Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Rua Doutor Egídio Guimarães

RUA  DR.  EGÍDIO  GUIMARÃES

 

 

Situado por perto da zona do Carrefour, com início na rua Ambrósio dos Santos e com o seu términus na rua Robert Smith, na freguesia de São Victor, o topónimo Dr. Egídio Guimarães, foi atribuído pela Câmara Municipal de Braga, em homenagem póstuma ao distinto homem público que foi o Dr. Egídio Amorim Xavier de Sousa Guimarães, um poveiro ilustre, pois nasceu na Póvoa de Varzim, na rua do Almada em 4 de Julho de 1914, quando seus pais se encontravam a veranear naquela ridente praia nortenha.

Passou parte da sua infância em Inhambane ( Moçambique ), onde iniciou a instrução primária, regressando, depois, a Braga e, aqui fez o curso secundário no antigo Colégio Nun’Álvares e Liceu Sá de Miranda. 

 Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1940, concluiu em 1946, o Curso superior de Bibliotecário Arquivista com elevado classificação e frequentou o“Stage International des Archives”, no Arquivo Nacional de França, em Paris.

“Ainda muito novo apaixonar-se-ia pelo estudo comparado das línguas, tornando-se destacado poliglota quer falava fluentemente a língua de Cervantes, o francês, o inglês, o árabe, o romeno (de que traduziria várias obras), o italiano ( de que seria também tradutor e professor), o alemão, o russo, bons bocados de chinês, japonês, arménio e kimbundo, o latim e o esperanto, para além de ser ter dedicado ao estudo de outras 24 línguas de que conhecia apenas os rudimentos, mas em cujas gramáticas se embrenhava apaixonadamente à descoberta de relações insuspeitadas entre línguas do mundo”, conforme diz o seu curriculum a que tivemos acesso.

“Homem de sólida formação moral e cristã, e de irrepreensível comportamento moral e cívico, desde cedo se bateu convictamente por um conjunto de valores tradicionais”.

Em 1946, 26 de Junho, entrou ao serviço da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga, instituição a que ficou definitivamente ligado até à sua aposentação em 1984. Em 22 de Março de 1951, ascendeu ao cargo de 2º Bibliotecário-Arquivista, passando a ocupar, durante nove anos, o cargo de Director Interino, até que, finalmente, foi oficialmente nomeado seu Director.

A sua acção não se confinou à Biblioteca. A defesa, a preservação do património bracarense, o estudo das ruínas da cidade romana da Bracara Augusta, de conhecia a sua importância e interesse mereceram da sua parte uma das suas principais preocupações. Esteve na origem da realização de diversas campanhas de escavações e salvamento, como aquelas dirigidas por Rigaud de Sousa e Arlindo Ribeiro da Cunha, sendo até que por sua proposta se iniciaram as escavações na Falperra que “revelaram um património histórico de grande valor”.

Reconhecido o seu interesse e estudo pelo passado histórico da cidade, foi delegado da extinta Junta Nacional de Educação, no concelho de Braga, no domínio da arqueologia e belas artes.

Por todos estes motivos, quando nos finais de 1976, foi criada a CODEP- Comissão de Defesa do Património, (antecessora da ASPA), foi naturalmente convidado para integrar esse grupo que “levou a cabo acção extremamente meritória”. Logo, quando da fundação da ASPA, foi “pelo seu prestígio e respeito que impunha indicado como sócio nº.1, participando então em actos e iniciativa marcante da vida da Associação, como, por exemplo na defesa das ruínas da Cividade e nas exposições dos Cartazes de São João, no bi-centenário do Bom Jesus, apresentadas na Galeria do Museu Nogueira da Silva e na dos Postais Antigos de Braga, esta no Salão Nobre da então Escola do Magistério. Fez parte do 2º. Encontro Nacional das Associações da Defesa do Património, realizado em Braga.

Na Câmara Municipal, antes do 25 de Abril de 1974, foi vereador do pelouro de Cultura, desde 1 de Janeiro de 1964 e durante oito anos, “deixando marcas indeléveis da sua passagem por este pelouro”. Fez parte das Comissões Municipais de Arte e Arqueologia e ainda da de Toponímia, onde chegou a ser presidente.

Colaborou em várias publicações, como a “Bracara Augusta”, onde durante 25 anos foi director e membro do Conselho de Redacção, coincidindo com o seu período de grande apogeu. Fez parte das comissões organizadoras dos congressos patrocinados pelo Município, como o de São Martinho de Dume, Congresso de Filosofia, o Colóquio Suévico Bizantino, o Congresso do Portugal Medievo, o de São Frutuoso, de cujo projecto foi autor.

Colaborou ainda nas revistas “Minia” e “Fórum”, além de vários trabalhos seus ligados à história como ao seu múnus e ainda na apresentação de várias publicações.  

O seu prestígio ultrapassou as fronteiras nacionais ao ser nomeado em 1952, Vice-Presidente da Accademia Mondiale Degli Artisti e Professionisti, sediada em Roma.

Em 1989, dado o seu prestígio na cidade de Braga, foi convidado a integrar a lista candidata à Câmara. Apesar dos seus 75 anos aceitou, tendo sido eleito como vereador, pelo PSD, como independente, lugar que ocupou até que a morte o veio a surpreender no dia 27 de Dezembro de 1990, ano em que tinha recebido, pela mão do então Presidente da República, Dr. Mário Soares, a comenda da Ordem de Mérito. No ano seguinte, foi-lhe atribuída, postumamente, a Medalha de Honra do Município, a mais alta condecoração atribuída pela Câmara.

Eis aqui um pouco do curriculum de um homem bom que deixou marcas inesquecíveis na cidade que amou, desinteressadamente.

 

Braga, 10 de Maio de 2008      

                                                  LUÍS COSTA  

 

         

 

 

 



publicado por Varziano às 15:28
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