Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
A Igreja Paroquial de São Vitor
A IGREJA PAROQUIAL DA FREGUESIA DE SÃO VÍTOR Séde de uma das maiores freguesias de sempre de Braga, a igreja paroquial de São Vítor, o magnífico e imponente templo que se ergue num pequeno outeiro que domina as ruas que a circundam, tem uma história que pelo seu interesse para a cidade vamos, apesar dos nossos modestos recursos e baseados em obras que a ela fazem alusão, tentar trazer à luz do dia. Principiemos por aludir às limitações da freguesia civil de hoje e da paróquia tal como ela se apresentava, depois de quando foi criada, primeiro a paróquia de São Vicente, em 1926 e, mais tarde, em 1932, quando foi formalizada a divisão civil, e agora de novo desmembrada, religiosamente, com a criação da freguesia de São Tiago de Fraião. Assim diremos que a então freguesia e paróquia de São Vítor abrangia uma vastíssima zona que a norte era limitada por Gualtar numa linha que passando pelo lugar de Vilar, se dirigia ao Bairro do Sol, Carreira de Tiro, Sete Fontes, Montariol ( aqui confinando com Adaúfe e Palmeira, já quase a poente ), Infantaria de Braga, Largo do Areal, Cemitério, Rua de Santa Margarida, seguindo aqui para poente, pela rua de Camões (lado Sul), rua da Regueira ( da parte da capela e miradouro de Guadalupe ) onde da esquina da rua do Sardoal se projecta numa linha até ao cunhal das Convertidas, Avenida Central ( lado Norte ),Senhora-a-Branca, avenida 31 de Janeiro (Gavieiras, nascente), Urbanização Sotto Mayor, Santa Tecla até ao fundão já perto de Lamaçães, rua da Fábrica, Lugar do Peixoto, Rotunda do Bom Jesus, até fechar o circuito no citado lugar de Vilar, onde se situava o antigo Albergue Distrital. Como vemos e acima ficou descrito, os limites da enorme freguesia e paróquia dão com as citadinas de São José de São Lázaro, São Vicente e as sub-urbanas de Tenões, Nogueiró, Lamaçães, Gualtar, Adaúfe e Palmeira. É de facto uma enorme freguesia e paróquia e maior seria se em 1747, ao tempo do arcebispo Dom José de Bragança não tivesse sido desmembrada de parte do seu domínio, destacando vários locais que deram lugar à criação da de São José de São Lázaro e, mais tarde como já dissemos, cerca dos anos de 30 do século passado não se tivesse formado a de São Vicente. DA FUNDAÇÃO DO TEMPLO Albano Belino, “in” Arqueologia Christã, afirma que “A origem desta matriz é antiquíssima” relatando a pag. 188, o seguinte : “O clérigo Vasco Mendes doou a São Martinho de Dume, em 565 a sua quinta de São Vitouro, impondo-lhe a obrigação de criar ali um mosteiro com capellães. A igreja foi depois reedificada em 1031 ( pois havia sido destruída até aos seus alicerces pelo sarracenos, aquando da conquista da Bracara Augusta) por um padre de nome Nuno Forjaz. Em 1096 o seu padroeiro, Nuno Soares, doou o mosteiro ao Arcebispo São Geraldo. D. Payo Mendes (1118/1137) reedificou (de novo) e sagrou a igreja, tomando o título de Abade São Vítor, transmitido a todos os sucessores por confirmação do Papa Eugénio III, como se lê na respectiva bulla existente no Archivo da Mitra – Eclisianm Sanctti Victoris cum Villa sua – datada de 1148. Diz ainda e agora Azevedo Coutinho no seu “Guia do Viajante de Braga que : “Em homenagem e veneração ao martyr S. Victor (catecúmeno), natural desta cidade, e morto, durante a dominação romana, no sítio ainda hoje denominado as Golladas, onde lhe erigiram uma igreja.” Foi este santo martirizado por se recusar, conforme o proibia a sua religião, a prestar o culto aos deuses pagãos dos romanos. Anos mais tarde e porque a igreja mostrava sinais evidentes de ruína foi, pelo arcebispo D. Jorge da Costa (1486), “mandando fazer uma ao gosto suevo-visigótico, (informa Azevedo Coutinho no citado guia) e mandou colocar o seu brasão de fé no centro do arco cruzeiro.” Finalmente por já estar muito arruinada no tempo do arcebispo D. Luís de Sousa (1677/1690), foi por este arcebispo mandada edificar a actual, cujo projecto se deve a Miguel de Lescol. A data da sua construção é de 1686, conforme se lê numa das lápides que se vêem na sua fachada, e como era de apresentação da Mitra, foi feito o templo a expensas do arcebispo. Albano Belino refere que “A arquitectura da fachada pertence à ordem Jónica”, muito embora ela apresente resquícios do estilo jesuítico da contra reforma, com acrescento de alguns elementos maneiristas e barrocos. Assim parece ser uma transição entre a simplicidade do aspecto jesuítico (exemplo igreja do Seminário Conciliar) e a exuberância do barroco, pois tem a quebrar a monotonia da primitiva simplicidade as molduras das lápides epigráficas ( lembrando as de São Vicente e Terceiros, igrejas quase da mesma época) e ainda a rosácea emoldurada e ainda os nichos que encerram duas esculturas, possivelmente arcebispos, e também, encimando o frontão, a cruz arcebispal. Albano Belino diz em “Inscrições e letreiros da cidade de Braga”, publicação de 1895, que o primitivo mosteiro era da Ordem de São Bento e foi chamado de Santo Antão. É muito difícil saber quem são os arcebispos representados nos nichos. Há quem se incline para os dois não são mais que a representação de um só. E, talvez, porque eles tem a assiná-los a cruz só usada pelos arcebispos, pelo menos a partir de uma certa época, o báculo, a barba e a mitra, julgamos que representam São Geraldo, o primeiro arcebispo de Braga, e que foi a última grande dignidade bracarense, segundo Belino, a usar a mitra e barba. Hipótese que pomos não sem um interrogação, pois nada de concrecto se pode afirmar. A dar consistência a esta hipótese temos a doação acima citada do padroeiro Nuno Soares ao arcebispo São Geraldo. No entanto devemos notar que o simbolismo que a igreja usa na figura de um prelado este aparece ostentando o báculo com a voluta voltada para o público quer dizer tratar-se de um prelado que governa ou governou uma diocese. E aqueles que o usam virado para si próprio (caso das esculturas de São Vítor) que o são de Ordens Monásticas, não governando dioceses mas sim ordens, como por exemplo o Dom Abade de Singeverga. Voltando ao que atrás foi dito, podemos ver que também Belino nos informa que S. Martinho de Dume no ano de 565 fundara junto a Braga o mosteiro da Ordem de São Bento, chamado Santo Antão. Ora, serão São Bento e Santo Antão as figuras representadas nos nichos ? Ficam, portanto, todas estas hipóteses para quem está representado na fachada da igreja. Qualquer delas terá por certo os seus defensores. Quanto a nós, não nos queremos sujeitar a uma em prejuízo da outra. O FINAL DA OBRA DA IGREJA Dom Luís de Sousa não pode ver acabada o templo por, entretanto, ter falecido (1690) mas as obras, devido ao seu donativo, continuaram no tempo do arcebispo que se lhe seguiu, D. José de Menezes, que nada contribuiu para a feitura dela pois, tendo sido “designado arcebispo em 1692, só em Agosto de 1694 resolveu vir governar a Arquidiocese por se encontrar muito doente em Coimbra; mas agravando-se-lhe os padecimentos, não chegou a vir a Braga e foi convalescer para uma quinta da freguesia de Freiriz (Vila Verde) que pertencia a um seu irmão. Só em Setembro de 1695, ( encafuado numa liteira com as cortinas fechadas), diz Monsenhor Ferreira no Tomo III dos “Fastos”, conseguiu recolher-se ao paço, em Braga, donde não mais saiu até à sua morte, em Fevereiro do ano seguinte.” A este arcebispo segui-se-lhe D. João de Sousa (1697/1703), cabendo-lhe então o acabamento da igreja que foi por ele sagrada a 19 de Março de 1698. Como dissemos, as obras do templo foram completadas devido ao substancial donativo de D. Luís de Sousa, que havia falecido em 29 de Abril de 1690, o qual permitiu que durante o período de sé vacante se constituísse uma comissão formada por três membros para tratar dos últimos pormenores. Graças a esta comissão e à abastança do legado do arcebispo fundador, a obra foi rapidamente concluída. Esta comissão fez novo contrato com o “mestre de pedraria”, Pascoal Fernandes, do Porto, o qual já tinha sido o mestre encarregado da fábrica do templo, para obra do “acrescentamento da torre de São Vítor e tímpano delle e o banco do Retábollo e outros e casa de residência, pela importância de 300$000 reis” segundo nos informa Robert C. Smith. Também, segundo este mesmo investigador, foram ainda mencionados no mesmo contrato outras obras e condições necessárias para completo acabamento do templo. Em 1691, a 1 de Março, novo contrato se faz e este com o carpinteiro António Francisco para a obra do forro e tribuna da igreja, sacristia e casas da residência, que deveria ser executada “com seus rompantes e uma moldura nos frisos…soalho e tabuado de castanho”, devendo também na tribuna ser construído um sobrado com duas escadas. Smith, diz que isto “era, evidentemente, para facilitar o acesso ao trono do retábulo, que ia ser um dos primeiros exemplares do tipo da vasta tribuna aberta central, que o novo estilo nacional (barroco) então se estava a criar. Refere também o mestre entalhador Domingos Lopes, que assentou fazer o retábulo da capela-mor, dentro do prazo de cinco meses e pelo preço de 66$000 reis, contrato efectuado em 21 de Setembro de 1691. Da parte de Pascoal Fernandes, ficou o encargo de fazer os carneiros e sepulturas dentro da igreja e, entretanto, um novo contrato é feito com os mestres carpinteiros bracarenses António Costa e Manuel Ferreira, para as portas da igreja que seriam fabricadas em angelim e pela importância de 335$000 reis. Estava, portanto, a parte da construção do edifício, podemos dizê-lo, com estes contratos o acabamento terminado. Agora iria tratar-se do seu revestimento interior. . . . / . . .


publicado por Varziano às 17:42
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29
30
31


posts recentes

consequencias da 2ª g.Gue...

Bom Jesus 1

Bom Jesus 2

Bom Jesus 3

Bom Jesus 4

Bom Jesus 5

Bom Jesus 6

Bom Jesus 7

Bom Jesus 8

Bom Jesus 9

arquivos

Maio 2013

Dezembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds