Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Sameiro 2
Sameiro-continuação das três primeiras páginas – SEGUNDO escrito Ao tomarem conhecimento de que o estatuário tinha a obra pronta, tratou-se da sua remessa para Braga. Poderosas juntas de bois se prepararam para o transporte. Quando se anunciou que o trabalho estava concluído a notícia provocou alegria sem limites em Braga. A população, que a aguardava, acudiu em delírio para os caminhos e ruas por onde devia passar para aclamarem aquela, que um bloco de mármore tinha sido cinzelado com tanta formosura reproduzida que todos diziam : TANTA BELEZA SÓ NO CÉU !... A chegada a Braga, teve lugar no dia 6 de Agosto de 1869. Pelas três horas da tarde, uma girândola de foguetes e o repique festivo dos sinos, diz o padre Fernando Leite, na obra que vimos seguindo, anunciavam a sua chegada à Roma Portuguesa. Desde a sua chegada esperavam-na à Porta Nova da Cidade, enorme grupo de bracarenses, pode dizer-se a cidade em peso aglomerou-se em todo o circuito até ao Paço Arquiepiscopal, em cujo átrio ficou exposta durante seis dias à admiração de numeroso grupo de fiéis. O som de bandas de música e o estrondo estonteante de dúzias de foguetes assinalavam o cortejo. A saída da imagem para o alto do monte foi marcada para o dia 12 de Agosto. À saída a banda do R.I. 8 tocou os acordes de despedida. Transportava-a, com dificuldade um enorme “carrão”, puxado por 15 juntas de bois, postos à disposição pelos lavradores das redondezas. Ao chegar próximo do pedestal os sinos repicaram festivamente e o foguetório anunciava a grande novidade e a graça concedida de ter chegado ao local sem outros percalços que não a dificuldade do trajecto. Todo o restante do dia foi consumido numa constante labuta de grandes esforços para colocar a formosa imagem no pedestal, cujo efeito só foi concebido já no crepúsculo, ao toque das Avé-Marias. Nessa altura a música rompeu com o Hino Pontifício e salvas de palmas e salvas de morteiros ecoaram por aquelas alturas, assinalando tão notável acontecimento. A bênção solene da estátua realizou-se no último domingo do mês de Agosto, festa do Imaculado Coração de Maria. A Solenidade tomou um carácter de magnificência e entusiasmo que perdurou pelos anos fora e é a razão de que, ainda hoje, se peregrine nesse último domingo de Agosto. Pelas seis horas dessa gloriosa manhã, organizou-se a partir do Bom Jesus. Esperou-se pela chegada do Arcebispo Primaz, Dom José Joaquim de Azevedo e Moura, para dar-se inicio à peregrinação até ao alto do Sameiro, para Sua Reverendíssima proceder à bênção da Sagrada Imagem, proceder à Santa Missa, e dar assim por terminada a festividade religiosa, não obstante que popularmente se prolongasse pelo restante dia. Na fase do pedestal onde ficou colocada a imagem, em palavras latinas tinha em cada quatro faces as inscrições, que para facilidade de compreensão daremos a tradição para vernáculo: No primeiro dizia : “No dia 8 de Dezembro de 1854, é definido o dogma da Imaculada Conceição pelo Papa Pio IX. Toda sois formosa… e em vós não há mácula. No do lado Sul: No dia 14 de Junho de 1637 ( a doutrina da Imaculada Conceição ) é afirmada com juramento pela Igreja de Braga. Protegei esta cidade. No lado Nascente : No dia 25 de Março de 1646 é jurada pelos três Estados do Reino. A nação e o reino que não se empregar ao vosso serviço, perecerá. No lado Norte : No dia 29 de Agosto de 1869 este Monumento é consagrado solenemente. Será exaltada no meio do seu povo.” Depois da bênção do Monumento segundo as prescrições do Ritual, irromperam numerosas salvas de foguetes, e de todos os lábios se fez ouvir o Hino da Imaculada, letra do Padre Martinho e música de Joaquim José Rodrigues da Silva, natural de Braga, mas na altura residente nos Arcos. Acabada a bênção, o Venerável Arcebispo entoou a Ladainha a Nossa Senhora e no fim todos os fieis acompanhados pelo Antístite dirigiram-se para o Santuário do Bom Jesus (no Sameiro ainda não havia templo) a fim de assistirem à Missa Solene celebrada pelo Arcebispo de Braga. Antes, porém, foi lido um telegrama de Sua Santidade em que concedia “com efusão do seu coração” a bênção à cidade de Braga e a toda a Nação Portuguesa, novidade por não ser habitual, encheu de júbilo todos os presentes. Este monumento durou catorze anos, pois veio a ser destruído, numa tenebrosa e tempestuosa noite de 9 de Janeiro de 1833. Várias foram as teses apresentadas tentando desvendar o mistério da destruição, mas nada de concrecto se chegou a apurar. Nomeada um Comissão para averiguar não chegaram a consenso. Entre o católico povo, corria a versão de que tinha sido obra da maçonaria, sempre pronta a atacar a ideia de um monumento comemorativo do dogma definido por Pio IX, contra quem se insurgia a impiedade da época, quase final de um século de novas ideias, ainda ressentidas da Revolução Francesa. Ataque orientado Maçonaria, como afirmava um jornal da época ao aludir estar “sempre pronta aos subterrâneos tenebrosos onde vive como toupeiras”. Outros porém afirmavam que a destruição se devia ao grande temporal e forte vendaval, acompanhado por tenebrosa trovoada, em que um raio tinha atingido o grande monumento. Havia ainda outros que atribuíam o desastre ao facto do espigão que fixava o monumento ser um ponto muito fraco para sustentar tão grande monumento e resistir aos vendavais que no local eram frequentes. Estava em construção em frente do monumento o templo, e os operários que lá trabalhavam não tinham notado qualquer anomalia, nem qualquer suspeito que por ali andasse durante todo o dia. Mas opiniões dividiam-se quanto ao desastre. Para a Comissão, uns achavam que deveria ter sido causado por uma descarga eléctrica, portanto atingido por um raio mas, contra esta sugestão, opinavam outros que se assim fosse, o que teria sido atingido, em primeiro lugar teria sido o diadema da Senhora, em bronze, e nele não havia qualquer sinal de descarga eléctrica. Quanto ao atentado maçónico, com dinamite, também esta hipótese era posta de lado, porquanto teria que haver sinais da explosão – por exemplo fragmentos queimados pela explosão e nada disso aparecia. Restava a explicação do espigão não resistido, ao violento embate da ventania mas, contra essa, respondiam os técnicos que o ferro estava intacto e já tinha resistido a outros temporais. Um dos jornais da época “O Comércio do Minho”, não tinha dúvidas em artigo publicado em 18 de Maio de l874, aludia à influência maçónica dizendo : “Observam-se escancaradas e medonhas as portas de escuros antros, onde domiciliam, e disciplinam poderes infernais. Irrompem de lá em chusma, alastrando o mundo, os aliciados de todos os matizes e os seus tripúdios hediondos celebram-se em toda a parte e calculada preferência onde resplandecer um raio de luz do Vaticano…# Cada qual defendia o se parecer e até, num folheto posto a circular em 27 de Janeiro de 1883, escrito por um devoto de São Jerónimo de Real, Narcizo José de Sá – por acaso cheio de palavras incompreensíveis e erros de ortografia, como o demonstra o título “O ASSASINATO DE N. SENHORA DA CONCEIÇÃO DO SAMEIRO” ou na apresentação do folheto: “Offerece esta pequeninha desquerepção ,,,” - , optando pelo “dilamite”, obra de explosão de descrentes, maçónicos, protestantes que por certo nem os diabo os quer no inferno, e também não acredita na teoria do raio, nem tampouco nos “efuvios”, das águas quentes das nascentes das Taipas. Para ele, foi obra de excomungados. … / …


publicado por Varziano às 15:28
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