Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Dom Rodrigo 2
Dom Rodrigo 2. continuação “ano do morto” Outro Breve de Clemente XII, Exponi nobis, expedido em 20 de Agosto de 1834, ordena que as rendas das Igrejas unidas às Dignidades e Cónegos compreendessem também no ano do morto. Em 14 de Junho de 1825, (o Estado não podia perder parte do bolo do morto), mandou El-rei observar o que fora determinado no Alvará de 5 de Julho de 1806, tanto pelo que respeita ao costume de se pagar aos herdeiros dos Prebendados o ano do morto, como da parte do mesmo aplicada à Fazenda Real. S I N O D O D I O C E S A N O Dom Rodrigo, não julgando bastantes as reformas adoptadas numa pastoral de 20 de Novembro de 1706, deliberou celebrar um novo Sínodo Diocesano, dado também que já havia passado mais de 75 anos que o último se celebrara. Foram necessárias três sessões para se chegar ao final. Nessas sessões foram tomadas algumas deliberações de entre as quais se destaca aquela onde se criou o Ofício de Escrivão dos livros findos, e ordenou que os párocos mandassem para aquele cartório os livros findos dos Baptismos, Casamentos e Óbitos. Esses livros de registos, são a grande fonte onde os genealogistas se baseiam para estabelecer a ordem cronológica das famílias bracarenses. Aqui cabe informar que eles foram criados obrigatoriamente, por decisão do Concilio de Trento, mas que já antes, na arquidiocese de Braga se inscreviam esses eventos, por decisão de um arcebispo e que, portanto serviu de exemplo para que nesse Concilio eles se tornassem obrigatórios. LAUSPERENE NA QUARESMA NA CIDADE DE BRAGA Seguindo pequeno livro “Sagrado Lausperene”, editado em Braga em 1959, que foi no ano de 1709, 12 de Outubro, sendo Arcebispo Dom Rodrigo, que este pediu ao Papa Clemente XI, o jubileu do Lausperene para se celebrar na Quaresma a devoção continua ao Senhor exposto, de dia e de noite, em cada uma das principais igrejas da cidade no período que antecede a Páscoa. Concedida por Bula, a satisfação do pedido, expedida em 12 de Outubro de 1709, principiou a devoção a praticar-se no ano seguinte – 1710. Mas afinal o que é que se entende por Lausperene ? Voltando ao livro acima mencionado vamos tentar dar una sucinta explicação, de resto uma valiosa explicação dada num dos últimos números do Diário do Minho, deste mês de Março de 2009 o bom amigo Prof. Doutor Padre Franquelim Neiva Soares. Diz o pequeno livro, da responsabilidade e orientação do P. J. Ferreira da Silva e do Dr. M. Ferreira de Faria: “Entende-se por Lausperene a adoração continua que se faz em honra e diante do Santíssimo Sacramento. Foi para conjurar calamidades públicas, como pestes, fome, pilhagens por vezes sacrílegas, assassínios, incêndios e outras, que se instituíram as primeiras adorações, mais ou menos contínuas a que se chamaram quarenta horas. É do decreto de Paulo III no documento da instituição canónica: …”aplacar a ira de Deus provocada pelas ofensas dos cristãos, especialmente no Carnaval”. As loucuras carnavalescas eram então julgadas por muitos, a causa dos grandes males que afligiam a população. Da Cerimónia das 40 horas, que poderia realizar-se de dia e interromper-se de noite, foi passando para o Lausperene, que não podia interromper-se, tendo de estar exposto durante o dia e noite. Parece que a referência a este Cerimonial, já se encontra assinalado desde o ano de 1226, em Avinhão, uma exposição permanente. Refere o livro que estamos a seguir que “foi tal a afluência de fiéis, que o bispo, julgou oportuno que a adoração se fizesse de dia e de noite”. Segundo a pequena obra que estamos a seguir o que deu grande incremento às adorações públicas foi a promulgação, em 1264, da Festa do Corpus Christi, á qual o papa João XXII, uniu a procissão eucarística em que “vai a Sagrada Hóstia em triunfo”. No entanto só muito mais tarde é que se instituiu em Roma – 1592 – seguida da Baviera, em 1674, na Espanha em 1607 e na França em 1837. Fortunato de Almeida diz que em Portugal esta nova devoção foi criada em 1608, o que nos deixa um tanto confusos, não sabendo se ele se quer referir à Festa do Corpo de Deus se do Lausperene, visto segundo Monsenhor Ferreira, nas referidos “FASTOS” nos dá a informação de que a Adoração do Lausperene se deve ao pedido feito por Dom Rodrigo. A princípio, afirma o livrinho “só se fazia nas Quaresmas, por não haver igrejas bastantes por onde circulasse todo o ano”, o que agora acontece que percorre todas as terras abrangidas pela arquidiocese. ABASTECIMENTO DE ÁGUA À CIDADE Uma pequena notícia, inserida no III Tomo, a pag. 267, da obra “Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga”, de Monsenhor Ferreira, em que refere, em VÁRIAS, que o Arcebispo Dom Rodrigo, despendeu a quantia de 2:400$000 reis, com diversas obras PARA A CANALIZAÇÃO DAS ÁGUAS DA CIDADE E ALGUMAS CALÇADAS, despertou a nossa curiosidade em consultar as actas camarárias do período em que este arcebispo governou a arquidiocese bracarense. E por elas chegamos à conclusão que a água que abasteceu a cidade por cerca de duzentos anos, já, com carácter definitivo, pelo menos vinha desses tempos. Hoje, por descobertas arqueológicas, julga-se que o manancial conhecido pelo conjunto das “SETE FONTES” já, desde tempos imemoriais a fornecer a cidade. Há quem até afirme que na idade do bronze, possivelmente foi explorado este lençol de água mas, de certeza, e por achados de elementos cerâmicos nas actuais escavações, pode afirmar-se que pelo menos o foi na época da dominação romana e isto não é de pôr de parte, porque se sabe desde cerca de 1950, que existia pela área da hoje freguesia de São Victor, uma ocupação romana ao ser encontrada, quando da abertura dos caboucos, para a criação da Escola Primária de São Victor, ali foram encontrados elementos de uma necrópole, com espólio desse tempo, como moedas e vários restos de cerâmica romana, hoje depositados na Unidade de Arqueologia. Esta necrópole foi estudada pelo então vereador do pelouro de Cultura da Câmara de Braga, Prof. Douro Sérgio da Silva Pinto. Logo se havia população é lógico que necessitaria de água e por certo iria procurá-la aonde a havia – ao hoje lugar das Sete Fontes. Da nossa consulta às referidas actas, vamos dar um pequeno resumo, que nos vem provar aquilo que já em tempos afirmamos e que agora de novo confirmamos. Quando Dom José de Bragança, terminado o período de Sé Vacante, tomou posse da sua cidade, já este era abastecida de água desde o manancial conhecido pelas Sete Fontes. No entanto a extraordinária obra de engenharia hidráulica, do século XVIII, que hoje conhecemos e está praticamente abandonada, a ponto de quase a quererem fazer esquecer, com obras, ninguém o pode negar, de grande interesse público, foi, tal como se apresenta, uma das grandes realizações do Príncipe Arcebispo Dom José de Bragança, possivelmente influenciado pelo feito pelo seu irmão, o Rei Dom João V, ao presentear Lisboa com o Aqueduto de Águas Livres. Seguiremos então, cronologicamente os Livros de Actas das Vereações Camarárias do período. Assim podemos respigar no Livro de 1707/1720, que na reunião de Câmara do dia 11de Dezembro de 1718, a fols. 235 v. é assinalado o termo de venda e paga das casas do Eirado, pertencentes ao Padre Manuel da Silva Nóbrega, para no local ser instalada a Casa da Água, que em Março do ano seguinte, já se encontrava em condições de receber a água, apesar de em Julho seguinte, fol. 259, estar a causar alguns problemas. Nesse mesmo livro, vamos encontrar, em Outubro 6 – fol, 266 v. a informação da arrematação da obra das novas águas, coutação até às caixas. Feitura dos caleiros de pedra, medidas destes, etc., etc. Também indica, que em 18 do mesmo mês, se fez o termo de arrematação da primeira caixa de água que se há-de fazer na água nova da Mina de Montariol, água que se destinava a abastecer a parte alta da cidade – Areal e São Vicente – “termo de arrematação da primeira caixa de água que se há-de fazer na água nova de Montariol”. . . . / . . .


publicado por Varziano às 16:59
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