Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Sá de Miranda
RUA SÁ DE MIRANDA O POETA DO NEIVA A rua Sá de Miranda, situada na nova urbanização que ocupa o terreno entre os edifícios do Hospital de São Marcos, Calouste Gulbenkian, nova igreja de São Lázaro, clínica e a Rodovia, passa mais ou menos por sobre o traçado da antiga muralha romana, que vindo de Maximinos, se dirigia, por certo, pelo norte da hoje rua de Diogo de Teive, Comendador Santos da Cunha, Instituto Monsenhor Airosa e, ultrapassando os Pelames, ia até perto do Hospital, seguindo depois para norte. Quando da abertura deste novo arruamento vários foram os vestígios que assinalaram a velha muralha, impedindo até que por essa razão ela não fosse entroncar na rua de São Geraldo ( Pelames ). A acta da Câmara em que na data de 1 de Julho de 1965, foi deliberada atribuir a este novo arruamento o nome do “reformador da literatura portuguesa na Era de Quinhentos”, é bastante longa. Dela podemos extrair alguns excertos, com que o vereador Dr. Américo Forte Rodrigues Barbosa, justificava a sua proposta : “A sugestão deste nome é suscitada por duas razões fundamentais : Sá de Miranda promoveu a renovação da literatura portuguesa, graças a um persistente magistério literário exercido no termo de Braga; Sá de Miranda foi uma consciência cívica que deste mesmo termo exerceu uma acção relevante de vigilância activa sobre a degeneração dos costumes, resultante da transformação económico-social do alvorecer da Época Moderna. … ( a ele ) se deve a integração da nossa literatura nas correntes modernas das letras europeias, e esta circunstância bastaria para justificar que o seu nome ficasse ligado a uma artéria da cidade…” Atribuição do nome de Sá de Miranda, foi aprovada por unanimidade. “Homem de que antes quebrar que torcer” , Sá de Miranda, no seu recanto do Minho, na Quinta da Tapada, teve ocasião de manifestar o seu Magistério Moral, através das célebres cartas endereçadas ao Rei e aos seus amigos. Homem de autoridade moral, Sá de Miranda, não hesitou em chamar os seus contemporâneos à razão e ao bom senso, numa época, diz o Dr. Rodrigues Barbosa, “o predomínio da mentalidade mercantilista vinha envenenando as consciências dos maiores do reino que, esquecidos da autoridade da conduta tradicional, vinham fazendo do mando e da ostentação centros dominantes de todo o seu labor e preocupação”. Ao retirar-se para o recanto do Minho, entre o Neiva, Homem e Cávado, Sá de Miranda, manifesta assim, a repulsa e manifestação de incompatibilidade e protesto, contra marcha errada dos grandes do reino pois a isso se opunha a sua austera consciência cívica, continua dizendo o edil Dr. Barbosa. Sá de Miranda – Francisco, o poeta-lavrador, nasceu em 1841, em Coimbra onde cresceu em corpo e sabedoria. Percorreu o mundo culto do seu tempo; foi admirado e estimado pelo rei D. João III, que constantemente lhe pedia opiniões e conselhos, e o queria sempre ao seu lado, oferecendo-lhe as melhores posições na corte, mas ele recusou preferindo adoptar como suas as terras de Entre-Homem e Cávado, cantando e sublimando as suas belezas. Faleceu em Amares, na sua Quinta da Tapada em 1558, estando sepultado na Capela da Tapada da Igreja de Carrazedo, onde uma mão caridosa fez esculpir na pedra o epitáfio, cuja tradução se reproduz : A MUSA PASTORIL AINDA NOS MATOS MAL CONHECIDA TOMOU FRANCISCO DE SÁ MUI CORTEZÃO DIZENDO GRAGAS MADURAS E GALANTERIAS SISUDAS AJUNTOU POESIA HUMANA COM SUAVIDADE DIVINA. PODENDO COM SUA ESPADA PASSAR A HONRA DE SEUS AVÓS QUIS SOMENTE PELEJAR COM A PENA DA POESIA. EM TUDO MIRANDA, E NA MORTE TAMBÉM FOI ADMIRÁVEL, EM SUAS COUSAS ESTÁ ESCRITA A GLÓRIA DA SUA PÁTRIA. Sá de Miranda, foi o introdutor na poesia portuguesa do verso decassílabo, o soneto, os tercetos e a oitava rima. Escreveu elegias, cantigas, sátiras, éclogas e duas comédias em prosa – Estrangeiros e Vilhalpandos. No dia 8 de Junho de 1923, os estudantes do Liceu de Braga, em romagem ao túmulo do seu patrono, fizeram colocar exteriormente voltada para estrada, na igreja de Carrazedo, uma lápide em mármore com a inscrição : FRANCISCUS DE SAA. DE. MIRANDA HOC. MONUMENTUM SIBI. SVISQ. ELEGIT. - - - OPTIMO. PATRONO. SUO. INSIGNQ. VATI ALVMNI. ALMI. LICAEI. BRACARENSIS. CVI, NOMEM. SAA. DE. MIRANDA. EST. DECVS. ET. PRAESIDIUM. HVNC. POSVÊRE ANNO S. = MCMXXIII Braga, 21 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA


publicado por Varziano às 16:54
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