Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Sameiro 4
4 Sameiro . continuação do nº 3 folha 3 Depois da alegria causada em todos os portugueses especialmente os bracarense, pela imagem de mármore, confeccionada por Amatucci, principiou a desenhar-se a ideia de se mandar esculpir uma imagem e na mesma posição para ocupar o lugar na tribuna do altar mor que no alto da Montanha Sagrada se construiria. O projecto para a realização da escultura foi confiado ao Comendador e Cónego honorário Padre António Francisco Pereira de Almeida Coutinho. No entanto como já o fizemos sentir, faltavam os meios pecuniários indispensáveis à continuação de todas as obras projectadas e muito menos para a despesa da escultura da imagem da Senhora que se presumia ser uma obra invulgar. As obras do Santuário empregavam cerca de 80 operários o que avultava elevada quantia e deste modo o dinheiro aos poucos era gasto e o pequeno pecúlio ia-se exaurindo. Mas sempre confiando em que o auxílio, mais dia menos dia, haveria de surgir, sempre com fé a obra ia continuando até que o auxílio para da escultura surgiu pela mão de uma devota, Ermelinda Augusta Gonzaga Monteiro, que já tinha oferecido numerosas quantias para as obras, “mais uma vez ofereceu espontaneamente à Comissão 480 mil reis” que era o custo porque ficaria a estátua. A Comissão apresentou uma proposta ao insigne artista Soares dos Reis com a condição de respeitar o modelo do monumento, colocado em frente do templo que se estava a construir. Soares dos Reis não aceitou porque o impedia a sua própria criação artística. Perante esta recusa havia que procurar outro escultor, recaindo a escolha o romano Eugénio Maocegnali, que pôs “nesta tarefa todo o seu esforço e empenho, aliando a sua devoção sincera, aos primores da arte”. No entanto também Maocegnali não se cingiu ao modelo da estátua do monumento como ainda há pouco se poderia verificar comparando com os resto da primitiva estátua devida a Amatucci, que encontravam expostos no recinto da redacção do jornal “Ecos do Sameiro”, principalmente o busto e a cabeça que por muitos anos ali estiveram expostos e hoje estão e enriquecer o museu. Para acompanhamento do trabalho do artista romano foi então encarregado um português, residente na cidade de Roma, António Brás. Em 11 de Novembro de 1876, escrevia este Senhor para a Comissão, que estava impaciente da demora pela entrega pelo estatuário e pela conclusão da estátua, “estive hoje com o escultor e fiquei contente que ele se esmera em dar à estátua com delicadeza os últimos retoques, e confesso que cada vez me agrada mais…” Sobre a estátua informa que se trata de uma peça inteira com globo e sapata e que tudo pesa mais de 100 quilos. A altura tudo compreendido, é de 2 metros e centímetros. Deu a entender que o Santo Padre, estava maravilhado com a formosura da imagem e estava interessado em estar presente em benzê-la. Em 23 de Dezembro o Observatore Romano exarava a seguinte notícia : “Esta manhã a Santidade de Nosso Senhor recebeu em audiência o Senhor António Brás, o qual em nome da dita Comissão apresentava ao Santo Padre a belíssima estátua da Imaculada Virgem, destinada ao referido templo, e pedia a Sua Santidade que se dignasse benze-la”. Depois de demorada observação, o Santo Padre dignou-se benze-la como se pode confirmar pela inscrição que foi colocada no soco ou sopé da imagem : “O SS. PADRE PIO IX BENZEU ESTA IMAGEM NO DIA 22 DE DEZEMBRO DE 1876”. Quanto à descrição da formosa imagem, o livro que nos tem servido de guia diz : “Passamos a palavra ao ilustre Cónego Manuel Aguiar Barreiros, pois ninguém melhor que a podia fazer, apesar do seu estilo um pouco arrevesado , contrafeito e sobrecarregado com profusão de adornos : ‘A Senhora, de pé e calçada de lua, esmaga a serpente sobre o mundo em três deliciosos serafins alados, emergindo das nuvens, apresentam, a avaliar as inconfundíveis feições que os caracterizam, os principais continentes da orbe. Enverga uma túnica farta, sem demasia de pregas, de um branco amaciado, tirante o verde-mar diluído, que se arredonda levemente no colo e desce naturalmente moldado ás plantas, defendidas por sandálias, apenas. Envolve-a um manto azul concentrado, porém, luminoso, o qual enriquecido na orla por bordadura discreta de ouro, e assim a túnica surge em ondulações sucessivas, ao longo e por cima do braço esquerdo, cuja mão se verga espalmada no peito; ao passo que do lado contrário, o manto segue traçado inferiormente ao lado direito, para maior folgança da mão respectiva, no seu desenhar carinhoso de uma bem-querente e afectuosa bênção. Na cabeça um lenço branco de creme, riscado às listas mescladas de mel e apanhando à guisa de touca, oculta-lhe o pendor dos acetinados cabelos castanhos. A fronte é espaçosa e arqueada; o nariz direito e de singular correcção; os lábios delicados e expressivos: o mento breve e finamente modelado: o olhar, comovido e doce é bem reflexo do sentimento infinito que só uma intensa adoração justifica. E que mais ? Os vocábulos desmaiam; que vedado lhes está exprimir a ternura, a suavidade e a elevação desta figura sem par, de formas tão subtis e tão nobres desta pureza de donzela a quem o amor diviniza. Ah ! não pode ser outra senão a Imaculada”. Vários artistas atestam que depois de uma obra de arte sobre a Virgem não conseguiriam fazer outra igual. Após a conclusão da obra, a Comissão em repetidas cartas para Roma, insistia, estando ela pronta porque era que ela não era enviada para Braga ? Tinha sido benzida em 22 de Dezembro de 1876, porque razão é que só foi despachada para a cidade dos Arcebispos dois anos depois ? Só depois de muita insistência junto de Roma é que chegou a Marselha em 26 de Julho de 1878, finalmente só chegando a Braga, na tarde do dia 7 de Agosto. Qual a razão da demora tão longa? As “Memórias de Braga”, falam de “Mistérios e Segredos…”. Que mistérios e segredos seriam esses ? Parece que dentro da própria Comissão havia desentendimentos. Por qualquer razão obscura ninguém se pronunciava e a querela não se resolvia. Temos notícia, de dissenções dentro da própria Comissão, por causa da mudança da capela e da recepção da Senhora quando chegasse a Braga. Tudo caiu num longo silêncio, nem mais se falou numa “procissão magna” que estava para se fazer. Tinham sido feitas várias diligências para a festa da chegada da Imagem da Senhora a Braga. Havia sido feitas encomendas em Roma, de medalhas, relicários, fotografias, chegando a mandar-se para lá somas consideráveis e nunca se recebeu nada. Perguntava-se “haveria em Roma alguém interessado nos desvios desse dinheiro ?” O certo é, como acima se disse, por várias e ocultas razões a imagem só chegou a esta cidade de Braga, em Agosto de 1878. Foi transportada a bordo do vapor “Constantino”, até à barra do Porto no dia 26 de Julho, à uma hora da tarde, vindo do porto francês do Havre, para onde fora expedida de Roma. Só no dia seguinte é que começou a descarga, mas só no seguinte dia, na presença de três delegados da Comissão e de várias outras pessoas, se desfez o invólucro. Entre as várias pessoas, encontrava-se Soares dos Reis que não se cansou de lhe tecer os mais honrosos e sinceros encómios. Acrescentando, “fitando os olhos na imagem posta a descoberto : É, na verdade, um autêntico prodígio de escultura!...” Também entre os que estavam a aguardar a imagem, como João de Lemos, que teve este desabafo “Mais bela, só céu”, expressão que atrás, mal informados, atribuímos a outrem. Prepararam-se em Braga grandiosos festejos para a recepção da Virgem, grandiosos festejos que não chegaram a realizar-se por outro aprovado pelo Arcebispo Primaz que optou por outros mais simples. Ao fim da tarde um contingente de militares, acompanhados pela Banda Regimental, aguardaram na estação ferroviária a Senhora e, no local, prestaram-lhe a guarda de honra. O cortejo entrou pelo Arco da Porta nova. Seguiu por várias ruas, quase dando quase a volta à cidade e foi terminar na Igreja do Pópulo, onde permaneceria até ao dia 25 de Agosto, dia em que ficou combinado seguir até ao alto do Monte Espinho, na igreja do Bom Jesus, aguardando o dia em que seria transferida para a sua casa, no Monte do Sameiro. No entanto não se chegou a concretizar esta ideia, porquanto a igreja do Bom Jesus encontrava-se em obras de pinturas interiores e não era aconselhável receber a Imagem com a igreja em obras. Resolveram então que continuasse no Pópulo, o que foi aceite com o maior regozijo dos bracarenses que não queriam que a formosa Senhora saísse da planura de Braga. Finalmente a Capela do Sameiro estava pronta. Em 29 de Agosto de 1880, de bom ou mau agrado, viram os devotos da Senhora, no Pópulo, ser trasladada para a capela que para Ela tinha sido construída. Organizou-se um grandioso cortejo de despedida de Braga, e desde então Nossa Senhora do Sameiro, está no seu trono, abençoando alto a cidade de Braga, que tão orgulhosamente a recebeu e alojou por alguns anos. Portanto, quando da queda o destruição grande monumento que era a escultura da Virgem já a imagem esculturada em Roma, pelo artista Maocegnali, ocupava a capela em construção, digno embrião do actual templo. Como dissemos várias foram as opiniões foram o desastre e ainda hoje a questão continua sem chegar a acordo. Finalmente e para não alongar mais este já grande escrito, chegaremos ao passado século XX, quando grandes festas jubilares se realizaram, como o cinquentenário da definição do dogma e também o centenário que atraíram à Montanha Sagrada Milhares de peregrinos, esquecendo a visita do Santo Padre em 1981. Todos os anos, especialmente do domingo, o Sameiro é lugar de visita obrigatória para muitos bracarenses e não só. Mas os dias de maior afluência é nos dois dias - fins de Maio e fins de Agosto – dias das peregrinações estatuárias que mais povo ocorre a prestar devoção à Senhor do Sameiro. Também foi durante este século, que no recinto do Sameiro e no seu templo se fizeram grandes obras, como o extraordinário e monumental zimbório, a cripta, o grande escadório, a avenida que termina num grande cruzeiro e Centro Apostólico, a colocação das estátuas dos Doutores da Igreja e outros melhoramentos naquela estância religiosa. Para terminar diremos que há pouco, toda a montanha sofreu alguns melhoramentos. Braga, 9 de Junho de 2009 LUIS COSTA


publicado por Varziano às 15:33
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