Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Rua Marceliano de Arújo
RUA MARCELIANO DE ARAÚJO Principiando na rua Frei Cipriano da Cruz, e terminando na rua Leandro Braga, da freguesia de Ferreiros, a rua Marceliano de Araújo, vem recordar – “grandioso o seu nome como é a sua arte” - um escultor do século XVIII que deixou três das mais importantes obras de talha da cidade de Braga: os retábulos da Igreja da Santa Casa da Misericórdia, as Caixas dos Órgãos da Sé de Braga e púlpito da igreja da Penha. Marceliano de Araújo morreu em Braga no ano de 1769, após uma longa carreira de escultor. No entanto poucos, muito poucos, sabem algo deste artista da talha. A memória deste entalhador a que Braga tanto deve, estava perdida e, de tal maneira que o seu nome nem figurava sequer em “nenhum compêndio de história local”. Não fora o estudo do consagrado investigador da arte portuguesa, o americano Prof. Robert C. Smith, o nome de Marceliano de Araújo, continuaria escondido, caso não raro em Portugal onde “a identidade e as obras dos que fizeram a talha de Seis e Setecentos foram esquecidos no século passado, quando os maiores críticos teimavam em negar quase universalmente o valor estético da talha, classificando-a, aliás como qualquer outra manifestação do barroco nacional, de mau gosto e sem interesse”, diz Robert C. Smith. Este consagrado crítico de arte, continua afirmando que se trata de uma grande injustiça, dado que a talha foi “a grande expressão artística do povo português nos séculos XVII e XVIII”. Foi nesse estilo opulento que Marceliano de Araújo, baseado nos desenhos que até si chegaram da escultura berniniana da Roma de Seiscentos, criou os seus principais monumentos. No entanto soube imprimir, possivelmente, um modo próprio, um estilo que através das suas obras se pode observar e é quase sempre repetitivo nos seus trabalhos: as figuras dos Atlantes, gigantes fabulosos, figura de homem, por vezes mitológicos, como faunos com pés de cabra e corpo humano que parece sustentaram sobre os sues ombros os pesados elementos das ordens arquitectónicas. Como exemplos podemos ver os sátiros mitológicos da Caixa dos Órgãos da Sé de Braga, ou ainda no púlpito do Igreja de Nossa Senhora da Conceição da igreja da Penha, nos retábulos a Igreja da Misericórdia ou ainda, para não ser muito extenso nesta análise, em vários altares da Igreja de Nossa Senhora das Graças do Pópulo. Segundo Robert C. Smith, Marceliano de Araújo “empenhou-se na grandiosa obra de substituir os velhos retábulos da igreja da Santa Casa da Misericórdia”, dando-nos nesta impressionante tarefa “um dos mais ricos e teatrais (aspectos) de toda a talha portuguesa”. A pintura do quadro na cortina que tapa a boca da tribuna, representando Nossa Senhora da Misericórdia protegendo debaixo do seu manto várias figuras, é devida ao pintor Joseph Lopes, que a executou, recebendo, pelo trabalho, a quantia de noventa mil reis. Representa em grande plano, como dissemos, a imagem de Nossa Senhora “com a mais fábrica de Anjos e sup.s , tudo como o pede o rigor”, diz o contracto para a sua feitura. Estes retábulos fases executados em duas fases. Na primeira não iam até ao tecto da capela-mor. Mais tarde achando a mesa que eles deveriam ser rematados no tecto, encomendou a um outro artista o trabalho, descurando o primitivo, talvez por o considerar de avançada idade e como tal poderia não cumprir com o que desejam. Serviram-se então de um artista amador. O rev. Ricardo da Rocha, o que por certo para Araújo teria sido humilhante. Mas o complemento não agradou e então de novo recorreram a Marceliano, que apesar da idade aceitou, mas teve de recorrer a André Soares para o ajudar a terminar a obra. Robert C. Smith. no seu trabalho “Marceliano de Araújo, Escultor Bracarense”, editado por NELITA – Porto 1970, cita 49 vezes, entre obras e pormenores, trabalhos deste artista bracarense no Porto, Braga e freguesias, pelo que se pode avaliar do que foi a sua acção na arte da escultura em talha e, não só, também na iluminura e pedra, durante a sua vida de trabalho. Deixou-nos, Marceliano de Araújo, verdadeiras jóias da talha. Na cidade de Braga, podemos admirar, com já se disse, o magnífico púlpito na pequena igreja da Penha, a talha dos retábulos da Misericórdia, a Caixa dos Órgãos da Sé, o retábulo do altar de Nossa Senhora dos Prazeres, na igreja de São Paulo ( Seminário ), a capela das Almas, na Aveleda, e na pedra o chafariz do Pelicano, na praça do Município. Ainda, talvez se possa atribuir ao seu talento o chafariz de Dom Rodrigo, no largo do Paço e o púlpito da igreja do Salvador. Mas Smith foca também em estampas os cadeirais de S. Bento da Victória, no Porto e, em Braga, trabalhos em São Vicente, S. Francisco, Santa Cruz, Congregados e, no campo de Artes Gráficas, os códices do Arquivo de Santa Cruz. Atribuindo a Câmara de Braga, o nome do escultor e entalhador Marceliano Araújo, veio de certa maneira relembrar o nome de um bracarense que impôs a arte da talha no século XVIII. Braga, 24 de Abril de 2008 LUÍS COSTA


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Rua Luís Soares Barbosa
RUA LÚIS SOARES BARBOSA Situada na Urbanização do Feira Nova, entre as ruas Fernando de Oliveira Guimarães e Antero de Quental, a rua Luís Soares Barbosa, pretende homenagear o industrial de talha que tendo por principiar a aprender na oficina de seu irmão na rua Cruz de Pedra, se veio a impor, na melhor tradição dos entalhadores e enxambradores bracarenses. Tendo cultivado como poucos a sua arte, são suas as palavras que inseriu num nunca acabado diário : “Sempre tive um grande amor pela minha arte – a escultura e madeira”. Era natural desta cidade onde nasceu em 1881 onde viria a falecer em 1959. Em 1905, Soares Barbosa, está em Lisboa, na casa do entalhador José Maior, na rua da Horta Seca, onde se foi aperfeiçoando a arte que bem cedo o apaixonou, a ponto de ter sido reconhecido e depois recomendado pelo escultor António Teixeira Lopes, bem como pelo Visconde de Pindela para uma estada em Paris, onde permaneceu desde Janeiro de 1906 até Outubro de 1909. Na Cidade das Luzes, Luís Soares Barbosa, contacta com alguns artistas dos mais prestigiosos das casas de mobiliário artístico da época, como a Casa Kiger e a Dudouit Frères, tendo sido, pelo o seu trabalho, objecto de louvor público. Enquanto permaneceu na capital francesa, estudou artes decorativas na Escola da Place des Voges, tendo então sido discípulo de Solin, onde se entusiasmou pela arte Déco, então a ensaiar os primeiros passos, entusiasmo que o levou a introduzir este novo estilo de mobiliário em Portugal. Tendo a pedido do seu irmão regressado a Braga, para com ele co-dirigir os Móveis Soares Barbosa, então a instalar na Avenida Central, no prédio onde hoje ainda se encontra com a gerência dos seus herdeiros, depressa a novel firma atinge uma notável reputação. Em 1928, já com cinquenta operários, é distinguida pela notável qualidade doa seus trabalhos, atestada pela subscrição pública aberta pela Sociedade Nacional de Belas Artes com o fim de o Estado Português adquirir uma mobília de sala Luís XV, constituída por 34 peças em nogueira, posta em leilão pelo seu proprietário. A circular envidada que anunciava essa subscrição dizia tratar-se de “a mais rica e valiosa mobília de sala, única existente no Pai, que de modo algum, devia sair do património nacional”. No entanto, Luís Soares Barbosa, não se fixou só pela arte da talha e arte di mobiliário. Também dedicou muito do seu saber ao desenho do mobiliário, do ferro forjado à tapeçaria, ocupando assim um lugar de relevo no panorama nacional das artes decorativas da primeira metade do século vinte. Algum do seu espólio artístico foi exposto, quando em 1990, aquando da comemoração do centenário de Moveis Soares Barbosa, se apresentaram na oficina que ainda hoje continua onde em 1890 se instalou, maneira que com orgulho os seus sucessores prestam àquele artista a quem se deve o prestígio que esta casa ainda hoje tem. Braga, 12 de Junho de 2008. LUÍS COSTA


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Rua do Anjo
RUA DO ANJO Em 19 de Janeiro de 1919, é proclamada a Monarquia no Porto e em Lisboa. Como resultado foi declarado o estado de sítio em todo o Continente. No entanto esta declaração é efémera, pois a 24 de Fevereiro seguinte a revolta é subjugada no Sul. No norte os monárquicos ainda se aguentam durante 25 dias, até 13 de Fevereiro. Durante este pequeno espaço de tempo foi criada uma Junta Governativa do Reino chefiada por Paiva Couceiro. Este órgão governativo ficou conhecido como o governo da Monarquia do Norte, conhecido popularmente pela “Monarquia do Quarteirão”. Em Braga, um grupo de monárquicos ao tomar conhecimento da rebelião que tinha eclodido para a instauração do antigo regime, aplaudiu e declarou-se a favor, tendo tomado posse da Câmara. Logo em 30 de Janeiro, em Lisboa e Porto, ruidosas manifestações tiveram lugar a favor da República. Entretanto o descontentamento popular, abriu inscrições para se constituírem batalhões de voluntários para defender a República, ao mesmo tempo que os militares do Corpo Expedicionário Português, recentemente chegado de França, organizam uma coluna para a defesa do regime instaurado em 1910. Após os combates por todo o litoral centro, a guerra civil, que tinha eclodido com a frustrada monarquia, os republicanos entram no Porto, e sufocaram a intentona. Estava-se então no dia 13 de Fevereiro. Em 14 de Fevereiro de 1920, um ano decorrido sobre a derrota das forças monárquicas, a câmara de Braga, sob a presidência do doutor José Leão Ferreira da Silva, querendo assinalar o dia do fim da guerra civil no ano anterior, atribuíram o topónimo de rua 13 de Fevereiro, à antiga rua do Anjo, nome que perdurou até 3 de Agosto de 1942, data em que de novo foi rectificado, passando à sua anterior denominação, rua do Anjo. Esta rua já vem mencionada no mapa de Braun, e bem assim no mapa de André Soares. Sabemos por documentos anteriores à data do mapa de Braun, de 1594, que pelo ano de 1540, se principiaram a edificar casas com seus quintais, junto ao muro exterior da muralha medieval de Braga. No entanto, este velho arruamento teve, entre 11 de Novembro de 1909, até dias depois da eclosão do movimento republicano, em 1910, o nome do Doutor António Maria Pinheiro. O seu início é no Largo Carlos Amarante, no gaveto formado pela Igreja de Santa Cruz e edifícios fronteiros, sensivelmente no antigo lugar do Castelo Rodrigo, e vai terminar à entrada do Largo de Santiago. É um arruado bastante estreito, mas é uma das vias de acesso, do centro da cidade, ao Governo Civil, Esquadra da P.S.P., museus Pio XII e Medina, museus situados no antigo Seminário Conciliar de Braga. Algumas casas desta rua são, possivelmente, do século XVIII. Nos seus quintais pode ver-se um pano da muralha fernandina, que partindo das traseiras das casas do largo de Santa Cruz, foi interrompida pela construção do Seminário Conciliar. Nesta rua encontram-se algumas oficinas de recuperação e construção de móveis em talha. Neste arruado passam na Semana Santa, as procissões de Ramos, do Ecce-Homo e do Enterro. No adro da igreja de Santa Cruz, igreja que margina grande parte da rua, no domingo de Ramos, faz-se a cerimónia da Bênção de Ramos e, à tarde, neste mesmo adro, quando ali passa a procissão, se realiza o sermão do encontro entre a Virgem Mãe e Jesus Cristo, cerimónia religiosa que sempre atrai numeroso público. Braga, 28 de Julho de 2008 LUÍS COSTA


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Rua Doutor Justino Cruz
RUA DOUTOR JUSTINO CRUZ Com início no Campo Conde de Agrolongo ( Campo da Vinha ) e términus na rua do Souto, a rua Doutor Justino Cruz, foi aberta em 1921. No final da segunda década do século XX, foi sugerido em reunião camarária que deveria ser ligado o Campo da Vinha ao largo de Santiago, dando acesso directo ao Governo Civil. Para isso foram sugeridas várias propostas sendo que uma delas indicava que poderia ser aproveitada a rua do Castelo, passando pela do Janes, largo São João do Souto e atravessando a zona histórica chegaria ao almejado largo de Santiago. Esta disparatada sugestão, apresentada por um iluminado edil, do qual não mencionamos o nome, mas que pode ler-se na acta da sessão camarária de então, dizia que “mais valeria sacrificar-se o templo de São Francisco, do que qualquer outra”. Felizmente esta proposta do ilustre vereador foi rejeitada “sem apelo nem agravo”, e escolhida a que partindo do Campo da Vinha, como se pretendia, apenas viria a derrubar, do lado do Campo, uma casa com estabelecimento comercial, “Casa Franqueira”, e na rua do Souto uma ou duas casas, e o terreno entre elas era apenas ocupado em parte pela cerca do antigo Paço dos Arcebispos ( onde chegou a ser projectado o Mercado Municipal ),e que é o traçado de hoje. Na reunião camarária de 14 de Outubro de 1921, o vereador Pereira Veiga, fazendo um caloroso elogio às “qualidades morais e intelectuais do malogrado republicano Dr. Justino Cruz, cujo aniversário fúnebre se passa (ou) no dia onze do corrente propôs como homenagem desta Câmara fosse dado o seu nome à nova rua que anda em construção e que liga a praça Conde de Agrolongo com a rua do Souto”. A esta justa homenagem associaram-se com palavras de merecido elogio do “carácter do grande cidadão e republicano que foi Justino Cruz, o senhor presidente e o vereador Ferreira Capa, sendo a proposta aprovada por aclamação”. No entanto, em 24 de Fevereiro de 1944, a Câmara resolveu rebaptizar esta rua atribuindo-lhe o nome de Francisco Sanches, bracarense, pelo menos de baptismo, pois foi baptizado em 25 de Julho de 1551, na velha igreja de São João do Souto, possivelmente românica, que tinha sido doada em 1161, (doc. nº.486, LIBER FIDEI) ao arcebispo Dom João Peculiar e à Sé de Braga, por Pedro Ourives. Francisco Sanches, cristão-novo, foi estudante em Montpllier e Bordéus e em Itália. Mais tarde regeu cadeiras nas Universidades de Montpllier e Tolosa, médico do czar da Rússia, etc. Considerado como um dos iniciadores da Filosofia Moderna, percursor de Bacon e Descartes, Francisco Sanches, é o autor do “Carmen de Cometa”, do “Quood Nihil Scitur, dos “Ópera Médica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Pela Universidade de Montpllier, Doutorou-se em Medicina, com apenas 24 anos. Médico, Matemático, Filósofo, foi, na Europa Renascentista, um dos espíritos mais brilhantes de então. Esta rua em 1952 foi prolongada até ao largo de São do Souto, tendo para isso sido derrubadas duas ou três casas da rua do Souto, fronteiras à rua rebaptizada, e sendo também nesta data derrubado o centenário estabelecimento “Frigideiras do Cantinho”, no referido largo de São João do Souto. Deste prolongamento ficou beneficiada a “Casa do Passadiço”, surgindo novos estabelecimentos neste espaço, um dos quais foi o sucessor do centenário estabelecimento. Após o 25 de Abril, em sessão camarária de 5 de Junho de 1974, foi resolvido que deixasse de ser considerada a rua Francisco Sanches desde o Campo da Vinha até à rua do Souto, passando de novo a ter esta parte do arruado o nome do Dr. Justino Cruz e, que permanecesse o topónimo de Francisco Sanches, dado que era uma figura bracarense de grande vulto, filósofo do século XVI, que mereceu ter a consagração da cidade de Braga, ficasse o seu nome no troço que desde a rua do Souto liga ao largo de São João, direito que lhe competia, e onde se vê a inscrição na igreja que atesta o seu baptismo. Neste largo foi colocada a estátua do consagrado filósofo, Francisco Sanches, devida ao escultor Barata Feio. Separa a rua Justino Cruz, mais ou menos a meio, o Jardim de Santa Bárbara e o largo Dr. Ferreira Salgado, e ainda entronca com a rua Eça de Queiroz, espaços que de Braga, de que falaremos em outra crónica. A rua Justino Cruz, estava inicialmente projectada para ter a largura do troço que ficou com o nome de Sanches mas, por uma decisão oficial que classificou, parte da construção que faz gaveto nascente com a rua do Souto, como de interesse público, ficou com o traçado que hoje vemos. No largo Dr. Ferreira Salgado, está instalada a sede da Comissão Regional do Verde Minho, e todo o espaço restante de um moderno complexo, foi ocupado por uma rede de estabelecimentos comerciais, banco e escritórios. Por aqui passava o circuito romântico conhecido pelo “Passeio dos Tristes”, que pela rua do Souto, largo Barão de São Martinho, Arcada da Lapa, largo de São Francisco, rua dos Capelistas e rua Justino Cruz, ao fim das tardes, era o passeio habitual dos namorados de então. Braga, 21 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA


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Rua Custódio Vilas Boas
RUA CUSTÓDIO VILAS BOAS UM EPISÓDIO DAS INVASÕES FRANCESAS Março de 1809. Uma segunda invasão francesa, comandada pelo General Soult, entra em de Portugal, vencendo as serranias do Alto Douro, Trás-os-Montes e Minho, onde, pela estrada de Chaves, chega à serra Amarela, no caminho de Braga. No planalto da Falperra, possivelmente no local onde se encontra a pequenina ermida de “Madalena, a Penitente”, encontra uma resistência constituída por algumas ordenanças mal armadas e municiadas, milícias de povo rústico armado de roçadeiras, chuços, e alguns patriotas também com rudimentares armas, burgueses e poucas gentes da nobreza. Comandava a defesa do norte do País, o General em chefe Bernardim Freire de Andrade que tinha como seu Quartel Mestre, o capitão Custódio José Gomes de Vilas Boas, mais tarde, segundo o seu assento de óbito, tenente-coronel. Com tão escassos meios a opor ao invasor, dotado de escolhidos e experimentados soldados, com poder de ofensiva ainda bastante forte, apesar de toda a vontade de repelir as tropas francesas, oferecendo alguma resistência, traduzido pelo desnivelado combate (dizem que no local no local da ermida de Madalena, a Penitente, escavando o terreiro, se encontram ossadas dos mortos na refrega), o General Freire de Andrade, face à desvantagem das forças que comandava, retirou para Braga, onde poderia melhor estabelecer a defesa da cidade. Esta estratégica retirada, não foi bem vista pelo povoléu, que amotinado julgou Freire de Andrade, como jacobino e francesismo, pois tinha o labéu de ter tomado parte na famosa Legião Portuguesa, incorporada à força no exército francês, aquando da Primeira Invasão comandada por Junot. Ora, a mancha infamante não recaiu apenas sobre Freire de Andrade. O seu Quartel Mestre, Custódio José Gomes de Vilas Boas, apanhou por tabela essa injusta desonra. A fúria do povileu, alimentada por certo por mal querença, descarregou sobre essas duas notáveis figuras de portugueses, a sua indomável raiva. Um e outro pagaram, com a vida, o seu patriótico exemplo. Primeiro, em 17 de Março, é assassinado Bernardim Freire. Diz o assento de óbitos de São José de São Lázaro : “Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e nove faleceo com todos os sac. digo faleceo porque o matarão em o Campo de Santa Ana com tiros o General em chefe Bernardim Freire seo corpo foi posto em hum Caixão e sepultado em esta Parochia de São José e athé ao Prezente nada teve de sufrágio …” Em consequência do avanço das tropas napoleónicas, avanço que, na região atribuíam a traição dos chefes militares portugueses, temendo pela sua segurança, Vilas Boas, refugia-se no Convento de Tibães, tendo ali sido procurado pela enraivecida, turbulenta e desorientada turba. Trazido para Braga, é assassinado, também a tiro, no Campo de Santa Ana, no dia seguinte ao da morte de Freire de Andrade, 18 do mês de Março de 1809. Diz o autor Bernardino Amândio, na publicação “O Engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas”, que : “Apesar de ter desaparecido com Vilas Boas, o notável Engenheiro Militar e hidráulico, a figura culta e profunda que se surpreende nas obras e escritos que nos legou o Livro de Óbitos de São Lázaro apenas se limita a acrescentar a causa da sua morte, em “o dia de guerra” e o local da sua sepultura ‘na paróquia de S. José, sem nada ter por sua Alma ’. Mas quem era o Vilas Boas e qual o interesse de o seu nome figurar numa das artérias de Braga, precisamente na zona da central de camionagem, com entrada pela avenida Norton de Matos ? A isto responde Arnaldo Gama, ao dar-nos a sua biografia, na obra “O Sargento Mor de Vilar” : “Custódio José Gomes de Vilas Boas, Quartel Mestre General, era oficial de engenharia, homem inteligente e de muito saber, Foi o primeiro engenheiro a quem se incumbiu a canalização do Cávado, assunto sobre que deixou escritas algumas memórias …Gozava de toda a confiança e amizade de Bernardim Freire, a quem tinha auxiliado valiosamente com o seu saber e com a sua energia na organização da defesa do rio Minho. A circunstância, porém, de já ter estado preso por ‘inconfidente’, fazia-o odioso à plebe, que desde muito o tinha na conta de jacobino e de traidor e inimigo da pátria”. Desde longa data que os comerciantes, marítimos, agricultores e industriais do vale do Cávado (Baixo Minho e até Trás-os-Montes) vinham reclamando junto dos poderes públicos o aproveitamento da foz do rio, em Esposende, para se formar ali um porto de mar, ao mesmo tempo que achavam que seria de toda a conveniência, para desenvolvimento e escoamento dos produtos daquelas regiões que fosse encanado o rio. Sabe-se que, pelo menos, no ano de 1795, dadas as exposições feitas pelos interessados, a Rainha Dona Maria I, “reviu e compreendeu o alarme da gente de Esposende e deve-se o primeiro estudo sério e talvez único até aos nossos dias. Por Alvará de 20 de Fevereiro de 1795, aprovou o plano de obras de canalização e navegação do rio Cávado, desde a sua foz até ao Vau do Bico, na confluência dos rios Cávado e Homem”. (1) No entanto só no dealbar do século XIX, é que o antigo desejo dos povos do Baixo Minho principiou a tomar verdadeiras providências para se vir a concretizar tão audacioso projecto, com a entrega da direcção, projecto e demais necessárias acções, ao Capitão de Engenharia, Custódio Vilas Boas. Do projecto fazia parte a construção do porto para entrar na barra de Esposende e na Anceada dos Cavalos de Fão. Vilas Boas chegou a dar início as obras, mas o estado de guerra em que o País se viu envolvido, fez com que elas fossem interrompidas e jamais voltando a ser retomadas. Para isso contribuiu o desaparecimento inglório do Engenheiro Director. Para esse empreendimento, as Câmaras directamente interessadas foram autorizadas a lançar um imposto para as “Obras do Encanamento do Cávado”, imposto que se manteve por muitos e dilatados anos, apesar de que já ter sido posta de parte a causa, ressuscitada sem êxito, por volta dos anos 30 ou 40 século XIX, prontamente rebatida pelas gentes do Porto, alegando, conforme diz uma acta da Câmara de Braga da época, que um porto de mar em Esposende, prejudicaria em muito a sua cidade, teoria que foi avante e assim morreu o projecto inicial de um porto de mar na foz do Cávado. Portanto a Câmara de Braga ao atribuir o nome de Custódio Vilas Boas, a uma artéria da cidade, não mais fez do que homenagear uma figura minhota distinta que só pelo destino não pode contribuir para o engrandecimento e economia, não só do Minho, mas também da cidade de Braga. Braga, 26 de Junho de 2008 LUÍS COSTA (1) Amândio – Bernardino – O engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas, pg. 24


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Rua Cónego Avelino de Jesus Costa
RUA CÓNEGO AVELINO DE JESUS COSTA Situada na freguesia de Nogueiró, a rua Cónego Avelino de Jesus Costa, foi aprovada pela Câmara Municipal de Braga, em sessão de 5 de Abril de 2001, depois de ter sido sugerida pela Comissão de Toponímia de 9 do mês anterior. Tem princípio na rua Dr. Amândio César e vai terminar na rua Francisco Gomes. Avelino de Jesus Costa, foi um ilustre membro do Cabido Metropolitano e Primacial Bracarense, estudioso incansável, que desde muito novo se interessou pela história da igreja bracarense, a par de outros estudos, alguns sobre a religiosidade da sua terra natal, estudos sobre epigrafia, conferências e imensos artigos em publicações especializadas e imprensa local e nacional. O senhor Cónego Eduardo Melo Peixoto, ao tempo Deão da Catedral Bracarense, na revista “THEOLOGICA”, a propósito da homenagem que em 1993, a Universidade Católica Portuguesa lhe prestou na data em que se comemorou os 86 anos da sua vida exemplar, entre outros considerandos diz : “A milenária Corporação que é o Cabido Metropolitano e Primacial Bracarense pode orgulhar-se, legitimamente, de si mesma, das suas missões e dos membros que a integram…quero exalta, sem pecar por excesso, um dos mais ilustres Capitulares de sempre que ainda hoje, graças a Deus, orna a Instituição Capitular: Sua Senhoria Ilustríssima o Cónego Professor Doutor Avelino de Jesus Costa, jubilado mestre da Universidade de Coimbra e emérito capitular bracarense…Historiador de mérito, sempre fundamentava na “mestra da vida” o seu ditame”. Por sua vez, Dom Eurico Dias Nogueira, então ainda ocupando a Cadeira Arcebispal Bracarense, refere : “ O Cónego Avelino de Jesus Costa – Professor e Doutor, na óptica académica – é um homem invulgar, embora não único, certamente. Invulgar, pela sólida cultura que possui; não é frequente deparar com mestres da sua envergadura. Invulgar, pela capacidade de fazer discípulos; não é frequente encontrar professores que se esforcem, como ele, por criar escola, suscitando seguidores entre os alunos…. Invulgar, pala quantidade de trabalhos que publicou e continua a editar.” De facto, a sua bibliografia é tão vasta que seria imprudente aqui a mencionar. São perto de quatrocentas as obras que entre monografias e analíticos de monografias, obras em co-autoria, artigos em publicações periódicas, artigos em dicionários e enciclopédias se devem ao seu labor intelectual. Dom Eurico diz mesmo que: “… não é frequente descobrir um, escritor com tamanha bibliografia, em que cada título é o fruto de aturada investigação, a exigir paciência beneditina.” Associaram-se, aquando da homenagem prestada ao “servidor de Deus e dos Homens”, como Dom Eurico o classifica, publicando no numero especial da Revista “THEOLOGICA” testemunhos os já indicados Senhores Arcebispo Primaz e Cónego Melo, o Director do Serviço de Estudos e Difusão ( Santuário de Fátima ), Padre Luciano Cristino e o Presidente da Academia Portuguesa de História, Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. Colaboraram neste número especial, entre outros o Cónego Prof. Doutor José Marques, o Prof. Doutor João Francisco Marques, o Prof. Doutor José Matoso, o Prof. Doutor Franquelim Neiva Soares, o Prof. Doutor Amadeu Torres, enfim a nata da cultura portuguesa e até notáveis figuras estrangeiras. Mas de toda a sua imensa obra não podemos deixar de referir os seus trabalhos “O Bispo Dom Pedro e a organização da Diocese de Braga”; a edição critica, em três volumes, respectivamente publicados o primeiro em 1965, o segundo em 1970 e finalmente o último, em 1990, do Cartulário “Liber Fidei” e ainda a monografia da “Santa Marinha da Nóbrega”, do lugar do Barral, Ponte da Barca, onde nasceu em 4 de Janeiro de 1908, há portanto cem anos, data que mereceu ser lembrada em Braga. Pena é que tão ilustre figura tenha sido só e apenas distinguida pela Câmara da terra que por ela tanto se bateu, em “obras valorosas”, com a colocação do seu nome, numa placa toponímia de uma freguesia ( note-se que não pretendemos desprezar a freguesia de Nogueiró, mas achamos que um individuo de tal categoria mereceria um lugar mais central da cidade). Esperemos que agora, decorridos cem anos sobre a data do seu nascimento que os edis camarários, prestem homenagem a sua memória com a atribuição a título póstumo, da medalha de reconhecimento bracarense. Braga, 7 de Março de 2008 LUÍS COSTA


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´Rua António Peixoto
RUA ANTÓNIO PEIXOTO ( Pachancho ) Situada também na Urbanização de Infias, a rua António Peixoto, tem o seu início na rua Feliciano Ramos, logo por perto onde o conhecido industrial bracarense acabou por instalar a Fábrica Pachancho que, como sabemos, deu vida aos pavilhões que por volta da primeira ou segunda dezena do século XX, o Hospital da Misericórdia principiou por edificar para umas novas instalações dos serviços hospitalares de Braga, obra que não se chegou a concretizar devido a vários factores entre os quais não devia ser estranho o facto da eclosão da Primeira Grande Guerra. Desde cedo, António Peixoto, se interessou pelo ramo automóvel, podendo mesmo afirmar-se que o interesse por esta actividade, deve ter sido iniciada quando, mocinho ainda viu, pela primeira vez, “como a cidade em peso, um automóvel subir a rua do Souto, dar uma volta à Avenida, deter-se em Frente da Arcada” ou, mais tarde, como motorista do “Panhard” da famosa Dona Chica, subir a rua de Santa Margarida, a caminho do Castelo de Palmeira. Dona Maria Rego, uma excêntrica milionária, recordada ainda hoje pela sua extravagância “que despendeu muitos milhares a comprar palácios e a edificar inexplicáveis castelos bretões na Paisagem minhota” , tinha quatro automóveis e três motoristas, e um deles foi o Pachancho, que imediatamente assumiu à qualidade de motorista-chefe. Em 20 de Outubro de 1920, êste grande industrial bracarense, com um reduzido número de operários ( apenas sete ), na então pacata rua de Santo André, começou a exercer a sua actividade com uma oficina de serralharia mecânica. Pouco depois dedicou-se também a outros ramos de especialidade: reparações de automóveis, fabrico de peças em pequena escala, etc. Após um ou dois anos de actividade alargou o seu campo de acção, e principiou a fabricar motores de explosão, especialmente dedicados para a rega, motores que alcançaram grande sucesso como produtos de grande nomeada. O sucesso alcançado levaram-no a transformar e mudar a sua oficina para Infias, para os citados pavilhões do hospital, onde numa verdadeira linha de montagem, principiou a fabricar em série peças destinadas a automóveis: pistões em alumínio e ferro, segmentos de compressão, cavilhas de pistões, camisas para cilindros, culatras, válvulas, enfim todos os acessórios necessários para os motores. Um dos produtos que mais fama deram à Fábrica Pachancho, foram os amortecedores hidráulicos, de grande preferência internacional, que originaram até que a fábrica passasse a denominar-se “Fábrica Nacional de Pistões Pachancho”. Tendo tomado parte em certames nacionais e estrangeiros, foi diversas vezes distinguido como na Grande Exposição Industrial Portuguesa de 1932, onde obteve dois diplomas de Medalha de Ouro e um de Prata; 8º. Salão Automóvel (Palácio de Cristal) Porto, 1932, Medalha de Ouro; Exposição Colonial, Porto, Medalha de Ouro e outras muito mais exposições que seria fastidioso enumerar. Quando António Peixoto abriu a sua pequena oficina, já pelas estradas portuguesas circulavam os primeiros automóveis e camionetas que o País vira. As péssimas estradas de então, proporcionavam avarias constantes, desgastes de peças, carros parados empanados nas valetas. As reparações levantavam um problema difícil de resolver: a falta de peças para substituir as que se haviam inutilizado, era notória. Pachancho, com a sua visão de homem de futuros horizontes, achou que o remédio era produzi-las. E assim fez. Apesar de os seus conhecimentos das leis da química e da física que reagem à mistura da dose de carvão necessário ao ferro, uma conhecimento intuitivo das temperaturas, o seu olhar experiente, colmatava o seu desconhecimento técnico. Era, de facto, um ser excepcional. Um exemplo disso tivemos conhecimento. No final da Guerra de 39/45, uma avaria na máquina de projecção do Teatro Circo, deu como resultado que a peça se tornava insubstituível pela sua falta no mercado. A Alemanha de então não estava em condições de, rapidamente, fornecer uma substituta e, no mercado nacional, não havia em stok. Alguém lembrou, a Fábrica Pachancho, é a solução. E assim foi. António Peixoto, ao ver a peça logo indicou o bronze especial de que era feita e se encarregou de nesse mesmo dia a produzir. Nem sequer um dia se deixou de dar espectáculos cinematográficos, graças ao saber do grande industrial Pachancho. Por estes anos lançou-se ao fabrico de bicicletas motorizadas, e elas imediatamente tiveram aceitação não só no País como no estrangeiro. Mas uma coisa que ele não consegui concretizar e que se o tivesse atingido, certamente Braga, estaria hoje colocada a nível das grandes cidades industriais do Universo. Por uma acta da Câmara de Braga, soubemos que António Peixoto, chegou a pedir um alvará, que lhe foi concedido, para a construção na sua fábrica de veículos automóveis. Bracarense de origem modesta, de seu nome completo António Gomes do Vale Peixoto, nasceu numa Noite de Natal, na freguesia de Maximinos, e o seu apogeu industrial deu-se quando Braga estava prestes a entrar em crise pela passagem para São João da Madeira da indústria que até então mantinha a cidade numa certa prosperidade - as fábricas de chapéus e calçado – e faleceu na sua casa da rua de Santo André, no dia 31 de Março de 1958, deixando para a posteridade um nome que honra a cidade que o viu nascer – PACHANCHO. Braga, 18 de Maio de 2008 LUÍS COSTA


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Rua António Marinho
DOIS INDUSTRIAIS QUE MARCARAM BRAGA NO SÉCULO XX RUA ANTÓNIO MARINHO Com inicio na Praça das Fontainhas, (urbanização de Infias), a rua António Marinho, vai terminar na Estrada Nacional nº 101, ou seja na estrada de ligação a Vila Verde e Alto Minho. Ao ser atribuído o nome de António Marinho (António de Magalhães Afonso Marinho) pretendeu a edilidade bracarense homenagear, postumamente, o industrial de camionagem que, pela sua visão extraordinária, conseguiu quebrar um certo isolamento em que a cidade arcebispal vivia, dado a falta de transportes de que a urbe bracarense necessitava. É certo que estava desde 1875 servida, mal, pelo Caminho de Ferro entre Braga, Porto, Barcelos e Viana com horários quase desajustados ao serviços dos utentes. Tendo assistido ao desenvolvimento dos transportes rodoviários, nos finais dos anos 20 do passado século XX, logo se apercebeu da importância que as ligações por estrada podiam trazer o quebrar o isolamento das terras que por elas seriam servidas ao mesmo tempo que seria o meio de contribuir para o empreendimento do comércio e indústria. Assim pensou aproveitar a oportunidade e lança as primeiras carreiras que a partir de Braga, se destinariam às terras circunvizinhas. Foi aos poucos desenvolvendo uma Empresa que à data da sua morte, era considerada como a MAIOR EMPRESA DE CAMIONAGEM A NORTE DE COIMBRA. Desta cidade, séde da sua Empresa, saíam carreiras para todas as localidades do Distrito e extravasava para outros, como Porto, Viana e Vila Real. Foi sempre sua preocupação dominante ter Braga como séde do seu empório industrial. Várias vezes foi instado em transferi-la para o Porto, sempre negou essa possibilidade, pois pretendia que de Braga irradiasse todo o movimento rodoviário. Tal foi a influência desta empresa na região que servia que, ainda hoje, passados vários anos da nacionalização, quando qualquer carreira da Rodoviária que serve os mais recônditos lugares do Distrito e não só, todos dizem “É A CARREIRA DO MARINHO”. No final da Guerra 39/45, juntamente com vários industriais de camionagem fundou uma das maiores empresas do Ramo Automóvel a UTIC “União de Transportadores para o Comércio e Importação do Ramo Automóvel”, destinada a servir todos os transportadores filiados na Empresa, coisa que deixou admirados os grandes exportadores estrangeiros. Contribuiu com o seu conselho para que António Peixoto ( Pachancho) de que falaremos a seguir, para a compra dos antigos pavilhões do hospital, onde esteve instalada por vários anos a Fábrica Pachancho. Podemos dizer que foi graças à sua acção, dotando a cidade com meios de comunicação entre toda a região Norte, que Braga teve o primeiro impulso para o seu actual desenvolvimento. António de Magalhães Afonso Marinho, nasceu em 8 de Dezembro de 1879 e faleceu na sua casa da Avenida da Liberdade, onde se situava a sede da Empresa, no dia 16 de Maio de 1950, há precisamente, faz hoje ( dia em que estamos a escrever esta crónica) 58 anos. Na sua juventude foi apaixonado desportista. Praticou ciclismo e foi animador dos primeiros tempos do incipiente futebol, tendo sido até dirigente desportivo. A par do seu entusiasmo pelo desporto, foi sempre grande entusiasta por todas as organizações levadas a efeito na sua terra, tendo sido um dos dirigentes do Teatro Circo e de outras sociedades de recreio. As Festas de São João também tiveram o seu contributo e disso temos a certeza por um programa das Festas levadas a efeito no já longínquo ano de 1901, onde se destaca uma fotografia que então o incluía entre outras figuras gradas da cidade. Braga, 16 de Maio de 2008 LUÍS COSTA


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Rua Álvaro Dória
RUA ACADÉMICO ANTÓNIO ÁLVARO DÓRIA Situada entre a Avenida Antero de Quental e a rua Albano Belino, (zona do Feira Nova) o topónimo “Académico António Álvaro Dória”, foi atribuído pela Câmara Municipal, em homenagem à ilustre figura de um homem que não sendo natural de Braga, muito contribuiu para, através de entre outros, nos seus trabalhos na Revista “Bracara Augusta” projectar bem longe, o nome da Cultura Bracarense. Álvaro Dória, de seu nome completo António Álvaro da Silva Dória, nasceu no Porto a 26 de Outubro de 1902. Filho do professor Raul Dória, fundador da Escola do mesmo nome para o ensino da contabilidade, “formou-se dentro do mesmo espírito”, diz o “in memoriam” publicado em “Bracara Augusta”, após o seu falecimento. Na Escola do seu pai tirou o Curso Geral do Comércio, passado a fazer parte, apenas com 17 anos, do seu corpo docente. Ainda durante alguns anos e depois da morte de Raúl Dória, continuou a leccionar na mesma escola. No entanto em 1929, deixou o Porto e veio definitivamente para Braga, onde no ano seguinte se fixou com a família até à data da sua morte ocorrida em 9 de Setembro de 1990. Nesta cidade desempenhou diversificadas actividades docentes: foi em vários colégios da cidade, professor de português, francês, inglês, e história. Na escola Industrial e Comercial Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, leccionou as cadeiras de Contabilidade e Grafias. Dentro das suas habilitações profissionais, foi contabilista de algumas empresas bracarenses e foi nomeado como perito contabilista nos Tribunais de Braga e Monção. Membro destacado de associações culturais e profissionais, podem mencionar-se a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Associação Jurídica de Braga, Sociedade Martins Sarmento, Academia Portuguesa de Ex-Libris, Instituto Português de Heráldica, Sociedade de Geografia de Lisboa. As associações estrangeiras também figuravam no seu curriculum – British Historial Society e Academia degli Artisti e Professionisti de Roma, Associação Internacional de Contabilidade. Foi sócio fundador da Associação Portuguesa de Técnicos de Contas e do Sindicato Nacional dos Contabilistas e Empregados de Escritório de Braga. A sua actividade como publicista e investigador distribui-se pelos domínios da historiografia, da literatura, da língua, da administração e da contabilidade, deixando inúmeros trabalhos em jornais, revistas da especialidade e em livros. Traduziu ainda para português vários autores ingleses e franceses. Além da “Bracara Augusta”, colaborou em outras revistas como “Quatro Ventos”, na “Sciência Jurídica”, e ainda no “Dicionário da História de Portugal” e no “Dicionário da Literatura Portuguesa, Brasileira e Galega”. Na “Bracara Augusta”, o Académico António Álvaro da Silva Dória, além de ter publicado vários artigos de índole histórica, desde os anos 50 do passado século vinte, sempre a sua escrita se fez sentir através da secção “Gabinete de Leitura”, colaboração que apenas foi interrompida pela sua morte. Mas para além das suas qualidades invulgares de trabalhador infatigável e prolífero, diz o “in Memorian” referido já, Álvaro Dória deixou àqueles que com ele mais directamente privaram um raro exemplo de integridade moral, de responsabilidade cívica e de desprendimento pessoal, de resto qualidades que lhe foram reconhecidas quando em Braga, há anos se Comemorou o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Presidente da Republica Portuguesa, Mário Soares, o condecorou. Braga, 16 de Junho de 2008 LUÍS COSTA


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Rua Moura Coutinho
R U A M O U R A C O U T I N H O Com início na rua Lopes Gonçalves a rua Moura Coutinho vai entroncar na rua Padre Cruz. A Câmara Municipal a atribuir este topónimo não mais quis que homenagear um arquitecto que não sendo bracarense, deu a Braga, ao longo mais de cinquenta anos a sua colaboração, enriquecendo a cidade com a sua arte de projectar edifícios, que hoje marcam uma época. Conhecedor profundo de todas as matérias ligadas à arquitectura, desde a clássica à “Belle époque”, foi um grande artista “para quem a arte de edificação não tinha segredos”. Das artes antigas, o seu conhecimento revela-se no restauro da Capela de São Frutuoso, em Montélios, levada a efeito pelos anos de 30/40 do século findo, o que originou, neste diário, uma saudável e polida polémica com o estudioso Dr. Manuel Monteiro. A sua maneira de desenhar influenciou, em Braga. a primeira metade do século XX, fazendo com que outros lhe seguissem as pisadas. Podemos dizer que toda a ala poente da Avenida da Liberdade, entre o Teatro Circo, a sua mais emblemática obra, inaugurada em 15 de Abril de 1915, até à Praça da República, passando pela sua “Casa do Artista” – Farmácia Brito - distinguida então pela revista “Arquitectura Portuguesa” - e passando para o lado Nascente, para o edifício do Turismo, projecto do qual mais tarde se arrependeu. Penalizando-se de tentar aqui o “moderno”, desenha o edifício do antigo Café Cinelândia, hoje usado por uma loja de roupa. Mas nem só nesta artéria deixou, Moura Coutinho, a sua marca de arquitecto. Por esta Braga, várias são as fachadas devidas ao seu gosto. Assim à entrada da avenida 31 de Janeiro, no gaveto formado com o largo da Senhora-a-Branca, uma casa feita para o general Lobato Guerra – hoje parte dela ocupada por uma clínica e a outra como sede de um partido político. No largo Barão de São Martinho, à entrada da rua do Souto, é também da sua lavra o edifício do Jornal de Noticias. O Banco de Portugal, o Lar Conde de Agrolongo, a fachada da igreja do Carmo, a remodelação interior do antigo tribunal, tendo idealizado, numa notável e feliz solução o desenho da escadaria principal, em espiral elegante e nobre, hoje solução que já não se pode observar por o interior do tribunal ter sido destruído, obedecendo ao tal vendaval do progresso, que tem arrasado muitos testemunhos do passado. Mas a actividade de Moura Coutinho não se ficou pela sua terra de adopção. Assim no Porto, Lisboa, Viseu, Lousã, Póvoa de Varzim, Coimbra, estão assinados vários dos seus projectos. Sabemos que no Porto e Lisboa, são projectos seus os edifícios do antigo Banco do Minho. Em Coimbra é da sua mão o Hotel Astória. O Banco de Portugal de Viseu, a Câmara Municipal da Lousã, a antiga igreja de São José de Ribamar, na Póvoa de Varzim, são, entre outros, alguns dos seus projectos. Na Póvoa, chegou a elaborar, a pedido da Câmara Municipal, dois grandiosos projectos que não se chegaram a concretizar. Tratava, um, do prolongamento do Passeio Alegre, por toda a frente da praia, até à Esplanada do Carvalhido e, o outro da construção de casas de renda económica. Era de facto um artista consumado, considerado pelos seus colegas como um dos mais sabedores e competentes arquitectos, mestre na arte de bem projectar. Segundo a opinião do Juiz Conselheiro Francisco José Veloso, amigo pessoal de Moura Coutinho, exarada na introdução do livro “São Frutuoso”, uma publicação da Aspa, que conseguiu aproveitar uns cadernos que o saudoso arquitecto tinha para publicar, no que foi impedido pela sua morte, e se encontravam adormecidos num armazém do Teatro Circo, pode “dizer-se que a arquitectura bracarense da “belle époque” lhe deve quase tudo”. Sempre rodeado de colaboradores de prestígio, conseguiu na oficina de desenho, na sua casa da rua de São Geraldo criar uma verdadeira escola de arquitectura, da qual saíram bons profissionais que prestigiaram a escola onde praticaram. Podemos de entre eles destacar, José Morais, Amílcar Monteiro – um habilidoso escultor - , o arquitecto Vilaça – que projectou em 1924, A Casa dos Coimbras, aproveitando elementos da demolida primitiva construção manuelina – e aquele que foi, talvez, o seu mais prestigioso colaborador – o pintor Armando de Bastos que, em Braga, trabalhando com o mestre na segunda dezena do século XX, lhe deixou após a sua morte uma valiosa pinoteca, que mereceu a honra de uma exposição evocativa, pelo anos de 40, no Palácio Foz, em Lisboa. Fez no passado dia 20 deste mês 54 anos que faleceu na sua casa da rua de São Geraldo, o arquitecto Moura Coutinho. Nascido em 25 de Março de 1872, na freguesia de Arcos, do concelho de Anadia, viria a falecer em Braga, na madrugada fria de 20 de Janeiro de 1954, como dissemos na sua casa, verdadeira Catedral de Arte. Moura Coutinho, cedo veio para Braga como funcionário da Hidráulica, mas logo principiou por se impor como um verdadeiro cultor da arte de bem construir e, homem dotado de bom gosto arquitectónico, veio a fazer parte da Comissão de Estética da Câmara de Braga, onde pelo seu saber sempre foram acolhidas as suas sugestões para o embelezamento da cidade. Bem andaram os edis em atribuir o seu nome a uma das artérias da cidade, concrectamente, na freguesia de Maximinos. Braga, 21 de Janeiro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 15:52
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