Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Av. Bartolomeu dos Mártires

          AVENIDA  DOM FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

 

Situada entre a Avenida João Paulo II e a Avenida Francisco Salgado Zenha, na zona das Piscinas, encontra-se, nesta parte nova da freguesia de São Vitor, a Avenida Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, o nome do Arcebispo que governou a arquidiocese bracarense entre os anos de 1559/1582.

Dom Frei Bartolomeu nasceu em Lisboa, na freguesia dos Mártires, nos princípios do mês de Maio de 1514, há portanto 494 anos e faleceu em Viana, em 16 de Julho de 1590, para onde se havia retirado em 1581, depois das Cortes de Tomar e a partir desta cidade, ter pedido a Sua Santidade o Papa Gregório XIII, a renúncia do Arcebispado. Aceite a pretensão, retirou-se para o Convento de Santa Cruz, da Ordem de S. Domingos, que em 1560 havia fundado em Viana do Minho, topónimo porque era então conhecida a Princesa do Lima.

Partidário da legalidade, e depois da Batalha de Alcântara, onde ficou aniquilada a causa do partido nacional, chefiado por Dom António, Prior do Crato. Dom Frei Bartolomeu, no dia 2 de Setembro de 1580, diz Monsenhor Ferreira em “Fastos Episcopais”, “ em harmonia com a sentença dos Governadores do Reino, ajuntou-se nos Paços Arcebispais sobre a Presidência do Arcebispo, Senhor de Braga, e a seu convite, feito por pregão público, a Câmara e o povo da cidade, os quais depois de uma eleição aclamaram por seu Rei Filipe II”.

Esta aclamação não foi muito bem vista por parte, principalmente, dos pequenos burgueses da cidade e a maioria do povo, razão que motivou e até apressou, o seu pedido de renúncia ao arcebispado bracarense.

No entanto a acção de Dom Frei Bartolomeu em Braga, não se deve confinar à sua acção política. Foi um dos vultos mais brilhantes entre os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Tendo aceite, contrariado, a vinda para Braga, e só o fez em obediência e a pedido da Rainha Dona Catarina, mulher de Dom João III foi, mais tarde e no Concílio de Trento, onde ficou conhecido pelo cognome do “bracarense”, um indígena vindo lá dos confins do mundo, do Finisterra, um defensor tenaz e inquebrantável dos direitos da sua igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha.

Também no Concílio se bateu pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à crescente ideologia criada por Lutero. Ficou célebre o recado que recebeu do Santo Padre Pio V: “se pretendes reformar a Igreja, principia pelo meu sobrinho Carlos Borromeu”, que então era administrador das finanças do Concílio ( a razão porque São Carlos Borromeu é o patrono dos bancários ), e que pelos exemplos e conselhos que recebeu de Bartolomeu ascendeu aos altares.

Após o seu regresso do Concílio, e cumprindo com uma das recomendações ali deliberadas afim de que se estabelecesse nas sedes das Dioceses Seminários para instruir, devidamente, aqueles que se destinavam ao múnus eclesiástico, o Arcebispo Bracarense, criou no Campo da Vinha de Santa Eufémia, o Seminário de S. Pedro, e que mais tarde, em 1880 e quando governava a arquidiocese o arcebispo Dom João Chrysóstomo d’Amorim Pessoa (1876/1883),  por o velho edifício não oferecer as condições necessárias para cumprir com os fins para que foi criado, passou o Seminário Conciliar ( de Concílio ) de São Pedro, para o antigo Colégio das Religiosas Ursulinas, no Campo de Santiago (neste colégio esteve internada a mulher fatal de Camilo – Ana Plácido – onde escreveu o livro “Luz Coada Através de Ferros ).

Um dos primeiros actos da governação de Dom Bartolomeu como arcebispo, foi o de anexar e unir perpetuamente à Irmandade da Misericórdia o Hospital de São Marcos, por achar que a administração assim seria melhor do que a que até aí era feita pela Câmara. Essa anexação teve lugar por diplomas de 19 de Outubro de 1559.   

A acção caritativa o Dom Frei Bartolomeu, foi notória e disso é grande exemplo, quando no princípio de Fevereiro de 1570 a peste invadiu a cidade de Braga, e diz Monsenhor Ferreira, dois terços dos seus moradores, alarmados, abandonaram-na. Nesses tempos andava o Arcebispo em visita pastoral, e logo que teve conhecimento do facto, regressou a Braga, pois sabendo que aos empestados não havia alguém que lhes prestasse assistência, logo pensou na Deveza do Campo da Ponte montar um espécie de hospital, onde pudesse acolher os empestados, “as suas ovelhas”.

Assinalando este altruísmo, a Câmara de Braga, mandou fazer um monumento, um cruzeiro que ainda hoje se encontra no local, na qual fez gravar a inscrição :

 

“Sendo Arcebispo de Braga D. Fr. Bartholomeu dos Martyres houve peste nesta cidade, anno de 1570, e os “impedidos” foram trazidos a esta deveza”.

 

Monsenhor Ferreira, baseado na informação de Silva Thadim, refere-se curiosamente a um facto originado pela peste :

“As religiosas do Convento dos Remédios, também saíram na companhia dos seus parentes, indo a abadessa D. Maria de Abreu com as mais pobres para casa de seus pais em Briteiros. Quando acabou a peste, por terem saído sem licença, o Arcebispo recusou-lhes a entrada no Convento; porém arrombaram as portas, ao que se seguiu um procedimento judicial, e apelação para a Sé Apostólica”.

Vários são escritores que se tem debruçado sobre a vida deste Santo Arcebispo, como muitos o consideram. Desses autores podemos destacar, entre outros, Aquilino Ribeiro, José Cardoso, José Caldas.

 

Do processo para a canonização de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, muito contribuíram, através de muita e muita compilação de informações, os paladinos da sua elevação aos altares, os falecidos Frei Almeida Rolo e Frei António do Rosário, este último, entre outras acções, fez o estudo e publicação na revista “Bracara Augusta”, da época em que Dom Bartolomeu empunhava o báculo arquiepiscopal. Dos seus inauditos esforços, conseguiram para já que, pelo menos, fosse consagrado beato.

Dom Frei Raúl de Almeida Rolo, indica nas obras completas de Dom Frei Bartolomeu, 32 títulos, com destaque para aquele que mais impacto tem, o “Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais” que até 1962, já tinha atingido 15 edições.

 

 

Braga, 3 de Maio de 2008

 

                                                                LUÍS COSTA

 

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

     

 



publicado por Varziano às 18:39
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds