Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
Pio Latrocinio
São Vitor -- 4 -- O PIO LATROCÍNIO Senna Freitas, nas suas “Memórias de Braga” II v., pag. 171/2, informa que Dom Gelmires, aquando das invasões sarracenas (enganou-se, foi aquando do governo da arquidiocese bracarense pelo Arcebispo São Geraldo – 1096/1108), cometeu o Pio Latrocínio de levar para a Catedral de São Tiago de Compostela, os restos mortais de São Frutuoso e levando também de Braga as relíquias de outros Santos, principalmente da igreja de São Vítor. Diz que o historiador, Frei Henrique Florez, afirmou que em Compostela se encontra uma cabeça atribuída a SãoVítor, mas que essa cabeça não respeita ao São Vitor bracarense mas a outro São Vítor Mártir. Será assim ? Ou a cabeça que se encontra encerrada num relicário na Catedral de Compostela será do nosso mártir e que falta num dos túmulos que está sob o pavimento do altar-mor da actual igreja de SãoVítor ? A CAPELA MORTUÁRIA Quando, no século findo, se procedeu às obras efectuadas para a instalação de uma capela mortuária, numa dependência numa parte da igreja voltada a sul, por detrás do altar-mor e por debaixo das lages, apareceram ossadas sobrepostas que, pelo seu tamanho, deram a impressão de terem pertencido a crianças e ali devem ter sido colocadas quando da reconstrução da igreja actual. Seriam, talvez, restos mortais, exumados das antigas igrejas. No soco da referida capela mortuária, voltada a sul, quase imperceptível, encontra-se uma inscrição que deveria ter pertencido, como outra que está junto à platibanda da traseira da sacristia – parte nascente – a uma laje sepulcral. A primeira reza “Requiescat in pace” ( Repousa em paz) e a segunda, diz apenas “Sepultura de A..N…” Albano Belino refere uma outra inscrição latina, mas esta, diz, escondida por uma camada de cal e parecer ter sido também de uma lápide tumular romana que pode ter pertencido a uma das anteriores igrejas e que segundo a sua informação diria : “IVLIVS PILIDES ORESTES – H. S. S. (Júlio Pilides Orestes aqui está (situado) ou aqui repousa” Não encontramos tal inscrição, apesar de muita procura. Voltando à Capela Mortuária, esta nova e necessária dependência está situada ao lado da rua de São Vítor, com acesso pelo antigo largo do Loureiro, por um pequeno escadório e pelo lado direito do adro de entrada. Depois das obras foi nela colocada a imagem de Cristo Crucificado – O Senhor das Necessidades. Dizem ser uma bela imagem do século XVIII. Tem esta escultura uma particularidade interessante e não vulgar em outra imagens que temos visto, apesar de nos afirmarem ser uma característica do século em que foi esculturada. Nada encontramos que o comprove. Trata-se da utilização de umas gotas de vidro colorido, vermelho, seguindo um traço que sob o efeito da luz, dá a ilusão de se tratar de sangue vivo, a correr. Esta imagem veio para esta capela, saindo do altar privilegiado, ao lado do lado do Arco Cruzeiro. Na parede do arco cruzeiro, junto ao altar de onde veio esta imagem de Cristo, vê-se a inscrição que revela o privilégio : “O altar do Senhor das Necessidades he privilegiado perpetu Amte /por breve Apostol.co de SS. Padre Pio 8º conce.do aos 13 de M.co de 1830”. As pedras com inscrições latinas devem ter pertencido, possivelmente, á igreja do mosteiro fundado por S. Martinho de Dume, ou a que foi edificada pelo padre Nuno Forjaz e que o seu padroeiro Nuno Soares doou ao arcebispo São Geraldo em 1096, porção confirmada por El-Rei D. Afonso Henriques. Também podem ser restos da reedificada (várias foram as reedificações), por D. Paio Mendes. Num nicho próprio, está a imagem de Nossa Senhora do Egipto ( imagem de roca), com o Menino no regaço, alusão à fuga para o Egipto. É esta imagem que na Semana Santa integra a procissão de Nossa Senhora das Angústias, conhecida popularmente pela “Procissão da Senhora da Burrinha”. Na parte que esteve a primitiva porta de entrada para a dependência que é hoje a Capela Mortuária, voltada a poente, e hoje encerrada, está colocada uma bandeira ou pendão que figurava nas procissões e em que está representada Nossa Senhora, na sua primeira dor. Adornando as paredes da capela vêem-se vários editais, bulas, obrigações e demais instruções para a execução dos deveres das confrarias erectas na igreja, como a obrigação de em determinados dias se rezarem missas, conforme os legados deixados por defuntos crentes. Todas estão pintadas em tábuas, pinturas estas de grande antiguidade. Como prova de ter existido em tempos um templo românico, encontram-se não só as inscrições mas também outros vestígios desses tempos, como à entrada do Salão Paroquial, duas colunas, numa das quais se pode observar a base e outra que serve, ou servia para suporte de uma varanda. Pertenceriam a esse templo e mosteiro românico mandados edificar por D. Paio Mendes ou à igreja visigótica (565) ? No terreiro da entrada para a sacristia vê-se ainda uma pia baptismal redonda – hoje a servir de floreira – que foi achada quando da abertura dos caboucos para as fundações da nova igreja e que esteve por largos anos abandonada a um canto. Pelo seu aspecto, pode esta pia ter pertencido à primitiva igreja. Também nas escadas de acesso à residência paroquial uma pequena coluna que, dizem as pessoas mais velhas do local, esteve colocado no átrio de entrada para o terreiro da sacristia e sob a qual tinha uma pequena pia de água benta, que levou descaminho. Na sacristia e na Capela Mortuária podem admirar-se duas fontes-lavatórios que serviriam para lavar as mãos ante e pós-missa. De destacar nestas bicas de água, duas carrancas, uma em cada, de pedra lavrada em granito da região. A T O R R E Sobre a igreja, sua arquitectura, talha, azulejos, muito já o dissemos e por certo muito mais ficou por dizer mas, no entanto, há uma coisa que não podemos deixar de mencionar e que raramente se encontra em outros templos, não só em Braga (aqui existem pelo menos mais três) como em outros pontos do País. Referimo-nos à torre que sabemos ter sido feita pelo mestre de pedraria, Pascoal Fernandes, por contrato assinado em 18 de Janeiro de 1691, entre o mestre e os membros designados após a morte de D. Luís de Sousa para “acabar a obra do acrescentamento da torre de São Vítor e tímpano dele e o bando do retábulo e outros e a casa da residência”, acrescentamentos ao primitivo contrato que iriam custar a soma de 300$000 reis. Pela leitura do documento em que está narrado este contrato fica-se a saber que a torre, segundo a tradição local, seria traseira. Ora é isto que queríamos referir como uma das características de igrejas de Braga, não só das construídas mais ou menos na mesma época, como a da Ordem Terceira Franciscana e São Vicente ou anteriores ( caso do Pópulo, edificado o templo em 1596 ( curioso é o facto deste ser a única em Braga que apresenta três torres – a primitiva traseira e as duas da frontaria do final do século XVIII, obra de Carlos Amarante) ou posteriores como a da Senhora a Branca, Penha, Lapa e São Pedro de Maximinos. . . . / . . .


publicado por Varziano às 19:26
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