Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Rua Nova de Santa Cruz
RUA NOVA DE SANTA CRUZ Com início, hoje, no entroncamento com a Avenida Júlio Fragata (antes de ser interrompida por esta avenida, principiava na entrada para as Enguardas), a rua Nova de Santa Cruz vai terminar na rotunda a caminho de Gualtar e Universidade do Minho, estrada que dá acesso à Póvoa de Lanhoso, Vieira e Chaves. Segundo uma acta da Câmara Municipal de 1873, que insere um ofício do Governo que reza que é “autorizada a designação lembrada da nova rua (que) desde o fim da rua de Dom Pedro V e ( vai até) à esquina dos Peões” de rua Nova de Santa Cruz, nos leva crer que este arruado tinha sido acabado ou beneficiado por volta desse ano. O seu nome actual, foi por sessão de 24 de Outubro de 1942, confirmado em sessão da Câmara de então. A origem da sua denominação actual remonta, pelo menos, a 22 de Agosto de 1862, quando este topónimo é inserido numa acta municipal. Talvez fosse um velho caminho de passagem para o templo do Bom Jesus, e daí tivesse sido aproveitado e recordando esse primitivo local de ida, possivelmente o único, para o templo de Santa Cruz do Monte. No entanto teve outras denominações, como Goladas, no século XVIII, e já no século XX, após a implantação da República, rua Francisco Ferrer e também, por escassos dias, em Setembro de 1919, o de Dr. Manuel Monteiro, onde este notável bracarense teve a sua residência. A propósito e aproveitando a deixa, por onde andará a placa colocada na fachada na casa do Dr. Manuel Monteiro quando a Câmara, há anos homenageou a sua memória ? Logo no princípio da rua Nova de Santa Cruz, encontramos à esquerda o pequeno templo de São Victor-o-Velho. Apesar de o seu cognome de o-Velho, não devemos julgar que esta pequena capela, é muito antiga ou anterior a Igreja de São Victor. A história da devoção neste local data da altura em que o Arcebispo Dom Agostinho de Jesus (Castro – 1588/1609), como diz Senna Freitas, ao indicar as obras de Dom Agostinho na cidade : “ edificou igualmente a Ermidinha de São Victor, no lugar do sub-urbano do seu martírio”. No entanto, esta informação de Senna Freitas, enferma de um erro ou confusão. De resto também, Monsenhor Ferreira, em “Fastos Episcopais”, talvez se tenha escudado neste autor para a repetir. Dom Frei Agostinho, não fez construir uma ermida mas e apenas um oratório, em madeira, que representava em pintura o martírio de São Victor. Quando da construção, nos finais do século XVI ou princípios de XVII, a ponte das Goladas, sobre um riacho que ainda hoje passa pelo local, mas que agora está encanado em direcção ao rio Este, foi encontrada uma pedra que dizem apresentava vestígios de manchas de sangue. A crença popular logo pensaram que sobre essa pedra, tinha sido degolado São Victor, e logo concluíram que o martírio se tinha efectuado naquele local, ou por muito perto. Daí surgiu o topónimo de GOLADAS. Foi então que o arcebispo resolveu mandar fazer um oratório, colocando a pedra nele, vedada por uma grade de madeira. Com o tempo a grade inutilizou-se e foi então que, em 1876, ao tempo do Arcebispo Dom João Chrysostomo d’Amorim Pessoa ( 1876/1883), se construiu o templozinho e, no seu interior guardada a pedra que está hoje debaixo de um altar lateral cujo frontal representa, em granito relevado, o martírio do Santo Padroeiro. Prosseguindo no nosso deambular por esta artéria, vamos deparar com o que resta do esplendor fabril de Braga do século XIX, o edifício da Fábrica de Saboaria e Perfumaria Confiança, fundada em 1894. A par desta e em frente encontrava-se a Fábrica de Chapéus “A Social”, da qual nem vestígios encontramos, pois tudo foi derrubado em nome do VENDAVAL do PROGRESSO e agora no local encontramos os tais ARMAZENS de pessoas, autênticos super-mercados de habitações. E assim, na rua Nova de Santa Cruz, onde outrora proliferavam operários que na indústria tinham o seu ganha-pão, ou simples artesãos sombreireiros, vemos casas comerciais e casas de rendimento e a indústria, florescente de então, foi dada às urtigas. Fica a rua de Nova de Santa Cruz entre a recente rua (em relação a ela, pois é da última metade do século XX) Monsenhor Ferreira, paralela à Rodovia e, do lado norte, a velha e quase desconhecida rua do Pulo, onde ainda podemos ver algumas casinhas que nos lembram a canção “Uma porta e uma janela, é com certeza uma casa portuguesa”. Aqui também, nos tempos áureos da indústria de chapelaria, numerosos artesãos sombreireiros povoavam esta rua. Era pelo final da rua Nova de Santa Cruz, no lugar dos Peões, que o eléctrico, entrando na rua dos Lusíadas, seguia em direcção ao Bom Jesus. E já agora diremos como surgiu o termo de Peões. Ao tempo do Arcebispo Dom Rodrigo de Moura Telles (1704/1728), foram colocados à entrada do velho caminho de que sucedeu a rua que vimos a tratar, uns marcos de pedra, chamados peões e, logo o lugar, tomou o nome de PEÕES. Para terminar esta exposição contaremos o que dizia, há já largos anos, um engenheiro espanhol aquando de uma visita de trabalho a Braga: OS BRACARENSES DEVEM ESTAR MUITO AGRADECIDOS Á DIRECÇÃO DOS SEUS SERVIÇOS DE TRANSPORTES PÚBLICOS POIS ATÉ ARRANJARAM UM ELECTRICO PARA OS PEÕES Braga, 17 de Janeiro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt.


publicado por Varziano às 11:51
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