Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Dom Rodrigo 3
Dom Rodrigo 3 – continuação Sabemos pelo livro de Actas da Vereação, que esta mina de Montariol foi mandada explorar a ordem do arcebispo que estamos a tratar. Ao consultar o Mapa da cidade de Braga, elaborado por André Soares, nota-se que existia uma caixa de água, no actual adro da Igreja de São Vicente. Seria esta a que se refere, a acta acima? Continuando a nossa pesquisa, encontramos no mesmo livro a fols. 272, 29 de Novembro, a confirmação da compra a Alexandre Pereira do Lago, do lugar de Passos de toda a água da sua propriedade, água que se destinaria ao abastecimento da cidade. Em outro livro de vereações do mesmo período, está referenciada a indemnização que teve de ser paga aos confrontantes das minas das Sete Fontes e até a questão levantada por um deles, que temos a ideia de se referir a uma dignidade eclesiástica. E continuando na consulta das Actas, e para não alongar mais este capítulo citaremos mais uma e também uma de um outro livro. Assim no das Actas da Vereação de 1720/1726, encontramos a fols. 213 – 12 de Março de 1725 - o termo de arrematação: “Arrematadas pelo mestre pedreiro António de Oliveira, as coberturas das caixas de água de abastecimento à cidade.” Para terminar este capítulo do abastecimento de água, ouçamos o que nos diz o “Índex de Alguns Livros de Registo de memórias de receitas e despesas – 1716/1723 : “A 4 – fol. 144 – Dom Rodrigo manda que sem demora façam continuar a obra dos canos de água pelo Quinteiro”. Portanto é fora de dúvida, que Dom José de Bragança, encontrou a cidade com abastecimento de Água, possivelmente deficiente e, como tal resolveu dotar a cidade com um eficiente fornecimento que graças à sua visão a abasteceu e abastece por mais de duzentos anos, pois que ainda hoje a linfa das Sete Fontes, corre por algumas torneiras de determinadas casas bracarenses, fornece bicas no local e serve muitos que a elas recorrem, pois trata-se de um líquido de superior qualidade. Mandou refazer as condutas, reconstruir as casas de água – Mães de Água onde o precioso liquido é limpo de impurezas por decantamento, terra e areia que os empregados de então - os agoeiros – tinham obrigação de limpar e fiscalizar contra roubos de regas do confrontantes e onde colocou o seu brasão. Em suma reparou, construiu e reparou uma obra que durante a longa vacância da Sé por certo se tinha de degradado por abandono dos responsáveis. Esperaremos que hoje não se volte a história a repetir, abandonando até à degradação de um exemplar único na região de uma extraordinária obra de engenharia hidráulica do século XVIII. Não queiram que os vindouros apelidem os homens século XXI, um novo povo bárbaro que desaguou em Braga, não respeitando o passado. OBRAS QUE MANDOU FAZER NA SUA ARQUIDIOCESE. Monsenhor Ferreira fala da existência na sacristia da Capela de São Geraldo, da Sé, um quadro que dá uma interessante informação das obras que Dom Rodrigo mandou fazer durante o período que governou a arquidiocese bracarense. Por este quadro, que está hoje à guarda do Museu do Tesouro da Sé, podemos dar razão o que afirma, como já indicamos, quando logo no início da sua referência a Dom Rodrigo diz que “Depois de Dom Diogo de Sousa é certamente D. Rodrigo … o prelado a quem mais Braga deve”. No centro dessa pintura, debaixo do retrato do Arcebispo, tem a inscrição: “D. Rodrigo de Moura Telles, Arcebispo de Braga e Primaz das Hespanhas, premeditando grandezas eguais ao seu ânimo, ilustra o Arcebispado com sumptuosos edifícios para sua memória…” E assim se vão destacando as obras por ele mandadas executar, e onde, algumas ostentam o seu brasão de fé – as sete torres. No alto vemos Braga, com o seu Castelo (derrubado por uma barbaridade do primeira dezena do século XX), e um Pelourinho. Exibe o brasão prelatício, e à sua volta as obras fundadas ou por si auxiliadas ou beneficiadas, não só na cidade mas em outros locais da arquidiocese. Na sede arquiepiscopal destacam-se obras no Convento dos Remédios, Hospital de São Marcos ( concedendo-lhe água, como reza uma inscrição numa cartela nos Claustros ), Igreja dos Terceiros, Penha de França ( Convento e Igreja ), Aljube (hoje demolido) no Largo de São Francisco , S. Vicente, S. Sebastião das Carvalheiras que estava em ruínas e reconstruiu desde as fundações mudando até a orientação da porta de entrada para Nascente que, conforme as igrejas românicas, tinham a sua portada principal voltada para Poente, o Chafariz do Largo do Paço, Convertidas, Capela de Guadalupe e na igreja dos Congregados. Fez de novo a Capela Arcebispal no Paço dos Arcebispos (hoje demolida), com entrada pelo Campo de Touros (Praça do Município), com um bom retábulo e interessantes painéis, onde colocou o SS. Sacramento, cuja colocação tinha sido autorizada por um Rescrito da Sagrada Congregação dos Ritos, em 10 de Março de 1708. Fora da cidade, mas próximo, mandou construir o Convento de São Francisco, encostado ao templo de São Frutuoso, em São Jerónimo de Real. Na Falperra, e fora do aro do concelho de Braga, contribuiu para o Templo de Santa Maria Madalena, Bom Jesus de Fão, Igreja de Nossa Senhora da Aparecida, Conventos de Barcelos e Chaves e os Aljubes de Moncorvo e Valença. O retrato do Arcebispo, como se disse, está ao centro numa moldura oval, exibindo na sua mão direita, o seu brasão de fé, defrontando a sua obra máxima, o Bom Jesus do Monte, (que pela sua excepcional grandiosidade, merece e deixaremos para um outro caderno). Monsenhor Ferreira, o nosso habitual informador diz, na sua já citada obra, “FASTOS”, que “ O referido quadro é, como se vê, uma grata e erudita homenagem da Irmandade das Almas, da Sé Primaz, a santa memória do seu fundador e benfeitor”. Apesar de extensas as representações inseridas no quadro não apresenta a totalidade das obras do pequeno ( na estatura, mas grande nas suas obras ) de Moura Telles. Não menciona, por exemplo as obras que mandou executar na Sé, como a transformação da fachada, com a colocação no nicho a imagem em pedra de Nossa Senhora da Assunção, a modificação das torres sineiras, em suma toda a fachada, respeitando apenas a galilé gótica. O interior também sofreu alterações e acrescentos como o púlpito que ostenta o seu brasão. Uma nota em roda pé na pag, 240, do III tomo dos “FASTOS”, parece ser escrita nos dias de hoje. Para alguns acontecimentos recentes : diz essa nota; “ um Ms. de um autor coevo diz que “as paredes da Catedral eram de pedra de cantaria ( como estão hoje ) nuas, sem cal nem estuque, e, por esta razão e por ter as frestas mui pequenas, era ( o interior da Sé ) sumamente escuro, além de outros defeitos, que o zelo do Arcebispo e dos Capitulares emendou, pondo-o na forma que está hoje ( até cerca de 1939 ). Um contador da Fazenda da Mitra, Boaventura Maciel Aranha, achou-a “muito bonita”. Nota Ferreira :”conceitos daquele tempo. Já dizia Herculano que o mais ridículo e indecente elogio de um templo é ser bonito…” Mas Dom Rodrigo não se limitou só ao próprio edifício da Sé. Também interveio nas Capelas laterais, como a de São Geraldo, (enxertando, diz Ferreira, num templo do séculos XI-XII, uma capela do século XVIII ), na Capela de São Tomaz, hoje a dos Reis, de Dom Lourenço Vicente, ou de Nossa Senhora do Livramento, conhecida por qualquer destes nomes. Deixando a Sé, que muito mais haveria a dizer, passemos num grande salto e para terminar este caderno para o Largo do Paço com a construção do edifício central e o que faz gaveto com a rua do Souto, a Casa do Provisor também conhecida pela Casa do Guarda que, como a entrada principal do corpo central ostenta sobre a porta a representação das suas armas. Muito ficou por dizer sobre a obra do Arcebispo Dom Rodrigo, mas por esta pequena resenha, razão já é de sobra, para o considerar um grande antítese bracarense, quase comparável a Dom Diogo de Sousa. Braga, 16 de Março de 2009 LUIS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt www: bragamonumental2.blogs.sapo.pt www: varziano.blogs.sapo.pt


publicado por Varziano às 17:03
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