reconciliação com a Corte de Roma –O Papa Clemente XIII, havido falecido em 2 de Fevereiro de 1769 e os negócios das duas Cortes (Portugal e Roma) ficaram sem solução. Em 19 de Maio imediato foi eleito Clemente XIV, e este Pontífice procurou logo reataras relações com Portugal, que recebeu festivamente o novo Núncio …O Governo Português, por decreto de 23 Agosto de 1770, declarou aberta a comunicação com a Corte de Roma…” e assim ficou sanado o diferendo. Mas votemos a Dom José já que do governo dele que estamos a tratar. Como dissemos só um facto estranho e de grande repercussão, de grande susto, é que poderia fazer com o arcebispo reconsiderasse sobre a maneira de como estava a proceder, e esse facto foi terramoto. Arrependido procurou o Cabido e entre as duas dignidades, perdoando-se, desculparam-se e prometerem não mais voltar a zangarem-se, sol de pouca dura, pois passando o tempo do susto lá voltaram as quezílias. A OBRA DOS PAÇOS DO CONCELHO E A DO PAÇO O edifício camarário quinhentista, junto à Sé, mandado fazer por Dom Diogo de Sousa, para sede da Câmara Municipal, nada condizente com a nova cidade de setecentos, acanhado, de diminutas condições para albergar os novos serviços que iam surgindo, velho de mais de duzentos anos, teria que ser substituido por uma nova casa concelhia. Se bem o pensou, melhor o realizou Dom José, Arcebispo e Senhor de Braga. Tendo um dos seus antecessores, Dom Agostinho Jesus, comprado e doado à cidade um grande espaço que ficou conhecido pelo Campo do Arcebispo – a nossa bem conhecida Praça Municipal – para ali se realizarem os mercados e feiras e divertimentos como as touradas – logo pensou em utilizar os seus topos nascente e poente par fazer uma obra digna do seu magistrado e que perdurasse pelos tempos fora. Para isso comprou umas casas e terrenos no topo poente do referido campo e tratou de mandar construir um novo edifício para albergar as necessárias repartições. Principiava a obra em 1753, não a pode ver concluída por entraves postos pelo proprietário da casa contígua, tendo apenas de construído a parte central e ala esquerda, razão porque e encontra a data de 1755, numa cartela em azulejo no patamar da Escada Nobre. Como já sabemos edifício só cem aos depois é que foi acabado. Este arcebispo deixou assinalada a passagem por Braga por outras notáveis obras, sendo justo assinalar o seu Paço, no lado nascente do referido Campo do Arcebispo, depois Campo de touros e finalmente Praça do Município. Referimo-nos ao edifico onde desde por volta do início do ano de trinta do século se passado aloja a Biblioteca e Arquivo Distrital de Braga. Ao ser nomeada para Braga, não achando condignas para a sua dignidade real, as instalações do Paço, que tantos cuidados haviam dado aos seus antecessores e porque a longa vacância elas se tinham muito degradado, mandou-o reparar ao mesmo tempo que tomou as mesmas diligências com capela hoje desaparecida. Mas não se contentou com estas tomadas de posição. Achou que deveria mandar construir um edifício que ombreasse com o Paço Real de que vinha acostumado. Para isso teve que resolver com a Câmara a posse de um terreno que pertencia à edilidade e estava ocupado pela Casa dos Órfãos. Facilmente por troca consegui os seus intentos e assim mandou construir o imponente edifício que ocupa a parte nascente do Campo ( Praça do Município). Deve ter ficado o seu risco ao arquitecto amador André Soares, já que o tinha feito com o da Câmara, obra mesma época. Mas outras obras que só a sua prematura o impediram de o fazer, como um Colégio de Órfãs que pensou instalar no Monte das Penas, em Maximinos. Mas aquela que a cidade não pode esquecer, foi a melhora e consequente fornecimento de água à cidade, só por si uma obra de hidráulica, arrojada para a época, e que durante mais de duzentos serviu a cidade, com a linfa das Sete Fontes, manancial que os homens de hoje parecem querer desprezar. Braga, 3 de Fevereiro de 2009 LUIS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www. varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt


publicado por Varziano às 16:43
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