Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Bairo da Alegria
B A I R R O D A A L E G R I A Situado na encosta virada ao Sul, no extremo nordeste da cidade, e num dos seus mais soalheiros lugares, abrigado do cortante frio do Norte, por uma barreira natural de monte e mata, o Bairro da Alegria, deve ter sido principiado a ser ocupado, com anárquicas construções, pelo início da década de cinquenta, ou finais da de quarenta quando ali o metro quadrado estava, em certos casos, a ser oferecido a um escudo!!!. Como tal, a ocupação, favorável aqueles de menor poder de compra relativamente a outro locais, depressa as edificações surgiram sem plano, resultando que a acumulação de prédios, ocupando todo o terreno disponível, sem peso nem medida, deu em resultado que as primeiras construções, sem urbanização, sem saneamento, ou talvez até água, se fizeram a esmo, com os prédios a confrontarem--se, traseiras quase a baterem nas frontarias, dada a estreiteza das ruelas onde não pode passar um automóvel ou ambulância. Há anos, por acaso no dia da noitada de São João, deflagrou um incêndio numa habitação e o combate ao flagelo foi difícil para os soldados da paz. Podia, se acaso tem sido bem pensada a ocupação daquela colina, ser de facto um excelente local para residir. No entanto, depois do mal feito, tem sido tentado resolver parte do que ainda foi possível, e lá chegaram os meios de mais necessários para o bem-estar das populações – água, electricidade e saneamento – e, nos terrenos ainda por ocupar já foram surgindo casas com outras condições de habitabilidade, que não como as primitivas. O caminho para este bairro tem inicio na rua Nova de Santa Cruz, pela rua da Quinta da Armada, junto aos gavetos formados pela Fábrica Confiança, de um lado, e do outro pela, numa pequena elevação, por uma nova construção de um edifício que veio substituir um outro que, diziam, então estar assombrado. Talvez seja essa a razão porque o antigo proprietário, para afastar a coisa, tenha colocado no muro do seu terreno, na rua da Quinta da Armada, umas alminhas, modernas, em azulejo. Termina esta rua ao atingir, no alto da íngreme subida, no Largo das Verdosas, de onde saí um caminho em direcção à Carreira do Tiro, ao lugar das Sete Fontes ( ao lado deste caminho podem ver-se as caixas de água mandadas fazer por Dom José de Bragança ) e ainda à ermida do Senhor dos Milagres, quase no terminus da freguesia de São Vitor. Desse largo das Verdosas saí, à esquerda, um estradão, ironicamente baptizado com o nome de 24 de Junho, que nos leva à nova urbanização conhecida pelo nome da rua , Comunidade Lusíada. Como disse à rua principal de acesso ao bairro e também ao lugar das Sete Fontes e Carreira de Tiro, foi-lhe atribuído o nome de Quinta da Armada, retomando em parte o antigo arruamento com o nome de Caminho da Armada, que entroncava na rua do Pulo, arruamento que parte ainda hoje existe, com construções características, e que devia ser o antigo caminho que levava aos Peões, Bom Jesus, e à velha estrada que, pelo vale de Este, seguia em direcção à Póvoa de Lanhoso, Vieira e Chaves, um dos caminhos para a Galiza e Santiago. Em 1975, chegou a ser conhecida, não oficialmente, por rua da Liberdade e até por rua 25 de Abril. Deriva este nome de, mais ou menos a meio estar situada a quinta da Armada, uma casa solarenga rural, com terreno, e que hoje é ocupada pelas “Religiosas do Sagrado Coração de Maria, que, além de uma propriedade agrícola, aí possuem uma Obra Social e uma Casa de Acolhimento para Religiosas.” Nesta casa costumava passar férias, retemperando das suas estadias oficiais no Extremo Oriente, Camilo d’Almeida Pessanha, poeta português ( Coimbra, 1867 – Macau, 1926), um poeta que é considerado uma das maiores figuras do simbolismo, autor da Clepsidra ( 1920). Um emaranho de ruas se situam neste bairro, umas relacionadas com eventos nacionais, como Cinco de Outubro, 10 de Junho, Primeiro de Dezembro, outras ligadas aos lugares – rua do Chalé, da Alegria, Chamadeira – e outras ainda com significados diversos, mas sempre com uma razão especial – rua da Mãe, 25 de Dezembro, Primeiro de Janeiro, da Escola. É por este bairro, o melhor caminho para visitar o conjunto hidráulico das Sete Fontes, um manancial de água que graças aos Arcebispos Dom Rodrigues de Moura Teles (1704 – 1728), que o mandou explorar e Dom José de Bragança ( 1741 – 1756 ) que a exemplo rei Dom João V, o edificador do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, mandou construir uma obra, que ainda hoje, passados duzentos e cinquenta anos, é considerada como um extraordinário, arrojado e benéfico, para a época e não só, abastecimento de água a uma cidade. Tal foi esse empreendimento que conseguiu servir a população bracarense até à primeira dezena do século XX, só substituído quando a água do Cávado chegou às torneiras das casas de Braga, pela primeira metade da segunda década do século acima mencionado e, ainda hoje, a linfa das Sete Fontes chega a alguns sítios da cidade. Como resultado da exploração da água, êste lugar ficou conhecido, para sempre, como o lugar das Sete Fontes uma das zonas que apesar do seu valor histórico, anda, por muita gente quase esquecido, não lhe dando o valor que ele merece. Não se sabe bem a razão do nome de “Sete Fontes”, diz a publicação “III Centenário da Fundação da Igreja de S. Victor”: “ … não podemos concluir se aquele nome de “Sete Fontes” era nome mais antigo. Estará, este termo, relacionado com o número de nascentes (= 7), ou número “sete”, será tomado no sentido bíblico e judaico de “muitos” (= muitas nascentes)? Ou será relacionado com o total de fontes de abastecidas por esta água, ao chegar à cidade ?”. De qualquer maneira e o que interessa é que este conjunto de engenharia hidráulica tem merecido o louvor e a curiosidade de muitos, o interesse de alguns e até, quase um desprezo, de uns tantos. Para findar cabe aqui contar uma “chalaça” que correu, há alguns anos, na praça desta nobre cidade. “No lugar da Ponte, os vizinhos deram por ela que determinada família que ali morava num largo, misteriosamente, de um dia para o outro, tinha desaparecido, sem deixar rasto. Certo dia um desses vizinhos, ocasionalmente, encontrou na Avenida o seu antigo companheiro e, não perdendo a ocasião, logo o interpelou : -Então, Manel, que é feito de si e da sua família ? Vocês desapareceram e nunca mais nos ligaram. E a resposta veio pronta: -Sabe você, joguei na lotaria e saiu-me a SORTE GRANDE, de maneira que deitei os trastes à rua e deixei o largo ( do Senhor dos Aflitos ) e com armas e bagagens mudei-me para o BAIRRO DA ALEGRIA !!! Braga, 12 de Janeiro de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 12:18
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