Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
O órgão
São Vítor . – 3 - O Ó R G Ã O Possui esta igreja um magnífico órgão de tubos e gaitas ou cornetas que quando toca, nas cerimónias religiosas, enche com os seus sons todo o espaçoso templo. Foi ele há anos restaurado, graças à benemerência dos paroquianos e é obra do artista monçanense Manuel de Sá Couto – Lagoncinhas. No interior de uma das suas portas está escrita a seguinte memória que julgamos ser devida ao punho do Padre Maciel, prior que foi desta freguesia e que diz : “Foi este órgão mandado construir pela Confraria do Santíssimo Sacramento, erecta nesta paroquial de São Vítor que, por isso nomeou em Junta Geral, reunida em 29 de Julho de 1814 uma comissão composta do prior Domingos Alves da Silva e dos mesários Bernardo José Ferreira, Joaquim Ferreira e José António Fernandes Braga, Foi seu construtor Manuel de Sá Couto – Lagoncinhas – natural de Monção o qual, em sessão de Mesa de 5 de Novembro de 1815, cuja acta também assinou, recebeu a quantia de 607$680 reis, importância da construção. O coreto em que o órgão assenta foi construído pelo mestre Bernardo Fernandes e importou a sua construção em 106$000 reis. Tudo isto se vê nos livros dos termos da Confraria (do Santíssimo) arquivados na respectiva secretaria”. Tem este órgão, entre tubos e gaitas ou cornetas cerca de 600 sons a destacar que entre eles, coisa que não se costuma encontrar em pequenos órgãos (apesar de este não se poder considerar pequeno mas sim médio), uma série de gaitas ou cornetas com uma leve diferença de afinação, a qual produz especial ondulação sonora. Dizem ser uma característica dos órgãos desta província. A ABÓBADA DA IGREJA Como as demais da sua época (por exemplo a dos Terceiros) a abóbada é toda de pedra. De granito foram também, parece que inicialmente, os altares laterais como o de Nossa Senhora das Angústias nos quais, a madeira actual encobre a pedra trabalhada e pintada a óleo. AMPLIAÇÕES DO TEMPLO Deve esta igreja ao longo dos seus anos ter sido ampliada, isto é no seu interior foram criados e substituídos os altares. Assim partindo do altar-mor até às sanefas e altares laterais, ficamos com a impressão que diversos estilos se sobressaem. Deste modo já sabemos que o altar-mor, considerado como representante do chamado estilo Barroco Nacional, foi alterado; que o Sanefão do arco cruzeiro é uma rica peça, feita no século XX. Quanto aos altares laterais – o do Senhor das Necessidades e Senhora das Angústias – parecem ser barrocos, dada a exuberância dos seus floreados que indicam este estilo. Mais simples, logo mais tardios, são os altares das Almas do Purgatório e Santo António, que já talvez sejam uma transição para o neo-clássico. Depois, muito mais recentes, e já do século vinte, são os altares do Menino Jesus e o de Nossa Senhora de Fátima (ou de São Bento), que utilizam os vãos das portas norte e sul, hoje, portanto encerradas. Todos estes acrescentos, modificações e ampliações se devem, talvez, por ser uma igreja, séde paroquial da, como dissemos, maior freguesia da cidade, maior de sempre e, portanto com o maior número de devotos e, logicamente, com a possibilidade de congregar na sua vasta área o maior número de pessoas crentes com meios de fortuna que não regateariam a ajuda para as obras da igreja. SOBRE A ÚLTIMA REEDIFICAÇÃO Como dissemos, a reedificação da actual igreja Paroquial, deve-se à acção, magnificência e ao generoso donativo do arcebispo Dom Luís de Sousa, o que se comprova pelas legendas epigráficas colocadas nas cartelas aos lados da entrada principal e que segundo a nossa interpretação dizem; “D. Luís de Sousa, arcebispo e Senhor de Braga, primaz das Espanha, e do Conselho Real de Sua Magestade” “Este templo erguido quase pelos fundamentos das ruínas do velho, foi dedicado a São Vítor no ano da encarnação do Senhor, 1686”. Não fazem elas referência ao donativo de Dom Luís de Sousa, mas nós o sabemos pelo que nos diz Albano Belino, na sua obra “Archeologia Christã”, o arcebispo Dom Rodrigo da Cunha, na “História Eclesiástica”, Senna Freitas, em “Memórias de Braga” e Silva Thadim, no manuscrito “Diário Bracarense”. Senna Freitas, na sua obra acima mencionada, dá-nos a recolha de uma curiosa carta que Dom Luís de Sousa a enviou a seu irmão e que abaixo vamos transcrever em parte : “… que nas obras de reconstrução da igreja de São Vítor, por ele empreendidas, se acharam entre as ruínas da capela-mor da anterior igreja (mandada reconstruir por Dom Jorge da Costa) quatro sepulturas todas de mármore, e defendidas cada uma delas com fortes paredes de cal e tijolo. Parece que seriam de homens que não fossem de insignes ou em virtudes ou em autoridade, porque não há daqui a muitas léguas, (nem sei que em Portugal haja), mármores tão finos como daqueles sepulcros que forçosamente teriam de trazer de muito longe, sendo verosímil, que para cadáveres de homens ordinários houvesse tanto cuidado.” Mais diz a mesma carta que estas diligências que mandou efectuar foram devidas ao facto de, sabendo da existência de um túmulo, colocado na igreja, aos quais aos fiéis prestavam culto julgando encerrar o corpo de São Vítor, foi, acompanhado de outras dignidades, indagar o que de verdade havia e, então, é que mandou desenterrar os quatro túmulos mas como, por averiguações que fizesse, não conseguiu identificar a quem pertenciam, os mandou de novo enterrar. Pela sua parte, Silva Thadim, diz, a pag. 597 v. do seu manuscrito, o seguinte: “S. Vitouro (São Vítor) - Desfazendo-se a igreja velha, acharam-se quatro túmulos de pedra branca em fileira unidos uns aos outros soterrados a dez palmos e neles quatro corpos e um sem cabeça, porém não tinham letreiros; e os tornaram a pôr na mesma forma na igreja soterrados a dez palmos debaixo das escadas do Presbitério (altar-mor) para a parte da Epístola, e não duvidaram os fiéis serem os quatro Santos Vitouro, Silvestre, Trocado e Cucufate”. . . . / . . .


publicado por Varziano às 18:08
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Revestimento de paredes
São Vitor --- 2 --- O REVESTIMENTO DAS PAREDES INTERIORES OS AZULEJOS Está devidamente documentado que os azulejos que adornam o interior da igreja vieram de Lisboa, como está documentado que o assentador dos mesmos foi o “mestre de assentar azulejo”, João Neto da Costa, de Vila do Conde. Smith que dedicou várias horas ao estudo deste templo, diz que o mestre de Lisboa que estava para os vir assentar não o fez, assim como não mandou as medidas necessárias para facilitar o trabalho do assentador de Vila do Conde. Talvez, e por isso, se nota no painel da capela-mor que mostra “O passeio de São Vitor”, uns defeitos, uma quebras de paisagem, que choca por nos parecer que aí falta qualquer pormenor. Esta nossa observação tem até certo ponto razão, pois sabemos que, por exemplo, na escada de acesso ao coro as paredes estão recobertas de uma mistura de restos de azulejos (frisos, figuras, cabeças de anjos e outro motivos, iguais a outros colocados na nas paredes interiores da igreja). Também na sacristia foram aproveitados outros restos. Devemos assinalar que apenas notamos esta discrepância num só painel. Talvez uma observação mais atenta se encontre em outros. O eng. Santos Simões dedicou várias horas e dias ao estudo da azulejaria que recobre essas paredes, com a finalidade de ver se conseguia atribuir o autor do desenho. Apesar do seu interesse, das suas canseiras e muito especialmente pela sua morte, não conseguiu desvendar o mistério. Coube essa honra a Robert Smith que, por comparação com os azulejos da igreja de Arroiolos, no Alentejo, da capela da Barcarena, em Lisboa, e ainda entre outros os da capela-mor de S. Bartolomeu, da Charneca do Lumiar, assinados e datados de 1697, chegou à conclusão, dada a semelhança de estilo, de figurado e de decoração, que o autor dos azulejos de São Vítor deveria ser o mesmo, ou seja o artista espanhol Gabriel del Barco e Minusca, estabelecido em Lisboa e cuja carreira como pintor de azulejos é conhecida como tendo decorrido no período entre 1690/1700. Ora, dada a aproximação de datas, conclui Smith, que os painéis de São Vítor, deveriam ter sido executados, mais ou menos, pela altura dos da Barcarena. Representam os de São Vítor, vários aspectos da vida e martírio do santo catecúmeno – São Vítor – e bem assim aspectos da vida, milagres e martírio de alguns santos mártires da região bracarense. Assim os da capela-mor são especialmente dedicados a São Vítor, desde o passeio à roda dos campos em homenagem à Deusa Pagã, Ceres, à degolação de Vitouro em sentença romana, por não adorar os deuses pagãos. Foi aproveitado para a representação desta cena o texto de Dom Rodrigo da Cunha. Que no primeiro volume das sua “História Eclesiástica de Braga”, nos conta a história deste “mancebo, o catecúmeno por nome Vítor, varão que ante do baptismo já vivia como cristão abominando os ídolos, e zombando da sua falsa divindade, natural de uma aldeia perto de Braga, chamada Paços”. Num dos lados do altar-mor, o do Evangelho, está figurada a passagem da estátua de Ceres enquanto que, no lado da Epistola, se vê a sua coração com flores. No primeiro vê-se Vítor, passeando em trajo de soldado e, no segundo se pode admirar um rico figurado no qual nos aparece o catecúmeno recusando a coroa de flores aos pés de uma espécie de altar onde um grupo de mulheres de música que sob a folhagem de um pequeno souto toca os seus instrumentos arcaicos, em louvor a Ceres. Nesta parte da igreja focam-se assim vários aspectos da vida de Vítor, desde o seu passeio, passando pelo julgamento até ao seu martírio. Nas paredes laterais da espaçosa nave, estão representados outros aspectos da vida e martírio de outros santos da região como Santa Liberata. Ao todo estão representados nos painéis nada menos que dezasseis santos e seis santas locais. Num desses painéis está representado o milagre de São Rosendo, milagre que teve lugar no Mosteiro de S. João de Vieira, em Basto e que Dom Rodrigo da Cunha relata dizendo que conversando São Rosendo com sua irmã Santa Senhorinha, dois operários fizeram mau juízo dessa prática e que não “dilatou Deus muitas horas o castigo de entedimetos tão soltos… (e que) de súbito entrou em ambos … o demónio, e dando com eles do telhado abaixo, os matou… invocando ( São Rosendo ) sempre o nome de Jesus… os restitui à vida”. Dominando o coro vê-se o painel de São Paterno, 19º Prelado de Braga, o qual está presidindo a uma reunião no Concílio de Toledo, rodeado de bispos mitrados. Faz alusão a este Concílio, uma pequena cartela, cuja legenda diz : “S. PATERNO (II) ARCEBISPO QUE FOI DE BRAGA PRESIDINDO AO V CONCÍLIO DE TOLEDO” Apenas, como esclarecimento, devemos dizer que São Paterno era BISPO DE BRAGA, no ano que se realizou este concílio (400/Setembro) pois só a partir de São Geraldo (1096/1109) é que a dignidade de arcebispado foi concedida a Braga. O baptistério acolhido num arco em pedra, tem representado em azulejo “o glorioso São Gonçalo”. Aí se pode admirar uma pia baptismal, de rico lavrado, em mármore de Carrara. Na tampa de pau preto, com rica talha, vê-se na parte interior pintadas as armas de fé do arcebispo fundador do templo e ainda a data de 1908, que julgamos deve ser a da sua feitura. Em frente ao baptistério existe um arco, cuja parede interior está parcialmente forrada a azulejo e dizemos parcialmente, porque em parte foi EM TEMPOS arrancado, para ali se GUARDAR PARTE DE UM ANDOR. Toda a magnificência da azulejaria que se encontra num extraordinário efeito cénico e religioso, foi inspirada na obra de Dom Rodrigo da Cunha – História Eclesiástica de Braga. O conjunto azulejístico que encerra o templo de São Vítor, foi considerado pelo Eng. Santos Simões, então Conservador do Museu do Azulejo da Madre Deus, em Lisboa, como um dos mais ricos de Portugal, considerando-o até, em riqueza, como o segundo do País. A T A L H A Como dissemos o retábulo do altar-mor em talha dourada, é considerado pelos mais conceituados especialistas, como pertencente à primeira fase do Barroco Nacional. No entanto já não apresenta a sua visão inicial. Em meados do século dezanove sofreu algumas alterações, mais significativas na tribuna que foi alterada, por ser bastante estreita. Também a parte mais baixa foi levemente modificada e isto é notório quando se compara o ouro da parte dos lados do altar que parece não terem o mesmo brilho com a parte superior. O sanefão que encobre o arco cruzeiro, rica peça ao gosto barroco, foi executada em 1905/06, na oficina bracarense do entalhador Sousa Braga. Encobre esta peça o brasão de fé de Dom Jorge da Costa e que, segundo probabilidades devia ter pertencido à antiga igreja mandada reedificar por Dom Jorge, e tem colocado no seu centro, estilizado à italiana, as armas de fé do arcebispo Dom Luís de Sousa. Como podemos verificar as armas de fé do arcebispo fundador do actual templo, encontram-se colocadas em vários pontos – sobre o retábulo do altar-mor, no sanefão, na pia baptismal e na fachada. Sobre o que está colocado na fachada, Vaz-Osório da Nóbrega, dá-nos na sua obra “Pedras de Armas e Armas Tumulares do Distrito de Braga”, a seguinte leitura : O BRASÃO DO ARCEBISPO D. LUÍS DE SOUSA Localização: Igreja de São Vítor. Frontaria Material: Granito Época: a igreja foi principiada em 1686(…) e concluída depois do falecimento do Arcebispo D. Luís de Sousa (…) LIÇÃO HERÁLDICA: Classificação: heráldica das dignidades eclesiásticas Conjunto: -Escudo francês. -Coronel. -Cruz dupla posta em pala atrás da cartela sobre que assentam o escudo e o coronel. -Chapéu eclesiástico com cordões de seis borlas pendentes a cada lado (l, 2 e 3). Escudo: Composição: plena. Leitura: SOUSA, de Arronches. . . . / . . .


publicado por Varziano às 17:53
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A Igreja Paroquial de São Vitor
A IGREJA PAROQUIAL DA FREGUESIA DE SÃO VÍTOR Séde de uma das maiores freguesias de sempre de Braga, a igreja paroquial de São Vítor, o magnífico e imponente templo que se ergue num pequeno outeiro que domina as ruas que a circundam, tem uma história que pelo seu interesse para a cidade vamos, apesar dos nossos modestos recursos e baseados em obras que a ela fazem alusão, tentar trazer à luz do dia. Principiemos por aludir às limitações da freguesia civil de hoje e da paróquia tal como ela se apresentava, depois de quando foi criada, primeiro a paróquia de São Vicente, em 1926 e, mais tarde, em 1932, quando foi formalizada a divisão civil, e agora de novo desmembrada, religiosamente, com a criação da freguesia de São Tiago de Fraião. Assim diremos que a então freguesia e paróquia de São Vítor abrangia uma vastíssima zona que a norte era limitada por Gualtar numa linha que passando pelo lugar de Vilar, se dirigia ao Bairro do Sol, Carreira de Tiro, Sete Fontes, Montariol ( aqui confinando com Adaúfe e Palmeira, já quase a poente ), Infantaria de Braga, Largo do Areal, Cemitério, Rua de Santa Margarida, seguindo aqui para poente, pela rua de Camões (lado Sul), rua da Regueira ( da parte da capela e miradouro de Guadalupe ) onde da esquina da rua do Sardoal se projecta numa linha até ao cunhal das Convertidas, Avenida Central ( lado Norte ),Senhora-a-Branca, avenida 31 de Janeiro (Gavieiras, nascente), Urbanização Sotto Mayor, Santa Tecla até ao fundão já perto de Lamaçães, rua da Fábrica, Lugar do Peixoto, Rotunda do Bom Jesus, até fechar o circuito no citado lugar de Vilar, onde se situava o antigo Albergue Distrital. Como vemos e acima ficou descrito, os limites da enorme freguesia e paróquia dão com as citadinas de São José de São Lázaro, São Vicente e as sub-urbanas de Tenões, Nogueiró, Lamaçães, Gualtar, Adaúfe e Palmeira. É de facto uma enorme freguesia e paróquia e maior seria se em 1747, ao tempo do arcebispo Dom José de Bragança não tivesse sido desmembrada de parte do seu domínio, destacando vários locais que deram lugar à criação da de São José de São Lázaro e, mais tarde como já dissemos, cerca dos anos de 30 do século passado não se tivesse formado a de São Vicente. DA FUNDAÇÃO DO TEMPLO Albano Belino, “in” Arqueologia Christã, afirma que “A origem desta matriz é antiquíssima” relatando a pag. 188, o seguinte : “O clérigo Vasco Mendes doou a São Martinho de Dume, em 565 a sua quinta de São Vitouro, impondo-lhe a obrigação de criar ali um mosteiro com capellães. A igreja foi depois reedificada em 1031 ( pois havia sido destruída até aos seus alicerces pelo sarracenos, aquando da conquista da Bracara Augusta) por um padre de nome Nuno Forjaz. Em 1096 o seu padroeiro, Nuno Soares, doou o mosteiro ao Arcebispo São Geraldo. D. Payo Mendes (1118/1137) reedificou (de novo) e sagrou a igreja, tomando o título de Abade São Vítor, transmitido a todos os sucessores por confirmação do Papa Eugénio III, como se lê na respectiva bulla existente no Archivo da Mitra – Eclisianm Sanctti Victoris cum Villa sua – datada de 1148. Diz ainda e agora Azevedo Coutinho no seu “Guia do Viajante de Braga que : “Em homenagem e veneração ao martyr S. Victor (catecúmeno), natural desta cidade, e morto, durante a dominação romana, no sítio ainda hoje denominado as Golladas, onde lhe erigiram uma igreja.” Foi este santo martirizado por se recusar, conforme o proibia a sua religião, a prestar o culto aos deuses pagãos dos romanos. Anos mais tarde e porque a igreja mostrava sinais evidentes de ruína foi, pelo arcebispo D. Jorge da Costa (1486), “mandando fazer uma ao gosto suevo-visigótico, (informa Azevedo Coutinho no citado guia) e mandou colocar o seu brasão de fé no centro do arco cruzeiro.” Finalmente por já estar muito arruinada no tempo do arcebispo D. Luís de Sousa (1677/1690), foi por este arcebispo mandada edificar a actual, cujo projecto se deve a Miguel de Lescol. A data da sua construção é de 1686, conforme se lê numa das lápides que se vêem na sua fachada, e como era de apresentação da Mitra, foi feito o templo a expensas do arcebispo. Albano Belino refere que “A arquitectura da fachada pertence à ordem Jónica”, muito embora ela apresente resquícios do estilo jesuítico da contra reforma, com acrescento de alguns elementos maneiristas e barrocos. Assim parece ser uma transição entre a simplicidade do aspecto jesuítico (exemplo igreja do Seminário Conciliar) e a exuberância do barroco, pois tem a quebrar a monotonia da primitiva simplicidade as molduras das lápides epigráficas ( lembrando as de São Vicente e Terceiros, igrejas quase da mesma época) e ainda a rosácea emoldurada e ainda os nichos que encerram duas esculturas, possivelmente arcebispos, e também, encimando o frontão, a cruz arcebispal. Albano Belino diz em “Inscrições e letreiros da cidade de Braga”, publicação de 1895, que o primitivo mosteiro era da Ordem de São Bento e foi chamado de Santo Antão. É muito difícil saber quem são os arcebispos representados nos nichos. Há quem se incline para os dois não são mais que a representação de um só. E, talvez, porque eles tem a assiná-los a cruz só usada pelos arcebispos, pelo menos a partir de uma certa época, o báculo, a barba e a mitra, julgamos que representam São Geraldo, o primeiro arcebispo de Braga, e que foi a última grande dignidade bracarense, segundo Belino, a usar a mitra e barba. Hipótese que pomos não sem um interrogação, pois nada de concrecto se pode afirmar. A dar consistência a esta hipótese temos a doação acima citada do padroeiro Nuno Soares ao arcebispo São Geraldo. No entanto devemos notar que o simbolismo que a igreja usa na figura de um prelado este aparece ostentando o báculo com a voluta voltada para o público quer dizer tratar-se de um prelado que governa ou governou uma diocese. E aqueles que o usam virado para si próprio (caso das esculturas de São Vítor) que o são de Ordens Monásticas, não governando dioceses mas sim ordens, como por exemplo o Dom Abade de Singeverga. Voltando ao que atrás foi dito, podemos ver que também Belino nos informa que S. Martinho de Dume no ano de 565 fundara junto a Braga o mosteiro da Ordem de São Bento, chamado Santo Antão. Ora, serão São Bento e Santo Antão as figuras representadas nos nichos ? Ficam, portanto, todas estas hipóteses para quem está representado na fachada da igreja. Qualquer delas terá por certo os seus defensores. Quanto a nós, não nos queremos sujeitar a uma em prejuízo da outra. O FINAL DA OBRA DA IGREJA Dom Luís de Sousa não pode ver acabada o templo por, entretanto, ter falecido (1690) mas as obras, devido ao seu donativo, continuaram no tempo do arcebispo que se lhe seguiu, D. José de Menezes, que nada contribuiu para a feitura dela pois, tendo sido “designado arcebispo em 1692, só em Agosto de 1694 resolveu vir governar a Arquidiocese por se encontrar muito doente em Coimbra; mas agravando-se-lhe os padecimentos, não chegou a vir a Braga e foi convalescer para uma quinta da freguesia de Freiriz (Vila Verde) que pertencia a um seu irmão. Só em Setembro de 1695, ( encafuado numa liteira com as cortinas fechadas), diz Monsenhor Ferreira no Tomo III dos “Fastos”, conseguiu recolher-se ao paço, em Braga, donde não mais saiu até à sua morte, em Fevereiro do ano seguinte.” A este arcebispo segui-se-lhe D. João de Sousa (1697/1703), cabendo-lhe então o acabamento da igreja que foi por ele sagrada a 19 de Março de 1698. Como dissemos, as obras do templo foram completadas devido ao substancial donativo de D. Luís de Sousa, que havia falecido em 29 de Abril de 1690, o qual permitiu que durante o período de sé vacante se constituísse uma comissão formada por três membros para tratar dos últimos pormenores. Graças a esta comissão e à abastança do legado do arcebispo fundador, a obra foi rapidamente concluída. Esta comissão fez novo contrato com o “mestre de pedraria”, Pascoal Fernandes, do Porto, o qual já tinha sido o mestre encarregado da fábrica do templo, para obra do “acrescentamento da torre de São Vítor e tímpano delle e o banco do Retábollo e outros e casa de residência, pela importância de 300$000 reis” segundo nos informa Robert C. Smith. Também, segundo este mesmo investigador, foram ainda mencionados no mesmo contrato outras obras e condições necessárias para completo acabamento do templo. Em 1691, a 1 de Março, novo contrato se faz e este com o carpinteiro António Francisco para a obra do forro e tribuna da igreja, sacristia e casas da residência, que deveria ser executada “com seus rompantes e uma moldura nos frisos…soalho e tabuado de castanho”, devendo também na tribuna ser construído um sobrado com duas escadas. Smith, diz que isto “era, evidentemente, para facilitar o acesso ao trono do retábulo, que ia ser um dos primeiros exemplares do tipo da vasta tribuna aberta central, que o novo estilo nacional (barroco) então se estava a criar. Refere também o mestre entalhador Domingos Lopes, que assentou fazer o retábulo da capela-mor, dentro do prazo de cinco meses e pelo preço de 66$000 reis, contrato efectuado em 21 de Setembro de 1691. Da parte de Pascoal Fernandes, ficou o encargo de fazer os carneiros e sepulturas dentro da igreja e, entretanto, um novo contrato é feito com os mestres carpinteiros bracarenses António Costa e Manuel Ferreira, para as portas da igreja que seriam fabricadas em angelim e pela importância de 335$000 reis. Estava, portanto, a parte da construção do edifício, podemos dizê-lo, com estes contratos o acabamento terminado. Agora iria tratar-se do seu revestimento interior. . . . / . . .


publicado por Varziano às 17:42
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
biblioteca pública de Braga
A BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO DISTRITAL DE BRAGA Logo após a derrota do exército miguelista em 1834, foram substituídas todas as Câmaras fiéis a Dom Miguel e em seu lugar nomeadas, enquanto não se procediam a eleições de acordo com a Carta Constitucional, Comissões Administrativas favoráveis à regência de Dom Pedro, durante a menoridade da Rainha Dona Maria II. Braga, baluarte miguelista, muito contra vontade de alguns, não podia fugir à regra e não foi só a Câmara que foi substituída assim como todas as autoridades e não só, desde a mais pequena praça da Companhia de Fogo, como até os mais altos representantes do Governo, como Juízes, Desembargadores, Vereadores e até alguns funcionários suspeitos simpatizantes com a causa miguelista. Procedeu-se ao que hoje se chamaria de “saneamento geral”. Assim foi nomeada, em 7 de Julho de 1834, para gerir os destinos da cidade e seu concelho uma Comissão Administrativa, constituída por elementos que tinham aclamado em Auto de Câmara a Rainha Dona Maria II, em 26 de Maio desse ano, quando derrotado o exército fiel a Dom Miguel e este Rei Absoluto desterrado de Portugal. Não perdeu tempo essa Comissão da qual faziam parte vários intelectuais constitucionalistas – Bacharel António Manuel Álvares, Bacharel José António da Silva Reis, Bacharel António Maria Pinheiro, João Lourenço de Freitas, João António Vieira, Manuel António Vieira, Manuel António Ferreira, José da Cruz Faria e António José da Costa Veiga – de pedir para a cidade, ao Governo de Sua Magestade, uma instituição de grande valia. E assim, pelo Livro de Actas da Câmara de 1834/1877, fol. 22, de 18 de Julho desse mesmo ano, sabe-se que os membros da Comissão Municipal, tinham dirigido à Prefeitura, um ofício pedindo o estabelecimento de uma biblioteca nesta cidade. Meses depois, o Livro de Registos da Câmara de 1834/1875, fol. 19, de 16 de Setembro, assinala o ofício que abaixo se transcreve em que a Prefeitura dá resposta ao pedido da Comissão Municipal : “Registo de um ofício da Prefeitura sobre o estabelecimento Literário de uma biblioteca Pública nesta cidade” “Prefeitura da Província do Minho – Segunda Direcção – Repartição numero duzentos e dois. Ilustríssimos Senhores. Foi presente a Sua Excelência o Senhor Prefeito da Província da representação que Vossas Senhorias lhe acabam de dirigir, pedindo seja o seu conteúdo levado à presença de Sua Magestade Imperial para ser providenciado o que na mesma representação se expõem. Sua Excelência sente um vivo prazer em achar nesta representação uma demonstração não equívoca dos patrióticos, e ilustrados princípios que ornam a Vossas Senhorias, e sobre maneira se compraz em poder anunciar a Vossas Senhorias que já se acha aprovado por Sua Magestade Imperial, Regente em nome da Rainha, o estabelecimento literário de uma Biblioteca Pública nessa cidade em Portaria do Ministro dos Negócios do Reino de doze de Maio passado, deferindo assim benignamente a representação do Antecessor de Sua Excelência com data de seis do mesmo mês de Maio, achando--se também afecto a esta prefeitura o propor um plano para Orçamento e despesa na preparação do edifício, custeamento de tão útil objecto. Sua Excelência identificado com os sentimentos de Vossas Senhorias não pode jamais esquecer-se um momento de promover a efectividade de semelhante instituição, e agradecendo a Vossas Senhorias o zelo que patenteão pela ilustração dos povos, espera que o secundarão com quanto esteja ao alcance sobre este, e outros objectivos de utilidade pública, única mira, a que se dirigem as vistas de Sua Excelência. (……..) Deus Guarde a Vossas Senhorias. Prefeitura em Braga dezoito de Julho de mil oitocentos e trinta e quatro. Ilustríssimos Presidente e mais membros da Comissão Municipal de Braga. O Secretário Geral António Carneiro Geraldes Júnior = Registe-se. Braga em Câmara de vinte e três de Julho de mil oitocentos e trinta e quatro = Álvares = Freitas = Pinheiro = Ferreira = Veiga. Não continha mais o mencionado Ofício, que aqui foi copiado bem e fielmente conforme o próprio a que me reporto. Braga dezasseis de Setembro de mil oitocentos e trinta e quatro. E eu António Álvares Marinho (?), Secretário da Câmara, o subscrevo e afirmo. António Álvares Marinho (?) Passados sete anos, Junho de 1841, foi finalmente instituída a Biblioteca Pública de Braga, dando assim satisfação ao pedido feito pela Comissão Administrativa que saiu da tomada de posse de Dona Maria II, como Rainha de Portugal, e graças ao despacho de um homem para sempre lembrado na história de Braga, Almeida Garrett, - um dos bravos de Pampelido, Mindelo – que já foi devidamente homenageado pelo Câmara de Braga, com a atribuição do seu nome a uma das artérias citadinas. No entanto foram precisos vários anos para que a Biblioteca que ficou instalada no antigo convento dos Oratorianos de São Filipe de Nery (Congregados), fosse simbolicamente inaugurada pelo Rei Dom Pedro V. Mais alguns anos decorreram para que cumprisse o fim para que foi criada – consulta pública – sendo seu director desde então o Dr. Manuel Rodrigues da Silva Abreu, também lembrado na cidade, num arruamento da urbanização das Enguardas. Por volta dos princípios dos anos trinta do século passado, sendo seu director o Dr. Alberto Feio, foi transferida para o Paço de Dom José de Bragança, onde hoje se encontra – ala voltada para a Praça do Município com comunicação com outra situada no Largo do Paço, depois das obras de restauro e adaptação necessárias, sendo criado nessa altura o Arquivo Distrital que lhe ficou adstrito. Hoje, tanto o conjunto dos edifícios, como o seu valioso espólio, passaram para a posse da Universidade do Minho, onde também está instalada a Reitoria. Braga, 27 de Abril de 2006. LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt Email:luisdiascosta@sapo.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 17:04
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