Domingo, 3 de Agosto de 2008
Rua Diogo de Teive

              RUA   DIOGO  DE  TEIVE 

                                                          

 

A rua Diogo de Teive, está situada dentro da cintura da antiga muralha romana, portanto numa das mais ricas zonas arqueológicas da cidade. A atribuição do seu nome deve-se à deliberação camarária de 1 de Fevereiro de 1962, que pela acta desta data, foi proposto que na nova zona de Maximinos, perto da nova escola, fosse atribuído o nome do insigne bracarense, Diogo de Teive : “á rua que parte da rua Comendador Santos da Cunha e, descrevendo um semi-círculo, vai terminar na mesma rua”.

Diogo de Teive (século XVI), foi um bracarense, como se afirma acima, que ilustrou e honrou a cidade que o viu nascer. Professor em Portugal e no estrangeiro possuía no seu curriculum, entre outras distinções, o ter regido uma cadeira na Universidade de Paris, onde se doutorou em leis, tendo sido também lente na Universidade de Coimbra, onde ensinou no Colégio de Artes. Foi historiador, helenista e poeta.

Habitou na rua Pequena, mencionada ainda no “Mapa das rua de Braga”, em 1758, conforme nos informa Alberto Feio :

 

“A rua pequena é habitada no século XVI pela família do notável humanista Diogo de Teive que trazia  emprezada ao  Cabido a casa nº 2  ao pé da  porta do Sol ( da Sé ). Tanto bastou para que recebesse o nome de Teive”.

 

A comissão de toponímia ao sugerir o nome de Diogo de Teive, a um novo arruamento da cidade, mais não fez do que ressuscitar um topónimo que já existia no século XVI, muito embora, possivelmente, fosse uma atribuição de carácter popular.

A rua Pequena, a partir do século XVII, passou a chamar-se “rua do Forno”, diz Oliveira , em “Estudos Bracarenses”.

Quando da remodelação e criação do Salão Nobre da Câmara Municipal, na último quarteirão do século XIX, foram pintados no tecto medalhões onde figuram vários bracarenses ilustres e outras individualidades que não sendo de Braga, aqui se impuseram e foram quase ou mesmo contemporâneos de Diogo de Teive, como:

 

 Gabriel Pereira de Castro (1571-1632), Bracarense, Doutor Canonista, lente da Universidade de Coimbra, desembargador em Lisboa e Porto, Chanceler do Reino, autor do poema heróico “Ulisseia” e, como letrado, do célebre tratado “De Manu Regia”, alma de outras obras ;

 Dom Frei Bartolomeu dos Mártires (1559-1582), natural de Lisboa, onde nasceu na freguesia dos Mártires, em 1554, aceitou a pedido de D. Catarina, mulher de Dom João III, a cadeira arquiepiscopal bracarense. Vulto brilhante entre todos os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Foi notável a sua acção no Concílio de Trento, onde o “bracarense”, como então ficou conhecido, se bateu denodadamente, pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à ideologia criada por Lutero. Foi defensor tenaz e inquebrantável dos direitos senhoriais da sua igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha;   

 Francisco Sanches, que segundo Sérgio da Silva Pinto, nasceu em Braga em 25 de Julho de 1551 (pelo menos foi baptizado nesta data na velha igreja de São João do Souto). Foi estudante em Montepllier e Bordéus e em Itália. Professor nas Universidades de Montepllier e Tolosa, etc. Um dos iniciadores da Filosofia Moderna, precursor de Bacon e Descartes. Autor do “Carmen de Cometa”. Do “Quood Nihil Scitur”dos “Ópera Medica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Foi doutorado em Medicina com apenas 24 anos, pela Universidade de Montepplier. Médico, Matemático, filósofo, foi, na Europa Renascentista, um dos espíritos mais brilhantes de então;

Dom Diogo de Sousa ( 1505-1532 ). Arcebispo bracarense entre os anos de 1505-1532, foi pela sua notável acção que a velha urbe bracarense rompeu a cintura das muralhas medievais, espraiando-se extra-muros. Assim construiu, fora das muralhas, uma nova cidade com jardins e campos como o Campo dos Remédios (Largo Carlos Amarante), Campo da Vinha de Santa Eufémia (Campo Conde de Agrolongo), Campo das Carvalheiras ( largo Paulo Orósio e Carvalheiras), Campo de Sant’Ana (avenida Central). Mandou abrir novos arruamentos, dentro dos muros citadinos, como a rua Nova de Sousa (hoje a rua que ostenta o seu nome), onde fez abrir, em 1512, uma nova porta nos muros fernandinos, o “Arco da Porta Nova” e a rua de São Marcos (hoje rua de São João do Souto). Remodelou o Paço Arquiepiscopal. Construiu novos templos fora de muros – Senhora a Branca, São João da Ponte, Santa Marta das Cortiças e outros. Mandou construir os Paços do Concelho, junto à Sé.

Dedicou também a sua atenção à instrução, tendo fundado os Estudos Públicos no Largo de São Paulo. Tratou do abastecimento de água à sua cidade, dotando-a com alguns fontanários como uma monumental fonte no largo do Paço, hoje desaparecida e substituída pela actual, devida a Dom Rodrigo.

Na Sé procedeu a obras de vulto como a reconstrução da Capela-mor e tratou de dar sepultura condigna aos pais do primeiro Rei de Portugal - D. Henrique e D. Teresa -, mandando fazer-lhes dois túmulos com estátuas jacentes. O Hospital de São Marcos a ele se deve, pois nele reuniu todos os estabelecimentos de assistência dispersos pela cidade.

Pela sua acção bem se pode considerar como o verdadeiro reedificador e o primeiro e principal urbanista da então nova cidade de Braga.

 

Ali também se encontra o medalhão com a figura de Diogo de Teive, atestando com cinco figuras, o grande esplendor intelectual da Bracara Augusta do século XVI.

 

Braga, 6 de Fevereiro de 2008

 

                                                                LUÍS  COSTA  

    

 

   

 

 

 

                      

 



publicado por Varziano às 16:09
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