Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
O Paço dos Arcebipos
LUIS COSTA O P A Ç O D O S A R C E B I S P O S BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO DISTRITAL DE BRAGA O Paço de Dom Gonçalo Pereira A obra de Dom Fernando da Guerra De Dom Frei Agostinho de Jesus ( Castro ) E de Dom Rodrigo de Moura Telles UBATI – Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade 2008 O PAÇO DOS ARCEBISPOS Vindos da praça Conde de Agrolongo (Campo da Vinha) pela rua Dr. Justino Cruz, deparamos logo à entrada com o tapete-jardim de Santa Bárbara, que ladeia a rua Eça de Queiroz. Situado êste belo recanto da cidade, em parte da antiga cerca do Paço dos Arcebispos, tem emoldurado a vista do antigo Paço dos Arcebispos. A primeira e mais antiga construção que se nos depara é uma mole de pedra, quadrangular e ameada que é o antigo Paço Medieval do Arcebispo Dom Gonçalo Pereira que governou a arquidiocese bracarense entre os anos de l235 a 1358. Nesta torre vêem-se por entre pedras sigladas, medievais, algumas almofadas o que nos prova que na sua construção foi utilizado material romano de qualquer construção que por ali teria existido. Dom Gonçalo era avô do Condestável Dom Nuno. Segundo o Dr. Alberto Feio, este grande arcebispo de Braga, cujo magnífico túmulo em pedra de Ançã, se encontra na Sé de Braga, na capela de Nossa Senhora da Glória que ele instituiu, no lugar de umas casas que comprou, em 20 de Março de 1532, vulgarmente chamadas Casas do Concelho para sua morada eterna, não foi, como afirma a tradição, um combatente do Salado. O antigo director da Biblioteca de Braga, em artigos publicados no Diário do Minho, em Fevereiro de 1956, afirma que é uma tradição absurda e diz : “D. Gonçalo Pereira foi uma nobre e valorosa figura de Prelado, não precisando a sua memória, para ser glorificada, mais que ter sido ele o primeiro que exprimiu sentido da nacionalidade portuguesa” “Não teve ocasião de vestir cota de armas, mas teria sido capaz de valentias, se o destino a isso o conduzisse, como conduziu seus heróicos descendentes D. Álvaro Gonçalves e D. Nuno Álvares.” Segundo todas as probabilidades e confirmando a indicação de as casas compradas pelo arcebispo – Casas do Concelho – a torre ameada que se encontra ao lado da Capela da Glória, devia ter sido uma antiga Câmara de Braga ou, pelo menos, Câmara Eclesiástica. No seu espaço superior, Alberto Feio, encontrou, cobertos de pó milenário, vários livros e pergaminhos relacionados com a história da igreja. É interessante notar que ao tempo de Dom Gonçalo Pereira, principiou um pleito entre o Arcebispo e o Prior Estêvão Dade e os Cónegos de Guimarães, sobre os seus direitos de visita à Igreja Matriz de Guimarães. Dom Gonçalo, homem enérgico, diz Monsenhor Ferreira nos “Fastos”, anunciou a visita à Colegiada de Guimarães, porém quando lá chegou, encontrou as portas da Igreja Matriz fechadas, e o Prior ausente. Não se preocupou, Dom Gonçalo com o caso e fez a visita à força. Como vemos as rivalidades entre Braga e Guimarães, são já velhas e revelhas. Na parte mais antiga, voltada para a rua Eça de Queiroz, encimando uma porta, nota-se, gravadas na pedra as armas de Dom Gonçalo Pereira, armas apócrifas pois foram ali colocadas aquando das comemorações do triplo centenário (1140, 1640, 1940). Segundo as notícias dos “Fastos”, do já mencionado Monsenhor Ferreira, estas são as primeiras armas que ali são referidas pelo que, julgo, ser a partir deste arcebispo se passaram a usar “brasão de armas”. Ao tempo do arcebispo Dom Fernando da Guerra (1416/1467), foi o Paço aumentado com o aumento, junto à primitiva torre, de uma outra. Nota-se perfeitamente esse aumento por uma linha de encontro entre as duas. A Dom Fernando da Guerra se deve a construção da ala que une estas torres com o edifício do Paço de Dom José, voltado para a Praça do Município e a ala voltada para o do Largo do Paço. Aqui está o chamado Salão Medieval, ocupado no seu piso superior pelo Arquivo e nos baixos, o Salão onde se processam os Actos Solenes da Universidade do Minho. Seguindo-se a esta parte do Paço, vamos encontrar, voltada para a Praça do Município, o belo Paço mandado construir pelo arcebispo-príncipe D. José de Bragança que, em Braga quis criar uma corte, já que a sua condição de príncipe real não se coadunava, com um simples paço arcebispal. Obra de grande vulto, onde sobressai toda a magnificência e deslumbramento do barroco, nos desenhos das suas pedras lavradas, nos remates das padieiras, nas volutas da entrada principal, nas suas janelas, na grandiosidade da sua entrada principal e até nos dois brasões colocados nos ângulos que formam a reentrância deste entrada. Assim confiou, ou pelo menos é convicção dos investigadores, ao arquitecto amador André Soares, que se esmerou no desenho da fachada principal, dando-lhe o seu cunho pessoal – soaresco - com resquícios de estilo ró-có-có, ou “rocaille”, especialmente nos capiteis que encimam as pilastras e nos dois brasões, que adornam os cantos avançados dos corpos laterais. “Todo o edifício, voltada ao poente é digno de uma pausa para o apreciar, onde digna é uma visita ao seu interior onde não se sabe se mais é admirar a sua sala de leitura, onde um tecto, sabiamente aproveitado – veio do Seminário Conciliar de Santiago, graças à acção do Dr. Alberto Feio – se os seus interiores onde se guarda um valioso espólio bibliográfico, manuscritos valiosíssimos, verdadeiro pedaço bem grande da história de Portugal e da Igreja Bracarense.” Parte do Paço de Dom José encontrava-se em ruínas desde o pavoroso incêndio que na noite de 15 de Abril de 1866, o reduziu a cinzas. Vamos transcrever, uma parte do artigo “Morte e Ressurreição de um Palácio”, que o falecido Dr. Egídio Guimarães, publicou na revista “BRACARA AUGUSTA”, em 1983, e extraído de uma folha manuscrita que encontrou numa das suas consultas ao arquivo da Biblioteca: “Horroroso incêndio em parte do Paço Arquiepiscopal de Braga. Pelas duas horas da madrugada do dia 15 de Abril de 1866, principiou a tocar a fogo por dous sinos da Sé – em seguida em todas as Torres da cidade. – O Fogo tinha-se manifestado na parte do Paço Archiepiscopal chamado de D. José do lado do Campo dos Touros que era a milhor e mandada edificar pelo Sr. Arcebispo D. José de Bragança, a que em parte para o lado da capela estava ocupada com a preciosíssima Biblioteca da Mitra a qual além das muitíssimas riquezas de raridades Bibliográficas como o “Dorando” em pergaminho iluminado e outras, - ali se encontrava a completa Colecção das Obras do (sic) Santos Padres, encadernados por igual em Velludo e prata – tudo ardeu - tudo o mais estava ocupado com as repartições publicas do Governo Civil – Repartição de Fazenda do Distrito e Delegacia do Thesouro – Cofre Central do Distrito – Recebedoria da Comarca – Repartição de Fazenda do concelho – Archivo dos Resíduos – e Estação Telegráfica ou no corredor próximo – ( e diz-se que lansado) – tudo foi presa das Chamas à excepção do Archivo da Repartição de Fazenda Distrital e da Recebedoria da Comarca –o que fora salvo com o maior denodo e coraje com o maior risco de vidas de Miguel de Araújo – José Lourenço dos Santos – José da Rocha Vieira e outros. Levados pelo vento e fumo, forão levados papeis a cinco kilómetros de distância….” . . . / . . .


publicado por Varziano às 15:26
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