Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
O órgão
São Vítor . – 3 - O Ó R G Ã O Possui esta igreja um magnífico órgão de tubos e gaitas ou cornetas que quando toca, nas cerimónias religiosas, enche com os seus sons todo o espaçoso templo. Foi ele há anos restaurado, graças à benemerência dos paroquianos e é obra do artista monçanense Manuel de Sá Couto – Lagoncinhas. No interior de uma das suas portas está escrita a seguinte memória que julgamos ser devida ao punho do Padre Maciel, prior que foi desta freguesia e que diz : “Foi este órgão mandado construir pela Confraria do Santíssimo Sacramento, erecta nesta paroquial de São Vítor que, por isso nomeou em Junta Geral, reunida em 29 de Julho de 1814 uma comissão composta do prior Domingos Alves da Silva e dos mesários Bernardo José Ferreira, Joaquim Ferreira e José António Fernandes Braga, Foi seu construtor Manuel de Sá Couto – Lagoncinhas – natural de Monção o qual, em sessão de Mesa de 5 de Novembro de 1815, cuja acta também assinou, recebeu a quantia de 607$680 reis, importância da construção. O coreto em que o órgão assenta foi construído pelo mestre Bernardo Fernandes e importou a sua construção em 106$000 reis. Tudo isto se vê nos livros dos termos da Confraria (do Santíssimo) arquivados na respectiva secretaria”. Tem este órgão, entre tubos e gaitas ou cornetas cerca de 600 sons a destacar que entre eles, coisa que não se costuma encontrar em pequenos órgãos (apesar de este não se poder considerar pequeno mas sim médio), uma série de gaitas ou cornetas com uma leve diferença de afinação, a qual produz especial ondulação sonora. Dizem ser uma característica dos órgãos desta província. A ABÓBADA DA IGREJA Como as demais da sua época (por exemplo a dos Terceiros) a abóbada é toda de pedra. De granito foram também, parece que inicialmente, os altares laterais como o de Nossa Senhora das Angústias nos quais, a madeira actual encobre a pedra trabalhada e pintada a óleo. AMPLIAÇÕES DO TEMPLO Deve esta igreja ao longo dos seus anos ter sido ampliada, isto é no seu interior foram criados e substituídos os altares. Assim partindo do altar-mor até às sanefas e altares laterais, ficamos com a impressão que diversos estilos se sobressaem. Deste modo já sabemos que o altar-mor, considerado como representante do chamado estilo Barroco Nacional, foi alterado; que o Sanefão do arco cruzeiro é uma rica peça, feita no século XX. Quanto aos altares laterais – o do Senhor das Necessidades e Senhora das Angústias – parecem ser barrocos, dada a exuberância dos seus floreados que indicam este estilo. Mais simples, logo mais tardios, são os altares das Almas do Purgatório e Santo António, que já talvez sejam uma transição para o neo-clássico. Depois, muito mais recentes, e já do século vinte, são os altares do Menino Jesus e o de Nossa Senhora de Fátima (ou de São Bento), que utilizam os vãos das portas norte e sul, hoje, portanto encerradas. Todos estes acrescentos, modificações e ampliações se devem, talvez, por ser uma igreja, séde paroquial da, como dissemos, maior freguesia da cidade, maior de sempre e, portanto com o maior número de devotos e, logicamente, com a possibilidade de congregar na sua vasta área o maior número de pessoas crentes com meios de fortuna que não regateariam a ajuda para as obras da igreja. SOBRE A ÚLTIMA REEDIFICAÇÃO Como dissemos, a reedificação da actual igreja Paroquial, deve-se à acção, magnificência e ao generoso donativo do arcebispo Dom Luís de Sousa, o que se comprova pelas legendas epigráficas colocadas nas cartelas aos lados da entrada principal e que segundo a nossa interpretação dizem; “D. Luís de Sousa, arcebispo e Senhor de Braga, primaz das Espanha, e do Conselho Real de Sua Magestade” “Este templo erguido quase pelos fundamentos das ruínas do velho, foi dedicado a São Vítor no ano da encarnação do Senhor, 1686”. Não fazem elas referência ao donativo de Dom Luís de Sousa, mas nós o sabemos pelo que nos diz Albano Belino, na sua obra “Archeologia Christã”, o arcebispo Dom Rodrigo da Cunha, na “História Eclesiástica”, Senna Freitas, em “Memórias de Braga” e Silva Thadim, no manuscrito “Diário Bracarense”. Senna Freitas, na sua obra acima mencionada, dá-nos a recolha de uma curiosa carta que Dom Luís de Sousa a enviou a seu irmão e que abaixo vamos transcrever em parte : “… que nas obras de reconstrução da igreja de São Vítor, por ele empreendidas, se acharam entre as ruínas da capela-mor da anterior igreja (mandada reconstruir por Dom Jorge da Costa) quatro sepulturas todas de mármore, e defendidas cada uma delas com fortes paredes de cal e tijolo. Parece que seriam de homens que não fossem de insignes ou em virtudes ou em autoridade, porque não há daqui a muitas léguas, (nem sei que em Portugal haja), mármores tão finos como daqueles sepulcros que forçosamente teriam de trazer de muito longe, sendo verosímil, que para cadáveres de homens ordinários houvesse tanto cuidado.” Mais diz a mesma carta que estas diligências que mandou efectuar foram devidas ao facto de, sabendo da existência de um túmulo, colocado na igreja, aos quais aos fiéis prestavam culto julgando encerrar o corpo de São Vítor, foi, acompanhado de outras dignidades, indagar o que de verdade havia e, então, é que mandou desenterrar os quatro túmulos mas como, por averiguações que fizesse, não conseguiu identificar a quem pertenciam, os mandou de novo enterrar. Pela sua parte, Silva Thadim, diz, a pag. 597 v. do seu manuscrito, o seguinte: “S. Vitouro (São Vítor) - Desfazendo-se a igreja velha, acharam-se quatro túmulos de pedra branca em fileira unidos uns aos outros soterrados a dez palmos e neles quatro corpos e um sem cabeça, porém não tinham letreiros; e os tornaram a pôr na mesma forma na igreja soterrados a dez palmos debaixo das escadas do Presbitério (altar-mor) para a parte da Epístola, e não duvidaram os fiéis serem os quatro Santos Vitouro, Silvestre, Trocado e Cucufate”. . . . / . . .


publicado por Varziano às 18:08
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