Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Fotógrafo Arcelino
RUA FOTÓGRAFO ARCELINO Arcelino Augusto de Azevedo, hábil fotógrafo de Braga, como ficou conhecido, nasceu nesta cidade em 23 de Setembro de 1913, vindo a falecer também em Braga, no dia 11 de Novembro de 1972. Concluída a Instrução Primária, como era habitual nesses tempos, logo principiou a trabalhar na Casa Santos Lima, fotógrafo prestigiado então com estúdio no Largo Barão de São Martinho, no que viria a dar jus a ser considerado como um dos mais talentosos fotógrafos bracarenses. Ali recebeu os primeiros segredos da arte que veio a seguir. Trabalhador estudante, chegou a frequentar a Escola Industrial, mas o trabalho não o deixou concluir a sua formação industrial. Tendo sido incorporado no serviço militar no Regimento de Cavalaria, depois de cumprido o serviço militar obrigatório passou, em 1934, a trabalhar para Casa Pelicano onde apurou a sua técnica, afirmando o seu nome como apurado artista. Manteve-se nesta casa até 1965, ano em faleceu o proprietário da Pelicano. Neste ano, Arcelino, abriu ao público, no Largo de São Francisco, um estúdio próprio que foi “o culminar de um sonho de longos anos de um fotógrafo que, aos poucos, soube captar a imagem da sua cidade, desde o momento mais importante até aos discretos recantos ou figuras do quotidiano, cuja beleza simples só os olhos sensíveis de um artista, como Arcelino sempre foi, podem descobrir”, diz ASPA num boletim que editou aquando da homenagem que lhe prestou numa exposição de alguns dos seus trabalhos no Museu dos Biscainhos, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 18 de Outubro e 29 de Dezembro de 1985. Pela qualidade dos seus trabalhos, foi constantemente solicitado para colaborar em diversas obras de índole histórica e artística, de entre as quais podemos destacar “Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga”, monumental publicação devida à então Junta Distrital de Braga. Mas não ficou por aqui a sua arte; a qualidade do seu trabalho levou-o a ser escolhido para ilustrações de inúmeros livros, revistas, cartazes, jornais. É muito interessante a sua colecção de postais de Braga e ainda, a sua participação em numerosas exposições individuais e colectivas, algumas de âmbito nacional, como por exemplo “uma sobre Solares Minhotos organizada pelo SNI no Palácio Foz em Lisboa, em 1970.” Para a sua prematura morte, muito contribuiu o ambiente fechado em que era obrigado a trabalhar. Acabou por ser vítima da sua arte e paixão. As más condições de trabalho em laboratórios escuros e abafados, com o manuseamento de ácidos que continuamente respirava, acabaram por ser fatais para os seus pulmões e outros órgãos. Por exemplo, o céu da sua boca, tinha uma tonalidade escura, parecendo que o sangue dali se tinha arredado. Depois da sua morte a sua viúva Senhora Dona Judite Araújo Azevedo, não querendo que o espólio fotográfico do seu marido ficasse perdido, resolveu num gesto altruísta cede-lo para que ficasse para sempre lembrada a arte de Arcelino. Num gesto altruísta procurou quem dele cuidasse. Assim dirigiu-se a um sócio da ASPA, que prontamente anuiu tentando descobrir quem tratasse da conservação da tão valioso espólio, constituído por mais de cinco mil chapas de vidro, com relevantes aspectos da cidade, pelo menos desde os anos 30 até à data da sua morte. Contém este espólio, muitos e muitos trabalhos com que ele enriqueceu o trabalho de Vaz-Osório da Nóbrega, acima descrito, “As Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga, bem como outros aspectos da cidade, festas, cartazes da Semana Santa e São João. Não podia a ASPA, ou o sócio a quem foi doado todo o material fotográfico, por falta de condições armazená-lo. Para isso seria necessário procurar uma instituição que estivesse interessada em cuidar e tratar, como deveria ser, uma parte da história de Braga, vista através de documentação fotográfica. Na altura ainda não existia o Museu de Imagem. Consultada a Universidade do Minho, logo se prontificou a instalar, com todo o necessário para a preservação do material, uma fototeca num edifício do Jardim do Museu Nogueira da Silva, onde com os cuidados para a sua conservação ficou alojado, depois de um protocolo estabelecido entre a ASPA e a Universidade. E assim, com outro espólio fotográfico, o de bracarense Manuel Carneiro, este com fotografias, chapas, postais, máquinas e outros acessórios, material algum datado do início do século XX, se organizou a primeira fototeca de Braga, embrião para o aparecimento do actual Museu de Imagem. Arcelino, a princípio não estava muito interessado em fazer fotografias aéreas da cidade mas, por fim, acabou por também as fazer, utilizando uma máquina especial, própria para fotografar em determinados ângulos. O nome do Fotógrafo Arcelino foi, por decisão camarária, atribuído a uma rua da freguesia de Maximinos. Principia na rua de Abraão e termina na de Professor Mota Leite. Braga, 8 de Maio de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 15:29
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds