Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Largo Barão de São Martinho
LARGO BARÃO DE SÃO MARTINHO Situado à saída da rua do Souto e rua do Janes, entre a Praça da República e rua do Castelo, o nome de Largo do Barão de São Martinho, foi a atribuído pela Câmara Municipal de Braga, em 8 de Abril de 1858, em memória de Duarte Ferreri de Gusmão, que presidiu aos destinos camarários desde Janeiro de 1852 até Janeiro de 1854. Duarte Ferreri de Gusmão viu renovado o título de barão de São Martinho, concedido por uma vida a seu pai, o coronel Duarte Guilherme Ferreri, Coronel de Artilharia, com que tinha sido agraciado por Decreto de Dona Maria II, pela sua acção aquando das Lutas Liberais – fez parte da Junta de Aveiro. Durante o seu mandato, foi aberto o largo que tem o seu nome, tendo sido derrubado o Arco do Souto, ou da Abadia, como também era conhecido. Este último nome tinha origem no oratório, pequena capelinha, que estava encastoada no muro da Cidadela – Castelo de Braga – do lado da rua da Loura, hoje a rua do Castelo, e dedicado a Nossa Senhora da Abadia. Quando, em 1906, ao tempo do presidente Domingos José Soares, se procedeu à demolição deste exemplar Medieval da cidade (atentado ao património que recebeu a repulsa de notáveis individualidades bracarenses e nacionais de grande valor, como J. Leite de Vasconcelos), julga-se que a imagem da Senhora da Abadia, foi ocupar um lugar na igreja do Salvador, onde hoje se encontra. Deste atentado, foi salva, in extremis, a torre de menagem. Música e foguetes, estavam já a assinalar o derrube do primeiro merlão, e a cerimónia foi bruscamente interrompida ao chegar junto das “autoridades demolidoras” um telegrama imanado do Governo Estatal mandando suspender o derrube da Cidadela Medieval, mas tarde chegou e assim se perdeu, ingloriamente, um testemunho de passado que hoje seria um motivo de atracção para aqueles que nos visitam. Mal que tem sido seguido, ao longo dos anos, sempre por aqueles a quem não lhe interessa o que nos legaram os nossos avoengos e consideram que uma mera fotografia do monumento é o suficiente para a salvaguarda de um monumento. Durante o mandato do Barão de São Martinho, procederam-se a vários melhoramentos na cidade e que ainda hoje se fazem sentir. A rua do Souto esbarrava no gaveto com a rua do Janes. O terreiro à volta do Castelo, prolongamento da rua da Loura, era um caminho estreito em direcção à saída da cerca medieval, para nascente, pelo Arco da Abadia. Havia necessidade de evitar que esse estrangulamento fosse o terminus da rua do Souto. Como tal a edilidade pensa na solução. Para isso pede ao Governo autorização para contrair um empréstimo no valor de 12 contos de reis, socorrendo-se dos capitalistas bracarenses (coisa vulgar nesses tempos e única maneira de arranjar meios para obras). Autorizado a câmara lança o pedido de empréstimo, imediatamente correspondido por alguns capitalistas, sendo que até um deles se prontificou a contribuir com 3 contos de reis, e com os meios necessários logo se lançaram a dar finalidade ao projecto do alargamento e assim os terrenos foram expropriados e alinhados pela rua do Souto, lado sul. Logo as construções de hoje, desde a Casa Flores até, pelo menos, ao Café “Brasileira”, e possivelmente até à hoje Praça da República, são fruto dessa deliberação. Também, o arranjo do Campo das Hortas se deve a este período. Para se proceder a um novo visual do Campo das Carvalheiras, foi resolvido derribar a Capela de São Miguel-o-Anjo, colocado ao cimo da hoje avenida com este nome que também é conhecida popularmente pelas “gradinhas”, muito embora fosse esta deliberação concretizada mais tarde, depois de aberta a rua Cardoso Avelino, onde hoje se encontra. Junto à Porta do Souto, derrubada durante o mandado do Barão, existia a antiga fonte ou tanque do “Cavalinho”. Nos alicerces do Arco, foram encontradas num pequeno cofre moedas de Dom Diniz, moedas que se encontravam em circulação no tempo do Rei Lavrador. Era um costume muito antigo e que se prologou por muitos anos. Em 1946, assisti à colocação nos baixos da ombreira de uma porta de um edifício em construção, de uma série de moedas usadas no dia a dia. As moedas encontradas no arco do Souto, foram oferecidas ao rei Dom Pedro V, quando da sua visita, anos depois, à cidade de Braga (é sempre a mesma coisa, o que é de bom, vai para fora, não podendo esquecer o espólio de Belino, referente à Bracara, que foi enriquecer o património de Guimarães). Braga, 6 de Julho de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 15:39
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds