Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Rua Damião de Gois e rua de São Sebastião
R U A D A M I Ã O D E G Ó I S e R U A D E S Ã O S E B A S T I Ã O Com início na rua São Sebastião tem o seu terminus na rua Dr. Rocha Peixoto. Situada na vertente Ocidental da Colina da Cividade, rua de Damião de Góis tem a entroncá-la o arruamento Pedro Magalhães Gondavo. Situada, portanto dentro do perímetro da antiga muralha romana, foi traçada e ocupada sobre vestígios arqueológicos daquela longínqua ocupação do território que é hoje Braga. Damião de Góis, notável historiador, escritor, humanista e diplomata português, nasceu em Alenquer em 1502 e faleceu em Lisboa, em 1574, há precisamente 434 anos, feitos no passado dia 30 de Janeiro. Foi Damião de Góis, pode dizer-se, a mais notável figura da cultura renascentista em Portugal. De entre as suas principais obras é de destacar “A Crónica do felicíssimo Dom Manuel” ( 1566-1567) e “Crónica do Príncipe Dom João” ( 1567 ). Como quase todos os intelectuais da época não podia deixar de ser incomodado pela Santa Inquisição, tendo sido preso por êste tribunal religioso. Segundo a tradição, Damião de Góis, residiu em Braga, durante algum tempo ou por aqui estanciou por pequeno lapso de dias, na antiga e hoje desaparecida rua dos Cegos, um arruamento medieval que partia do agora Largo de São Paulo, e ia terminar perto da rua do Forno da Infanta, mais ou menos em frente à hoje rua do Forno. Podemos localizá-la, a partir do Largo de São Paulo, desde um portão que existe junto a um outro que pertence à igreja do Seminário, e seguiria em direcção a parte da actual rua Dom Afonso Henriques. Como sinal da desaparecida rua dos Cegos, podem ver-se, a confirmar parte dela, as casas que estão junto ao portão referido, que tem as suas janelas, portas e varandas voltadas para Sul, sinal de que estavam a ladeá-la. Os resto da casa onde dizem ser residido, estão localizados nas traseiras de um armazém de papel, cujo porta é encimada por uma estatueta cerâmica, na rua Dom Afonso Henriques. Foi atribuído pela Câmara o nome de rua Damião de Góis, em 19 de Março de 1975, à então, provisoriamente denominada rua nº 1, na Colina da Cividade. As termas romanas estão situadas no espaço traseiro dos edifícios que, a nascente, foram construídos. Como a rua acima referida a de São Sebastião também está situada dentro do perímetro da antiga muralha romana. Principia no largo Paulo Orósio, e em descida acentuada vai terminar no cruzamento com a rua Direita, acesso ao largo do Beco, Maximinos e ainda cruzando com as ruas Dr. Rocha Peixoto, Matadouro Velho e Jerónimo Pimentel, por perto do largo Paulo Osório. Logo no início desta rua, deparamos num pequeno outeiro, com a Capela de São Sebastião, mandada reedificar por Dom Rodrigo de Moura Telles, entre 26 de Outubro de 1715 e 18 de Janeiro de 1717 ( há perto de 300 anos ) de uma antiga que Dom Diogo de Sousa mandara ladrilhar, fazendo-lhe um alpendre com colunas novas. Esta capela, que sofreu as melhorias do insigne arcebispo, Dom Diogo, possivelmente era de traça e origem românica, dado que então apresentava todas as características das primitivas igrejas – a porta ficava voltada para Ocidente, como está provado com a inscrição sepulcral do cónego João Affonso de Beja, falecido em15 de Agosto de 1585. A actual entrada principal está voltada para nascente, e tem colocado no alto o brasão de fé do arcebispo Dom Rodrigo, e mais acima a escultura em granito do padroeiro, São Sebastião. No interior, vários painéis de azulejo hagiográficos do século XVIII, possivelmente de Oliveira Bernardes, dão-nos aspectos da vida do santo a quem foi dedicada a capela. Junto ao arco cruzeiro da capela-mor, existia, metido dentro de um meio bidão, um rolo de cera, uma grande vela, com cerca de 1527 varas, medida que abrangia o circuito da antiga muralha fernandina da cidade. Acendia-se aos domingos e dias santificados durante a celebração do Ofício Divino. Possivelmente nos tempos da ocupação romana, este pequeno outeiro teria albergado um templo pagão dedicado ao Deus Mercúrio, o Deus da eloquência, do comércio e dos ladrões Esta afirmação não nos repugna dado que por perto parece ter estado instalada a zona comercial, segundo as recentes escavações levadas a cabo por perto. A reforçar ainda temos que, em 1620, ao proceder-se à demolição de um muro, próximo da capela a pequena profundidade, apareceu uma estátua de bronze dourado representando o citado deus. São Sebastião, advogado contra a peste, fome e guerra, tem a sua festa no dia 21 de Janeiro. Era uma das procissões de que era encargo a Câmara Municipal. No dia da sua festa, os edis, compareceriam a todos os actos litúrgicos e, com antecedência um empregado camarário tinha que colocar no adro os bancos para as autoridades se sentarem. Esta era uma das entradas para o acesso ao centro da cidade pela Colina da Cividade. Teve os nomes de Cangosta de São Sebastião, Cangosta dos Marchantes e rua dos Marchantes, nome que lhe veio, e ainda perdura popularmente, por na rua com que cruza, existir o matadouro, fundado no último quarteirão do século dezoito e que foi desmantelado em 1936, quando foi substituído pelo novo inaugurado, em Maximinos, no lugar da antiga fábrica do gás. Braga, 5 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 12:36
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