Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Bom Jesus 4
CONTINUAÇÃO DO CADERNO 3 cad. 4 (1 do c.4) Segue-se na ordem da subida a quinta capela dos açoites ou da F L A G E L A Ç Ã O Esta capela, cujo figurado não chegou a completar-se mostra-nos Cristo amarrado a uma coluna, disposto a receber a flagelação. É uma obra do mestre escultor Fonseca Lapa. Os críticos dizem ser uma obra medíocre deste artista. O aspecto que integra este quadro apresenta em pintura um edifício com janelas e um arco. A inscrição da cartela do pórtico, diz-nos: “Prendeu Pilatos a Jesus, e o fez açoutar” Joan.19/1 Fora, como em todos os quadros, e ao lado, está agora a Fonte de Mercúrio, em que as insígnias deste Deus mitológico estão representadas por uma mão pegando no caduceu, vara de louro de oliveira, com duas serpentes enroscadas na ponta, que era atributo de Mercúrio e insígnia dos antigos parlamentares e arautos. Continua a Via-Sacra, com a sexta capela da C O R O A Ç ÃO Nesta vê-se Cristo, açoitado por dois figurantes, sendo a imagem de Cristo uma obra do já mencionado autor bracarense Evangelista Vieira. Os dois restantes são obras de artistas populares da região. Nesta os flageladores colocaram-lhe a Coroa de Espinhos. A inscrição diz: “Saiu Jesus trazendo a coroa de espinhos” Joan. 19/5 A poente desta capela está a Fonte de Saturno, sustentando na mão uma fouce. No final deste quadro, ao cimo a escadaria leva-nos a um pátio e deparamos com o miradouro, de onde se desfruta uma admirável paisagem da cidade de Braga, Ao lado direito deste pátio, fica a sétima capela, a do P R E T Ó R I O Mostra-nos quando Pilatos apresenta Jesus à multidão, exclamando: ECCE HOMO. Constituído apenas por duas figuras, Pilatos e Jesus assentes num balcão elevado, tendo como pano de fundo, em pintura, um escadório e umas construções com o inevitável arco. As imagens de Pilatos e Jesus, são também de autoria de Evangelista Vieira. Sobre a porta a costumada informação do quadro: “Saiu … Pilatos fora e disse …eis o homem” Joan. 19,4,5 Possivelmente quando do restauro do Pátio, que está na parte voltada para a cidade, está uma grade em ferro, com assentos, para os romeiros poderem descansar e apreciarem o magnífico panorama da cidade. De fronte está a oitava capela a CAMINHO DO CALVÁRIO Sobre o pórtico, a legenda esclarece-nos: “Levando a cruz as costas, saiu para…o lugar do Calvário”Joan 19,5 O interior, de grande figurado, apresenta Jesus dobrado pelos joelhos, levando aos ombros a Cruz, arrastado por um soldado romano e seguido do Cirineu e de várias mulheres. Segundo o manuscrito “Historia Eclesiástica do país Bracarense do século XVIII”, códice nº 862, da Biblioteca de Lisboa, a fol. 47 (70), cuja fotocópia existe no Arquivo da câmara de Braga, Jesus “puchado por um pregoeiro, vai (ia) publicando a seguinte inscrição: (2 do c.4) “A Justiça que mandou fazer Pôncio Pilatos a Jesus Nazareno, por malfeitor e amotinador do povo”; duas Marias uma com a Santa Verónica, e outra com um menino ao colo e alguns soldados. Diz também o códice “Esta imagem ( Verónica ) foi feita em 1778 e conduzida em procissão da Igreja da Misericórdia até São Victor no dia 20 de Outubro do mesmo ano e no seguinte a colocaram na sua Capela”. Uma curiosidade, que muitos atribuem a talvez a uma imaginação do arquitecto que lhe deu origem e outros afirmam que é apenas uma coincidência é a de que colocados no centro do pátio e encostados à grade que o delimita do precipício e olhando para o escadório até ao cimo, aliando-nos dos lados e concentrando-nos no centro, a figura que se nos depara com a sucessão das fontes, é a do Cálice da Consagração nas missas. Coincidência ou propósito é de facto uma curiosidade. Encontram-se no pátio aos lados, duas capelas que já não foram construídas, no tempo de Moura Telles, e como tal já não ostentam na fachada o brasão de fé do arcebispo restaurador, como apresentam as oito Capelas anteriores. Assim a nona, colocado ao lado direito, desenrola o motivo da Q U E D A ou do CIRINEU Jesus sob o peso do madeiro cai e está estendido no chão e Cirineu ampara-lhe a cruz. São duas esculturas de Vieira. Sobre a porta a costumada explicação da cena: “E vieram a um lugar chamado Gólgota”.Math.27, 33 Do lado oposto, isto é à esquerda de quem sobe fica a capela da C R U C I F I C A Ç Ã O Mantém esta Capela, diz Alberto Feio, “ainda as primitivas imagens populares e simpáticas do século XVIII, com o sabor de ingénua sinceridade que as inspirou”. Representa o Monte Calvário, semeado de caveiras, vendo-se Jesus, estendido sobre a cruz, e um soldado algoz de martelo segurando a mão, onde vai cravar um prego. Aos pés outro soldado prepara-se para receber um prego para fixar os pés de Jesus. As três Marias assistem impotentes à crucificação, chorando e lamentando: três soldados romanos (o manuscrito diz três judeus) preparam-se para o crucificarem. A um canto está o rapaz com a cestas dos pregos, (curiosidade que tem acompanhado ao longo dos tempos, uma frase utilizada por muitos populares quando se querem referir a um rapaz de mau génio, exclamando: “És mau como rapaz dos pregos do Bom Jesus”). Um outro com o título para a Cruz, as letras J.N.R.J. Esta Capela é do tempo antigo e não tem as armas do Arcebispo e foi reformada no ano de …. A inscrição da fachada diz: “Era pois a hora de terça quando o crucificaram.” Marc.15,25 Chegados a este ponto podemos apreciar do terreiro, onde se encontram estas duas capelas, o panorama da cidade de Braga, a sua grande extensão que surgiu depois dos finais dos anos cinquenta e que se tem prolongado até à actualidade. É daqui, do meio do varandim que o limita que se pode ver uma curiosidade do Bom Jesus. Olhando para o templo, e abstendo-nos dos lados dos escadórios que se vêem, no centro e até ao cimo, ao templo, o conjunto de fontes dar-nos o aspecto do cálice da Consagração. Obra do acaso ou propositada ?. Aqui por um escadório em três lanços em que se nota, ao lado dos primeiros degraus, em cada lado uma serpente enroscada numa coluna, encimada por um coruchéu, onde da boca da serpente, sai um fio de água, que vai percorrendo as voltas do enroscamento, até chegar á base, constituída por uma bacia, escada sobre o túnel da estrada que nos leva até ao cimo da colina sagrada, se dá início ao O ESCADÓRIO DOS CINCO SENTIDOS Ao lado esquerdo se sobe por sete degraus para um largo…está uma majestosa escada que em trocadas voltas e graciosa arquitectura oculta os seus degraus e pátios. Ela se adorna com quinze estátuas e seis fontes com os sentidos exteriores gravados em figuras de meio relevo que lançam água pelos sentidos que exprimem como é na vista a águia, no ouvido o touro, porém no tacto a aranha, o bogio (macaco) no gosto, o cão no cheiro. (3 do c. 4) Na base das taças que recebem a água destas fontes estão os cinco sentidos simbolizados pela aranha, pela águia, pelo símio e o cão e o touro, “imitando o que dizia Santo Isidoro, ao qual se refere o dístico : “NO OUVIR O JAVALI EXCEDE O HOMEM, VÊ MAIS O LINCE, A ARANHA TEM MAIS TACTO, E NOS MONOSO GOSTO É MAIS SUBIDO, E O ABUTRE VORAZ VENCE-O NO OLFACTO” Também cada estátua é uma alusão à fonte a que pertence: tudo gravado em dísticos latinos, com alegorias poéticas que, depois por coisas que houveram se mudaram as epígrafes no ano de 17… (depois da questão levantada pelo Marquês de Pombal) se gravaram outras letras ao Divino e se mudaram as letras da gentilidade em figuras da Escritura e de tudo ( diz o manuscrito que, por vezes temos seguido): aqui dou uma noção para que os curiosos saibam e não fiquem sepultados na urna do esquecimento para os séculos futuros. Esta é a primeira parte do Santuário, continuando com Alberto Feio,“legado à posteridade pela magnificência de D. Rodrigo de Moura Telles e pelo fervor dos bracarenses reformado e sustentado. Aqui principia o escadório dos Cinco Sentidos, dividido em vários corpos, formados por duplos lanços, limitados por pequenos pátios, adornados com fontes alegóricas e heráldicas, ornamentados no estilo rocócó ( uma adaptação do estilo francês rocaille ao gosto nacional). Esta obra é ainda de Dom Rodrigo, não pode o ilustre restaurador vê-la concluída, visto ter sido surpreendido pela morte em 4 de Setembro de 1728. Quem terminou esta parte foi os seus sucessores na confraria com recursos de certa maneira singular. A Companhia de Jesus, estabelecida no Colégio de São Paulo, pretendendo monopolizar o ensino no seu colégio, intentou um litígio contra todas as instituições que ministravam o ensino, particularmente com os Padres da Congregação do Oratório ( Congregados ), dado que até então tinham o monopólio do ensino em Braga. Azedou-se a questão quando numerosos estudantes se manifestaram em ruidosas arruaças contra os Jesuítas. Estes em réplica conseguiram fazer prender alguns e mandá-los em levas para Lisboa, apelidando-os de malfeitores que, com a sua acção, perturbavam o sossego da cidade. Em Lisboa foram soltos e recambiados para Braga, mediante o pagamento de avultadas multas. Mas os padres da Companhia, na tentativa de amenizar o problema, pois a animosidade da população contra o que classificavam de violência inaudita o facto de os estudantes não poderem escolher quem lhes ministrasse a instrução, de não quiseram os Padres de S. Paulo, receber o dinheiro. E assim resolveram entregá-lo à Confraria do Bom Jesus, para a feitura da estuaria em pedra que ornam o escadório, pois sabendo de ante mão que os bracarenses tinham com o Bom Jesus um carinho especial, certamente se conformariam com esta dádivas. Há quem diga que a libertação dos estudantes em Lisboa, se ficou a dever à intercepção da Nossa Senhora da frontaria da Câmara, na Sé, que a partir daí passou a chamar-se Nossa Senhora do Livramento. Esta imagem que primitivamente esteve na fachada da antiga Câmara, em frente à Sé, e depois na Capela dos Reis, está hoje numa edícula da fachada do edifício da Câmara, no Largo do Município. …/… (4 do cad. 4) Continua no caderno nº 5


publicado por Varziano às 19:51
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