Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
O Palácio do Raio 2
Continuação: nº 2 O tecto pintado apresenta vários motivos e ali está representado o brasão do Visconde de São Lázaro. O azulejo da fachada é do século XIX, e deve ter sido mandado colocar por Miguel José Raio, após a compra do palacete, em 25 de Abril de 1853, por dez contos de reis, a José Maria Duarte Peixoto, herdeiro do primitivo possuidor. Então este prédio tomou o nome porque é hoje conhecido – do Raio. Quando foi agraciado com o título de Visconde, Miguel José Raio, mandou retirar da cartela do cimo da fachada o brasão do fundador, João Duarte de Faria, e colocar em substituição o seu no lugar vago. A primeira notícia sobre este imóvel aparece-nos no manuscrito de Manuel da Silva Thadim DIÁRIO BRACARENSE que a pag. 166, diz: “Atrás de S. Marcos faz João Duarte de Faria, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Familiar do Santo Ofício, e Tendeiro que havia sido na Porta do Souto, umas belíssimas casas de pedra bem lavrada”. Esta notícia está inserida no final dos anais de 1754. O falecido Dr. Manuel Braga da Cruz, no seu trabalho “Quem habitou o Palacete do Raio ?”, inserido na revista Bracara Augusta, vol. XXIII, pag. 125, diz que João Duarte de Faria, era natural de Guimarães, onde nascera na freguesia de S. Sebastião, em 23/VI/1693, tendo falecido em 30/ IX/1767. Afirmou ainda o neste seu trabalho que em tempos, o palacete foi conhecido por Casa Grande dos Granjinhos. Nos ângulos norte (gaveto da rua do Hospital) e sul (gaveto da rua dos Granjinhos) do largo fronteiro, começo hoje da rua do Raio, mandada abrir pelo Visconde, em 1863,vêem-se duas casas em tudo semelhantes que este, ao jeito patriarcal, destinou às suas duas filhas, com jardim gradeado e apresentando sobre os cunhais dos portões, esculturas em cerâmica esmaltada a branco. Uma delas, a que serve as instalações da Vidioteca Municipal, viu destruído o seu espaço ajardinado e gradeado e as imagens que sobrepujavam os portões desapareceram, não sabendo nós qual o seu destino. A outra, onde em tempos foi a casa e consultório de um médico bracarense, estava integrada ultimamente nos serviços dos C. T. T., apresentando ainda hoje o seu aspecto original. Com a abertura desta rua até à então rua da Água, foi encerrada a Cangosta da Palmatória que, desde o Portão de acesso ao claustro do Hospital de São Marcos, era um dos caminhos de saída do Campo dos Remédios para a parte sul da cidade, em direcção a Guimarães, pela citada rua da Água. O Palácio do Raio parece que tinha a pesar sobre ele, uma maldição. Há quem se lembre que como o primeiro proprietário era membro influente da confraria de Santa Madalena, querem fazer querer que o dinheiro para a sua construção teria origem duvidosa, esquecendo que João Duarte de Faria, era um conceituado comerciante e que, praticamente, não foi durante a sua vida que o palácio causou dissabores ao seu proprietário. Depois da sua morte, muito depois, o seu herdeiro, administrando mal a fortuna do seu avoengo, dissipou-a, acabando praticamente na miséria, só lhe valendo a consideração de Miguel Raio que sabendo da sua situação, o chamou para a sua antiga casa e o tratou com toda a consideração até falecer em Janeiro de 1870. E continuando nas supostas “maldições”, a situação económica do Visconde de São Lázaro, deteriorou-se na parte final da sua vida, como diz o já citado Dr. Braga da Cruz, “pela queda da sua importante casa comercial do Pará (Brasil), ficando limitado aos seus haveres em Braga, bens de certo valor mas de pouco rendimento”. Como solução teve de recorrer a empréstimos, recorrendo ao Banco do Minho, primeiro ele mesmo e depois, os seus herdeiros, o que deu em resultado que, por falta de cumprimento das cláusulas dos empréstimos, por escritura de 28/XII/1882, o Banco tomasse para sua conta todos os bens, incluindo o Palacete, dados como fiança aos empréstimos. Finalmente e por escritura pública de 1 de Dezembro de 1884, o Banco do Minho, representado pela sua Direcção, vendeu o Palacete à Santa Casa da Misericórdia de Braga, sua actual proprietária. Neste edifício instalou a Santa Casa, alguns serviços como os de Radiologia, Oftalmologia e Estomatologia. Mas afinal quem era Miguel José Raio ? Devia ter sido uma pessoa importante na Braga em pleno século XIX e, de facto era-o. Miguel José Raio, nasceu em Braga, na rua Cruz de Pedra, em 10 de Maio de 1814 e faleceu nesta cidade em 14 de Agosto de 1875. Figura de grande destaque não só no meio comercial da cidade também como benemérito e homem de acção. Tratava-se de um capitalista brasileiro, tendo muito novo emigrado para a Terra de Vera Cruz, ali graças ao seu esforço singrou e onde granjeou fartos meios de fortuna, sendo considerado, quando do seu regresso à Pátria como “homem de abastados cabedais”. Pelos seus actos, principalmente beneméritos, foi agraciado mais tarde, como o dissemos, com o título de Visconde de São Lázaro. Como sabemos há, pelo menos três espécies de nobreza. Aqueles que dizem basearem os seus títulos numa ascendência visigótica, a chamada nobreza velha; aqueles que no campo de batalha pela sua coragem e valentia nesses campos a receberam das mãos dos reis, como os da Batalha de Aljubarrota e aqueles que pelo seu dinheiro, que por vezes era uma salvação para o erário público, ou pelas suas acções ( caso de Miguel Raio ), foram-no assim distinguidos. De entre as coisas notáveis na qual Miguel José Raio deixou a sua marca, foi o Banco do Minho, do qual juntamente com outros bracarenses foi instituidor. Tal era o seu prestígio no meio bracarense, que o imóvel que comprou, a antiga Casa Grande dos Granjinhos, passou a ser imediatamente conhecido pelo nome que hoje tem, e que portanto deriva do seu apelido - o Palácio do Raio. Braga, l de Outubro de 2008 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt email: luisdiasdacosta@clix.pt


publicado por Varziano às 19:50
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