Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Frei Cipriano da Cruz
RUA FREI CIPRIANO DA CRUZ A Câmara Municipal de Braga, seguindo as sugestões apresentadas pela respectiva Comissão de Toponímia, resolveu, homenageando artistas bracarenses da talha, atribuir numa zona da freguesia de Ferreiros, os seus nomes. Assim a dois já nos referimos em anteriores crónicas – Marceliano de Araújo e Frei José de Santo António Vilaça. Cabe hoje o lembrar mais dois, muito embora, não coincidam no mesmo século, mas as obras que nos deixaram servem de bom exemplo a apontar. Falemos agora de Frei Cipriano da Cruz, monge beneditino, que nasceu em Braga, na segunda metade do século XVI, e morreu em Tibães, em 17 de Fevereiro de 1716. O seu nome foi atribuído ao arruamento que tem início no Largo do Cruzeiro e vai terminar na chamada Cidade Satélite, na rua Marceliano de Araújo. A arte de frei Cipriano da Cruz, deve ter influenciado, frei José Vilaça, muito embora tenha falecido bastantes anos antes da data em que o também monge de Tibães, se dedicou à nobre arte da talha e escultura e criou a escola que, como já anotamos, contribuiu para que Braga se tornasse o expoente máximo em esculturar na madeira e na talha, que veio a ser enriquecida com a trabalho do ouro, em que se notabilizaram extraordinários pintores e douradores, criando um estilo que ficou conhecido como o “barroco nacional”, profusamente documentado em vários templos bracarenses. Frei Cipriano da Cruz, possivelmente, um dos primeiros, senão o primeiro, a sofrer a influência do barroco, arte a princípio quase renegada pelos críticos de então, pois a achavam pesada, de mau gosto e sem interesse artístico algum, foi, como os que se lhe seguiram, além de cultor do trabalho em talha, um extraordinário escultor que enriqueceu, com a sua arte, a imaginária de diversas igrejas da Ordem Beneditina. Várias são esses templos, de entre os quais podemos destacar a Igreja de São Martinho de Tibães e Mosteiro de Rendufe, e também entre outros a igreja de São Bento, de Coimbra. Em Tibães, destaca-se da obra primitiva, depois de 1691, logo acabada a igreja, como produções de Cipriano da Cruz. o primeiro retábulo da Capela-Mor, as esculturas de uma Visitação, do São Bernardo e São Gregório; no retábulo da primeira capela do lado do Evangelho, dedicada a Santa Gertrudes e São Miguel e o cadeiral do Coro. Mais tarde, no triénio 1680/1683, foi encarregado de todo o programa decorativo da Sacristia, onde a adornou com um retábulo contendo um grupo em talha sobre a Visitação e doze figuras em barro policromado representando as Virtudes, a Alegoria da Igreja e os quatro Santos Beneditinos. Segundo Smith, a segunda etapa da talha de Tibães, corresponde à introdução do primeiro estilo barroco ou estilo nacional, que teve começo entre 1692/1695, com, a capela de Santa Estugarda, e ainda o retábulo da Assunção de Nossa Senhora, na Capela de Santa Ida e a talha da Capela de Santa Ana, onde figura o grupo da Sagrada Família. Em Rendufe, Amares, no Mosteiro de Santo André, conforme rezam os “Estados” da Abadia, várias capelas e retábulos alguns dos quais são devidos a Cipriano da Cruz, como vem anotada uma célebre “Imagem de um Santo Cristo de nove palmos de alto e uma Cruz e resplendor para ele”, colocada no retábulo do braço direito do transepto. Diz Robert Smith, em “Santo André de Rendufe”, separata da “Bracara Augusta”, Vol, XXII, sobre esta imagem : “Bela na sua anatomia e nobre fisionomia, a figura representa uma expressão plácida dos Cristos do escultor beneditino, Fr. Cipriano da Cruz Sousa. Sem dúvida o mais destacado “imaginário” bracarense do fim de Seiscentos e começo do século XVIII.” Esta figura impar da arte dos finais do século XVII e princípios do XVIII, foi mais uma das descobertas de Smith. Ninguém conhecia Frei Cipriano da Cruz. O seu nome foi desenterrado do pó dos arquivos, onde apenas era indicado um autor desconhecido, apenas apodado de o “Mestre de Rendufe”. O malogrado investigador americano, acabou nos escaninhos do arquivos por encontrar várias das suas obras nesta igreja de Santo André, como os três santos do capela-mor, que ocupam os nichos junto ao pé do camarim do trono, com a estátua do padroeiro São Bento, ladeado pelos patriarcas São Bento e São Bernardo. Seria fatigante nomear mais obras do mestre de Rendufe, Frei Cipriano da Cruz, mas o que dissemos, por certo uma mínima parte da sua obra, já deve chegar para que o seu nome fosse lembrado na toponímia bracarense. Braga, 30 de Abril de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 15:57
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