Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
Obrigações
São Vitor --- 6 -- OBRIGAÇÕES E PRIVILÉGIOS Pelos estatutos reformados em 1820, sabe-se que, quando saía o Sagrado Viático aos enfermos, ao tempo do arcebispo, o Sereníssimo D. José de Bragança, foi alcançada uma Provisão “para aquelas pessoas que fossem eleitas pela Mesa para levarem as lanternas nos acompanhamentos do Santíssimo quando ia aos enfermos, gozassem os mesmos privilégios e isenções que gozavam aqueles irmãos do Santíssimo que O acompanhavam, quando saía da Sé, com lanternas.” Facilmente se depreende que eram muito onerosas, por disposições estatuárias, as obrigações dos mesários que eram forçados a pagar do seu bolso várias despesas, por ocasião das solenidades. Ora, tal estado dava em resulta que muitos dos mesários se recusavam a aceitar os cargos para que tinham sido eleitos por não poderem arcar com as despesas. Pelas sucessivas reformas dos estatutos essas obrigações foram-se suavizando mas ainda “por largo tempo, se conservaram e praticaram, tais como, a do Provedor pagar por sua conta a fogueira na véspera da festa principal, e bem assim os juncos, espanadas e “montrastes” para a igreja e o boi bento para a procissão.” Uma nota interessante faz referência a “Noticia Histórica” ao relatar a obrigação de que quatro mordomos “eram obrigados a pagar a tambores e um clarim, para acompanhar o Sagrado Viático, quando saísse com pompa aos enfermos e, na festa principal, teriam de pagar todo o estrondo, tanto para a mesma festa como as vésperas mas, ressalvavam os ditos estatutos que o referido estrondo nunca poderia exceder a oito ou dez figuras, por todos entre os tambores, zabumbas e clarins, ou gaitas de foles”. Nos estatutos de 1820, era determinado que “procissão se fizesse com toda a decência e sem mais ornatos do que os declarados no Cerimonial Romano : que levasse não somente as Confrarias e Irmandades da freguesia, com as respectivas cruzes e todo o clero da freguesia, e que de modo nenhum levasse andores, gigantes, nem também a imagem de S. Jorge e seu Estado, como uso até então.” UM POUCO DE HISTÓRIA O Dr. Sérgio da Silva Pinto, no seu estudo sobre “A Necrópole de São Vitor”, descoberta aquando da abertura dos caboucos para as fundações para a criação da Escola Primária de São Vitor, no gaveto formado entre as ruas Martins Sarmento e Beato Miguel de Carvalho, afirma que esta necrópole se “situava, com todas as cautelas no período da Reconquista, talvez nos seus primeiros séculos”. No entanto e segundo o parecer do Eng. Amorim o local “fazia lembrar uma importante via de comunicação de outros tempos, visto que no seu extremo sul (rua Bernardo Sequeira) existe uma ponte sobre o rio Este e no seu pavimento encontra-se ainda grande quantidade de lagedo do aspecto semelhante ao que se vê nas estradas romanas”.Ora, como anota Sérgio Pinto, “ao longo desta via, precisamente como era uso em épocas romanas, aparece a Necrópole de São Vitor”, com a orientação norte-sul e as sepulturas no sentido nascente-poente. Além do mais, no espólio recolhido foram encontradas algumas moedas romanas que hoje devem estar em posse da Unidade de Arqueologia ou no Museu D. Diogo de Sousa. Serve o que transcrevemos acima para provar que em tempos remotos, no local-séde da actual freguesia de S. Vitor “lugar tão ligado a tradições paleo-cristãs”, deveria ter havido uma população e construções que datariam, pelo menos, da época em que Vitouro foi martirizado. Por ali existiria, talvez, um templo dedicado a “Ceres”, a quem o Mártir Vitor, Santo e Catecúmeno, se negou a glorificar, razão do seu martírio. Portanto São Vitor ao tempo e até 1846, um arrabalde da cidade, e hoje a sua freguesia mais populosa, tem uma tradição que vem de longe. Aqui existiu o templo doado pelo clérigo Vasco Mendes a São Martinho de Dume. Como vimos várias foram as suas reconstruções até se chegar ao actual templo que domina, no seu alto outeiro, toda a freguesia. Sabemos que Braga e seus arredores várias vezes foi destruída. Umas pelos hostes romanas na sua luta pela dominação desta terra fértil; mais tarde pelos suevos, que aqui implantaram a Capital do seu reino, entrados no Cristianismo graças à acção do bispo Balcónio, sendo assim o primeiro Reino Bárbaro a abraçar a religião Cristã. Tempo decorrido é de novo arrasada pelos Visigodos, povo bárbaro que aliado aos Romanos combateu os Cristãos Suevos e que, afinal, se vieram também a converter. Os Sarracenos vem, pela Centúria de setecentos e a Brácara Augusta é de novo sacrificada. Há quem diga que, a comunidade cristã de São Vitor, como a de São Pedro de Maximinos foi poupada, pois a moirama, gente guerreira, tinha necessidade de braços para cuidar das suas necessidades e poupou estas comunidades, deixando-os manter a sua fé, mas à custa de grandes e pesados tributos. Mais tarde na reconquista, Braga, volta a impor-se, a crescer, e a freguesia de São Vitor, aos poucos vai tornar-se na maior freguesia da cidade, onde para isso muito contribuíram os seus artesãos – sombreireiros, artífices do metal, produção artesanal de tecidos, sedas, espingardeiros, etc. etc. R E P Ú B L I C A A igreja da Paróquia de São Vitor, como as demais de todo o Portugal, sofreu o esbulho da célebre Lei de 20 de Abril de 1911, lei da Separação da Igreja e do Estado. Todos os seus bens foram arrestados e inventariados. No Arquivo da Câmara de Braga, existe uma cópia do inventário então efectuado. Ao logo de dezanove artigos são descritos esses bens, mobiliários e imobiliários, que passaram e foram declarados propriedade do Estado e dos corpos administrativos. Desse inventário fazem também parte a igreja de São Vicente, então pertença da paróquia de São Vitor, e ainda as capelas do Recolhimento das Convertidas ou São Gonçalo e de Santa Teresa. Curiosamente o inventário passou ao lado da Capela de Guadalupe, Senhor do Alecrim e a de Cedofeita ou do Senhor dos Milagres, templos que estavam e estão sob a jurisdição da freguesia de São Vitor. Muito ainda ficou por narrar mas, no essencial julgamos ter dito o que mais interessava. Braga, Setembro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt Email: luisdiasdacosta.@clix.pt


publicado por Varziano às 19:44
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