Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Eça de Queiroz
RUA EÇA DE QUEIRÓZ E JARDIM DE SANTA BÁRBARA Com início na rua Dr. Justino Cruz e final na Praça do Município a rua Eça de Queiroz foi aberta no final dos anos quarenta do século findo tendo, na altura recebido, em 27 de Abril de 1950, o nome do então Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Frederico Ulrich, em consideração pelo interesse e facilidades concedidas para a conclusão da obra. Decalca esta rua parte da cerca do antigo Paço dos Arcebispos, e para sua abertura teve de se derribar a capela de Santo António da Praça, um pequeno templo que se situava à ilharga do edifício do antigo Paço de Dom José de Bragança. Desmontado peça por peça, este templo tinha então sido destinado a ir ocupar um lugar no Bairro da Misericórdia mas ficou pela intenção e as pedras acabaram por se perder bem como a memória do Santo Taumaturgo que era oficial do exército português. Cabe aqui dizer que Santo António de Lisboa, assentou praça, figurando, como soldado recruta, fez a sua instrução militar e acabou como oficial do exército recebendo a princípio o pré e, depois o ordenado que a patente lhe atribuía. Nos dias do pagamento um mesário ia ao quartel onde lhe era entregue o quantia que lhe era devida. No dia da sua festa, integrava sempre a procissão uma força do então Regimento de Infantaria 8, aquartelado no Pópulo, prestando-lhe as honras militares. Como curiosidade, apontamos que os soldados ao passar defronte Capela, tinham, obrigatoriamente, de saudar o seu superior hierárquico, fazendo a continência. Depois do 25 de Abril foi, em 5 de Junho de 1964,foi substituída a sua primitiva denominação pelo nome do escritor poveiro Eça de Queiroz, conforme reza a acta camarária desse dia : “ a rua Engenheiro Frederico Ulrich passará a denominar-se rua Eça de Queiroz…”. Nasceu Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, em 25 de Novembro de 1845 e faleceu em Paris em 1900. A questão da naturalidade do escritor poveiro tem dado azo a imensas disputas entre a Póvoa que reivindica, baseada em testemunhos irrefutáveis como a própria declaração da mãe e, como ele mesmo declara, numa disputa jornalística com Pinheiro Chagas: “Você (Pinheiro Chagas), bem sei, acha isto risível. Mas que diabo! Você é um poeta, um orador, um lutador – e eu sou apenas um pobre homem da Póvoa de Varzim.”, e, Vila do Conde que, como único testemunho se baseia no assento de baptismo, efectuado na Igreja Matriz, dias depois do seu nascimento. Ora o facto de Eça ter sido baptizado naquela igreja, já está devidamente esclarecido por vários autores, como, entre outros, por exemplo, o Monsenhor Manuel Amorim in “Separata do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim – Vol. XXXII, nos 1 / 2 – 1955 – O nascimento e o Baptismo de Eça de Queiroz”. Eça de Queiroz, formado em Direito na Universidade de Coimbra, tentou a advocacia, tornou-se jornalista e, finalmente, ingressou na via diplomática, tendo servido em Havana, Newcastle, Bristol e Paris, onde veio a falecer. Em Portugal, ocupou o cargo de Administrador do concelho de Leiria, onde escreveu um dos mais conhecidos dos seus romances, “O Crime do Padre Amaro”. Pertenceu ao grupo “Os vencidos da Vida” e foi um dos intervenientes das célebres “Questão Coimbrã” e “Conferências do Casino”. Introdutor do romance realista em Portugal, ninguém o excedeu na plasticidade da linguagem, onde por outro lado a clareza, elegância e musicalidade da sua obra o colocam como um dos principais estilistas do idioma português. Possivelmente a ironia caustica com que retratou a sociedade do seu tempo, esteja na origem do seu obscuro nascimento. Caso raro, e talvez único em todos os tempos, no assento do seu baptismo consta como filho de mãe incógnita. Deixou-nos uma valiosa obra, constituída por livros editados em sua vida, como outros de edição póstuma. É difícil destacar quais os melhores, mas sem dúvida, não podemos esquecer “Os Maias”, “A Cidade e as Serras”( póstuma ), “ A Ilustre Casa de Ramires”, “O Primo Basílio”, isto só para mencionar alguns da sua obra. À esquerda da rua Eça de Queiroz, situa-se o belo jardim de Santa Bárbara, um ex-libris da cidade e um dos mais bonitos recantos da cidade. O nome deste jardim não foi de escolha camarária, da sua Comissão de Toponímia, mas sim ele foi baptizado pelos bracarenses que aproveitando o motivo que se encontra ao centro, um fontanário que tem a encimá-lo a estátua da Santa protectora das populações contra as trovoadas, baptismo logo apoiado pela Toponímia e Câmara. Sobressaí este fontanário de um plano elevado por degraus estrategicamente dividido pelos quatro lados de um patamar que suporta o tanque onde ao centro uma coluna interrompida por uma taça do qual jorra a água e que, por sua vez, é continuada por um tronco realçado por quatro elementos, separados por argolas, sendo que o terceiro tem esculpidos motivos decorativos, servindo este conjunto de suporte à imagem da Santa que deu o nome ao jardim. Este motivo arquitectónico pertenceu ao jardim-cerca do antigo Convento dos Remédios e esteve por largos anos no Parque da Ponte, vindo a embelezar este local quando o jardineiro paisagista de seu nome Cardoso, funcionário camarário, delineou, ao tempo do Presidente Santos da Cunha, o belo recanto de que estamos a tratar, traçando os seus canteiros num conjunto admirável. A Câmara, premiando o seu extraordinário bom gosto em todo o aspecto, homenageou-o colocando uma lápide com o seu nome num lugar destacado do jardim. Hoje essa lápide está escondida, num recanto quase obscuro e, poucas pessoas tem dela conhecimento. Foi retirada do seu primitivo destacado lugar quando, há anos, em Braga, com a presença do então Presidente da República, Mário Soares, se comemorou o 10 de Junho, o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, e a Câmara resolveu homenagear o Dr. José Ferreira Salgado, atribuindo o seu nome ao novo largo que fica fronteiro ao jardim de Santa Bárbara e colocando no sítio anteriormente ocupado pela lápide do jardineiro Cardoso, o busto de Ferreira Salgado. Este busto, colocado naquele lugar tem dado lugar a confusões, pois que alguns quase esquecem o nome do político bracarense e, não sabem tampouco que o topónimo do Dr. Ferreira Salgado é o do largo fronteiro ao jardim, separado pela rua Dr. Justino Cruz, onde está colocado um espelho de água com repuxo, largo onde deveria figurar o busto e não no lugar onde o colocaram. Verdadeiro tapete persa de flores naturais, constantemente renovadas, conforme as espécies relacionadas com as estações do ano – amores perfeitos, rosas, cenerárias, camélias, bem-me-queres, etc. - que dão um colorido especial a este belo recanto, um dos mais bonitos, senão um dos mais belos da Bracara Augusta. É de notar que as árvores estão ausentes deste espaço, porque ele foi delineado mais para o encanto da vista, razão de ser constantemente fixado nas objectivas das máquinas dos turistas, do que lugar de lazer e recreio, pela sua exposição durante o dia aos raios solares e, só nas noites cálidas de verão, se pode aproveitar para um pequeno descanso nos poucos bancos de pedra ali existentes. No entanto, tem algumas árvores, mas apenas as que foram colocadas à face da rua Eça de Queiroz, como uma cortina arbórea para não chocar o bonito jardim com as construções modernas da rua, uma vez que todo o conjunto que pertenceu à cerca do antigo Paço Arquiepiscopal, hoje um nexo da Biblioteca Pública, é um verdadeiro museu pétreo ao ar livre, onde se encontra muito da parte histórica da velha Bracara. Assim, num plano inferior ao do jardim, depare-se-nos o Paço Medieval de dom Gonçalo Pereira, que foi Arcebispo de Braga (1625/1358), constituída por uma torre ameada, acrescentado por Dom Fernando Guerra, também Arcebispo (1416/1467) e ainda a obra do mesmo, o Salão Medieval. Na torre, notam-se pedras almofadadas, românicas, aproveitadas de alguma construção desse tempo e pedras sigladas do período medieval. Uns arcos góticos dão realce a este conjunto e foram ali colocados quando ao tempo do director da Biblioteca, Dr. Alberto Feio, cerca dos finais dos anos vinte e princípio de trinta do século ido, foi restaurado o edifício do Paço de Dom José, que meados do século XIX, tinha sido quase destruído por um incêndio. Serviam eles para sustentar o piso do hoje salão do Arquivo. Muitos elementos se encontram no local e que pertenceram a construções demolidas, principalmente durante os séculos dezanove e seguinte, como os anjos e grinaldas da fachada do Convento dos Remédios, brasões de fé e de armas, a Cruz de Dom Diogo de Sousa que deu origem à Irmandade de Santa Cruz, entre outros restos que seria fastidioso enumerar. Mas há ali uma pedra que não podemos deixar de assinalar, pois só conhecemos três exemplares. Trata-se do antigo brasão de Braga. Os dois restantes encontram-se, um, no Parque de São João da Ponte, no portão de entrada do que foi um Jardim Infantil, e que apara ali foi quando destruíram no Campo do Salvador (Mercado Municipal) o antigo mercado do Peixe e que serviu durante anos de quartel aos Bombeiros Municipais e, o outro, está nos claustros do Convento do Pópulo (hoje dependências da Câmara Municipal) e que pertenceu ao portão de entrada do antigo matadouro, nas Carvalheiras. Ainda se pode observar, na parte sul do plano inferior, a traseira do Paço, que dom Rodrigo de Moura Telles (1704/1728) mandou edificar. Braga, 29 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 16:29
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