Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Palácio do Raio
Luís Costa O PALÁCIO DO RAIO ou CASA DO RAIO Mandada edificar em 1754, por João Duarte de Faria Atribuído o seu risco a André Soares ( André Soares Ribeiro da Silva ) UBATI – Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade 2008 PALÁCIO DO RAIO Situado no popularmente conhecido como largo do Raio, toponímia não reconhecida oficialmente, o Palácio ou Casa do Raio, é um dos mais singulares edifícios da cidade, e um cartaz turístico bracarense dos mais fotografados por inúmeros turistas. Mandada edificar por João Duarte de Faria, ao tempo mesário da Confraria de Santa Maria Madalena, da Falperra, com risco atribuído ao “arquitecto do Minho”, André Soares ( André Soares Ribeiro da Silva ), o Palácio ou Casa do Raio é também atribuído ao mesmo artista, tudo se conjugando para que assim seja, já que a data da sua construção é da mesma altura e, por certo Duarte Faria, não encomendaria a outro que não Soares, a feitura do seu palácio, dado que a fachada do templo de Santa Marta, onde era, parece que, mesário tesoureiro, deve ter influído e muito para o agrado da sua escolha. Assim, o Palácio, é uma obra prima do período setecentista, de típica arquitectura primitiva barroca, no melhor estilo joanino, “ró-có-có”, inspirado nas gravuras que a Portugal estavam a chegar, vindas do centro da Europa. Feliz adaptação “soaresca” ao estilo floreado francês “rocaille” , que segue o estilo da fachada do mencionado templo da Falperra. “Rocaille” é um motivo decorativo “nascido da estilização barroca das conchas (vieiras) usadas na decoração das grutas fingidas desde o Renascimento. Ganhando formas assimétricas num jogo de curvas e contracurvas…” – Selecções Readr’s. Na fachada, o portal, profusamente recortado e decorado, flanqueado por duas volutas ( tipo das do edifício camarário ) que se prolongam até ao balcão varanda desenhada em pedra e com balaústres, vêem-se, em cada canto, duas esculturas decorativas, que não interrompem a ilusão de que as volutas da entrada se prolongam até quase à platibanda do edifício, coroada por uma sucessão de balaustrada, interrompida ao centro por uma cartela, com as armas da casa, sobrepujadas por um frontão quebrado, sobre o qual se encontra um acrotério decorativo encimado por uma espécie de vaso florido. Recorrendo a Vaz-Osório da Nóbrega, e ao seu trabalho Pedras de Armas e Tumulares do Distrito de Braga, a cartela representa não as armas de do primitivo dono da casa, João Duarte de Faria ( as deste senhor encontram--se arrumadas sobre os muros da traseira do Palácio ) mas sim as do Visconde de São Lázaro, título com que foi agraciado Miguel José Raio, pelo rei Dom Luís, em carta de armas de 12 de Abril de 1872. A leitura deste brasão é a seguinte: Localização: - Casa do Raio. - Frontaria. Material: mármore Época: o Visconde de São Lázaro teve carta de armas em 12 de Abril de 1872 e faleceu a 14 de Agosto de 1875. LIÇÃO HERÁDILCA: Classificação: heráldica de família. Conjunto: - Escudo inglês. - Coronel de nobreza. - Timbre. - Folhas de acanto ladeando o escudo. - Fitas pendentes do escudo e das folhas de acanto, com a insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo, do Brasil, e as comendas da Ordem de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Escudo: Composição: partida. Leitura: I GONÇALVES, de Antão Gonçalves (1) II OLIVEIRA (2) Diferença: uma brinca com besante (3) Timbre de GONÇALVES, de Antão Gonçalves (4) (1) Banda carregada de dois leões rompantes. (2) Uma oliveira carregada. Indicando esmalte do campo (vermelho) A platibanda está escondida por um balaústre de papos, sobre o qual se podem ver seis vasos ou urnas, flamejantes ( três em cada lado da balaustrada ) e, nos cantos, rematando os cunhais, quatro bojudos, simulando urnas fechadas. Penetrando no edifício, vamos encontrar como na Domus Municipalis um átrio, um pouco maior que êste, mas a sua disposição e formato obedece aos mesmos cânones – de cada lado uma porta de acesso a gabinetes e frontalmente uma portada central, de grande formato e imponência de entrada para a escada para o andar superior e aos lados desta uma porta, como na Câmara. De notar, na portada central, anteparo da escada, a decoração nos vidros (cristal ?) a fogo. O lambrim que se apresenta em todos os lados da escada nobre, bem como no patamar que se segue ao primeiro lanço, são azulejos do século XVIII, (azul e branco) com motivos de caça, alguns exóticos, lembrando o autor da azulejaria, de cabeceira, do Panteão de São Vicente, em Lisboa. Os azulejos estão, ou estavam quando por lá passamos, em franca deterioração. Segundo nos informaram parece que já estão tratados ou o vão ser, pois também nos informaram que o Palácio, no futuro será destinado a Museu da Santa Casa, esperemos que assim seja. No entanto algo cremos ser irremediável. Referimo-nos a azulejos de algumas dependências superiores que, em tipos idos, foram danificados e possivelmente arrancados. Dos que restavam julgo, pois já se passaram vários anos depois que os apreciamos, não eram figurativos, mas parece-nos que eram do tipo holandês, muito embora de fabrico nacional. Como em São Vítor, no lambrim do patim ou patamar em que a escada se divide em dois lanços, há também uma discrepância - o painel está cortado e a cena que representa interrompida, pelo que é de pensar que o desenho do azulejo era maior do que o painel. Ao chegar a este patim ou patamar uma coisa chama a nossa atenção. Trata-se dum nicho que alberga uma figura que alguns chamam de “Mexicano”, dando em resultado que, por vezes, o verdadeiro nome do Palácio é trocado pelo Palácio do Mexicano. Esta figura empunha um facho de algumas luzes, hoje lâmpadas eléctricas e outrora, primeiro velas e depois, talvez, bicos de gás. . . . / . . .


publicado por Varziano às 19:57
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