Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
´Rua António Peixoto
RUA ANTÓNIO PEIXOTO ( Pachancho ) Situada também na Urbanização de Infias, a rua António Peixoto, tem o seu início na rua Feliciano Ramos, logo por perto onde o conhecido industrial bracarense acabou por instalar a Fábrica Pachancho que, como sabemos, deu vida aos pavilhões que por volta da primeira ou segunda dezena do século XX, o Hospital da Misericórdia principiou por edificar para umas novas instalações dos serviços hospitalares de Braga, obra que não se chegou a concretizar devido a vários factores entre os quais não devia ser estranho o facto da eclosão da Primeira Grande Guerra. Desde cedo, António Peixoto, se interessou pelo ramo automóvel, podendo mesmo afirmar-se que o interesse por esta actividade, deve ter sido iniciada quando, mocinho ainda viu, pela primeira vez, “como a cidade em peso, um automóvel subir a rua do Souto, dar uma volta à Avenida, deter-se em Frente da Arcada” ou, mais tarde, como motorista do “Panhard” da famosa Dona Chica, subir a rua de Santa Margarida, a caminho do Castelo de Palmeira. Dona Maria Rego, uma excêntrica milionária, recordada ainda hoje pela sua extravagância “que despendeu muitos milhares a comprar palácios e a edificar inexplicáveis castelos bretões na Paisagem minhota” , tinha quatro automóveis e três motoristas, e um deles foi o Pachancho, que imediatamente assumiu à qualidade de motorista-chefe. Em 20 de Outubro de 1920, êste grande industrial bracarense, com um reduzido número de operários ( apenas sete ), na então pacata rua de Santo André, começou a exercer a sua actividade com uma oficina de serralharia mecânica. Pouco depois dedicou-se também a outros ramos de especialidade: reparações de automóveis, fabrico de peças em pequena escala, etc. Após um ou dois anos de actividade alargou o seu campo de acção, e principiou a fabricar motores de explosão, especialmente dedicados para a rega, motores que alcançaram grande sucesso como produtos de grande nomeada. O sucesso alcançado levaram-no a transformar e mudar a sua oficina para Infias, para os citados pavilhões do hospital, onde numa verdadeira linha de montagem, principiou a fabricar em série peças destinadas a automóveis: pistões em alumínio e ferro, segmentos de compressão, cavilhas de pistões, camisas para cilindros, culatras, válvulas, enfim todos os acessórios necessários para os motores. Um dos produtos que mais fama deram à Fábrica Pachancho, foram os amortecedores hidráulicos, de grande preferência internacional, que originaram até que a fábrica passasse a denominar-se “Fábrica Nacional de Pistões Pachancho”. Tendo tomado parte em certames nacionais e estrangeiros, foi diversas vezes distinguido como na Grande Exposição Industrial Portuguesa de 1932, onde obteve dois diplomas de Medalha de Ouro e um de Prata; 8º. Salão Automóvel (Palácio de Cristal) Porto, 1932, Medalha de Ouro; Exposição Colonial, Porto, Medalha de Ouro e outras muito mais exposições que seria fastidioso enumerar. Quando António Peixoto abriu a sua pequena oficina, já pelas estradas portuguesas circulavam os primeiros automóveis e camionetas que o País vira. As péssimas estradas de então, proporcionavam avarias constantes, desgastes de peças, carros parados empanados nas valetas. As reparações levantavam um problema difícil de resolver: a falta de peças para substituir as que se haviam inutilizado, era notória. Pachancho, com a sua visão de homem de futuros horizontes, achou que o remédio era produzi-las. E assim fez. Apesar de os seus conhecimentos das leis da química e da física que reagem à mistura da dose de carvão necessário ao ferro, uma conhecimento intuitivo das temperaturas, o seu olhar experiente, colmatava o seu desconhecimento técnico. Era, de facto, um ser excepcional. Um exemplo disso tivemos conhecimento. No final da Guerra de 39/45, uma avaria na máquina de projecção do Teatro Circo, deu como resultado que a peça se tornava insubstituível pela sua falta no mercado. A Alemanha de então não estava em condições de, rapidamente, fornecer uma substituta e, no mercado nacional, não havia em stok. Alguém lembrou, a Fábrica Pachancho, é a solução. E assim foi. António Peixoto, ao ver a peça logo indicou o bronze especial de que era feita e se encarregou de nesse mesmo dia a produzir. Nem sequer um dia se deixou de dar espectáculos cinematográficos, graças ao saber do grande industrial Pachancho. Por estes anos lançou-se ao fabrico de bicicletas motorizadas, e elas imediatamente tiveram aceitação não só no País como no estrangeiro. Mas uma coisa que ele não consegui concretizar e que se o tivesse atingido, certamente Braga, estaria hoje colocada a nível das grandes cidades industriais do Universo. Por uma acta da Câmara de Braga, soubemos que António Peixoto, chegou a pedir um alvará, que lhe foi concedido, para a construção na sua fábrica de veículos automóveis. Bracarense de origem modesta, de seu nome completo António Gomes do Vale Peixoto, nasceu numa Noite de Natal, na freguesia de Maximinos, e o seu apogeu industrial deu-se quando Braga estava prestes a entrar em crise pela passagem para São João da Madeira da indústria que até então mantinha a cidade numa certa prosperidade - as fábricas de chapéus e calçado – e faleceu na sua casa da rua de Santo André, no dia 31 de Março de 1958, deixando para a posteridade um nome que honra a cidade que o viu nascer – PACHANCHO. Braga, 18 de Maio de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 16:02
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds