Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Fotógrafo Arcelino
RUA FOTÓGRAFO ARCELINO Arcelino Augusto de Azevedo, hábil fotógrafo de Braga, como ficou conhecido, nasceu nesta cidade em 23 de Setembro de 1913, vindo a falecer também em Braga, no dia 11 de Novembro de 1972. Concluída a Instrução Primária, como era habitual nesses tempos, logo principiou a trabalhar na Casa Santos Lima, fotógrafo prestigiado então com estúdio no Largo Barão de São Martinho, no que viria a dar jus a ser considerado como um dos mais talentosos fotógrafos bracarenses. Ali recebeu os primeiros segredos da arte que veio a seguir. Trabalhador estudante, chegou a frequentar a Escola Industrial, mas o trabalho não o deixou concluir a sua formação industrial. Tendo sido incorporado no serviço militar no Regimento de Cavalaria, depois de cumprido o serviço militar obrigatório passou, em 1934, a trabalhar para Casa Pelicano onde apurou a sua técnica, afirmando o seu nome como apurado artista. Manteve-se nesta casa até 1965, ano em faleceu o proprietário da Pelicano. Neste ano, Arcelino, abriu ao público, no Largo de São Francisco, um estúdio próprio que foi “o culminar de um sonho de longos anos de um fotógrafo que, aos poucos, soube captar a imagem da sua cidade, desde o momento mais importante até aos discretos recantos ou figuras do quotidiano, cuja beleza simples só os olhos sensíveis de um artista, como Arcelino sempre foi, podem descobrir”, diz ASPA num boletim que editou aquando da homenagem que lhe prestou numa exposição de alguns dos seus trabalhos no Museu dos Biscainhos, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 18 de Outubro e 29 de Dezembro de 1985. Pela qualidade dos seus trabalhos, foi constantemente solicitado para colaborar em diversas obras de índole histórica e artística, de entre as quais podemos destacar “Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga”, monumental publicação devida à então Junta Distrital de Braga. Mas não ficou por aqui a sua arte; a qualidade do seu trabalho levou-o a ser escolhido para ilustrações de inúmeros livros, revistas, cartazes, jornais. É muito interessante a sua colecção de postais de Braga e ainda, a sua participação em numerosas exposições individuais e colectivas, algumas de âmbito nacional, como por exemplo “uma sobre Solares Minhotos organizada pelo SNI no Palácio Foz em Lisboa, em 1970.” Para a sua prematura morte, muito contribuiu o ambiente fechado em que era obrigado a trabalhar. Acabou por ser vítima da sua arte e paixão. As más condições de trabalho em laboratórios escuros e abafados, com o manuseamento de ácidos que continuamente respirava, acabaram por ser fatais para os seus pulmões e outros órgãos. Por exemplo, o céu da sua boca, tinha uma tonalidade escura, parecendo que o sangue dali se tinha arredado. Depois da sua morte a sua viúva Senhora Dona Judite Araújo Azevedo, não querendo que o espólio fotográfico do seu marido ficasse perdido, resolveu num gesto altruísta cede-lo para que ficasse para sempre lembrada a arte de Arcelino. Num gesto altruísta procurou quem dele cuidasse. Assim dirigiu-se a um sócio da ASPA, que prontamente anuiu tentando descobrir quem tratasse da conservação da tão valioso espólio, constituído por mais de cinco mil chapas de vidro, com relevantes aspectos da cidade, pelo menos desde os anos 30 até à data da sua morte. Contém este espólio, muitos e muitos trabalhos com que ele enriqueceu o trabalho de Vaz-Osório da Nóbrega, acima descrito, “As Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga, bem como outros aspectos da cidade, festas, cartazes da Semana Santa e São João. Não podia a ASPA, ou o sócio a quem foi doado todo o material fotográfico, por falta de condições armazená-lo. Para isso seria necessário procurar uma instituição que estivesse interessada em cuidar e tratar, como deveria ser, uma parte da história de Braga, vista através de documentação fotográfica. Na altura ainda não existia o Museu de Imagem. Consultada a Universidade do Minho, logo se prontificou a instalar, com todo o necessário para a preservação do material, uma fototeca num edifício do Jardim do Museu Nogueira da Silva, onde com os cuidados para a sua conservação ficou alojado, depois de um protocolo estabelecido entre a ASPA e a Universidade. E assim, com outro espólio fotográfico, o de bracarense Manuel Carneiro, este com fotografias, chapas, postais, máquinas e outros acessórios, material algum datado do início do século XX, se organizou a primeira fototeca de Braga, embrião para o aparecimento do actual Museu de Imagem. Arcelino, a princípio não estava muito interessado em fazer fotografias aéreas da cidade mas, por fim, acabou por também as fazer, utilizando uma máquina especial, própria para fotografar em determinados ângulos. O nome do Fotógrafo Arcelino foi, por decisão camarária, atribuído a uma rua da freguesia de Maximinos. Principia na rua de Abraão e termina na de Professor Mota Leite. Braga, 8 de Maio de 2008 LUÍS COSTA


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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
Praceta Diamantino Martins

PRACETA PADRE DIAMANTINO MARTINS

 

 

Com entrada pela rua Andrade Corvo, a praceta Prof. Padre Diamantino Martins, pretende homenagear o professor-doutor que durante vários anos, foi docente no Instituto Superior de Filosofia Beato Miguel de Carvalho, em Braga,

 

Diamantino Martins, nasceu na Zibreira (Torres Novas), a 26 de Junho de 1910 e faleceu em Braga, no dia 17 de Fevereiro de 1979. Depois de cursar os estudos secundários no Liceu de Santarém e no Seminário de S. Martin de Trevejo (Cárceres), ingressou na Companhia de Jesus, no Noviciado de Oya (Galiza), a 23 de Setembro de 1927. De 1929 a 1934 cursou Humanidades e Filosofia, tendo terminado em Vals-le Puy (Haute Loire, França) onde obteve a licenciatura.

 

A sua ordenança sacerdotal ocorreu em Braga, a 23 de Dezembro de 1932, tendo mais tarde, em 1936, partido para a Bélgica, a fim de cursar teologia em Lovaina. Foi um dos iniciadores primeiros docentes do nascente Instituto Superior de Filosofia de Braga onde, desde 1934 a 1936, leccionou Física, Biologia e Questões Filosóficas, sendo estes dois primeiros anos que representam a primeira fase da sua docência.

 

Professor e rigoroso na sua expressão, diz o Prof. Doutor Lúcio Craveiro da Silva, “interessando-nos a nós que fomos seus alunos pela vivesa e actualidade da sua cultura. Ele mesmo escrevia os seus apontamentos e aditamentos aos textos que nós depois policopiávamos.”

 

O seu temperamento reservado e tímido, continua a informar o falecido primeiro reitor eleito da U.M., Craveiro Silva, estava sempre pronto a atender e a orientar os seus alunos,  juntamente com a sua dedicação, impressionando o rigor das suas lições e a actualidade dos seus conhecimentos.

 

Depois de concluída a sua formação religiosa e ascética, em Salamanca, seguiu para Barcelona onde fez estágio e prestou provas de doutoramento ( 1943 ) na Faculdade de Filosofia de Sarriã, com a classificação máxima de 10/10 (suma cum laude ).

 

Nesse mesmo ano foi nomeado professor de Filosofia no Instituto Superior de Filosofia Beato Miguel de Carvalho, instituto que, em 1947, foi elevado a Faculdade Pontifica de Filosofia, tendo passado a ser professor ordinário.

 

Nesta sua segunda fase de ensino, ocupada desde o restante da sua vida como padre e professor, regeu as cadeiras de Psicologia Racional e Psicologia Científica e, ainda que provisoriamente, a de Criteriologia.

 

Em 1945, juntamente com outros professores, fundou a Revista Portuguesa de Filosofia, da qual chegou a ser um dos directores. Foi docente de Psicologia do Centro do Centro de Estudos Humanísticos, anexo à Universidade do Porto. Na Escola Dom Luís de Castro e Escola de Enfermagem, em Braga, deu regularmente cursos de psicologia e deontologia.

 

Participou em numerosos congressos e a outros enviou comunicações, como no Congresso Luso-Espanhol, em 1942, realizado no Porto; Primer Congresso Nacional de Filosofia, em Mendonza, Argentina;  em São Paulo, no Brasil, Congresso Internacional  de Filosofia e, ainda em Portugal, interveio em Congressos em Coimbra e Évora.

 

Várias revistas nacionais e estrangeiras tiveram a sua colaboração mas, a principal vamos encontrá-la na revista que ajudou a fundar – a Revista Portuguesa de Filosofia - onde assinava os seus trabalhos, por vezes, com as siglas I. K. L. e D. M.

 

Podemos avaliar do valor da sua enorme cultura consultando a sua vasta biografia, mantida entre livros publicados e artigos dispersos pelas revistas da especialidade, que ultrapassa, de longe, a centena.

 

Pelo que se vê, o Prof. Doutor Padre Diamantino Martins, foi um luzeiro que levou, bem longe, a Cultura Bracarense, Como tal, a Câmara de Braga, ao atribuir o seu nome, a uma praceta, pretendeu homenagear uma individualidade religiosa, que não sendo bracarense, muito honrou com o seu profícuo trabalho, a cidade que o acolheu.

 

Braga, 22 de Julho de 2008

 

                                                              LUÍS COSTA     

 



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Domingo, 17 de Agosto de 2008
A lenda das terras e dos rios

 LENDA  DOS NOMES DAS TERRAS  E RIOS

 

                       “…e chamou Deus ao elemento árido Terra

                       e ao agregado das águas Mares

                                                                      (Génesis – 10)

…e depois viu que isto era bom e pensou em percorrer a terra e dar-lhes nomes.

Acompanhado do querubim escriba, pôs-se a caminho. Atravessou continentes e chegou a este canto onde principiou a sua tarefa. Mencionava um nome e logo o escriba o assentava. Os passos seguiam-se e os nomes, surgiam ao gosto de Deus e o querubim ia assentando. Os relevos que eram parte integrante para a escolha e, assim, foram escolhidos os das localidades por onde iam passando.

 

A azafama era grande, e o cansaço se fazia sentir nos caminhantes, mas teria que se aprontar e o esforço valia a pena – era bom ! Chegados a uma monte, onde a vista se alongava, o escriba queixou-se

 – Meu Deus, sinto uma grande dor na cabeça ! Que nome para esta terra ?

Deus, preocupado com a dor do querubim, disse-lhe :

- É dor de ouvidos !

- “ÓBIDOS”, senhor ? e assentou “ Óbidos”.

 

E caminhada continuava. Chegados a um ponto, Deus exclamou :

- Daqui via todos os que criarei !

Sem mais, lá ficou o assento VIATODOS !

 

Passos andados, chegaram a um rio, que corria por entre gargantas cavadas. Qual o escolhido ? E Senhor disse, ele segue por lugar cavado e anjo escreveu Cávado.

 

Já um pouco à frente, o escriba perguntou :

- A este rio que nome se dará ?

O senhor admirado respondeu :

- Outro, homem ? o anjo escreveu “HOMEM”.

 

Continuando na sua tarefa, o Senhor chegou perto do mar e, cansado descansou e adormeceu. Ao acordar disse ao querubim :

-Em sonhos vi Ana! E logo ele assentou “VIANA”.

 

Deixando o estuário do rio, passaram a outros lugares, Deparou-se-lhes um monte. Subindo-o com esforço, regalaram-se com o horizonte que dali se desfrutava. Num socalco descansaram e a pergunta sacramental :

- Senhor, que nome dais ? E a resposta foi :

- Dá-lhe lá um dos que já demos a outros . E anjo assentou “LAUNDOS”.

 

Cansados pela dia tão afadigado o Senhor resolveu descansar por aquele dia e deixar para o seguinte a continuação da tarefa. E o querubim para acabar, pergunta :

- E Senhor, por hoje o que faremos mais ?

- Por hoje paramos, e amanhã recomeçaremos . E o escriba anotou “PARAMOS”.

 

E assim terminou o dia.

 

Braga, 7 de Agosto de 2008

 

                                                          LUÍS COSTA

 

  

 



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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
Frei José Vilaça

 

RUA FREI JOSÉ VILAÇA ( Frei de José de Santo António Vilaça)

 

 

Principiando na rua Cidade do Porto e terminando na rua Padre Cruz, na freguesia de Santa Maria de Ferreiros, com prolongamento pelo sítio da Quinta dos Apóstolos, para a estrada nacional nº 103, com destino a Barcelos, pela Curva da Amarela, a rua Frei José Vilaça ( frei José de Santo António Vilaça) tem a entroncá-la as ruas do Cruzeiro, Sebastião Lopes, Júlio Diniz  e Padre Cruz, dando também acesso à chamada Cidade Satélite, a primeira urbanização sub-urbana de Braga, tudo  da freguesia de Ferreiros. De notar que na rua Frei José Vilaça, e enfrentando-a se encontra o Igreja de Santa Maria de Ferreiros, a reconstrução de um primitivo templo, mandado fazer ou reformado por Dom Diogo de Sousa, como o prova o brasão de fé deste antístete e que ainda se pode ver no que resta dessa edificação e hoje serve de capela funerária.

 

Segundo a notícia publicada no jornal bracarense “O Comércio do Minho”, a igreja de Ferreiros, depois de reconstruída, abriu ao culto em 21 de Setembro de 1919.

 

No adro da igreja e confrontando a rua de que estamos a tratar, está sob um alpendre, um crucifixo com imagem de Cristo. Este monumento esteve em tempos colocado no muro ( hoje o local é ocupado pelas instalações da Grunding ), num cruzamento da estrada do Porto com a de Barcelos, com uma passagem de nível, hoje fechada, e que ficou tragicamente assinalada pelos finais da década de vinte do passado século por um dos mais graves acidentes, quando uma composição ferroviária colheu uma caminheta com passageiros da Pousa e Martim, desastre que provocou várias mortes e feridos.  

 

Frei José de Santo Vilaça, frade beneditino, escultor e entalhador, nasceu nesta cidade de Braga, em 1732, no Terreiro de São Lázaro e morreu no Mosteiro de Tibães em 30 de Agosto de 1809. Durante os seus anos de vida monástica, deixou a sua marca de artista, não só na Casa Mãe da sua ordem, o Mosteiro de Tibães, mas também por toda a região nortenha.

 

Podemos ver obras suas em Tibães: as esculturas de São Bento, Santa Escolástica, São Martinho, a Tribuna do Mosteiro, as sanefas da igreja, o pé do órgão, o oratório do coro e a cabeça de Cristo, no crucifixo. Trabalhou no Mosteiro de Refojos de Basto, onde a sua arte está representada na Tribuna da Igreja e ainda em dois altares colaterais, e no pátio. Também neste mosteiro é risco seu a talha dos espelhos da sacristia, a obra do coro e o dormitário.

 

No Mosteiro de Pombeiro assinou o risco da Capela-Mor. Fez também obras para Santo Tirso, no mosteiro de São Bento, em dois retábulos que se admiram na nave da igreja e em Paço de Sousa, na Igreja e Mosteiro de São Salvador e vários outros Mosteiros Beneditinos. Foi chamado para muitas e distantes partes do Reino para delinear obras, dar planos e fazer riscos.

 

Deve-se a este frade entalhador o retábulo da Igreja de Santa Cruz, de Braga. É considerado  como um dos mais notáveis artistas portugueses do século XVIII.

Frei José de Santo António Vilaça, discípulo de André Soares, diz Robert C. Smith, em Colecção Estudos de Arte – Livros Horizonte, “…Cabeceiras de Basto, cuja grande igreja beneditina é toda uma homenagem a André Soares, prestada pelo seu discípulo Frei José de Santo António Vilaça”.

 

Tem sido atribuídos a este entalhador  Frei José Vilaça, e reportamo-nos à obra citada de Smith, os três retábulos do templo de Santa Maria Madalena, na Falperra:

 

“Os três retábulos deste templo e as suas grades, de 1771, de uma grande opulência de desenho e policromia muito elegante, tem sido atribuídos a Fr. José de Santo António Vilaça.”

 

Não ficou só pela sua arte de escultor, entalhador e desenho de riscos para as suas magníficas obras, que o enobreceram em pleno século do ouro. Frei José de Santo António Vilaça criou em Tibães, no Mosteiro, uma escola de escultores e entalhadores contribuindo assim para que a nobre arte de deslumbramento da talha da madeira tivesse na região bracarense, grandes nomes.

 

Braga, 26 de Abril de 2008

 

                                                                LUÍS  COSTA

 

 

 



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Domingo, 3 de Agosto de 2008
Rua Diogo de Teive

              RUA   DIOGO  DE  TEIVE 

                                                          

 

A rua Diogo de Teive, está situada dentro da cintura da antiga muralha romana, portanto numa das mais ricas zonas arqueológicas da cidade. A atribuição do seu nome deve-se à deliberação camarária de 1 de Fevereiro de 1962, que pela acta desta data, foi proposto que na nova zona de Maximinos, perto da nova escola, fosse atribuído o nome do insigne bracarense, Diogo de Teive : “á rua que parte da rua Comendador Santos da Cunha e, descrevendo um semi-círculo, vai terminar na mesma rua”.

Diogo de Teive (século XVI), foi um bracarense, como se afirma acima, que ilustrou e honrou a cidade que o viu nascer. Professor em Portugal e no estrangeiro possuía no seu curriculum, entre outras distinções, o ter regido uma cadeira na Universidade de Paris, onde se doutorou em leis, tendo sido também lente na Universidade de Coimbra, onde ensinou no Colégio de Artes. Foi historiador, helenista e poeta.

Habitou na rua Pequena, mencionada ainda no “Mapa das rua de Braga”, em 1758, conforme nos informa Alberto Feio :

 

“A rua pequena é habitada no século XVI pela família do notável humanista Diogo de Teive que trazia  emprezada ao  Cabido a casa nº 2  ao pé da  porta do Sol ( da Sé ). Tanto bastou para que recebesse o nome de Teive”.

 

A comissão de toponímia ao sugerir o nome de Diogo de Teive, a um novo arruamento da cidade, mais não fez do que ressuscitar um topónimo que já existia no século XVI, muito embora, possivelmente, fosse uma atribuição de carácter popular.

A rua Pequena, a partir do século XVII, passou a chamar-se “rua do Forno”, diz Oliveira , em “Estudos Bracarenses”.

Quando da remodelação e criação do Salão Nobre da Câmara Municipal, na último quarteirão do século XIX, foram pintados no tecto medalhões onde figuram vários bracarenses ilustres e outras individualidades que não sendo de Braga, aqui se impuseram e foram quase ou mesmo contemporâneos de Diogo de Teive, como:

 

 Gabriel Pereira de Castro (1571-1632), Bracarense, Doutor Canonista, lente da Universidade de Coimbra, desembargador em Lisboa e Porto, Chanceler do Reino, autor do poema heróico “Ulisseia” e, como letrado, do célebre tratado “De Manu Regia”, alma de outras obras ;

 Dom Frei Bartolomeu dos Mártires (1559-1582), natural de Lisboa, onde nasceu na freguesia dos Mártires, em 1554, aceitou a pedido de D. Catarina, mulher de Dom João III, a cadeira arquiepiscopal bracarense. Vulto brilhante entre todos os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Foi notável a sua acção no Concílio de Trento, onde o “bracarense”, como então ficou conhecido, se bateu denodadamente, pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à ideologia criada por Lutero. Foi defensor tenaz e inquebrantável dos direitos senhoriais da sua igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha;   

 Francisco Sanches, que segundo Sérgio da Silva Pinto, nasceu em Braga em 25 de Julho de 1551 (pelo menos foi baptizado nesta data na velha igreja de São João do Souto). Foi estudante em Montepllier e Bordéus e em Itália. Professor nas Universidades de Montepllier e Tolosa, etc. Um dos iniciadores da Filosofia Moderna, precursor de Bacon e Descartes. Autor do “Carmen de Cometa”. Do “Quood Nihil Scitur”dos “Ópera Medica”, dos “Tractatus Philosophci”, etc. Foi doutorado em Medicina com apenas 24 anos, pela Universidade de Montepplier. Médico, Matemático, filósofo, foi, na Europa Renascentista, um dos espíritos mais brilhantes de então;

Dom Diogo de Sousa ( 1505-1532 ). Arcebispo bracarense entre os anos de 1505-1532, foi pela sua notável acção que a velha urbe bracarense rompeu a cintura das muralhas medievais, espraiando-se extra-muros. Assim construiu, fora das muralhas, uma nova cidade com jardins e campos como o Campo dos Remédios (Largo Carlos Amarante), Campo da Vinha de Santa Eufémia (Campo Conde de Agrolongo), Campo das Carvalheiras ( largo Paulo Orósio e Carvalheiras), Campo de Sant’Ana (avenida Central). Mandou abrir novos arruamentos, dentro dos muros citadinos, como a rua Nova de Sousa (hoje a rua que ostenta o seu nome), onde fez abrir, em 1512, uma nova porta nos muros fernandinos, o “Arco da Porta Nova” e a rua de São Marcos (hoje rua de São João do Souto). Remodelou o Paço Arquiepiscopal. Construiu novos templos fora de muros – Senhora a Branca, São João da Ponte, Santa Marta das Cortiças e outros. Mandou construir os Paços do Concelho, junto à Sé.

Dedicou também a sua atenção à instrução, tendo fundado os Estudos Públicos no Largo de São Paulo. Tratou do abastecimento de água à sua cidade, dotando-a com alguns fontanários como uma monumental fonte no largo do Paço, hoje desaparecida e substituída pela actual, devida a Dom Rodrigo.

Na Sé procedeu a obras de vulto como a reconstrução da Capela-mor e tratou de dar sepultura condigna aos pais do primeiro Rei de Portugal - D. Henrique e D. Teresa -, mandando fazer-lhes dois túmulos com estátuas jacentes. O Hospital de São Marcos a ele se deve, pois nele reuniu todos os estabelecimentos de assistência dispersos pela cidade.

Pela sua acção bem se pode considerar como o verdadeiro reedificador e o primeiro e principal urbanista da então nova cidade de Braga.

 

Ali também se encontra o medalhão com a figura de Diogo de Teive, atestando com cinco figuras, o grande esplendor intelectual da Bracara Augusta do século XVI.

 

Braga, 6 de Fevereiro de 2008

 

                                                                LUÍS  COSTA  

    

 

   

 

 

 

                      

 



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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Av. Bartolomeu dos Mártires

          AVENIDA  DOM FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

 

Situada entre a Avenida João Paulo II e a Avenida Francisco Salgado Zenha, na zona das Piscinas, encontra-se, nesta parte nova da freguesia de São Vitor, a Avenida Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, o nome do Arcebispo que governou a arquidiocese bracarense entre os anos de 1559/1582.

Dom Frei Bartolomeu nasceu em Lisboa, na freguesia dos Mártires, nos princípios do mês de Maio de 1514, há portanto 494 anos e faleceu em Viana, em 16 de Julho de 1590, para onde se havia retirado em 1581, depois das Cortes de Tomar e a partir desta cidade, ter pedido a Sua Santidade o Papa Gregório XIII, a renúncia do Arcebispado. Aceite a pretensão, retirou-se para o Convento de Santa Cruz, da Ordem de S. Domingos, que em 1560 havia fundado em Viana do Minho, topónimo porque era então conhecida a Princesa do Lima.

Partidário da legalidade, e depois da Batalha de Alcântara, onde ficou aniquilada a causa do partido nacional, chefiado por Dom António, Prior do Crato. Dom Frei Bartolomeu, no dia 2 de Setembro de 1580, diz Monsenhor Ferreira em “Fastos Episcopais”, “ em harmonia com a sentença dos Governadores do Reino, ajuntou-se nos Paços Arcebispais sobre a Presidência do Arcebispo, Senhor de Braga, e a seu convite, feito por pregão público, a Câmara e o povo da cidade, os quais depois de uma eleição aclamaram por seu Rei Filipe II”.

Esta aclamação não foi muito bem vista por parte, principalmente, dos pequenos burgueses da cidade e a maioria do povo, razão que motivou e até apressou, o seu pedido de renúncia ao arcebispado bracarense.

No entanto a acção de Dom Frei Bartolomeu em Braga, não se deve confinar à sua acção política. Foi um dos vultos mais brilhantes entre os veneráveis arcebispos que empunharam o báculo arquiepiscopal. Tendo aceite, contrariado, a vinda para Braga, e só o fez em obediência e a pedido da Rainha Dona Catarina, mulher de Dom João III foi, mais tarde e no Concílio de Trento, onde ficou conhecido pelo cognome do “bracarense”, um indígena vindo lá dos confins do mundo, do Finisterra, um defensor tenaz e inquebrantável dos direitos da sua igreja e da Primazia da Igreja Bracarense sobre as demais da Espanha.

Também no Concílio se bateu pela Reforma do Estado Eclesiástico, face à crescente ideologia criada por Lutero. Ficou célebre o recado que recebeu do Santo Padre Pio V: “se pretendes reformar a Igreja, principia pelo meu sobrinho Carlos Borromeu”, que então era administrador das finanças do Concílio ( a razão porque São Carlos Borromeu é o patrono dos bancários ), e que pelos exemplos e conselhos que recebeu de Bartolomeu ascendeu aos altares.

Após o seu regresso do Concílio, e cumprindo com uma das recomendações ali deliberadas afim de que se estabelecesse nas sedes das Dioceses Seminários para instruir, devidamente, aqueles que se destinavam ao múnus eclesiástico, o Arcebispo Bracarense, criou no Campo da Vinha de Santa Eufémia, o Seminário de S. Pedro, e que mais tarde, em 1880 e quando governava a arquidiocese o arcebispo Dom João Chrysóstomo d’Amorim Pessoa (1876/1883),  por o velho edifício não oferecer as condições necessárias para cumprir com os fins para que foi criado, passou o Seminário Conciliar ( de Concílio ) de São Pedro, para o antigo Colégio das Religiosas Ursulinas, no Campo de Santiago (neste colégio esteve internada a mulher fatal de Camilo – Ana Plácido – onde escreveu o livro “Luz Coada Através de Ferros ).

Um dos primeiros actos da governação de Dom Bartolomeu como arcebispo, foi o de anexar e unir perpetuamente à Irmandade da Misericórdia o Hospital de São Marcos, por achar que a administração assim seria melhor do que a que até aí era feita pela Câmara. Essa anexação teve lugar por diplomas de 19 de Outubro de 1559.   

A acção caritativa o Dom Frei Bartolomeu, foi notória e disso é grande exemplo, quando no princípio de Fevereiro de 1570 a peste invadiu a cidade de Braga, e diz Monsenhor Ferreira, dois terços dos seus moradores, alarmados, abandonaram-na. Nesses tempos andava o Arcebispo em visita pastoral, e logo que teve conhecimento do facto, regressou a Braga, pois sabendo que aos empestados não havia alguém que lhes prestasse assistência, logo pensou na Deveza do Campo da Ponte montar um espécie de hospital, onde pudesse acolher os empestados, “as suas ovelhas”.

Assinalando este altruísmo, a Câmara de Braga, mandou fazer um monumento, um cruzeiro que ainda hoje se encontra no local, na qual fez gravar a inscrição :

 

“Sendo Arcebispo de Braga D. Fr. Bartholomeu dos Martyres houve peste nesta cidade, anno de 1570, e os “impedidos” foram trazidos a esta deveza”.

 

Monsenhor Ferreira, baseado na informação de Silva Thadim, refere-se curiosamente a um facto originado pela peste :

“As religiosas do Convento dos Remédios, também saíram na companhia dos seus parentes, indo a abadessa D. Maria de Abreu com as mais pobres para casa de seus pais em Briteiros. Quando acabou a peste, por terem saído sem licença, o Arcebispo recusou-lhes a entrada no Convento; porém arrombaram as portas, ao que se seguiu um procedimento judicial, e apelação para a Sé Apostólica”.

Vários são escritores que se tem debruçado sobre a vida deste Santo Arcebispo, como muitos o consideram. Desses autores podemos destacar, entre outros, Aquilino Ribeiro, José Cardoso, José Caldas.

 

Do processo para a canonização de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, muito contribuíram, através de muita e muita compilação de informações, os paladinos da sua elevação aos altares, os falecidos Frei Almeida Rolo e Frei António do Rosário, este último, entre outras acções, fez o estudo e publicação na revista “Bracara Augusta”, da época em que Dom Bartolomeu empunhava o báculo arquiepiscopal. Dos seus inauditos esforços, conseguiram para já que, pelo menos, fosse consagrado beato.

Dom Frei Raúl de Almeida Rolo, indica nas obras completas de Dom Frei Bartolomeu, 32 títulos, com destaque para aquele que mais impacto tem, o “Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais” que até 1962, já tinha atingido 15 edições.

 

 

Braga, 3 de Maio de 2008

 

                                                                LUÍS COSTA

 

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

     

 



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Rua Leandro Braga

              RUA  LEANDRO  BRAGA

 

A talha, juntamente com a marcenaria tem, em Braga, pergaminhos que já vem de longa data reconhecidos não só no País como até no estrangeiro. Isto podemos afirmar e confirmar, pelo menos, baseando-nos numa informação publicada há anos no jornal diário portuense “O Primeiro de Janeiro”, na secção cultural, quando se refere a uma carta escrita a um oficial francês, aquando da segunda Invasão Francesa, comandada por Soult, estanciada por esta região.

 

Essa missiva, dirigida ao oficial, escrita por um amigo e remetida de Paris, dizia mais ou menos o seguinte :

 

Peço-te o favor de, da cidade de Braga, me trazeres uma mobília de mogno, em talha, que segundo informações, numa povoação por ali por perto, bons artistas as trabalham. Mas deves proceder com muito cuidado pois, por vezes, esses entalhadores conseguem dar ao mobiliário um aspecto muito antigo, quando as peças são, praticamente, acabadas de sair das suas mãos.”

 

Quanto à “marosca”, se era então verdade, seria, talvez, uma maneira de enganar o invasor, e como tal não é de desprezar o facto.

 

Como vemos, portanto, a habilidade dos mestres entalhadores, não é de hoje mas sempre foi uma arte que em Braga, se afirmou como excepcional.

 

Braga, teve até cerca dos anos de 1970 e poucos mais, uma escola de entalhadores na Escola Carlos Amarante, cujo mestre era um conceituado entalhador e industrial da rua de São Marcos, de seu nome Coutinho. Pena foi que a reforma devida ao então Ministro Veiga Simão, tivesse acabado com os Cursos Técnicos, neste caso Industrial, e que sem qualquer reparo das forças vivas bracarenses e, como resultado, as máquinas e ferramentas acabaram, certamente, por enferrujar e apodrecer nos armazéns da Escola, como coisas inúteis.

 

No entanto, devemos esclarecer que nem todos aceitaram de bom grado essa extinção. Devemos citar o desagrado manifestado por um então Professor arquitecto da Escola, que num artigo publicado num jornal diário bracarense e até numa sessão pública camarário foi, por alguém, levantada a questão, de nada valendo estas intervenções, dado que a extinção dos Cursos Práticos foram avante. Hoje ainda se está a sentir, em muitos, essa trágica resolução.

 

Ao darem a mão à palmatória, vieram há já alguns anos a criarem de novo Escolas Profissionais, e ainda bem.

 

Mas dirão, que tem a ver todos êste arrazoado, com o título desta crónica? Ora ele serviu de preâmbulo para podermos lembrar, Leandro de Sousa Braga, que se impôs, no século XIX, como um dos mais notáveis artistas, entalhador e escultor bracarense que fez, praticamente, a sua carreira em Lisboa, e que tem em Ferreiros, ao lado de outros seus congéneres, o seu nome numa rua desta freguesia.

 

Trata-se da rua Leandro Braga, que tem início na rua Frei Cipriano Cruz, e terminus na Marceliano de Araújo.

 

Recorrendo à monografia “Santa Maria de Ferreiros”, vemos que :

 

“Leandro de Sousa Braga, entalhador e escultor notável, nasceu em Braga a 22 de Março de 1839 e faleceu em Lisboa a 6 de Abril de1897. Foi para a Capital com  14 anos para uma oficina de entalhador. Em 1862 passa para o atelier do escultor António Calmelos que então trabalhava na execução do Arco do Triunfo da Praça do Comércio (Terreiro do Paço), obra em que colaborou. Executou na sua oficina na Calçada do Combro, esculturas em madeira. O rei D. Fernando, a rainha Dona Maria Pia, os Duques de Palmela, o Marquês da Foz e outros encomendaram-lhe várias obras de talha. No Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, executou a escada, Gabinete Renascença, as salas do Baile e Luís XVI. Soares dos Reis modelou-lhe o busto num medalhão datado de 1888. Vários admiráveis trabalhos nos Palácios Reais da Ajuda e Belém, são da sua lavra.”

 

Eis pois, um pequeno curriculum deste artista do século XIX, que impôs a arte de talha bracarense, na capital de Portugal e foi homenageado pela Câmara de Braga, ao atribuir o seu nome num arruado da sua cidade.

 

Braga, 1 de Maio de 2008

 

                                                             LUÍS COSTA

 

 

 

 

 

   

 



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Rua Doutor Egídio Guimarães

RUA  DR.  EGÍDIO  GUIMARÃES

 

 

Situado por perto da zona do Carrefour, com início na rua Ambrósio dos Santos e com o seu términus na rua Robert Smith, na freguesia de São Victor, o topónimo Dr. Egídio Guimarães, foi atribuído pela Câmara Municipal de Braga, em homenagem póstuma ao distinto homem público que foi o Dr. Egídio Amorim Xavier de Sousa Guimarães, um poveiro ilustre, pois nasceu na Póvoa de Varzim, na rua do Almada em 4 de Julho de 1914, quando seus pais se encontravam a veranear naquela ridente praia nortenha.

Passou parte da sua infância em Inhambane ( Moçambique ), onde iniciou a instrução primária, regressando, depois, a Braga e, aqui fez o curso secundário no antigo Colégio Nun’Álvares e Liceu Sá de Miranda. 

 Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1940, concluiu em 1946, o Curso superior de Bibliotecário Arquivista com elevado classificação e frequentou o“Stage International des Archives”, no Arquivo Nacional de França, em Paris.

“Ainda muito novo apaixonar-se-ia pelo estudo comparado das línguas, tornando-se destacado poliglota quer falava fluentemente a língua de Cervantes, o francês, o inglês, o árabe, o romeno (de que traduziria várias obras), o italiano ( de que seria também tradutor e professor), o alemão, o russo, bons bocados de chinês, japonês, arménio e kimbundo, o latim e o esperanto, para além de ser ter dedicado ao estudo de outras 24 línguas de que conhecia apenas os rudimentos, mas em cujas gramáticas se embrenhava apaixonadamente à descoberta de relações insuspeitadas entre línguas do mundo”, conforme diz o seu curriculum a que tivemos acesso.

“Homem de sólida formação moral e cristã, e de irrepreensível comportamento moral e cívico, desde cedo se bateu convictamente por um conjunto de valores tradicionais”.

Em 1946, 26 de Junho, entrou ao serviço da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga, instituição a que ficou definitivamente ligado até à sua aposentação em 1984. Em 22 de Março de 1951, ascendeu ao cargo de 2º Bibliotecário-Arquivista, passando a ocupar, durante nove anos, o cargo de Director Interino, até que, finalmente, foi oficialmente nomeado seu Director.

A sua acção não se confinou à Biblioteca. A defesa, a preservação do património bracarense, o estudo das ruínas da cidade romana da Bracara Augusta, de conhecia a sua importância e interesse mereceram da sua parte uma das suas principais preocupações. Esteve na origem da realização de diversas campanhas de escavações e salvamento, como aquelas dirigidas por Rigaud de Sousa e Arlindo Ribeiro da Cunha, sendo até que por sua proposta se iniciaram as escavações na Falperra que “revelaram um património histórico de grande valor”.

Reconhecido o seu interesse e estudo pelo passado histórico da cidade, foi delegado da extinta Junta Nacional de Educação, no concelho de Braga, no domínio da arqueologia e belas artes.

Por todos estes motivos, quando nos finais de 1976, foi criada a CODEP- Comissão de Defesa do Património, (antecessora da ASPA), foi naturalmente convidado para integrar esse grupo que “levou a cabo acção extremamente meritória”. Logo, quando da fundação da ASPA, foi “pelo seu prestígio e respeito que impunha indicado como sócio nº.1, participando então em actos e iniciativa marcante da vida da Associação, como, por exemplo na defesa das ruínas da Cividade e nas exposições dos Cartazes de São João, no bi-centenário do Bom Jesus, apresentadas na Galeria do Museu Nogueira da Silva e na dos Postais Antigos de Braga, esta no Salão Nobre da então Escola do Magistério. Fez parte do 2º. Encontro Nacional das Associações da Defesa do Património, realizado em Braga.

Na Câmara Municipal, antes do 25 de Abril de 1974, foi vereador do pelouro de Cultura, desde 1 de Janeiro de 1964 e durante oito anos, “deixando marcas indeléveis da sua passagem por este pelouro”. Fez parte das Comissões Municipais de Arte e Arqueologia e ainda da de Toponímia, onde chegou a ser presidente.

Colaborou em várias publicações, como a “Bracara Augusta”, onde durante 25 anos foi director e membro do Conselho de Redacção, coincidindo com o seu período de grande apogeu. Fez parte das comissões organizadoras dos congressos patrocinados pelo Município, como o de São Martinho de Dume, Congresso de Filosofia, o Colóquio Suévico Bizantino, o Congresso do Portugal Medievo, o de São Frutuoso, de cujo projecto foi autor.

Colaborou ainda nas revistas “Minia” e “Fórum”, além de vários trabalhos seus ligados à história como ao seu múnus e ainda na apresentação de várias publicações.  

O seu prestígio ultrapassou as fronteiras nacionais ao ser nomeado em 1952, Vice-Presidente da Accademia Mondiale Degli Artisti e Professionisti, sediada em Roma.

Em 1989, dado o seu prestígio na cidade de Braga, foi convidado a integrar a lista candidata à Câmara. Apesar dos seus 75 anos aceitou, tendo sido eleito como vereador, pelo PSD, como independente, lugar que ocupou até que a morte o veio a surpreender no dia 27 de Dezembro de 1990, ano em que tinha recebido, pela mão do então Presidente da República, Dr. Mário Soares, a comenda da Ordem de Mérito. No ano seguinte, foi-lhe atribuída, postumamente, a Medalha de Honra do Município, a mais alta condecoração atribuída pela Câmara.

Eis aqui um pouco do curriculum de um homem bom que deixou marcas inesquecíveis na cidade que amou, desinteressadamente.

 

Braga, 10 de Maio de 2008      

                                                  LUÍS COSTA  

 

         

 

 

 



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Rua António Marinho

DOIS INDUSTRIAIS QUE MARCARAM

                 BRAGA NO SÉCULO XX               

 

RUA  ANTÓNIO  MARINHO

 

Com inicio na Praça das Fontainhas, (urbanização de Infias), a rua António Marinho, vai terminar na Estrada Nacional  nº 101, ou seja na estrada de ligação a Vila Verde e Alto Minho.

 

Ao ser atribuído o nome de António Marinho (António de Magalhães Afonso Marinho) pretendeu a edilidade bracarense homenagear, postumamente, o industrial de camionagem que, pela sua visão extraordinária, conseguiu quebrar um certo isolamento em que a cidade arcebispal vivia, dado a falta de transportes de que a urbe bracarense necessitava. É certo que estava desde 1875 servida, mal, pelo Caminho de Ferro entre Braga, Porto, Barcelos e Viana com horários quase desajustados ao serviços dos utentes.

 

Tendo assistido ao desenvolvimento dos transportes rodoviários, nos finais dos anos 20 do passado século XX,  logo se apercebeu da importância que as ligações por estrada podiam trazer o quebrar o isolamento das terras que por elas seriam servidas ao mesmo tempo que seria o meio de contribuir para o empreendimento do comércio e indústria.

 

Assim pensou aproveitar a oportunidade e lança as primeiras carreiras que a partir de Braga, se destinariam às terras circunvizinhas. Foi aos poucos desenvolvendo uma Empresa que à data da sua morte, era considerada como a MAIOR EMPRESA DE CAMIONAGEM A NORTE DE COIMBRA. Desta cidade, séde da sua Empresa, saíam carreiras para todas as localidades do Distrito e extravasava para outros, como Porto, Viana e Vila Real.

 

Foi sempre sua preocupação dominante ter Braga como séde do seu empório industrial. Várias vezes foi instado em transferi-la para o Porto, sempre negou essa possibilidade, pois pretendia que de Braga irradiasse todo o movimento rodoviário. Tal foi a influência desta empresa na região que servia que, ainda hoje, passados vários anos da nacionalização, quando qualquer carreira da Rodoviária que serve os mais recônditos lugares do Distrito e não só, todos dizem “É  A CARREIRA DO MARINHO”.

 

No final da Guerra 39/45, juntamente com vários industriais de camionagem fundou uma das maiores empresas do Ramo Automóvel a UTIC “União de Transportadores para o Comércio e Importação do Ramo Automóvel”, destinada a servir todos os transportadores filiados na Empresa, coisa que deixou admirados os grandes exportadores estrangeiros.

 

Contribuiu com o seu conselho para que António Peixoto ( Pachancho) de que falaremos a seguir, para a compra dos antigos pavilhões do hospital, onde esteve instalada por vários anos a Fábrica Pachancho.

 

Podemos dizer que foi graças à sua acção, dotando a cidade com meios de comunicação entre toda a região Norte, que Braga teve o primeiro impulso para o seu actual desenvolvimento.

 

António de Magalhães Afonso Marinho, nasceu em 8 de Dezembro de 1879 e faleceu na sua casa da Avenida da Liberdade, onde se situava a sede da Empresa, no dia 16 de Maio de 1950, há precisamente, faz hoje ( dia em que estamos a escrever esta crónica) 58 anos.

 

Na sua juventude foi apaixonado desportista. Praticou ciclismo e foi animador dos primeiros tempos do incipiente futebol, tendo sido até dirigente desportivo. A par do seu entusiasmo pelo desporto, foi sempre grande entusiasta por todas as organizações levadas a efeito na sua terra, tendo sido um dos dirigentes do Teatro Circo e de outras sociedades de recreio.

 

As Festas de São João também tiveram o seu contributo e disso temos a certeza por um programa das Festas levadas a efeito no já longínquo ano de 1901, onde se destaca uma fotografia que então o incluía entre outras figuras gradas da cidade.

 

Braga, 16 de Maio de 2008

 

                                                                LUÍS COSTA               

     

 

 

 



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Rua Manuel da Silva RThedim

             MANUEL JOSÉ DA SILVA THADIM

 

 

Como Inácio José Peixoto, também Silva Thadim tem a honra do seu nome figurar na toponímia bracarense. Pretendeu a Câmara de Braga, sobre proposta da respectiva comissão, homenagear dois grandes memorialistas do século XVIII, trazendo ao conhecimento dos bracarenses de hoje essas dois personagens que com a sua visão futura nos deixaram dois preciosos relatos da história que, sem eles, muito da história bracarense se teria perdido. Sobre o primeiro já, tudo ou quase tudo dentro das nossas limitadas possibilidades, dissemos. Resta-nos agora falar do segundo que não desmerece o primeiro mas sim antes se completam.

Quem era Manuel José da Silva Thadim, cujo nome figura num arruado da freguesia sub-urbana de Real ? Para o sabermos recorremos ao seu manuscrito “Diário Bracarense”, que nos esclarece quando se lê a apresentação desse seu trabalho: “Peças justificativas de Documentos, e Provanças, que se contem neste Diário Bracarense. Escrito por Manuel José da Silva Thadim, Presbítero Secular, e Advogado nos Auditórios de Braga, e natural da mesma cidade”.

Inicia este memorialista o seu infatigável trabalho, com um prefácio do qual extraímos algumas passagens :

 

“DESCUIDO DOS ANTIGOS EM ESCREVEREM.

 

         A omissiva aplicação, que os nossos maiores houveram em escrever as Memórias do seu tempo tem causado prejuízos de se laborar na incerteza dos seus sucessos. Para evitar este intolerável descuido, e para animar a História Eclesiástica, e Secular, ilustrar a Igreja, enobrecer o País, imortalizando os povos e para minha particular instrução escrevo este Diário Bracarense com os factos mais remarcáveis, e dignos de menção não só da Augusta Cidade Primaz das Espanhas, mas também dos que sucederam neste Reino, e Cortes Estrangeiras da Europa. Se eles não fossem escritos, não ficariam agora lembrados, ou ao menos apareceriam desfigurados da verdade.”

 

Continuando a justificação da narrativa no Diário, acaba por dizer que frequentemente algumas particularidades apreciáveis, logo se riscam da memória dos homens e, em pouco tempo, desaparecem sem deixar rasto, quando e ainda tem apenas um lustro de antiguidade. Afirma que se tem feito pouco apreço de certas notícias, assuntos que deveriam ficar na memória dos homens. Diz “…O certo é que se faz pouco apreço de certas notícias, que deviam permanecer na nossa lembrança, e em especial aquelas Memórias, que nos podem servir de instrução, governo, utilidade e recreio. A fim de que elas se perpetuem na nossa memória, e se não percam da nossa lembrança é que escrevi este Diário para recordar os curiosos de todas as notícias, e sucessos úteis de que presentemente se não faz estimação, e por esse motivo em pouco tempo ficam sepultadas em um total esquecimento.”

Justificado o trabalho de escrever o “Diário”, Thadim inicia-o por uma descrição de Braga que “constava da Antiguidade dos seus Breviários, Santos, e Corpos de Prelados, que estão sepultados na Catedral, das primeiras imagens de maior devoção, da Antiguidade dos seus edifícios, do número das Dignidades, Cónegos, Desembargadores, Senhorio de Braga, e seus Ofícios Seculares, e Eclesiásticos, …”.

Decorridas algumas páginas diz que principiou a escrever a escrever o Diário desde os princípios do século XVI e as principais Memórias  dos anos de 1523 até 1562, extraídas de um caderno que Francisco Inácio Feio, morador na rua do Alcaide, genealogista das famílias da Província e de todo o Reino, e “muito instruído em antiguidades” as tinha copiado de um livro manuscrito antigo, que no seu tempo escreveu o Padre André Gonçalves, morador que foi na rua do Souto.

Dá a referência de que viu esse livro, na livraria do Antiquário Valério Pinto de Sá. Este, também famoso genealógico, morava na rua do Campo e ainda nos diz que para o seu completo escrito recorreu também a alguns cadernos e de alguma lição de livros.

Indica o ano quando principiou a escrever  as memórias :

“No ano de mil setecentos e quarenta e oito principiei a escrever este meu Diário…As do reino são escritas em Memórias Vagas, e incertas e também as do Estrangeiro, mas são extraídas e legalizadas em documentos e papéis autêntico…”

Decorre a narração, por três séculos, indo terminar já no início do século XIX, com algumas anotações que já não são sua lavra.

O “Diário Bracarense”, como sabemos um manuscrito de Thadim, segundo o Dr. Braga da Cruz, foi possuído no final do século XVIII e princípios do XIX, por alguém que “aproveitando espaços em branco, nele registou muitas anotações, algumas de grande interesse histórico”.

Braga da Cruz, chega a suspeitar de que esse “alguém” era o  beneficiado Manuel José da Costa Murta, tendo para isso feita várias diligências, confrontando, por exemplo, a “semelhança caligráfica”. De qualquer maneira tenha sido Costa Murta ou outro qualquer, o que é certo é que estas anotações acrescentadas ao diário de Thadim, muito o vierem valorizar.

Deve a cidade de Braga, estar grata porque em tempos idos, houve memorialistas como os citados Thadim e Inácio José Peixoto, ou ainda o Comendador Bernardino José de Senna Freitas, não o padre seu irmão, ou o Dr. João Baptista Vieira Gomes, (doutor Chasco), que nos legaram uma documentação sem a qual a história da Bi-milenária Bracara Augusta, estaria, em muito, omissa.

Será interessante perguntar: e nos dias de hoje, quem fará a história de Braga, desde o início do século XIX e até hoje, tão minuciosa quanto a dos memorialistas dos séculos passados?

Poderão dizer, hoje a imprensa, os jornais, fazem isso, mas concluo: de facto a imprensa contribui, mas um relato tão completo como nos deixaram os memorialistas de antanho, só em livro é que perdura.

 

Braga, 4 de Abril de 2008  

 

                                                        LUÍS COSTA 

 



publicado por Varziano às 15:11
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