Sábado, 25 de Abril de 2009
A verdadeira história da compra de Tibães
A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PASSAGEM DO CONVENTO DE TIBÃES PARA O ESTADO Muito se tem explorado a maneira como o Convento de Tibães, passou depois de ter sido expropriado em 1834 e vendido a particulares, para a posse por venda de novo ao Estado no último quarteirão do século XX. Vários tem sido aqueles que se apossam, indevidamente, dos louros de proprietários da ideia. Para que fique gravado para o futuro e porque fui um dos intervenientes, não o principal, mas um dos que a princípio deu a cara e o seu contributo, vou, a seguir, dar a memória dessa transacção e qual foi a sua origem e as consequências que daí advieram. Numa quinta-feira, do já recuado ano, talvez de 1978, estando a jantar com um meu genro, creio que irmão de uma familiar do então proprietário do edifício e anexos do Convento, me deu a conhecer em conversa informal que a Câmara de Braga, tinha comprado o fontanário do recinto do Jardim de São João, logo à entrada do convento e, que já desmontado, parte das suas peças se encontravam na Praça da Republica, onde a edilidade bracarense o iria colocar em substituição do que ali existia. Não podia acreditar em tal informação, pois alegava que sendo o edifício e cerca conventual, classificado como Monumento, tal facto era um desrespeito à lei. Aconselhou-me então a confirmar in loco a verdade dos factos que se poderiam confirmar indo à Arcada verificar, o que fiz e lamentavelmente constatei. Às Quintas-feiras era o dia normal da reunião do núcleo da Aspa, núcleo de que fui fundador com um grupo de amigos, como Dr. Barreto Nunes, Dr. Ademar Santos, Dr. Braga da Cruz, Pires de Oliveira, e outros mais que substituíam em parte os elementos da então direcção alguns dos quais não estavam sediados na cidade e como tal dificilmente poderiam assistir ás necessárias reuniões das quintas-feiras. Nessa altura quando a direcção se preparava para debater o assunto da ordem do dia, manifestei o meu desejo de antes de mais nada se pusesse de parte o que se iria debater, por quanto, em minha opinião, existia um facto de suma importância Tratava-se nem mais nem menos da compra pela Câmara de um fontanário do Convento de Tibães e da sua colocação na Praça da Republica, na Arcada. Incrédulos fomos então verificar a verdade e lá encontrarão, como eu já tinha visto, alguns elementos do referido fontanário. Ali mesmo ficou acordado que tendo eu uma colaboração diária no jornal “O Correio do Minho”, sob o pseudónimo de “Repórter Cê”, fizesse uma nota verberando o procedimento da Câmara de Braga, que assim estava a dar cobertura, quase oficial, à delapidação do espólio do Convento, já de si muito espoliado quando, entre outras espoliações como com a venda ao Nogueira da Silva, da Fonte de uma Santa, da venda de vários quadros de Monges que figuravam na Sala do Capítulo ( dois dos quais, antes de poderem caír nas mãos de algum coleccionador) foram adquiridos pela Aspa e posteriormente oferecidos ao Convento Beneditino, da rica porta da Sala do Capítulo, adquirida por um senhor muito oficialmente reconhecido na política de então, de um rico coche, pintado de branco que eu vi na Cavalariça e outras coisas mais que certamente caíram na mãos de zelosos coleccionadores. A minha pequena chamada de atenção no jornal da sexta-feira, caiu como uma bomba no gabinete da Presidência Camarária, que logo se apressou a convocar a direcção da Aspa, para uma reunião na segunda-feira imediata, querendo para salvar as aparências, tentar justificar a compra alegando que estava em risco de ser levada para o estrangeiro e, assim, a Câmara num gesto altruísta tinha salvo uma jóia do património bracarense !.... Como prova, e talvez para calar as reclamações, ficaria em acta da próxima sessão que se acaso o Estado viesse a integrar no seu Património o Convento, não teria dúvidas em a entregar a Tibães., anotação que de fato veio a constar na respectiva acta, como constatei mas cujo teor não era muito esclarecedor. Mas voltemos um pouco atrás. No sábado seguinte, com o amigo Regalo, resolvemos os dois deslocarmo-nos até Tibães, e ali fotografarmos o que restava do fontanário. Estávamos então entretidos a fixar na câmara os vários ângulos da destruição, quando de uma janela nos foi apontada uma arma e o aviso de que saiam daí senão levam um tiro. Perante a ameaça, respondi que uma arma não metia medo já que pela experiência militar, sabia que pela maneira como a empunhava, não viria qualquer perigo e o que era melhor era vir até cá abaixo e, calmamente, conversarmos. Deu-se então o caso de que o pretenso “pistoleiro”, ter sido colega no Liceu do Regalo e assim principiou uma conversa já sem a ameaça da arma. Completada a nossa diligência, regressamos a Braga, com o espólio fotográfico do crime. E assim, depois de relatada à Direcção da ASPA, a nossa odisseia, ficou combinado que, com autorização do dono da propriedade, num determinado dia, se faria um visita ao Convento devidamente orientada por quem estivesse inteiramente conhecedor da sua história. Alguém lembrou o nome do Prof. Doutor Aurélio de Oliveira, cuja tese de doutoramento foi a história daquela casa conventual. Aceite por êste bom amigo, realizou-se então uma visita guiada que reuniu numeroso público que encheu duas camionetas e numerosa pessoas que ali se deslocaram nos seus transportes particulares. Estava assim lançado o interesse de muita gente pelas ruínas em que estava o edifício. Mas não se ficou por aí a acção da ASPA. Como da sua direcção fazia parte o Dr. Admar Santos, então colaborador permanente do Jornal Expresso, logo se pensou em fazer uma grande reportagem sobre Tibães. Para isso deslocamo-nos até lá – os Drs. Barreto Nunes e Admar Santos, eu e o falecido amigo Francisco Botelho. Numa tarde ali fomos recebido por um familiar que se colocou à nossa disposição afim de nos dar todos os esclarecimentos necessários a essa entrevista, pensando para ele que seria talvez um oportunidade de se verem livres dum oneroso encargo, onde o rendimento não chegava para as despesas diárias e contribuições, pois apesar de estar classificado como monumento, coisas da lei, tinham de cumprir com Estado as obrigações fiscais. A conversa demorou horas, acompanhados de um lanche regado pelo vinho da adega do convento. Ficou assente que o amigo Admar faria uma reportagem completa a publicar no jornal EXPRESSO do qual era colaborador, o que fez ,dando azo a que o Convento da Tibães passasse a ser notícia nacional e como tal principiasse a ser conhecido no País inteiro, de tal maneira que a associação lisboeta Centro Nacional de Cultura, pouco tempo depois organizasse uma visita estudo, com grande afluência, viesse ver o estado em que estava o Mosteiro beneditino de Tibães. Vária foram as visitas depois organizadas pela Aspa. Conseguisse interessar e apadrinhar o então Governador Civil, Dr. Fernando Alberto, pedindo-lhe uma entrevista no sentido de chamar a atenção do Governo para o descalabro em que estava a caír aquele monumento beneditino, cujas raízes já se entravam antes das nacionalidade mas que, pelo menos, era um repositório do século XVIII. Mostrando seu grande interesse logo se prontificou a levantar o problema junto das autoridades estatais. E assim principiou o interesse do Estado em voltar de novo à sua posse tal notável exemplar monumento. Não foi preciso à Câmara esperar pela devolução do fontanário ao Estado. O Temporal de uma noite do período de um Natal, antes da posse do Estado, fez ruir a decoração com que tinham, pretensamente alindado a fonte então na Arcada, na Praça da Republica, para a derrubar, estatelando no chão de pedra, danificando-a e partindo o Fontanário do Recinto de Sã João do Mosteiro de Tibães, que nunca por nunca devia ter saído do seu primitivo local. A compra dele pela Câmara, foi como sói dizer-se, dinheiro deitado à rua pois, creio eu, nunca a Câmara recebeu TORNAS pelo 300 contos dispendidos. Esta é verdade dos factos. Se alguém teve influência marcante para que o Estado, se resolvesse a tomar a medida que tomou, há anos, quem mais contribuiu com a sua acção foi a A ASSOCIÇÃO BRACARENSE A “ASPA” Que cedo se interessou e continua a dedicar-se pela DEFESA DO PATRIMÓNIO CULTURAL BRACARENSE Braga, Janeiro de 2008 LUIS COSTA Sócio nº 14


publicado por Varziano às 18:33
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