Sexta-feira, 20 de Março de 2009
A Páscoa em Braga
A PÁSCOA EM BRAGA PÁSCOA : Festa Anual da Igreja Cristã comemorativa da Ressurreição de Jesus Cristo. Esta festividade foi fixada pelo Concílio de Niceia ( ano de 325 d.c.), no primeiro domingo após a Lua Cheia que se seguir ao dia 21 de Março. Quer dizer a Semana Santa decorre sempre no período da semana da Lua Cheia de Março, que pode ultrapassar este mês e entrar em Abril. Como sabemos a ciclo da Lua é de 28 dias, dividido em sete dias, tendo cada uma desta divisão, os nomes – lua nova, quarto crescente, lua cheia e quarto minguante. Podemos dizer que a fixação da Páscoa, oscila e tem sempre de decorrer entre o dia 22 de Março e o dia 25 de Abril. Sempre a Semana Santa, é semana de lua cheia, como os três dias de Carnaval se comemoram sempre na semana de lua nova de Fevereiro, que pode ir até aos primeiros dias de Março. O que é certo é que entre uma festa e outra tem que passar sempre quarenta dias, a chamada Quaresma, que principia na quarta-feira de Cinzas e termina na Semana Santa. É, portanto, uma festa móvel que dá origem a outras como a de Ramos, da Ascensão, Corpo de Deus e mais algumas. SIMBOLOS DA PÁSCOA : Como preparação para o período Pascal, decorre em Braga, nos quarenta dias que a precedem o chamado LAUSPERENE, uma devoção criada na cidade por deliberação papal a pedido do Arcebispo Moura Telles, tendo principiado em 1710. Durante os quarenta dias da Quaresma, em determinadas igrejas bracarenses está exposta à devoção dos Crentes o Senhor. Na Semana Santa, antigamente, principalmente na quinta, sexta-feira e sábado, os frequentadores dos cafés não jogavam qualquer jogo, fosse ele cartas, damas, gamão ou dominó e até no bilhar, sobre o pano verde estavam colocados em cruz os tacos. Nesses três dias de luto cristão tanto os homens como as mulheres trajavam de negro, ou pelo menos ostentavam os sinais de luto, os então chamados Sinais de Fumo – faixas pretas nos chapéus ou no braço do casaco, gravata preta e as senhoras usavam a rendinha preta cobrindo a face. Os sinos das igrejas, nos dias de quinta, sexta e sábado, tinham a campânula voltada para cima e o badalo preso, para não tocarem, coisa que só voltavam a fazer depois da Aleluia. No sábado anterior aos domingo de Ramos, início da Semana Santa, sai à noite a procissão da trasladação do Senhor dos Passos, da sua igreja de Santa Cruz, para a do Seminário, seguindo-se depois a Via Sacra que percorre os Passos espalhados pela cidade e que querem simbolizar a tragédia, o Calvário do Senhor depois da sua prisão e julgamento até a chegada ao cimo do Golgota. Na manhã desse domingo, no adro de Santa Cruz, são benzidos os ramos. Normalmente ramos de oliveira, que vem lembrar a chegada à cidade de Jerusalém, em cima de uma burrinha, o Senhor, que foi recebido com ramos de palmas e oliveiras, sinais de paz, ramos esses que são depois levados para as casas e guardados ou expostos junto a quadros ou imagens de Santos, como protectores abençoados contra desgraças ou tragédias. No domingo à tarde sai a procissão do Seminário que percorre várias artérias, e ao passar, pelo adro da Igreja de Santa Cruz, ali é pronunciado o Sermão do Encontro – a Senhora encontra o seu amado filho, flagelado e coroado da espinhos, com a túnica em farrapos, carregando a Cruz. Na quinta feira-Santa, são expostas no espaço de sete igrejas, imagens da Senhora das Dores e de Jesus, este sempre numa tumba. O povo visita e ora nessas igrejas que simbolizam as sete igrejas de Roma. À noite sai da Igreja da Misericórdia a procissão do Ecce Homo ou como é vulgarmente chamada a do Senhor da Cana Verde, que representa Jesus Cristo empunhando uma Cana Verde e coroado de espinhos que, acintosamente os soldados romanos lhe deram e colocaram visto o mártir Jesus se intitular REI DOS REIS. Percorre esta procissão várias artérias do centro histórico de Braga. Esta é a procissão mais antiga, visto que do Senhor Morto, só a partir do século XVI, se principiou a realizar no Convento de Vilar de Frades. Na sexta feira, à hora nona (hora romana que corresponde às três horas da tarde) um sinal, por vezes um estrondo de um morteiro, anunciava a hora da morte de Jesus no tronco da Cruz. Era a hora solene que simbolizava o seu último suspiro. As visitas às igrejas, as reconciliações dos crentes com Deus, representadas pelos sacerdotes, na Sé, fazem bicha esperando a sua vez. Logo após as dignidades religiosas, padres, cónegos e o Arcebispo, dão início à procissão teofórica do enterro, privilégio único da Sé de Braga, que percorre apenas as naves da catedral, féretro em que numa espécie de cofre coberto de pano preto estão encerrada a custódia com a sagrada hóstia e os vasos sagrados. À noite, quase às escuras, sai da Sé, a majestosa e impressionante procissão do Enterro do Senhor, em que todos os elementos humanos, os cónegos, os padres, os confrades que a compõem levam a cabeça encapuzada, arrastando as varas, os figurantes (os anjinhos ) arrastam os seus pertences, os pendões das confrarias deitados, e também arrastando pela calçada as suas hastes, num silêncio absoluto só quebrado pelo som irritante do rastejar pela pedra. Da mesma maneira procedem os farricocos arrastando também os reque-reques e as bacias onde ardiam nos fogaréus em chamas alterosas, as pinhas que de certo modo iluminaram a procissão anterior do Ecce Homo. Também esta procissão percorre o centro histórico da cidade, e em tempos, em determinados locais um grupo de orfenonistas entoavam música sacra. Depois do seu grande percurso, recolhe à Sé, onde no dia seguinte, sábado Santo, continuam as cerimónias religiosas que culminam já perto da meia-noite com a aleluia, altura em que o repique dos sinos anuncia a ressureição do Senhor. Com disse esta procissão só passou a fazer-se em Braga, e outros locais, depois de um frade do Convento de Vilar de Frades, no século XVI, ter assistido em Jerusalem, onde ela se realizava, ter trazido esse piedoso costume para o seu Convento, e daí irradiar para Braga e para todo o mundo cristão. Na noite da quarta feira Santa, sai da Igreja de São Victor, a procissão de Nossa Senhora da Burrinha, uma procissão que não está bem integrada nas Solenidades, porquanto é mais um quadro bíblico – a Fuga Para o Egipto da Sagrada Família. No entanto está bem arreigada no costume do povo, que não se pode deixar de a aproveitar e mesmo traz muito gente a vê-la. É de notar que os figurantes – a mor parte deles – são pessoas adultas. Na manhã do Domingo – Domingo de Páscoa – sai da Sé a Procissão da Ressurreição, que percorre parte das zonas envolventes da Sé. Depois o Compasso, que sai de diferentes sedes das igrejas paroquiais, grupo de pessoas, que levam a notícia da ressurreição de Jesus, até às casas da cidade É um dia de festa, a chegada do Compasso. Em todas as casas ele é recebido com júbilo especial e para isso contribui o facto de em muitas delas ser servido um beberete aos que levam e acompanham o mordomo que apresenta a beijar a todos os familiares, a cruz florida. Há paróquias que apresentam mais do que um Compasso, caso de São Vitor, que pela grande extensão da freguesia, anda á roda de uma dezena. Em determinados locais do Arcebispado de Braga, o Compasso é também apresentado na segunda-feira de Páscoa e até há localidade que o anúncio da Ressurreição tem lugar no Domingo de Pascoela, isto é no domingo seguinte à Páscoa. Na gastronomia destaque para o almoço de domingo. Normalmente a ementa é constituída por cabrito ou anho assado e, no final, conforme as posses de cada um não falta o pão de ló, doçaria que faz parte do folar que os padrinhos dão aos seus filhos na Páscoa, não sem antes terem recebido no Domingo de Ramos, a prenda de um ramo de flores, aquando do beija mão dos afilhados. Por vezes os pais ou por terem dificuldades em arranjar um padrinho ao seu jeito, escolhem para padrinho um Santo. Para não criarem problemas com estes padrinhos, os pais tem o cuidado de colocar no altar do Santo Compadre, a prenda, constituída, nos menos endinheirados por uma rosca de pão de trigo e daqueles mais afortunados, uma mais doce, uma rosca de pão de ló, especialidade desta época como o é de resto o bolo rei no Natal, tendo o entanto o cuidado, para evitar problemas, no folar colocar o nome do afilhado. Antigamente, e ainda o é hoje, em alguns locais, no folar além da rosca, era constituído ou acompanhado por ovos de galinha cosidos e com a casca colorida, muitas vezes resultado do cosimento com a casca de cebolas. Talvez esse costume tenha sido transferido ou substituído pelas tradicionais amêndoas, semelhantes aos pequenos ovos de pequenos pássaros, como os pardais. Em Braga, a festa da Páscoa, tem na rua da Cónega um sabor especial. A festa é organizada na segunda-feira de Páscoa. É nesse dia que o Compasso visita essa rua, que para o receber está engalanada, desde o largo do Pópulo até ao seu final. No Largo do Pópulo, um enorme tronco de uma árvore, previamente ensebado, tem no seu cimo, como uma cruz, na qual estão colocados alguns bens comestíveis, como um bacalhau. De todos, e muitos o tentam, aquele que tiver mais agilidade para o trepar, o que é difícil pois as escorregadelas são muitas, leva para casa o presente do PAU ENSEBADO. Normalmente o feliz contemplado não é o primeiro. Este e os que se arriscam, não mais fazem do que ir limpando o sebo, aos poucos e finalmente para o felizardo, o pau já quase não tem sebo. À noite a figura do Judas Hiscariote, é queimada entre ruidosos estouros de bombas que na sua bolsa substitui as trinta moedas a troco das quais atraiçoou Jesus, no Horto das Oliveiras. Talvez alguns cozinheiros, optem no almoço do dia Pascal, o coelho pelo cabrito ou anho. Será uma questão económica ? Quinta feira, 19 de Março de 2009 LUIS COSTA


publicado por Varziano às 14:34
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